Do Corte Inglês de Lisboa, só gosto mesmo dos cinemas. De resto é (melhor, parece-me) um espaço por de mais claustrofóbico onde temos de andar quilómetros (passe a expressão hiperbólica) para encontrarmos a escada rolante de que precisamos – se queremos descer só aparece a escada que sobre e vice-versa.
Então hoje tratei de me enfiar numa das salas de cinema a ver o filme Jackie. Tinha visto no jornal que lhe
eram atribuídas pela crítica uma série de estrelas, mas ponho sempre alguma
reserva às críticas pelo que ia um pouco descrente. Mas enganei-me e ainda bem.
Gostei imenso do filme. Uma excelente representação por parte da artista
principal – Natalie Portman. Um filme altamente emotivo e emocionante – sem lamechices,
entenda-se – que retrata os quatro dias após o assassinato do Presidente
Kennedy intensa e dramaticamente vividos pela recém-viúva. A “culpa” que
encarna por não ter conseguido e a morte do marido protegendo-o do segundo tiro,
a inesperada e atabalhoada tomada de posse de L. Johnson no avião que
transportava o corpo quase ainda quente de Kennedy para Washington, o dar a
notícia aos seus pequeninos, os tumultuosos preparativos do funeral, o inusitadamente
apressado abandono da Casa Branca, tudo isso tendo como que inspiração no
assassinato e funeral do Presidente Lincoln – uma presença que quase funciona como uma marca de água do
filme.
E depois, o que mais me encantou no final do filme: a evocação da música do
filme Camelot, um musical de 67 que adorei ver (com a belíssima Vanessa
Redgrave) e que afirmava a magia do amor, a beleza da arte, a utopia da vida.



