segunda-feira, 30 de novembro de 2015

I Know not what tomorrow will bring...

(daqui)


Fernando Pessoa - Lisboa, 13 de Junho de 1888 - 30 de Novembro de 1935

80 anos depois da sua morte, Fernando Pessoa tão atual!

«Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade e a hiperexcitação.»

Livro do Desassossego

domingo, 29 de novembro de 2015

Cumplicidades

Nova exposição de pintura da nossa amiga Clotilde Fava. Desta vez no MU.SA em Sintra. 




Esta mostra foi subordinada ao tema "Cumplicidades" com forte presença da mulher de Cabo Verde.



















A exposição está muito bonita. Quem vive aí pela capital, se puder, dê lá uma saltinho.

sábado, 28 de novembro de 2015

Às vezes bate cá uma saudade!!

Bem sei que não fica bem a uma "senhora-já-de-certa-idade" mas às vezes bate cá uma saudade destes loucos tempos do twist!! Nem queiram saber!

O que eu gostava - e gosto - de dançar o twist!! 

Vocês não?!



Bom fim de semana!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Black Friday

A nossa tendência bacoca para imitar tudo quanto vem dos States está, infelizmente, cada vez mais vincada. Já não chega importarmos cada vez mais palavras – como se a nossa língua não tivesse um vocabulário riquíssimo – e cada vez mais conceitos que quase só têm a ver com o mundo da finança e da gestão, que parece ser o único que faz girar o mundo, quando agora também temos de imitar as suas tradições (mais tolas).

Agora é a moda da Black Friday. A última sexta-feira do mês de Novembro é o dia dos “enormes” descontos nas lojas para as pessoas avançarem as suas compras de Natal. Nos Estados Unidos é a loucura máxima porque os descontos e as promoções devem mesmo valer a pena. Por isso as lojas preparam-se para abrir portas à loucura na quinta-feira à noite.

No nosso tradicional  nacional parolismo, a Fnac anunciou por todos os lados a sua Black Friday com 50% de desconto em artigos sinalizados. Houve até um jornal diário que saiu com uma sobrecapa com o apelo aos ditos 50% de desconto nas ditas lojas. E até se alardeou aos quatro ventos a abertura da iniciativa na quinta-feira à noite com divertimentos para os clientes.



Não fui lá logo ao início, com receio de ter de esperar horas nas enormes filas ou de ser trucidada por aqueles clientes loucos que se espezinham uns aos outros na pressa de chegarem primeiro aos artigos… Mas hoje, a meio da manhã, e com todas as minhas calmas, lá fui na esperança de comprar uns jogos, uns livros, um ou outro brinquedo para os miúdos.

Flop!!! (Já que é para ser americano, vai tudo em americano…)

Os livros – duas mesas deles cá em baixo para a gente adulta e uma apenas lá em cima na secção infanto-juvenil – que tinham 50% de desconto anunciado, apenas 30% funcionavam como desconto direto enquanto os restantes 20% ficavam registados no cartão. Os jogos com desconto, meia dúzia deles e brinquedos… não vi nenhum! Talvez estivessem escondidos, sei lá!

Material informático e musical não procurei muito, mas o que vi tinha os habituais 5% de desconto e um ou outro lá teria 20%, 10%...

Publicidade enganosa para não dizer mentirosa… mas, que se há-de fazer ou dizer? Habituaram-se à falácia, à mentira, ao embuste, sabe-se lá com quem…

Outras lojas, porém, sem usar o alarde da publicidade aos quatro ventos e mostrando uma especial consideração pelos clientes, tinham anunciados determinados descontos em todo o material existente. Gostei bastante mais!!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Fim!

Não posso deixar de manifestar aqui a minha satisfação por o país se ter finalmente livrado da terrível malha de paradigma «uma maioria, um governo, um presidente» em que ingenuamente se deixou cair.

Podia escrever aqui as minhas razões, mas melhor que eu as escreveu o embaixador Francisco Seixas da Costa  no seu blog «duas ou três coisas» no texto «Não lhes perdoo!» que transcrevo na totalidade.


