Naqueles tristes e pobres tempos de 50/60,
praticamente não havia «Dias de». O Dia do Pai era apenas uma pálida
referência; o Dia da Árvore passou a existir muito depois da nossa abertura ao
mundo em 74; havia o Dia da Restauração eivado de um nacionalismo que nos era
inculcado pela Mocidade Portuguesa e pouco mais.
O Dia da Mãe era o mais importante de todos e era celebrado a 8 de Dezembro (com maiúscula apesar de nada ter a opor ao Novo Acordo Ortográfico…) porque era o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal. Nesse tempo nada do que pudesse servir para submeter o povo à Igreja era deixado ao acaso. Por isso 8 de Dezembro, data de grande significado para a Igreja porque se celebra «a vida e a virtude de Virgem Maria, mãe de Jesus, concebida sem marca do pecado original», correspondia ao Dia da Mãe já que as mães deviam ser “castas e virtuosas” (e servis…)
O Dia da Mãe era o mais importante de todos e era celebrado a 8 de Dezembro (com maiúscula apesar de nada ter a opor ao Novo Acordo Ortográfico…) porque era o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal. Nesse tempo nada do que pudesse servir para submeter o povo à Igreja era deixado ao acaso. Por isso 8 de Dezembro, data de grande significado para a Igreja porque se celebra «a vida e a virtude de Virgem Maria, mãe de Jesus, concebida sem marca do pecado original», correspondia ao Dia da Mãe já que as mães deviam ser “castas e virtuosas” (e servis…)
Fosse como fosse, e apesar da
nossa fraca ligação às coisas da Igreja lá em casa, eu prezava esse Dia da Mãe
e, até ao fim da curta vida de minha mãe, celebrei-o nela e com ela. Mesmo depois
de a dita Igreja mudar a data para inícios de Maio não sei bem por que razão,
Hoje, lembrei-me de tudo isso e,
naturalmente lembrei-me de minha mãe (como todos os dias acontece, claro!) Num agitado
sentimento de “clausura” que tanto me assalta e tantos conflitos causa dentro
da minha pobre mente, veio-me uma imagem longínqua do início da minha infância.
Todas as mães fazem tudo pelos
filhos e minha mãe nisso não foi em nada exceção. Tendo eu vingado após alguns dolorosos
abortos espontâneos e no final de um parto em que meu pai foi posto perante a
possibilidade de ter de escolher entre mim e ela (naturalmente que ele
decidiria por ela!) fui criada com todos os cuidados que estavam ao alcance de
uma família média (?) média-baixa dos finais de 40. E foi assim que, teria eu
os meus três anos talvez, e metendo-se na cabeça de minha mãe que “a menina”
precisava de tomar ares do campo, transportou-nos para passarmos uma temporada
numa casa que alugou em Santa Iria da Azoia. Só que a temporada cedo terminou
porque aqui a menina andava muito bem enquanto a passeavam pelos campos e pelo
meio dos moinhos de vento, mas assim que se via fechada em casa, berrava que
nem uma desesperada e logo, logo tiveram de me trazer de regresso a Algés…
Outros episódios de «clausura»
aconteceram – e vão acontecendo – comigo ao longo dos tempos e, tenho para mim,
que nada tem a ver com o facto de sair ou não sair de casa. Trata-se de um
«pânico» de me sentir longe das minhas companhias mais próximas, sozinha comigo
própria, numa «clausura» dentro de mim própria difícil de explicar e de
resolver.






