terça-feira, 7 de março de 2017

Foi há 60 anos.

Quem se lembra?



As primeiras vezes que vi televisão foi na esplanada em Algés. Via-se tão mal! Um aparelho enorme lá ao longe e toda a gente nas mesas a tentar ver e ouvir com a maior atenção. A imagem cheia de "grão" e com tantas interrupções... «o programa segue dentro de momentos».... 

Depois, já em Sintra, íamos ver televisão à Periquita (sim, a das queijadas e dos travesseiros deliciosos...)

Só em 59 ou 60 é que tivemos televisão em casa. Que luta para termos imagem! Que luta para orientarmos a antena... Mas, às nove horas em ponto, lá estávamos todos em frente ao aparelho - caixote enorme! - para ouvir o sinal de abertura e ouvir o telejornal.




segunda-feira, 6 de março de 2017

Hoje temos gato estufado...

Isso mesmo! Gato estufado.      Mas não é no tacho. Acreditavam alguma vez que eu fosse capaz disso? 

Só que a língua portuguesa é muito traiçoeira...

Estufado, quer dizer...          em estufa...

Ora vejam.




Quando chove, metem-se debaixo do plástico que protege o banco...

Quando faz Sol, saem da estufa...





domingo, 5 de março de 2017

Devo ser mesmo o diabo!

Que fique aqui bem claro que não venho em busca de palavras de conforto dos meus amigos que tantas vezes fazem o favor e têm a generosidade de mas prodigalizarem …

Como considero este espaço um diário de bordo, um weblog, costumo aqui registar os momentos, os acontecimentos, os sentimentos, as emoções que mais me tocam.  É o que, uma vez mais, vou fazer.

Devo ser o diabo!! Hoje de manhã, encontrei dois ex-colegas lá da “minha” escola e, de alguma forma, fiquei indisposta. Uma foi “minha” vice-presidente nos meus tempos de presidente do Conselho Diretivo nos idos de 80. Colegas e amigas. Tive várias equipas porque, desde finais de 70, dirigi, sempre que foi necessário e não havia mais ninguém disponível, a escola – mais tarde agrupamento – e, felizmente, sempre consegui uma especial parceria, uma familiaridade, uma cumplicidade até entre os vários membros. Para isso concorriam o trabalho que tínhamos de desenvolver em comum, as muitas horas que trabalhávamos juntos e as por vezes, muitas vezes, difíceis decisões que tínhamos de tomar.

Pois essa minha ex-colega, ex-vice, ex-amiga dizia (hiperbolicamente, claro!) que tudo o que sabia (em termos de gestão, naturalmente!) tinha aprendido comigo. Hoje – aliás como de há uns anos para cá – falou-me fria e superficialmente sem sequer olhar para mim.
Saí da frutaria onde nos cruzámos com essa quase mágoa e passa por mim um outro dos meus ex-colegas – esse, porém, não meu ex-amigo – que recebi no meu último grupo de trabalho para evitar que fosse dar aulas, que não era das tarefas que ele mais gostava de desempenhar, num momento de regresso à escola após um destacamento terminado e a quem consegui passagem para o nono escalão que ele, por si só, não conseguira – passa por mim, dizia eu, de cara fechada, zangada, azoada, e nem ao meu marido foi capaz de dar os bons-dias…

Devo mesmo ser o diabo!! Ri-me, pois que mais?

Mas logo, logo relembrei como me “apunhalaram pelas costas”; logo, logo revivi as trapaças que, com o seu grupo de amiguinhos congeminaram para porem lá um diretor fraquinho, facilmente manipulável pelo lobby; logo, logo me doeram as reuniões em casa de uma delas – que sempre se fez, e faz, minha amiguinha – para me afastarem.

As fraudes foram várias e queixámo-nos delas, mas os “superiores” e os Inpetores em educação pouco querem saber do que se passa nas escolas desde que lhes apresentem papeis com muitos gráficos coloridos e muitas frases bonitas.

