É um assunto recorrente na nossa comunicação social. E não apenas no início
de cada ano letivo. Sabemos bem que, quando lhes dá jeito, lá vem a questão dos
manuais escolares, até porque é um tema sobre o qual toda a gente pensa que tem
certezas absolutas. Ou é pelo peso que os alunos têm de carregar às costas, ou
é porque deviam poder ser utilizados pelos irmãos e pelos primos e sei lá por
quem mais.
Ora bem: a mim parece-me que estes problemas não se resolvem com medidas
avulsas. Teria de haver um qualquer governo muito forte que não se importasse
de perder uma quantidade de simpatizantes (?!) e que decidisse cortar o mal
pela raiz.
Para que os manuais escolares não pesassem quilos e quilos nas mochilas dos
alunos e para que pudessem ser reutilizados por quem precise, bastava apenas
que nos deixássemos de “mariquices” de forma a retirar mais de metade das
imagens – algumas das quais bem tolas e bem feias – que são absolutamente
desnecessárias para a aprendizagem do conteúdos e que, na minha opinião,
funcionam até como motivo de dispersão da atenção. Qual é a necessidade de os
manuais de Português do 9º ano, por exemplo, gastarem páginas e páginas com
imagens (horrendas, muitas delas!) das personagens da Auto da Barca do Inferno
ou de Os Lusíadas? Os meninos do 9º ano já têm 14/15 anos pelo que não precisam
de bonecos ilustrativos…
Em segundo lugar, porque não habituar os alunos – já não digo a partir do
3º ano, vá lá! se bem que não visse nada de mal nisso, mas a partir do 5º ano –
a responder às questões propostas nos manuais no seu próprio caderno diário?
Assim os manuais poderiam facilmente ser reutilizados sem dramas.
E depois, para quê obrigar os pais a gastarem mais dinheiro em cadernos de
atividades (para todas as disciplinas!) que depois raramente são utilizados nas
aulas?
Com medidas tão simples como estas que aqui apresento, as mochilas deixavam
de fazer escolioses nas criancinhas e os irmãos, os primos, os vizinhos – se
não forem de uma exigência petulante – poderiam poupar um bom dinheirinho aos
pais.
O pior são as editoras! Ah as queridas editoras que deixariam de ganhar
rios de dinheiro à conta… Ah e depois vêm os professores defender que perdem
muito tempo a levar os alunos a responderem às perguntas nos cadernos…
Sabe bem quem está habituado a passar por aqui que não sou pessoa de cantar
loas ao “antigamente” e que detesto evocar aquele tempo “encantador” do “no meu
tempo é que era bom”. Bem sei que eu estudei num tempo bem cinzento da nossa
História que foram os finais de 50 e os 60, mas não posso deixar de me lembrar
aqui que os manuais por que estudei eram em não sei que mão – arranjava-mos a
minha tia que trabalhava num Liceu de Lisboa – e nunca andei carregada de
livros.
Claro! Os manuais eram densos e feios e não estou a prescrever isso para a
atualidade, mas, meus amigos, nem oito, nem oitenta!