«Acaba hoje aquela que constitui a mais penosa experiência política a que me foi dado assistir na minha vida adulta em democracia. Salvaguardadas as exceções que sempre existem, quero dizer que nunca me senti tão distante de uma governação como daquela a que este país sofreu desde 2011. 

Não duvido que alguns dos governantes que hoje transitam para o passado tentaram fazer o seu melhor ao longo destes cerca de quatro anos e meio. Em alguns deles detetei mesmo competência técnica e profissional, fidelidade a uma linha de orientação que consideraram ser a melhor para o país que lhes calhou governarem. Mas há coisas que, na globalidade do governo a que pertenceram, nunca lhes perdoarei.

Desde logo, a mentira, a descarada mentira com que conquistaram os votos crédulos dos portugueses em 2011, para, poucas semanas depois, virem a pôr em prática uma governação em que viriam a fazer precisamente o contrário daquilo que haviam prometido. As palavras fortes existem para serem usadas e a isso chama-se desonestidade política.

Depois, a insensibilidade social. Assistimos no governo que agora se vai, sempre com cobertura ao nível mais elevado, a uma obscena política de agravamento das clivagens sociais, destruidora do tecido de solidariedade que faz parte da nossa matriz como país, como que insultando e tratando com desprezo as pessoas idosas e mais frágeis, desenvolvendo uma doutrina que teve o seu expoente na frase de um anormal que jocosamente falou, sem reação de ninguém com responsabilidade, de "peste grisalha". Vimos surgir, escudado na cumplicidade objetiva do primeiro-ministro, um discurso "jeuniste" que chegou mesmo a procurar filosofar sobre a legitimidade da quebra da solidariedade inter-geracional.

Um dia, ouvi da boca de um dos "golden boys" desta governação, a enormidade de assumir que considerava "legítimo que os reformados e pensionistas fossem os mais sacrificados nos cortes, pela fatia que isso representava nas despesas do Estado mas, igualmente, pela circunstância da sua capacidade reivindicativa de reação ser muito menor dos que os trabalhadores no ativo", o que suscitava menos problemas políticos na execução das medidas. Essa personagem foi ao ponto de sugerir a necessidade de medidas que estimulassem, presumo que de forma não constrangente, o regresso dos velhos reformados e pensionistas, residentes nas grandes cidades, "à província de onde tinham saído", onde uma vida mais barata poderia ser mais compatível com a redução dos seus meios de subsistência.

Fui testemunha de atos de desprezo por interesses económicos geoestratégicos do país, pela assunção, por mera opção ideológica, por sectarismo político nunca antes visto, de um desmantelar do papel do Estado na economia, que chegou a limites quase criminosos. Assisti a um governante, que hoje sai do poder feito ministro, dizer um dia, com ar orgulhosamente convicto, perante investidores estrangeiros, que "depois deste processo de privatizações, o Estado não ficará na sua posse com nada que dê lucro".

Ouvi da boca de outro alto responsável, a propósito do processo de privatizações, que "o encaixe de capital está longe de ser a nossa principal preocupação. O que queremos mostrar com a aceleração desse processo, bem como com o fim das "golden shares" e pela anulação de todos os mecanismos de intervenção e controlo do Estado na economia, é que Portugal passa a ser a sociedade mais liberal da Europa, onde o investimento encontra um terreno sem o menor obstáculo, com a menor regulação possível, ao nível dos países mais "business-friendly" do mundo".

Assisti a isto e a muito mais. Fui testemunha do desprezo profundo com que a nossa Administração Pública foi tratada, pela fabricação artificial da clivagem público-privado, fruto da acaparação da máquina do Estado por um grupo organizado que verdadeiramente o odiava, que o tentou destruir, que arruinou serviços públicos, procurando que o cidadão-utente, ao corporizar o seu mal-estar na entidade Estado, acabasse por se sentir solidário com as políticas que aviltavam a máquina pública.

