terça-feira, 8 de novembro de 2016

Os Direitos do Blogger




Deu-me para isto, podia ter-me dado para pior…

Influenciada pelos Direitos do Leitor do Pennac (ali em cima) ;
Porque redigi tantos regulamentos lá para a “minha” escola;
E depois de ter ouvido tantas e tão diversas opiniões sobre os blogs no nosso último encontro;

Deu-me para apontar

Os Direitos do Blogger.

Todo o blogger tem direito a:

  1. Gerir o seu blog de acordo com a sua vontade e maneira de ser sem disso ter de sentir forçado a prestar contas a nenhum dos seus leitores;
  2. Fazer publicações as vezes que entender ou sentir necessidade, versando os assuntos que lhe aprouverem;
  3. Responder sempre ou apenas quando achar relevante, ou mesmo nunca responder aos comentários às suas publicações;
  4. Moderar ou mesmo impossibilitar a realização de comentários às suas publicações, (mesmo que isso possa traduzir-se em desinteresse por ser visitado);
  5. Impedir ou permitir, sem que isso o contrarie, que copiem livremente textos ou imagens por si publicados;
  6. Visitar blogs de seguidores, ou outros, quando assim o entender, sem se sentir forçado a uma espécie de fidelização;
  7. Comentar ou não comentar as publicações em blogs que visita;
  8. Não ser questionado sobre as suas decisões, comentários noutros blogs (desde que obedeçam às regras básicas da boa educação) bem como sobre as suas ausências;
  9. Não se sentir pressionado pelo princípio “se não me visitas, não te visito”, “se não me comentas, não te comento”;
  10. Deixar de ser blogger quando assim o entender.


(Ah! E mais um: «Todo o blogger tem o direito de fazer exatamente o contrário do que aqui fica definido…»)  Eh eh eh…

domingo, 6 de novembro de 2016

As cores do Outono

Hoje convido-vos a um breve passeio por terras de Ontário para apreciarem as belas cores do Outono canadiano. 




















(fotos recebidas da minha amiga Susie em Oakland)

sábado, 5 de novembro de 2016

Y como va su vida sexual?

-   “Y como va su vida sexual comadre?”

-   “Pues como la Coca-Cola”.

-   ¿Como la Coca-Cola?!!!! Y como es eso????”


-   “Primero normal, después Light y ahora Zero!”




Tenham um bom fim de semana!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

«Só estou bem aonde não estou»

É mesmo assim que me sinto! (que insatisfação!)



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Menino do Bairro Negro

Foi a escolha de António Arnaut no final da entrevista que aquele Homem de fibra, socialista e republicano, nas suas próprias palavras, concedeu a Maria Flor Pedroso na Antena 1 esta manhã. Foi uma verdadeira lição de política enquanto ciência ou arte (não sei bem), uma lição de cidadania e de democracia dada com toda a humildade e singeleza. Só por isso vale a pena ouvir.

E, no fim, a sua escolha musical: José Afonso, o nosso possível Nobel da Literatura – disse eu ao ouvir. O que já fora dito pelo entrevistado e eu não ouvira… Gosto quando chego a conclusões iguais às de pessoas sabedoras.

Uma escolha emotiva.Uma boa escolha.



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vergonha na CPLP

Não gosto muito de trazer para aqui questões meramente políticas, mas há alguns assuntos que me deixam muito abespinhada. E como um blog é, por definição um «diário de bordo», ou seja, um web log e dias há em que dificilmente consigo calar o que aqui me vai dentro , cá vai!

A questão é sempre a mesma de há uns meses para cá: a forma abstrusa como os nossos jornais (e telejornais) passaram a transmitir as notícias, ou seja, pela negativa. Por exemplo, há um ano atrás a taxa do desemprego descia e o pisca-o-olho da RTP1 estampava um sorrisinho naquela cara de sonso e dizia com entoação de grande surpresa: «a taxa do desemprego caiu mais x pontos percentuais!»; esta noite disse com ar sisudo: «a taxa do desemprego caiu para os 10,6%» mas sublinhou e repisou que há quinhentos e sessenta mil desempregados em Portugal. Importa denegrir, quero eu dizer.

