sábado, 16 de setembro de 2017

'Cause Baby, It's You!

Naqueles tempos ainda não tinham "inventado" a tão propalada auto estima... senão a minha estaria nos negativos. Nos tempos da adolescência,(e ainda hoje...) eu movia-me muito entre a elevação e o desnível do humor - mais este do que aquele, para falar verdade.

E, nos dias em que (não interessa lembrar os motivos) me sentia muito, muito pequenina, refugiava-me nesta canção.

Hoje (não interessam os motivos)  também me senti muito pequenina e... lembrei-me da canção.

Fui à procura dela no incansável YouTube e, para além da versão dos Beatles, que era a que eu ouvia naquele tempo, encontrei uma versão anterior por uma girls band que eu desconhecia e outra mais moderna na voz poderosa de Adele.

Ficam aqui todas e, se tiverem paciência para as ouvir, falem das vossas preferências.














quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Um dia não muito longe...

... nem muito perto...


Às vezes sabes sinto-me farto
por tudo isto ser sempre assim
Um dia não muito longe não muito perto
um dia muito normal um dia quotidiano
um dia não é que eu pareça lá muito hirto
entrarás no quarto e chamarás por mim
e digo-te já que tenho pena de não responder
de não sair do meu ar vagamente absorto
farei um esforço parece mas nada a fazer
hás-de dizer que pareço morto
que disparate dizias tu que houve um surto
não sabes de quê não muito perto
e eu sem nada pra te dizer
um pouco farto não muito hirto e vagamente absorto
não muito perto desse tal surto
queres tu ver que hei-de estar morto?


Ruy Belo – ‘homem de palavra(s)’






quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O Homem medida de todas as coisas...

Protágoras, o sofista, foi quem disse...

Leonardo da Vinci desenhou...




Nós apenas lhe demos uma boa companhia... Que vos parece?




terça-feira, 12 de setembro de 2017

Amanhã começa a escola



Dois dos meus netos mudam de ciclo este ano: a mais velha vai para o 2º ciclo, para uma escola nova para ela, no centro da cidade, ela que fez sete anos numa bela escola da periferia. O mais novo vai entrar no 1º ciclo na dita excelente escola da periferia. Estão expectantes, ansiosos, nervosos, naturalmente. Mas a mãe está bem mais nervosa do que eles… E não adianta que seja, ela própria, professora de carreira com alguns 20 anos de serviço por esse país fora. Quando nos toca nos nossos filhinhos é sempre de outra maneira…

É neste âmbito que trago aqui algumas das considerações apresentadas num artigo que uma jornalista escreveu na revista do DN a propósito da entrada da filhita para o 5º ano. Da escola pública, claro. (Como os meus netos – absolutamente fora de hipótese o ensino privado.)

Diz ela: «A minha escola era parecida com a da Rita. Pública. Aprendi (mais ou menos) as mesmas coisas, da mesma maneira. Na verdade, e isso é um pouco desconcertante, o ensino em Portugal não evoluiu muito em trinta e tal anos. E, no entanto, aqui estou eu, filha da escola pública, a escrever esta crónica, com o suficiente pensamento crítico para dizer que preferia uma escola diferente. Não me entendam mal. Não sou ingrata. Defendo-a com unhas e dentes. E é por isso que queria que também ela, a escola, crescesse, não olhasse para trás e fosse mais feliz.»

Muito bem. Tem alguma razão. Alguma apenas porque a dita jornalista é jovem por de mais para fazer uma pequena ideia do(s) salto(s) imenso(s) que a escola pública conseguiu dar entre os anos 70 e os anos 90. Mas, pronto! essa é outra discussão.

E como pretende ela que a escola cresça? Muito simplesmente – e aí é que eu, que acompanhei de perto e bem por dentro a escola desde antes da Revolução até há bem pouco tempo, concordo a 100% com a jovem jornalista. Diz ela: «Que se deixasse de rankings e de quadros de honra com cheiro a bafio e de turmas em que se juntam os melhores alunos e os melhores professores a trabalhar para os resultados, enquanto outras acumulam quase trinta miúdos.»

Isso mesmo! Acabe-se com a competição entre escolas, entre turmas, entre alunos! Americanices que, infelizmente, se importaram da gestão de empresas. Só que A ESCOLA NÃO É UMA EMPRESA! Para quê os rankings? Para quê os quadro de honra – como nos cinzentos tempos salazaristas? Para quê a competição entre turmas? Para quê formar as abomináveis turmas de nível em que se separam os bons para um lado, os médios para outro e os ditos maus para outro? Para quê as execráveis e pouco fiáveis avaliações externas que a Inspeção-Geral de Educação lançou há uns dez anos? Competição, mais competição, mais competição!

