segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Declaro aberta a época de Natal!

Gosto muito da época do Natal. Apesar das saudades dos meus que já partiram, apesar das saudades da infância, apesar das saudades da infância das nossas filhas, apesar de... apesar de... apesar de...

A neta, que estava connosco, queria muito «ajudar-nos» a fazer a árvore e, apesar da constipação e de espirrar «até à metafísica», lá nos dispusemos a declarar aberta a época de Natal cá em casa e toca a fazer a árvore...

E eu a pensar: «Quem me dera que fosse assim!!»



Mas não foi. E, ao fim de muito subir e descer escadas, de subir a bancos e a cadeiras, de espalhar enfeites por cima da mesa, do sofá, das cadeiras, fitas e luzes pelo chão, «não ponhas isso aí», «não deixes cair as bolas que se partem», depois do varre, limpa e arruma e sei lá o que mais, lá conseguimos o resultado final.


 


Se valeu a pena? Claro! «Tudo vale a pena», não é? 
E se pensarmos quantas vezes mais ainda poderemos viver este momento, ainda terá valido mais a pena...

A todos um Bom Natal!


domingo, 6 de dezembro de 2015

Constipada até à metafísica!

Hoje estou assim...



Se fosse um homem, estaria a sentir-me assim....


Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão-de-ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.


António Lobo Antunes - (Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)

Mas como sou uma simples mulher, fico-me pelo...

(...) 
Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina.

(Álvaro de Campos)

Boa semana!!

sábado, 5 de dezembro de 2015

A chama da amizade

Amizade em cadeia. Porque Dezembro é um mês muito especial.

Esta chama acesa vem do blog da Fê Blue Bird e espero que propague por outros e muitos mais.



Obrigada, Fê! 
Bem hajas e bem haja quem por aqui passa.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Nem tudo é mau na vida!

(daqui)

Ia um velhinho de 74 anos tranquilamente pela rua quando, ao passar em frente a uma casa de meninas, uma lhe grita:

- Olá avozinho! Ainda se lembra como é? Quer experimentar?

- Não, minha filha, já não posso!

A prostituta, pensando que podia ganhar alguma coisinha, tenta a sua sorte:

- Ânimo com isso... venha cá à sua boneca... vamos tentar…

O velhinho entra e funciona como um jovem de 25 anos… 3 vezes e sem descanso.

- Élahhh ! – diz espantada a prostituta. E ainda dizia que já não pode mais ?!

E o velhinho respondeu:

- Ahhh, o sexo eu posso, o que não posso é pagar. Tinha todo o meu dinheiro no BES…


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Cão Raivoso

Quem não se lembra desta canção de Sérgio Godinho do álbum À Queima Roupa de 74? 

«Mais vale ser um cão raivoso
que uma sardinha
metida, entalada na lata
educadinha
pronta a ser comida, engolida, digerida
e cagadinha
Mais vale ser diferente da sardinha
um cão raivoso que sabe onde ferra
ferra fascistas e chama-lhe um figo
olhos atentos e patas na terra.»


Habituámo-nos a «celebrar» o cão raivoso que ferrava fascistas e lhes chamava um figo... Mas isso foi em 74...

Hoje vimos os senhores de direita - não lhes vou chamar fascistas, naturalmente... - a fazer a figura do cão raivoso em plena Assembleia da República. 

Não lhes ficou bem. Digo eu... Até porque estiveram sempre mais inclinados para a figura de «sardinha, entalada na lata, educadinha» e ... boa aluna...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Dos Chefes de Secretaria

(A antiga Escola D. Dinis - Leiria)

Era um estilo à época: os Chefes da Secretaria dos Liceus e das Escolas tinham quase tanta importância nos seus postos como os Reitores ou os Diretores. Era assim nos idos de 50, de 60, de 70, mesmo nos primeiros anos depois do 25 de Abril.

Disso dei conta quando cheguei à “minha” Escola D. Dinis, em Outubro de 74. Colocada por concurso nacional, na antiga qualidade de professora agregada com estágio feito em Inglês e Português, não fui recebida pelo Diretor, mas pelo Chefe da Secretaria. E foi o Chefe da Secretaria que me atribuiu o horário e foi com o Chefe da Secretaria que reclamei, negando-me a aceitar um horário preenchido apenas com turmas de História que não era a disciplina para a qual eu tinha habilitação e profissionalização. Nesse momento, o momento da minha reclamação, a Secretaria parou e todos os funcionários – uns cinco ou seis – olharam para mim com ar de grande espanto. Que miúda era aquela, fresca e de saia bem curta, que se atrevia a contestar o determinado pelo Chefe?! Mas o Chefe foi lá dentro – decerto falar com o Senhor Diretor – e regressou com outro horário, este com turmas apenas de Português, e acompanhado de dois professores que, simulando fazer não sei que tarefa, me observaram disfarçadamente.

Nova e pouco experiente ainda, dado esse meu feitio determinado, muito cedo ascendi à vice-presidência do Conselho Diretivo. Àquele Chefe da Secretaria, dois ou três anos depois, sucederia uma outra que, não obstante ter um feitio difícil e aquela sobranceria própria dos Chefes de Secretaria, sempre nos entendemos bem. Conseguiu ser um bom apoio quando, ainda muito jovem, fui, pela primeira vez, presidente do Conselho Diretivo. Entretanto, com as mudanças de paradigma e de atitude trazidas pelos ares da Democracia, a Chefe, essa Chefe, soube sempre desempenhar o seu papel de apoio à direção e ao serviço da Escola. Aposentou-se em inícios de 90, tendo-lhe infelizmente sucedido uma daquelas Chefes de Secretaria ao estilo do outro tempo, arrogante – se bem que muito sabedora do seu ofício – soberba, desconfiada, indelicada, daquelas que, em vez de saber funcionar como um bom apoio da direção e uma vantagem para a Escola, nada mais fez do que servir de elemento fraturante, causadora de incomodidades e de mau ambiente com a direção e com os professores e com os funcionários em geral. Uma pena! E um desconforto.

Foi aquela primeira Chefe de Secretaria que encontrei ontem na cidade. Viúva, só e algo debilitada, mas de sorriso aberto para receber o meu abraço. Conversámos um bom bocado como duas boas amigas. Acabei por lhe dizer que sempre gostara muito dela. Gostara? Sim, parece-me que si. Nunca esqueci foi a sua atitude de apoio, de delicadeza, de um como que entendimento epistemológico de serviço.



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Memory

Porque muitos dos meus textos são baseados em memories, e porque estamos a entrar em Dezembro, que é o mês de todas as (minhas) memories, deixo aqui uma das canções (minhas) mais belas numa das vozes mais belas, mais poderosas da canção americana.

Espero que gostem.