Fiquei a saber ainda há pouco que se podem registar os bebés dando-lhes
nomes nos seus graus diminutivos. Do estilo “Rosarinho”, “Carminho” e assim. Tive
uma colega que se chama Teresinha, nome que “ganhou” fora de Portugal. Mas
pensei que os nossos Cartórios não aceitassem diminutivos.
[Sempre lamentei muito as pessoas que têm de carregar o resto da vida com
um nome daqueles que são de fugir, apenas porque os paizinhos se apaixonaram
por determinada personagem de filme, de livro, de novela, de artista da
atualidade. E, pior ainda, porque era o nome do padrinho ou da madrinha. Mas
isso é outro assunto, além de que os gostos são muito discutíveis.]
Mas a propósito das Rosarinhos, das Carminhos e das Teresinhas, lembrei-me
de uma anedota muito antiga que o meu pai contava. Era assim:
«Era o primeiro dia de escola de uma turma da 1ª classe e a professora
começou a perguntar o nome aos seus novos alunos. E começou pelos da primeira
fila:
- Então como te chamas?
- Eu sou o Zezinho…
- Zezinho, não. O teu nome é José. E esta menina aqui, como te chamas?
- Eu chamo-me Mariazinha…
E a professora, cheia de paciência, lá a emendou: - Mariazinha, não. És a
Maria.
- E tu, a seguir, como te chamas?
- A minha mamã chama-me Manelinho.
E lá voltou a professora a emendar:
- Aqui és o Manuel. Aqui na escola não há –inhos…
E todos os meninos iam desfiando os seus «petit noms» enquanto iam ficando a saber que a professora não os ia
tratar pelos seus diminutivos.
Quando chegou a vez do último aluno dizer o seu nome, o pobre miúdo disse
muito embaraçado:
- Eu chamo-me Agosto, senhora professora…
- Agosto?! – responde-lhe a senhora. – Mas ninguém se chama Agosto, meu
querido!
- Eu chamo-me Agostinho… mas a senhora professora diz que aqui não há –inhos…»