O DN – que ultimamente se tem desdobrado em chamar à primeira página notícias, opiniões, entrevistas e outras coisas o anterior primeiro-ministro e a ex-ministra Cristas – ontem encheu a sai capa com um enorme perfil de Teodoro Obiang (o ditador que manda e desmanda na Guiné Equatorial há 37 anos com direito a pena de morte e tudo) com o seguinte título em maiúsculas: OBIANG O PRESIDENTE QUE EMBARAÇA MARCELO E COSTA. E em letras mais pequenas: Presidente da Guiné Equatorial é um dos líderes presentes em Brasília para a XI Cimeira dos países lusófonos. Antiga colónia espanhola em África é o membro mais recente.

Esqueceram-se de referir que foi com a anuência do anterior PM e do anterior presidente da República que aquele país, onde nem se fala nem se ensina a Língua Portuguesa e onde se desrespeitam os mais básicos direitos humanos, passou a fazer parte da CPLP. Foi há dois anos na Cimeira de Dili. Uma enorme vergonha e a troco de quê? Para que aquela organização se «torne um dos blocos mais importantes ao nível petrolífero» - disseram. E eu que pensava que o grande objetivo daquela comunidade era a aproximação de Portugal e das suas ex colónias em volta de uma língua e cultura comuns!


Ai se esta desastrosa inclusão tivesse sido autorizada por um PM e por um PR da área da dita «geringonça» (passe o ignominioso termo) - o que os jornais não teriam de dizer!




terça-feira, 1 de novembro de 2016

1 de Novembro de 1755

«Sabe-se que naquele dia, um sábado, algures entre as 9 e meia e as 10 da manhã, “começou o território de Lisboa a tremer de sorte que dentro de pouco tempo se sentiu abalar a terra de vários modos. […] No princípio foi mais brando o abalo. Mas pouco depois crescendo cada vez mais o tremor, começaram primeiramente a estalar os forros e sobrados, logo a despegarem-se os rebocos, depois a abaterem-se com grande estampido as abóbodas, caindo ou abrindo-se por último as mesmas paredes e torres.” Assim principia o padre Pereira de Figueiredo a sua descrição da catástrofe, para depois continuar: “alguns sete minutos durou o tremor de terra, o mais formidável que jamais viram os Portugueses. A este se seguiram outros quatro, mais pequenos na duração, mas iguais na força […] ao primeiro tremor de terra se seguiu imediatamente no mar uma extraordinária alteração e crescimento das águas […] e em Lisboa saindo dos seus limites, e entrando pela terra dentro mais de cinquenta estádios, romperam as ondas algumas pontes, desfizeram muros, e arrojaram à praia madeiras de demarcada grandeza.” A destruição não ficou por aí: “mas ainda se não dava por satisfeita com estes castigos a ira de Deus que no mesmo dia afligiu com outro novo, e muito sensível golpe a infeliz Lisboa. Foi esse grandíssimo incêndio, que de repente se ateou em vários sítios da Cidade […] e como o susto tinha afugentado de tal sorte a gente, que atónitos e espavoridos andavam quase todos dispersos pelos campos, puderam as chamas discorrer livremente por várias partes, e consumir em quatro dias as riquezas de uma cidade, que era o Empório de toda a Europa.” Eis, de forma concisa, o que se passou naquele dia. […]

Os efeitos sobre o património edificado foram devastadores, afirmando-se pouco depois da ocorrência que mais de dois terços da cidade se encontravam inabitáveis. A esmagadora maioria das cerca de quatro dezenas de igrejas paroquiais ficou destruída ou em risco de ruína. Todos os hospitais soçobraram. Destruídos ficaram a maioria dos edifícios da administração central e das alfândegas, tal como o Paço Real da Ribeira e, com ele, as edificações mais emblemáticas de D. João V e de D. José na cidade: a Igreja Patriarcal e a Ópera do Tejo, respetivamente. […] Por fim, terão sido destruídos a maioria dos stocks de mercadores existentes nas alfândegas, nos armazéns e nos próprios navios, com notórios efeitos em todo o comércio internacional da época.»


(in «D. José Na Sombra de Pombal», de Nuno Gonçalo Monteiro, Círculo de Leitores, 2006, pp. 81-82)