segunda-feira, 8 de maio de 2017

Conhecem Poortugaal?

Pois eu nem fazia ideia da existência de um lugar com este nome. Quando recebi a informação, pensei que seria (mais) uma brincadeira acerca do nosso belo país.

Poortugaal é uma cidade cujo nome deriva de Portugal situada perto do município de Roterdão.



A história da povoação data do Século XV e tem uma igreja desse período.




A região envolvente de Poortugaal, nos arredores de Roterdão, já era habitada no século IV AC. Cerca de meio milénio depois, os romanos tentaram fixar‐se no território que só viria a ser povoado, de modo estável, a partir do século IX.

Por volta de 1170, os moradores da região começaram a defender‐se do desnível das águas através da construção de diques.

Foi assim que surgiu um primeiro polder com cerca de cem hectares. No centro desse polder edificaram‐se diversas construções em madeira.

No século XIII, a sul do sistema de diques já existente, foi‐se concentrando alguma população que não dispunha de terra (denominada mais a sul por servos da gleba) e que acabaria por dar origem à atual povoação de nome Poortugaal.

O antigo porto de Poortugaal, ligado ao Rio Maas, foi um dos locais onde os portugueses estabeleceram relações comerciais com os holandeses.

A existência, ainda hoje, de uma família com o nome “Tempelaar” confirma as relações comerciais entre Portugal e a Holanda.

O ramo mais antigo dessa família remonta a 1574, embora haja descendentes com variações desse mesmo apelido, nomeadamente “Tempelar”, “Tempeler”, “Tempelers” ou “Tempelaer”.

O Convento de Cristo de Tomar, ostentado no brasão de algumas famílias, indica que a genealogia deriva da ligação à ordem portuguesa dos Templários. Não foram encontrados vestígios de origem judaica portuguesa na sequência das perseguições inquisitoriais do século XVI na Península Ibérica.

No início do século XIV, foi construído em Poortugaal o castelo de Valckesteyn que, além de prisão, chegou a ter razoável importância militar em toda a região. No século XIX acabaria por ser demolido e no seu lugar encontra‐se hoje o bosque do mesmo nome, o Vasckesteynbos.



Após a transformação de toda a região em polder, Poortugaal cresceu bastante, sobretudo após a Segunda Grande Guerra Mundial, e passou a rivalizar diretamente com Rhoon, a outra terra do concelho de Albrandswaard, situado a norte do Rio Maas e a sul do grande concelho de Roterdão.



Esta é a bandeira da antiga municipalidade de Poortugaal nos Países Baixos, que foi criada por Klaes Sierksma e adoptada em 3 de Maio de 1965. As armas têm realmente origem portuguesa como está fácil de ver.


Imagens de Poortugaal em 1920.






Ah! E até encontrei, aí pela net, um gatinho Poortugaal(ense)...




domingo, 7 de maio de 2017

Texto politicamente pouco correto

É como do dia da mãe e o dia do pai e da tia e do sobrinho – nesses dias são palavras bonitas, flores, bolos e chocolates; são poemas, fotos antigas, lágrimas de amor e de saudade e outras hipocrisias (eu avisei que ia ser pouco correto!)

Os livros e as leituras e a poesia e ler em geral são também conceitos e artefactos que apenas são heroicizados nos dias de. Depois … oblivion!

A Livraria Arquivo (que eu não me canso de aqui mencionar) bem como a Biblioteca Municipal fazem de tudo para trazerem à cidade escritores de nome e de renome. Desde Mário de Carvalho até Eduardo Lourenço, de Maria Teresa Horta até Mega Ferreira e a Teolinda Gersão, de Lobo Antunes a Mário Cláudio e a Teresa Rita Lopes e outros muitos. Os últimos que fui ouvir foram mesmo Pedro Mexia e, ontem, Gonçalo M. Tavares. As salas, quer da Arquivo, quer da Biblioteca são de mediana dimensão e, mais ou menos, enchem. Os que vamos assistir – e eu não sou por de mais assídua! – somos quase sempre os mesmos: já nos conhecemos, ou já nos conhecíamos, sei lá!

