sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

É isto a União Ibérica?

Não, não vou falar do governo dos Filipes nem do dia da Restauração. Tem a ver com outro assunto bem diferente...

Gosto de comprar a revista Ler. É editada pelo Círculo de Leitores desde os idos de 80 e é há alguns anos dirigida pelo Francisco José Viegas (sim, sim, esse mesmo que mandou os outros “tomar no cu” e fez bem) e pelo Bruno Vieira Amaral. Já foi bimensal, mas ultimamente sai quatro vezes por ano, de cada vez que muda a estação do ano. Tem artigos muito interessantes sobre literatura portuguesa e mundial e faz o anúncio com brevíssimas recensões dos livros que vão saindo. Para além disso e de algumas boas entrevistas, os seus diretores escrevem uns pequenos textos-notícias a que chamam de «Coisas verdadeiramente Importantes».

Ora uma dessas coisas verdadeiramente importantes da edição deste Outono é uma pequenina notícia com o grande título TAMANHA DESILUSIÓN e com o subtítulo «É isto a União Ibérica» e que diz o seguinte:


«PRIMEIRO AS MÁS NOTÍCIAS: num ranking mundial que compara a dimensão média dos pénis de cada país, Portugal surge num aflitivo 23º lugar. A boa notícia é que estamos empatados com os espanhóis. Numa grande prova de solidariedade masculina , os homens dos dois países ficam-se pelos 13,6 centímetros, muito à frente da Coreia do Sul e da Tailândia (9,4) mas muito longe dos líderes mundiais, os congoleses, com uns priápicos 17,9 centímetros de média. E o governo não faz nada?»


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dia Mundial Contra a SIDA


Passaram já 35 anos desde que foi identificado o VIH. 25 milhões é o número de pessoas que morreram devido ao vírus da imunodeficiência humana, desde que foi descoberto pela comunidade científica até 2005. Os que morreram em anos anteriores ficarão anónimos, devido à escassa informação disponível sobre a doença, mas também graças ao preconceito que ainda hoje se faz sentir mesmo após a entrada no novo milénio.

O que mudou neste novo milénio foi a compreensão da doença e os métodos de a aplacar. Mas, mesmo com fármacos eficazes no tratamento antirretroviral e com tratamentos preventivos que diminuem os índices de infeção, 0,6% de toda a população mundial está infetada.

A Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2030, a sida deixe de ser uma epidemia global. Actualmente é considerada uma doença crónica.
Em Portugal, entre 1983 e 2015, o número de pessoas afectadas foi de 54 mil, sendo heterossexuais mais de metade. No total de grupos atingidos (mulheres, homens, heteros, homo, bisex, trans e consumidores de drogas) morreram 11 mil pessoas. Comparativamente com o ano passado, em 2016 tem-se verificado uma acentuada redução de casos registados.

(Texto composto a partir do Editorial da revista Saúde e da página do facebook do escritor Eduardo Pitta)


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Esteve cá uma ventania!

Esteve cá uma ventania!!

Foi todo o dia assim!



Um desassossego!...

Bom feriado!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Já fez cem anos, o samba!

Na verdade muita gente já fazia samba nessa época. No entanto, os seus autores registavam as suas composições como lundus ou tangos carnavalescos, já que o samba era marginalizado, estava constantemente na mira da polícia e sujeito a ser extinto, conforme ocorreu com o maxixe, pois ambos eram apontados como uma dança lasciva, adotada por gente da ralé. Assim, Pelo Telefone foi o primeiro samba que alcançou sucesso numa época em que imperavam as polcas, valsas, tangos, modinhas, lundus e outros géneros.

O samba era praticado, em modalidades folclóricas, em várias regiões do Brasil. A influência das tias baianas no samba carioca foi importantíssimo, como no caso da lendária Tia Ciata, cozinheira e curandeira, moradora da Praça Onze de Junho: a sua casa era o ponto de encontro da comunidade baiana radicada no Rio.

Os versos de Pelo Telefone foram recolhidos na casa da Tia Ciata e registados por Donga (música) e Mauro de Almeida (letra) como samba-carnavalesco na Secção de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional em 27 de Novembro de 1916 e gravado no mês seguinte na Casa Edson, ganhando projeção nos coretos carnavalescos.