Em três dias, chegam três inspetores aos agrupamentos e, se não lhes forem apresentadas resmas de documentos – e quando digo resmas, podem crer que são mesmo resmas – mesmo que cheios de mentiras e de abstrações, mas muito bonitos, com muitos gráficos e estudos comparativos e outras belezas que a informática inventou, podem ter a certeza que a escola fica imediatamente avaliada por baixo. Mesmo que os resultados dos alunos sejam excelentes e que os pais prefiram aquela a outras escolas.

Para isso, os professores gastam horas e horas e todas as suas energias em reuniões intermináveis e a preencher papéis e mais papéis. Em vez de terem tempo para estudar, para aprenderem mais sobre pedagogia, para criarem formas renovadas para as suas aulas.

Assessment, mais assessment, e mais assessment à americana!

Outra vez e outra vez mais nos concentramos no acessório e deixamos escapar o essencial.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Para que nunca nos esqueçamos

O dia 11 de Setembro lembrado pelos piores motivos. A queda do democrata chileno Allende substituído pelo ditador Pinochet (1973) e a queda das Torres Gémeas em Nova Iorque (2001).



domingo, 10 de setembro de 2017

Que terá A Amiga Genial de tão genial?

A ler freneticamente «A Amiga Genial» da misteriosa autora italiana Elena Ferrante. Provavelmente muitos de vós passaram já por isso, já que a primeiro volume da tetralogia saiu em 2015 e teve muita publicidade. Também sei que tem sido um verdadeiro sucesso de vendas. Mas eu comecei a lê-lo há um mês e já vou a meio do 4º e último volume – eu que não sou uma leitora voraz.



Trata-se de um romance, romance e mais nada! Na verdadeira aceção da palavra, ou seja: «uma obra literária que apresenta narrativa em prosa, normalmente longa, com factos criados ou relacionados com personagens que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas, numa sequência de tempo relativamente ampla.»

Então o que é que «A Amiga Genial» tem de genial?

Será talvez pelo simples facto de se tratar de uma história extremamente bem contada em que o leitor está constantemente a ser convocado para novos acontecimentos, novas intrigas, novos conflitos que ora dão sentido à ação que está a ser descrita explicando-a, desenrodilhando-a, ora criam teias que nos atiram para outras situações aparentemente díspares daquela em que estamos enfronhados. Toda a ação parece desenrolar-se sobre rodas, sem sobressaltos aparentes, numa naturalidade da água a correr ou de movimento diário do planeta. Só que o leitor sente-se tão preso ao fluir da narrativa que não tem como se despegar desse enleio. E a coisa está tão bem urdida que, quando se chega à última palavra de cada volume, há não sei o quê que nos empurra insanamente para o volume seguinte, como se alguma frase tivesse ficado a meio.

A história é de uma simplicidade extrema: conta-nos a vida de duas raparigas nascidas num bairro muito pobre de Nápoles nos meados do século passado, que se conhecem desde sempre, vão para a mesma escola, tornam-se amigas e nunca mais conseguem separar-se, nem que seja mentalmente, até à velhice. A narradora é uma delas e pretende-se que a amiga genial seja a outra de quem ela fala. Mas, pelo menos aos meus olhos, essa genialidade parece passar constantemente de uma para a outra, até nos fazer crer que vivem ambas na mente uma da outra e que, por isso, são inseparáveis.

A genialidade da obra constata-se na cerrada urdidura da história; no perfil firmemente traçado de cada personagem (e são muitas); na descrição intensa e apaixonada embora com o desassombradamente que evita as lamechices da realidade brutal vivida no bairro, em Nápoles e no país em geral; nos comentários históricos, políticos, sociais, culturais de uma Itália que passava, em clima de grande violência e agitação, os tempos mais difíceis da sua história recente, os chamados Anos de Chumbo, que vão sendo entrelaçados com o decorrer da ação, ela sim, cheia de sobressaltos. Um desassossego, um imenso desassossego que nos prende, nos enleia, nos apanha os pensamentos e as emoções de forma indelével.


Muito bom. Recomenda-se vivamente.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Amor para o fim de semana

E hoje lembrei-me desta canção lindíssima dos inícios de 50 (que deixo aqui) para deixar uma onda de amor para o fim de semana.

Notem os requebros românticos da música e imaginem-se a dançá-la.





Anos mais tarde, Júlio Iglesias, com aquela voz linda com que nos apareceu a cantar Gwendolin em 1970, deu-lhe uma nova melodia, um ritmo mais moderno, e cantou-a assim.






De qualquer modo, quer se goste mais de uma ou de outra versão,  tenham um fim de semana cheio de Amor, Amor, Amor...