E afastaram-me, mau grado as velhacarias e a má-fé. Mas, ao fim deste tempo todo – sete anos passados – são eles que não me falam!

Devo ser mesmo o diabo!

(brinco muito com o diabo e o inferno… costumo dizer que sou tão má que, quando morrer, vou logo de cabeça para o inferno, mas quantas as pessoas boazinhas que lá vou encontrar!!!...)



sábado, 4 de março de 2017

Epitáfio


Ainda correm lágrimas pelos
teus grisalhos, tristes cabelos,
na terra vã desintegrados,
em pequenas flores tornados.

Todos os dias estás viva,
na soledade pensativa,
ó simples alma grave e pura,
livre de qualquer sepultura!

E não sou mais do que a menina
que a tua antiga sorte ensina.
E caminhamos de mão dada
pelas praias da madrugada.

(Cecília Meireles)



Adeus, Teté, ficarás sempre nos nossos corações. Até sempre!






sexta-feira, 3 de março de 2017

Homenagem às mulheres

A minha amiga e ex-colega, a pintora Clotilde Fava, vai expor no próximo dia 8, na Assembleia da República. A temática, como não podia deixar de ser, está subordinada ao tema «Ser-se mulher».

Se estiverem interessados e estiverem lá por perto, a inauguração acontecerá pelas 18 horas.

Fica aqui o convite.





quinta-feira, 2 de março de 2017

O meu Pai

Passaram já 48 anos. E foi a enterrar meses antes de completar os 50. 

Em meia hora ficou-se-nos nos braços, sem avisar. Um coração frágil de nascença que o atraiçoou algumas horas depois do tremendo abalo de terra que agitou Lisboa em 69. Dissera sempre que, se alguma vez desse conta de um tremor de terra, não lhe sobreviveria e assim aconteceu. O inigualável bramido que se ouviu vindo do mais profundo da serra (de Sintra) e o tremor que parecia não ter fim naquele casarão sobre o qual parecia que pendiam dois enormes penedos apanharam-no (e a todos nós) de surpresa. Aterrador.

Essa enorme comoção e a imediata saída para Lisboa aonde foi apanhar ao aeroporto o filho que chegava de Cabinda depois de a sua companhia ter sofrido um ataque emboscado do qual só por milagre se salvou foram de mais para o dito coração frágil que soçobrou horas passadas.


Foi a enterrar meses antes de completar os 50. Passam hoje 48 anos. Uma vida. Parece que foi ontem.




quarta-feira, 1 de março de 2017

Gouveia

Há uns anos, quando íamos para S. Pedro de Muel, havia em muitos pinheiros do pinhal do rei tabuletas que diziam: «Todos os caminhos vão dar a Gouveia». Nesse tempo não deu para descobrirmos a razão desses dísticos, mas este fim de semana, tivemos de ir até lá e só vos digo que os caminhos que lá vão ter são bem tortuosos... Custos da interioridade.

Uma cidadezinha pequena, antiga, centrada num largo muito bonito, muito bem cuidado, bem enquadrado por igrejas forradas a azulejo e solares recuperados. 

Nem imagino como será cobertinha de neve!

(Busto de Vergílio Ferreira)








(O solar dos Serpa Pimentel onde funciona a Biblioteca de Vergílio Ferreira)


(O solar onde funciona o Museu de Abel Manta)






(A Casa da Torre)

(Uma janela manuelina da Casa da Torre)

Na Biblioteca Vergílio Ferreira.






(Alguns pertences de V. Ferreira - o violino)



(Sofá e prancheta onde o escritor escrevia)



(Retrato do escritor por Júlio Resende)

«Porque o que mais custa a suportar não é a derrota ou o triunfo, mas o tédio, o fastio, o cansaço, o desencorajamento. Vencer ou ser vencido não é um limite. O limite é estar farto.»

(Vergílio Ferreira)