Então vamos aprender com o Mestre como fazer um samba...




domingo, 27 de novembro de 2016

Ganhando espaço...

A isto chama-se evolução! (ou não...) e parou em 2014. De então para cá, já houve decerto mais atualizações. 

Nem que fosse o Pokémon Go...





sábado, 26 de novembro de 2016

Opereta Alentejana

Muito divertida mas de qualidade esta «opereta alentejana» para ajudar a passar este tempo de estar em casa.




A dita opereta inicia-se com o Jorge de Palma ao piano a tocar a encantadora Ária para a 4ª Corda, de Bach, que é, desde que me lembro, a ária mais bonita, mais repousante, mais melodiosa que já ouvi.. 

Deixo-a aqui para o caso de se quererem maravilhar.





sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Nunca é de mais recordar


Estas memórias fui buscá-las ao Expresso. 25 de Novembro de 1975. Nunca é de mais recordar. E repisar...


«O 25 de Novembro de 1975 foi reduzido por quase todos os comentadores ao confronto entre democracia ocidental e totalitarismo soviético. Duas semanas antes, Mário Soares e Álvaro Cunhal tinham protagonizado o famoso debate na RTP do «Olhe que não, doutor...». Henry Kissinger, secretário de Estado de Nixon, tinha visto em Soares e em Cunhal émulos de Kerenski e de Lenine e previsto para Portugal o mesmo desfecho de 1917, na Rússia. Mas era, de facto, isso que estava em causa?


Entre 1974 e 1975 viveu-se um dos períodos mais ricos e agitados da História portuguesa recente. Um regime que parecia eterno caiu num só dia. Sem censura, sem polícia política e sem guerra colonial, o mundo parecia ao alcance da mão. (...)


 Cercado no Quartel do Carmo, a 25 de Abril de 1974, Marcello Caetano chamara Spínola «para o poder não cair na rua». 

 Um ano depois, os partidos não se entendiam. O Presidente da República, não eleito, era um polo de conspiração. Estava assinado um pacto entre o Movimento das Forças Armadas e os partidos. O Conselho da Revolução tutelava a produção legislativa. Nos círculos militares vivia-se um delicado equilíbrio. A Igreja virava à direita e amotinava o campo contra o comunismo. Até porque a hiperpolitizada vida de Lisboa aparecia como um universo estranho às populações rurais, cujo quotidiano pouco mudara com o 25 de Abril. (...)

No final do Verão Quente de 1975, os sectores básicos da economia estavam nacionalizados. Lisboa tinha, semana sim, semana não, grandes manifestações de moradores, trabalhadores, estudantes e soldados, às quais delegações da extrema-esquerda europeia davam um toque cosmopolita. No Norte havia bombas e arruaças contra as sedes do PCP e partidos mais à esquerda. Lá se dizia que Portugal só começava de Rio Maior para norte e que para baixo «era Moscovo». (...) 

Já Mário Soares tinha a apoiá-lo na famosa manifestação da Fonte Luminosa radicais da extrema-direita com quem não se sentaria à mesa. Os diversos poderes político-militares viviam um equilíbrio instável que não iria durar sempre. E a tentação totalitária não estava só do lado da esquerda. O revanchismo dos derrotados do 25 de Abril sonhava com um Pinochet português e o Estádio da Luz cheio de «comunas» para fuzilar...

Ao fim do dia 25 de Novembro de 1975, quando as forças afectas ao VI Governo Provisório neutralizaram as unidades militares contestatárias, houve choro e ranger de dentes dos dois lados. Mais à esquerda acusava-se o PCP de traição por não ter apoiado a resistência nas ruas. No extremo oposto do espectro amaldiçoava-se o major Melo Antunes quando este apareceu na TV a vincar que o PCP era indispensável à construção da democracia.

A 30 de Novembro, escrevia-se em «Le Monde»: «A revolução romântica, à 'Couraçado Potemkine', que há um ano incomodava a Europa e inquietava Washington, dissipou-se em 48 horas como uma nuvem de fumo. Alguma vez teria sido outra coisa?»