Mas, o que mais me espanta e dói é ver que, de três grandes escolas secundárias e mais quatro grandes EB2/3 que agregam uma miríade de escolas do 1º ciclo e do pré-escolar – isto sem falar nos colégios religiosos que são dois e grandes – não se encontra um professor(a)! Os que lá vão estão já aposentados e somos quase sempre os mesmos. Nem imaginam como lamento! E não me venham com a desculpa da falta de tempo, dos muitos trabalhos burocráticos e outros porque eu sei do que falo. Preguiça? Indiferença? Arrogância ou simplesmente medo?

Os professores – e que me desculpem as exceções, que as há e boas, mas poucas – sentem-se muito senhores da sua sabedoria; fizeram o seu cursinho, entraram na(s) sua(s) escolinha(s) e pronto! não precisam de mais nada! Nem de ler (mais), nem de estudar (mais), nem de se informar (mais), nem de ir ouvir quem sabe mais do que eles! Pequeninos na sua pretensa grandeza. Naquela grandeza que lhes vem dos manuais com as perguntas todas, com as respostas todas, com as planificações todas das quais não arredam pé nem por decreto! Por isso recusaram ser avaliados.

Hoje, assisti a mais um espetáculo deplorável. Numa destas efemérides de Março/Abril centradas no livro, a Livraria Arquivo homenageou largamente a escritora de literatura juvenil Ana Pessoa, especialmente pela sua última obra Mary John, e convidou-a a vir a Leiria. Ora a jovem escritora mora e trabalha como tradutora em Bruxelas pelo que teve de pôr férias para cá vir e calhou ser hoje o dia da sua presença por cá.

A apresentação e entrevista estiveram a cargo de uma professora bibliotecária de um dos Agrupamentos de Escolas da cidade que se fez acompanhar de quatro alunos de uma turma do 9º ano, curiosamente três rapazes e apenas uma rapariga, que leram e exploraram o livro e prepararam uma excelente entrevista. Tudo bem, não vos parece?

Pois pasmem, meus amigos! Dos pais dos alunos, apenas os de um estiveram presentes. Para se deslocarem à livraria que está situada no centro da cidade, vivendo eles nos arredores, teve a professora bibliotecária de os ir buscar e levar. Dos professores dos alunos, apenas a professora da opção esteve presente; nem a Diretora de Turma, nem mais nenhum dos professores da turma. Da direção da escola, ninguém. Do Departamento de Línguas – ai as leituras, ai os livros, ai os alunos não leem! – ninguém! Das outras escolas todas, ainda menos. Não é verdadeiramente arrepiante?

Ah, porque era domingo! Porque estava um dia de verão! Porque havia a Feira de Maio! Ah, porque veio a TVI e transmitiu em direto! Ah! Que bons somos em desculpas!!

Por isso não vamos votar, por isso não intervimos, por isso embiocamos em nós próprios … porque estava a chover, porque havia o Sporting-Benfica, porque era dia de praia, porque os políticos são todos iguais, porque, porque, porque…

O filósofo José Gil, que sabe muito disto e não politicamente incorreto como eu, chama-nos «o país da não-inscrição» e acrescenta e bem que isso «é possível porque as consciências vivem no nevoeiro.» (O Medo de Existir, 2005,p. 18)

Na montra da Arquivo

sábado, 6 de maio de 2017

Romance em doze linhas


"quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu."


 (do livro Rua da Padaria, da Bruna Beber)


Será o amor ou a vida que cabe no espaço de doze linhas apenas?




sexta-feira, 5 de maio de 2017

Thonis-Heracleion

Recebi de uma amiga e não conhecia: uma importante cidade egípcia submersa há 1200 anos e descoberta pelo ano 2000.

