terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Fascinação

Das mais belas canções de amor - já que estamos no mês do amor.

E que me desculpe o meu querido Nat King Cole, mas aqui terá de ficar em 2º lugar. Prefiro a versão Elis Regina...

E os meus amigos?







(Era esta a canção do genérico da novela Casarão que veio do Brasil a seguir à Gabriela e que representava uma intensa história de amor. Dá para se lembrarem? Uma maravilha!)


Mas esta foi a versão em que conheci esta linda canção aí pelos meus treze anos. Fiquei apaixonada . Foi uma verdadeira fascinação...





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Da verdade do amor



E porque estamos no mês dedicado ao amor, aqui fica a(lguma) verdade sobre ele.


Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito

pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados

não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

José Tolentino Mendonça, in "Baldios"


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Um preto e um branco!

A vizinha da frente tem muitos gatos. Alguns passam-se para cá em busca de alguma “ascensão social”, ou melhor dizendo, de comidinha. Faço um esforço enorme para não os adotar, mas não pode ser.

A Rosita – uma gata preta luzidia e esperta como um alho, que entra cá em casa quase sem darmos por isso – teve uma ninhada há uns três meses e dois deles: um belo siamês de olhos bem azuis, grande e comilão – o maior da ninhada – e uma gatinha quase preta, com leves riscas cinzentas antracite e olhos bem verdes, a mais pequenina da ninhada, não saem aqui do meu quintal. Por muito que eu os carregue ao colo, desde a mais tenra idade, para o jardim da vizinha, eles voltam para cá quase ato contínuo. As outras irmãs (felizmente) não adotaram o meu espaço, mas estes dois, inseparáveis, não me perdem de vista. Um preto e um branco.

São muito meiguinhos um para o outro. Naqueles dias de frio intenso, abrigavam-se por aí e deitavam-se um por cima do outro para se manterem mais quentes. São inseparáveis. Um preto e um branco.



Hoje, belo dia de Sol, estiveram ali a lavar-se um ao outro com todo o carinho. Inseparáveis. Um preto e um branco.








Aí lembrei-me de uma anedota muito antiga que dizia assim:

Vinha um homem pela rua abaixo, visivelmente furioso, repetindo sem cessar: «Fosca-se! Um preto e um branco! Fosca-se! Um preto e um branco! Fosca-se! Um preto e um branco.» (talvez usando o vernáculo mais forte, que me escuso de utilizar aqui…)

Passa um padre por ele e diz-lhe:

«Meu filho! Vejo que vens aperreado, mas não devias dizer esses palavrões; podes chocar as pessoas. Mas o que te aconteceu? Será que queres desabafar?»

O homem, esbaforido, responde:

 «Ó senhor padre, é que acabei de ser pai!»

«Meu filho, mas não há alegria maior! Não entendo a tua consternação!» - responde-lhe o padre com suavidade.

«É que são gémeos!» - gagueja o homem ainda mais desesperado.

«Mas isso é uma alegria redobrada! Uma dádiva de Deus! Não é motivo para desespero. Tudo se cria!» - continua o padre.

«O senhor padre não está a entender! É que um é branco e o outro é preto!»

E o padre: «Fosca-se! Um preto e um branco!!!»


Boa semana!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Assim ou assado?

Não tenho direito a voto, mas se tivesse... não sei, não!



Ou preferem este?




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Mostra da obra de Almada

Abriu hoje na Gulbenkian uma grande mostra antológica da obra de Almada Negreiros, o criador, pintor, desenhador, poeta, escritor modernista português que marcou o século XX. Poeta modernista, futurista e tudo!

A exposição, que tem o título Almada Negreiros, Uma Maneira de Ser Moderno, vai estar patente ao público até 5 de Junho próximo. A não perder.


Deixo aqui alguns desenhos que Almada criou para as festas da cidade de 1934 expostos no Museu da Cidade de Lisboa.




















quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Só à noitinha

Contava-me a minha mãe que, era eu bebezinha, lá em Algés, teve uma criada (desculpe-se-me a palavra. Nesse tempo "não havia" empregadas domésticas e, muito menos, colaboradoras como agora. Além de que eu não tenho qualquer medo das palavras ...) que tinha tido um grande desgosto de amor. (Tal como a fadista que aqui trago hoje, aliás.)

Nesse tempo - e estou a falar nos finais de 40/iniciozinhos de 50 - ouvia-se rádio a todas as horas porque não havia mais nada e a música que passava era essencialmente (para não dizer «apenas») música portuguesa e a música portuguesa era fado - a canção do regime. 

Ora a dita criada, que ao que a minha mãe dizia tratava muito bem de mim, de cada vez que na rádio passava este fado «Só à noitinha», largava-se num pranto sem fim, além de que, no final da tarde, àquela hora crepuscular que mais nostalgia nos traz, retirava-se para o seu quarto para chorar.

(Assim quase estou eu, mesmo sem o tal desgosto de amor... (muito dada a episódios depressivos, enfim!!)


Vale a pena ouvir este fado de 1945 quanto mais não seja para apreciar a voz ainda tão límpida de Amália Rodrigues.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Vieira de outros tempos

«Tenho dito aqui por mais de uma vez que, menina lisboeta, vivi cerca de ano e meio na vila da Vieira de Leiria onde fiz parte da 1ª classe, a 2ª e o início da 3ª. Foi das experiências mais ricas da minha infância por ser um ambiente tão diferente e distante daquele que conhecia. De recordar que isto se passou em 1957/58. Foi lá que, pela primeira vez, vi uma picota (que encanto!) uma lagartixa, um ancinho para ir à caruma (bem como a própria caruma), cântaros de barro com que as mulheres iam buscar água à fonte e as respetivas cantareiras, mulheres descalças com os canos de lã nas pernas, as camarinhas, aquele mar violento a levantar-se em ondas altas e furiosas, aqueles barcos lindos de proa altíssima a lembrar os Vikings, os bois e as mulheres – tão fortes quanto eles – a puxarem as redes cheiinhas de peixe a saltar, etc. etc.»

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De novo trago aqui a introdução do meu texto Génio Lusitano por se tratar de um momento da minha infância que me foi/é grato de mais e que ficou absolutamente na sombra do texto principal. Hoje deixo este pedaço de memória ilustrado por um diaporama que encontrei na net e que até parece que foi feito com tantas imagens que guardo daqueles idos de 50 de tanta beleza para mim, mas de imensa miséria para aquela gente, aquelas mulheres, que trabalhava no campo, no pinhal, na fábrica das limas, no mar.