No Ministério dos Negócios Estrangeiros, assisti a uma operação de desmantelamento criterioso das estruturas que serviam os cidadãos expatriados e garantiam a capacidade mínima para dar a Portugal meios para sustentar a sua projeção e a possibilidade da máquina diplomática e consular defender os interesses nacionais na ordem externa. Assisti ao encerramento cego de estruturas consulares e diplomáticas (e à alegre reversão de algumas destas medidas, quando conveio), à retirada de meios financeiros e humanos um pouco por todo o lado, à delapidação de património adquirido com esforço pelo país durante décadas, cuja alienação se fez com uma irresponsável leveza de decisão.

Nunca lhes perdoarei o que fizeram a este país ao longo dos últimos anos. E, muito em especial, não esquecerei que a atuação dessas pessoas, à frente de um Estado que tinham por jurado inimigo e no seio do qual foram uma assumida "quinta coluna", conseguiu criar em mim, pela primeira vez em mais de quatro décadas de dedicação ao serviço público - em que cultivei um orgulho de ser servidor do Estado, que aprendi com os exemplos do meu avô e do meu pai -, um sentimento de desgostosa dessolidarização com o Estado que tristemente lhes coube titular durante este triste quadriénio.

Por essa razão, neste dia em que, com imensa alegria, os vejo partir, não podia calar este meu sentimento profundo. Há dúvidas quanto ao futuro que aí vem? Pode haver, mas todas as dúvidas serão sempre mais promissoras que este passado recente que nos fizeram atravessar. Fosse eu católico e dir-lhes-ia: vão com deus. Como não sou, deixo-lhes apenas o meu silêncio.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

25 de Novembro de 1975

Passam hoje 40 anos sobre esse dia.

O General Ramalho Eanes, que foi o discreto herói do 25 de Novembro, afirmou hoje que "O 25 de Novembro foi um momento fraturante e eu entendo que não devemos comemorar, os momentos fraturantes não se comemoram, recordam-se e recordam-se apenas para refletir sobre eles.»

Nesse tempo andava eu ocupada por de mais com a nossa primogénita bebezinha e com uma carreira profissional também a começar numa cidade que não era a minha, pelo que pouco sei para refletir sobre essa data marcante da História da nossa recém-nascida Democracia. Assim, resolvi lançar mão de quem escreveu sobre esse(s) dia(s) nos próprios dias.

Vergílio Ferreira, na entrada de 26 de Novembro de 75 do seu diário «Conta-Corrente 1», escrevia no seu estilo seco:

«Na madrugada de ontem, sublevaram-se os pára-quedistas, que ocuparam várias bases. Reacção dos militares «fiéis». Declarado o estado de sítio. Confrontos. Tiros. Alguns mortos, para começar a haver revolução. Mas tudo isto é quase abstracto, porque nada vimos. Só a rádio não há jornais. Consta que o Otelo está preso. Presos outros, menores. Um momento de esperança de que a democracia triunfe. Entretanto a vida continua. (…)

27-Novembro (quinta). Ontem foi declarado o estado de sítio em Lisboa. Houve mortos num confronto de militares, hoje, aviões em esquadrilha sobre a cidade.

29-Novembro (sábado). Notícias da rádio dizem que terminou a resistência dos pára-quedistas de Tancos. Presos três oficiais e seis sargentos. A rádio transmite «folclore» português, dizendo com alegria que há muito não era transmitido. Limpeza geral nas redacções e administrações de jornais estatizados. Iremos enfim respirar? (…)

2-Dezembro (terça). Terminou o estado de sítio, no fundo, não se acreditou sequer que tivéssemos estado ameaçados. A nossa «brandura de costumes» é a nossa superficialidade de ser. A nossa infância prolonga-se até muito tarde e tudo assim nos é um jogo infantil. Simplesmente, com oitocentos anos de História, a nossa infância é a infância da velhice. O mais difícil sempre para nós é assumirmos gravemente o que somos. Assim o que nos perde (ou nos salva) é a nossa inconsciência.»

