A vizinha tem uma filha no 10º
ano. Aqui na escola secundária. Escola suburbana. Escola que a miúda frequenta
desde o 7º ano com sucesso e sem problemas.
Este ano as coisas não têm
corrido muito bem em termos de relação professores - alunos. Os miúdos têm
vindo a queixar-se de uma boa parte do elenco dos professores da turma sobre a
forma como a matéria lhes é administrada e por causa da chuva de negativas
baixas que lhes caíram em cima durante todo o 1º período. De facto, não é, no
mínimo, curial , um professor classificar com negativas – e algumas
vergonhosamente baixas – vinte em vinte e cinco testes! Eu, professora, ficaria
desesperada com esses resultados! Como é que eu teria preparado os meus alunos
para esse teste?! Mal. Muito mal. Mas ali as colegas limitam-se a atribuir as
culpas para os professores do ciclo anterior (que por acaso são da mesma
escola) e a intimarem-nos a ler.
Ontem houve reunião com os
encarregados de educação para entrega das avaliações e a vizinha veio de lá
desesperada. Alguns pais queixaram-se ao diretor de turma sobre alguns professores
que se limitam a ler powerpoints nas
aulas e, se os miúdos dizem que não percebem, não há tempo para tirar dúvidas. Ao
que lhes foi respondido que os programas mudaram, os programas têm de ser
cumpridos e quem tiver dúvidas que vá às aulas de apoio. Isto agora é 10º e os
professores têm que preparar os alunos para o ensino superior.
A vizinha veio angustiada e dizia
que, com o que o diretor de turma dissera, tinha saído com a sensação de que
agora é assim: quem entende, entende e aguenta-se; quem não entende, fica pelo
caminho. Coitados dos nossos filhos, lamentava-se ela.
De facto, estes senhores
professores ainda não conseguiram compreender – ainda não houve quem lhes
passasse os powerpoints(!!) – que o
ensino passou a ser obrigatório até ao 12º ano (se eu concordo? se calhar não
concordo com esta obrigatoriedade de 12 anos, mas está legislada e aceite.) E o
ensino obrigatório é para todos, não é seletivo como no tempo em que
eles foram alunos. E que o ensino secundário tem os seus próprios objetivos e
nenhum deles é «preparar os alunos para o ensino superior».
Ai, ai! Quando é que estes
professores deixam de ser (pseudo) elitistas, deixam de se considerar máquinas
de «dar matéria» e assumem a sua missão (superior) de fazerem os alunos
aprender?








