segunda-feira, 12 de junho de 2017

Noites de Santo António

Hoje deu-me para isto - trovas a Santo António...
Quem quiser e tiver jeito, fica desde já convidado a acrescentar outras trovas a estas...


Ó noites de Santo António
Dos arquinhos e balões
Desejo de matrimónio
A pular nos corações!

Naquele tempo era certo
Qualquer jovem namorado
Que tivesse a moça por perto
Era casamento aprontado.

E elas, tontas de todo,
Em tudo acreditavam.
No dia seguinte, era o choro
Nunca mais os encontravam…

Iam chorar junto ao santo
Pedindo milagre d’amor
E com todo aquele encanto
Das moças cheias de dor

O santo casamenteiro
Prometia o que podia
Nem sempre sendo certeiro
O milagre que fazia…

Mas isto era antigamente
Nos tempos medievais
Agora é bem diferente
As moças sabem de mais…

As noites de Santo António
As novas noites de Lisboa
São levadas do demónio
Com vinho, sardinhas e broa!




sábado, 10 de junho de 2017

Pobre grande Camões...

D. Sebastião concedeu-lhe uma tença...
O grande, o imenso, o incrível Camões, como todos os homens - e mulheres - de enorme valor neste país são desprezados, afastados, postos de parte (quando não mortos como o grande Damião de Góis). 

E foi-lhe atribuída uma tença - uma esmola - de que Sophia tão bem falou.

Camões e a tença

«Irás ao Paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou seu ser inteiramente

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto

Irás ao Paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência

Este país te mata lentamente.»

Sophia, in Dual, 1972
....

Só que, como grande homem que era, ele conhecia bem os vícios das lusas gentes bem como o seu próprio valor. 

(...)
«O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
De hua austera, apagada e vil tristeza.»

(..) 
«Mas eu que falo, humilde, baxo e rudo,
De vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo, 
Que o louvor sai às vezes acabado.
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com larga experiência misturado,
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.»

in Os Lusíadas, Canto X.


Pobre grande Camões!

Para que conste!!



Leirienses - e não só! - bora lá?!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Tempo de dietas

O Verão aproxima-se a passos largos. O tempo de praia, de mar e de Sol. Tempo de vestir o bikini ou o maillot de banho. Tempo de dietas para perder uns quilitos e reduzir uns centímetros.

Que tal experimentar esta dieta? Parece que é absolutamente infalível...





quarta-feira, 7 de junho de 2017

Conversas dramáticas


(Na cabeleireira)

(…) «Perguntaram pelo seu marido, D. Ernestina, e eu disse-lhe que tinha morrido.»

«Ai, D. Cristela, foram 56 anos de tormento! Quando tinha 48 anos, bem quis separar-me, mas ninguém me apoiou e tive de aguentar todos os dias de maus-tratos. Agora censuram-me porque ando vestida de preto, mas foi o meu filho que me pediu e agora tenho a roupa preta, tenho de a usar. Pelo menos até Agosto… Olhe mas ainda bem que ele morreu no hospital, foi uma sorte para mim.» (…) E caiu-se num silêncio pesado…
…..

(…) «Olha, esta também é viúva. E este também é viúvo! E este também? Ou já morreram? Têm uma cruz cada um…»

Pergunta a Cristela: «Que cruz? O seu facebook é mais atualizado que o meu? Deixe ver… Ah, essas fotos com uma cruz! São pessoas que não são suas amigas e a quem você pode pedir amizade!... » (…) Risos e gargalhadas, muitas gargalhadas…
….
(…) Diz a Cristela: «Se precisar de organizar uma festa, a qui o filho da D. Fernanda organiza eventos, festas, com brinquedos e tudo o que for preciso. A D. Fernanda faz bolos muito bons. E olhe que até já organizou festas de divórcios.» (…) Sorrisos e olhares enigmaticamente disfarçados…

....

As conversas são reais: ouvi-as hoje na minha cabeleireira. Só os nomes são fictícios. 

Dramáticas, cada uma à sua maneira e no seu tom. Porém, muito mais dramático, foi ver aqui na rua uns papéis colados no portão de uma vizinha que quase apelavam à sua leitura. E eu fui ler. Eram do tribunal. E lá estavam os nomes do vizinho e da vizinha e, por baixo, o apodo de «insolvente». Não li mais. Senti que estava a violar a privacidade daquelas pessoas. Senti-me incomodada, chocada, ultrajada - podia ser eu ou alguém da minha família!

Assaltou-me de imediato o pensamento: «Será que colaram papéis destes na porta da casa do Duarte Lima? Do genro do Cavaco?»

Dramático, no mínimo!!



terça-feira, 6 de junho de 2017

As Festas de Lisboa

Leio que começaram no passado dia um as Festas de Lisboa. 

Agora a festa anda toda em redor das sardinhas decoradas que são muito bonitas, muito atraentes e têm puxado pela criatividade de tantos e tantos artistas.







Já houve tempos em que foi Almada o desenhador oficial das Festas de Lisboa.














Agora vejam esta surpreendente sardinha das festas de 2013.





segunda-feira, 5 de junho de 2017

As piscinas de S. Pedro de Moel

Posso dizer que é a minha praia do coração. Visitei-a pela primeira vez em finais de 60 pela mão do meu namorado da época (e atual marido) que passava lá os verões desde criança e logo me apaixonei por aquele cantinho implantado entre o pinhal do rei e o mar.

Praia de grande prestígio à época (lembro-me de como algumas pessoas ficavam admiradas quando, ainda a viver em Lisboa, eu dizia que vinha passar férias a S. Pedro de Muel – escrevia-se assim e eu gosto!) tinha já um moderno complexo de piscinas que até teve direito a ser inaugurado pelo Presidente Tomaz. Fez 50 anos no passado dia 1, leio no Jornal de Leiria.

De referir que era local de veraneio de gente rica, grandes e lindas moradias de férias dos industriais de Leiria e da Marinha Grande incrustadas no pinhal, tudo muito bonito, muito arranjado.

«Natural da Marinha Grande, José Nobre Marques era sócio de José Lúcio da Silva em fábricas de plásticos e borrachas. "O José Lúcio da Silva oferece o teatro a Leiria e o José Nobre Marques ficou assim um bocado pendurado na opinião pública, porque também era um homem muito rico. E então ofereceu as piscinas", conta Gabriel Roldão Pereira, morador em São Pedro de Moel e investigador da história local.»  (in JL)

O complexo das piscinas incluía piscina olímpica, restaurante, esplanada, salão de festas, cinema, bar - todos os equipamentos de lazer e bem-estar para a classe alta e média-alta daquele tempo. Era chique. E caro! Lembro-me de ter isso lá almoçar uma vez com o meu (já) noivo e pagámos cento e vinte escudos! Nessa altura eu almoçava na Tarantela, na D. Estefânia, por uns doze a quinze escudos no máximo…


(postal dos anos 70)

Muito mudou e se alterou neste cinquenta anos, mas as piscinas lá se foram aguentando com adaptações, com altos e baixos de lucros e de gestão até que fecharam em Setembro de 2013 e, desde então, encontram-se abandonadas e praticamente em ruínas. Uma tristeza!

Vejam só...