(in conta-corrente 1; Livraria Bertrand, Lisboa, 1982, pp 294-5)





Entretanto Natália Correia, no seu estilo emotivo, romântico, quase épico, escrevia em 25 de Novembro de 1975:

«Finalmente! Cessa o rodar de suspeita em suspeita, de ansiedade em ansiedade.  (…) Estávamos fartos de granadas fantasmas a rebentar-nos dentro do crânio.

É, por enquanto, inapreensível a dimensão do rebentar do fogo. Mas o que já se sabe torna inequívoco que o país está à beira de servir o sangue a uma guerra civil.

Os «páras» insurrectos que em Tancos levaram os oficiais moderados a abandonar a unidade num acto de protesto contra a subversão da hierarquia destituíram o chefe do seu Estado-Maior. Tancos, Monte Real, Ota e Montijo, assaltadas durante a noite, estão dominadas pelo braço armado do poder popular. (…) Vasco Lourenço acaba de ser nomeado comandante da Região Militar da Lisboa, apeando com o coração desfeito o parasita da sua afeição. (…) O Ralis (…) põe à porta do quartel o seu aparato bélico. Elementos dos Copcon ocupam a Emissora Nacional e o Rádio Clube Português. A EPAM apossa-se dos estúdios da RTP. No ecrã surge o emblema do poder popular enfeitando as bravatas de um vaqueiro western populista – o capitão Durand Clemente.  (…) A Frente Militar Unida, na qual o «grupo dos nove» é uma peça destacada de entre centenas de oficiais, acelera as suas reuniões clandestinas. (…) Otelo esbraveja contra o VI Governo, vetando publicamente a nomeação de Vasco Lourenço. Por largas horas o país dividido ao meio. Corta-o o levantamento de pequenos e médios agricultores concentrados em Rio Maior. (…) De facto esse esquiço da divisão do país em dois corresponde a um esquema de que tomei conhecimento na reunião de Cascais: no caso de se perder Lisboa e de resultar infrutífera a «selagem» da cintura da cidade por Cascais e Sintra, recuar para o paralelo entre Mafra e Santarém, para onde avançarão tropas vindas do Norte. Este projecto implica naturalmente a transferência do Governo e da Presidência da República para o Porto.

O telefone retine insistentemente. São amigos do Porto e de Coimbra. Pedem-me que saia de Lisboa.

(…) Fico.

O Presidente da República acaba de decretar o estado de emergência na capital.

28 de Novembro de 1975

À meia-noite uma última badalada varre os ruídos da cidade. O estado de emergência não foi considerado suficiente para a gravidade da situação militar e o estado de sítio passa a vigorar na Região Militar de Lisboa.

O silêncio exaspera. Estamos sem jornais. Lacónicos comunicados informam espaçadamente a nossa ansiedade. O mais angustiante é que dessas escassas informações não conseguimos concluir se estamos ou não numa guerra civil.

(…) registo outro nome: Ramalho Eanes. Discretamente – pouco se fala dele – este Major é o coordenador do auge das operações contra golpistas que desde Agosto, pelo menos, têm, na clandestinidade, encontrando nele um firme atirador.

(…) Enfim: espremido o limão verde do 25 de Novembro resta-me a convicção de que o fogaréu revolucionário está a passar a cinzas. Estão criadas as condições para que a revolução recolha a penates e se institucionalize a democracia.»

(in «não percas e rosa», Editorial Notícias, Lisboa, 1978, pp 349-360)


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Aproveitando o Sol

A temperatura desceu abruptamente. Como eu gosto deste tempo de frio cortante mas de céu límpido, Sol brilhante, se bem que muito fraquinho, e de luz azul gelo. 

Vestir as camisolas de lã e o casaco comprido, calçar as meias grossas, não esquecer as luvas e passear pelas ruas da cidade... Aproveitando o Sol enquanto dá.




Como os meus vizinhos da frente - aproveitando o Sol. Enquanto dá...



Possam os meus amigos também aproveitar o Sol. Enquanto dá.