É a cidade Thonis–Heracleion — Thonis, como era conhecida pelos egípcios, e Heracleion, como era chamada pelos gregos. Localizada a pouco menos de 10 metros de profundidade no Mediterrâneo, na Baía de Abukir, próximo a Alexandria, depois de quatro anos de levantamentos geofísicos, já que a cidade se encontrava enterrada sob toneladas de areia e água.

A descoberta foi realizada pelo arqueólogo francês Franck Goddio com uma equipa o Instituto Europeu de Arqueologia Submarina.

Segundo Goddio, Thonis–Heracleion provavelmente foi fundada no século 8 a.C. — antes mesmo de Alexandria — e era o porto de entrada no Egito para todas as embarcações provenientes da Grécia. Além disso, a cidade também tinha importância religiosa, graças à presença de um grande Templo de Amon e Khonsou. Mas, por volta do século 8 d.C., devido a uma série de catástrofes submarinas, a cidade acabou por se afundar completamente no Mar Mediterrâneo.

Embora se soubesse da existência da cidade devido a registos históricos e algumas inscrições encontradas por arqueólogos, nunca alguém havia encontrado qualquer vestígio do porto.


Lendas

Heródoto disse que Heracleion fora visitada por Paris e Helena de Troia. Acreditava-se que Paris e Helena foram presos lá na sua fuga do ciumento Menelau, antes do início da guerra de Troia.  Também se dizia que a cidade fora visitada por Helena e Menelau tendo sido alojados pelo nobre egípcio Thon – de quem a cidade recebeu o nome de Thonis. Outra lenda diz que o próprio Heracles, (ou Hércules) visitara a cidade e daí o nome de Heracleion.


A cidade foi mencionada pelos historiadores da Antiguidade Diodoro, Estrabão e Heródoto.





quinta-feira, 4 de maio de 2017

A piada não é minha...

A piada não é minha, é de um amigo, colega de profissão e de facebook que tem um tremendo sentido de humor, mas quando li, ri a bom rir.

«Depois de construir um Galo gigante em Barcelos e um Terço gigante em Fátima, cuidado! não deixem a Joana Vasconcelos ir às Caldas!»


(foto da nossa amiga e ex blogger Rosa dos Ventos)


Cuidado, Manu não a deixes ir às Caldas!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Questa piccolissima serenata...

Desde ontem que esta canzonetta não me sai da cabeça... Eu e as minha memórias musicais!

Uma canzonetta italiana dos idos de 50 e que era assim:



E eu que até tive um gira-discos como aquele...

Agora divirtam-se com a cena de um filme (Totó,Vittorio e la dottoressa) dessa mesma década em que a canzonetta é apresentada ao vivo num jantar dançante.





segunda-feira, 1 de maio de 2017

Celebrando Maio



Rosa Vermelha

A esposa do guerreiro está sentada à janela.
De coração aflito, borda uma rosa branca numa almofada de seda.
Picou-se no dedo! Seu sangue corre na rosa branca, que se torna vermelha.
Seu pensamento vai ter com seu amado, que está na guerra
e cujo sangue tinge, talvez, a neve de vermelho.
Ouve o galope de um cavalo...Chega enfim seu amado?
É apenas o coração que lhe salta com força no peito...
Curva-se mais sobre a almofada e borda com prata
as lágrimas que cercam a rosa vermelha.

     Li Po

    (Tradução de Cecília Meireles)




Lenda

"Não colhas essas rosas.
As rosas,
Irmãs na terra das estrelas,
São mais lindas nos olhos que na mão.
Contenta-te em vê-las.

Deixa-as na haste,
Cor de púrpura e ouro.
Se as colheres, as rosas morrerão."

Não quis ouvir o teu agouro.
Colhi todas as rosas que nasceram
Nos caminhos por onde me levaste
E as rosas não morreram....

(Álvaro Moreyra
1888-1964)



TÃO CEDO PASSA TUDO quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
        Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe
        E cala. O mais é nada.

(Odes de Ricardo Reis)