Esta altura do ano está cheia de Dias Mundiais. O da Saúde foi celebrado
ontem, dia 7. A data foi escolhida pela Organização Mundial de Saúde em 1948,
aquando da organização da primeira assembleia da OMS e, desde 1950, que no dia
7 de abril se celebra o Dia Mundial da Saúde.
Todos os anos a organização escolhe um tema para ser debatido e, este ano,
o tema escolhido foi a depressão,
com o lema "Let's talk" – Vamos falar!
Realmente, é muito importante que se fale sobre esta doença – porque é, de
facto, de uma doença que se trata e não uma “mania”. Há anos que me esfarrapo a
dizer que uma depressão é tão doença como uma hepatite, uma infeção, uma perna
partida, embora as pessoas tenham uma enorme simpatia, uma grande compaixão
pelo doente que tem queixas do coração, do fígado, dos pulmões do que do pobre
desgraçado que diz que está num processo de depressão. Não faltarão os
comentários mais depreciativos, mais torpes, mais injustos. «Tem mas é falta de
trabalho!» «Falta de peso!» «Não sabe o que há de fazer ao dinheiro.» «Mimo a
mais!» ou, pior que todos, aquele que ouvi aos meus ouvidos quando não
conseguia dormir mais do que três ou quatro horas por noite: «Graças a Deus
nunca tive de tomar nada desses medicamentos para dormir: sempre dormi de
consciência tranquila» - Foi das maiores maldades que me disseram.
Por outro lado, são os próprios doentes que se recusam a admitir que estão
realmente doentes “porque sabem que estão doentes mas não querem ir ao «médico
dos doidos», porque não querem tomar medicamentos que «viciam, engordam e não
fazem nada» e porque sabem que quem se queixa desse tipo de coisas são pessoas
«fracas da cabeça».” Mesmo entre a família há olhares desconfiados, e dizem e
redizem que a vida tem de continuar. Não acreditam que esteja verdadeiramente
doente, com uma doença «de verdade».
Por isso há que falar! "Let's talk".
E depois, as pessoas que, felizmente, não têm tendências depressivas e que,
felizmente, nunca tiveram aquele imenso nó na cabeça, ou no coração, ou no
estômago, ou sei lá onde que durante meses, anos a fio teima em não se desatar,
gostam de nos dizer: «Vá, não estejas triste! Não penses nisso! Distrai-te!» ou
«Mas qual o motivo por que estás assim? Tens todos os motivos para seres feliz!» ou «Tens de te esquecer dessas angústias! Tens de ter força e sair
disso!»
Por isso há que falar! "Let's talk".
«Como com outras doenças, [a depressão] pode acontecer independentemente
dos eventos de vida. E ninguém pergunta a um doente oncológico: “Como é que
tens um cancro, se tens uma vida ótima?” Temos de tratar a doença mental como
tratamos a doença física.» - defende a psiquiatra Filipa Palha.












