quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Eu não tenho a culpa...

Nos já distantes idos de 70/80, tive uma colega na minha «velha» D. Dinis que era tão PPD, mas tão PPD, que andava sempre com o emblema do partido na lapela – como os “nossos” atuais governantes andam com a bandeirinha de Portugal na lapela…  Era uma pessoa irritante até à voz e ao tom que usava e ninguém lá na escola a suportava. (Acabou por ficar muito minha amiga, mas isso foi por outros motivos.)

Quando a AD (a Aliança Democrática do Dr. Sá-Carneiro, do Dr. Freitas do Amaral e do Arq. Ribeiro Telles) liderada pelo Dr. Balsemão começou a dar raia não conseguindo governar o país, as pessoas queixavam-se das más condições de vida (como agora, aliás). Apareceu então um slogan que dizia isto: «Eu não tenho a culpa, não votei AD!»

Ora um belo dia, demos com aquela nossa colega do emblemazinho do partido na lapela na sala de professores a queixar-se amargamente já não me lembro de quê. Ora eu, com este feitiozinho que já me vão conhecendo, não estive com meias medidas e, irónica como sempre fui, atirei-lhe: «Eu não tenho a culpa, não votei AD!»

Depois habilitei-me a levar um bom de um “puxão de orelhas” de outra colega (por acaso simpatizante do MES - Movimento de Esquerda Socialista) até porque, à época, eu era um verdadeira «fedelha» enquanto elas já eram mulheres feitas com filhos adolescentes (alguns deles meus alunos).

Lembrei-me deste episódio quando ontem li uma carta dos leitores no meu jornal diário que dizia assim:

«A maioria dos cidadãos portugueses elegeu novamente a coligação governamental para exercer durante mais quatro anos. Não sei se foi pela promessa do reembolso da sobretaxa ou pelo episódio ternurento do uso de um crucifixo na campanha, mas quando algum pensionista se queixar do desaparecimento da sua reforma eu não os vou ouvir.
Quando algum pai acompanhar ao aeroporto o seu filho que foi obrigado a emigrar chorar diante das câmaras de televisão, eu apago o receptor. Eu já não me emociono quando ouvir alguém lamentar-se da sua interioridade, que fez quilómetros para ir a um hospital público sobrelotado ou a um tribunal sem condições. Jamais os quero ouvir dizer que os seus filhos estão a ser mal acompanhados nas escolas pois não existem funcionários nem professores suficientes. Quando se indignarem perante o aumento do IMI, do agravamento do IVA e do IRS, quando se afligirem pela diminuição dos seus apoios sociais, eu simplesmente não vou fazer caso porque foi a vossa escolha.»

Emanuel Caetano, Ermesinde


Por mim, ironicamente direi sempre: «Eu não tenho a culpa, não votei AD!»



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Estátuas vivas

Não fui lá, mas recebi as fotos pelo facebook. (Admirável mundo novo!!)

Foi a edição deste ano do Festival de Estátuas Vivas e teve lugar no passado fim de semana. 

E por ter sido em Sintra - que é uma terra de que eu não gosto nada.... - trouxe algumas das imagens para aqui. Espero que gostem.
































Espetacular, não vos parece?

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Viva a República!

Viva a República!!

Viva a República?! Ou talvez não! Em que estado está a República, sem alegria, sem feriado, nem presidente?

Se bem que haja Repúblicas para todos os gostos...









(imagens existentes no Museu Republicano e Maçónico de Pedrogão Grande)


E que tal esta versão? Jovem e fresca...



Viva a República!!

domingo, 4 de outubro de 2015

Balde de água fria


Foi um balde de água fria o que apanhámos hoje com os resultados eleitorais. Mas é assim; o povo é quem mais ordena!

Balde de água fria, porém, vão levar muitos dos eleitores que deram a vitória a esta maioria quando levarem com mais cortes não só nos ordenados e nas pensões de reforma, mas também os aumentos diários nos bens de base, na Saúde, na Educação; quando virem a taxa de pobreza a aumentar; a dívida pública a aumentar desmedidamente, os empregos a desaparecer, os patrões cada vez mais autoritários, a Justiça sujeita aos políticos, a privatização de tudo o que resta para privatizar e o mais que está para vir...

Mas assim é: o povo é quem mais ordena! (resta lembrar que foi este tipo de povo que manteve e aguentou uma ditadura violenta durante 48 longos e cinzentos anos!)


sábado, 3 de outubro de 2015

Você é sócio do Automóvel Clube de Portugal?

Quando aqui há dias se descobriu a golpada da Volkswagen, logo ouvi na rádio as declarações de um «distinto patareco» do Automóvel Clube de Portugal que afirmava perentoriamente que em Portugal não tinha entrado nem um único carro com aquele dispositivo que iludia as quantidades de emissão de gases poluentes para a atmosfera e que isso era facílimo de comprovar através dos números de registo e não sei quê, não sei que mais.

Com o ”feitiozinho” que já me vão conhecendo, deu-me logo vontade de rir do que o distinto senhor dizia e da certeza com que o afirmava e lembrei-me, ato contínuo, de quando lá nos idos de 50-60, muitos outros distintos senhores afirmavam que fora por intercessão da Nossa Senhora de Fátima que Portugal não tinha passado pelos horrores da Guerra, a Segunda…

Logo de seguida, no mesmo programa da rádio, falou outro senhor, não me lembro de que organismo, que afirmou que era difícil calcular os danos em Portugal porque cá nem existia o instrumento que permitia avaliar se os carros tinham o dito problema. (Mais vontade de rir…)

Dias depois, li no jornal que são mais de 94 mil carros portugueses com aquele software enganoso…

Mentem-nos de toda a maneira… E já não é de agora. Nem vale a pena lembrar do tempo da ditadura em que as mentiras, as ocultações das realidades e as «lavagens ao cérebro» eram diárias. Mas nesse tempo não havia internet e as pessoas eram mantidas na máxima ignorância e na maior ausência de instrução para mais facilmente acreditarem docilmente no que a Igreja e a informação nacional divulgavam. Agora já assim não é, se bem que desse jeito a … … (ai, estamos em período de reflexão…)

 Mas, a propósito do “distinto senhor” do Automóvel Clube de Portugal de quem me ri, acho que ainda ri mais porque me lembrei de uma anedota dos bons velhos tempos das anedotas pré-net contadas ao vivo nas rodas de amigos e que era assim:

Uma bela noite, um senhor viajava sozinho Alentejo abaixo quando o carro parou recusando-se a continuar viagem. Atrapalhado, ali no meio de nada e sem possibilidade de comunicar com ninguém (ainda não havia telemóveis…) começou a andar até que encontrou uma quinta. Bateu, bateu e lá apareceu uma senhora a quem explicou o sucedido pedindo que o deixasse passar lá a noite. A senhora disse que vivia sozinha, que a casa era pequena, mas que poderia ficar na sala. O homem agradeceu dizendo que ela podia ficar descansada porque ele era um homem sério, até era sócio do Automóvel Clube de Portugal. E lá se deitaram. Com todo o respeito.

No outro dia de manhã, o homem levantou-se e foi dar uma volta pelo quintal onde havia muitas galinhas lindas, gordas, bem cuidadas, mas só viu um galo também ele grande e vistosos, bem vaidoso do seu galinheiro. Quando a dona da quinta o convidou a tomar o pequeno-almoço, observou:  

«Vi que andou pelo quintal a ver as minhas galinhas…»

«Sim, de facto. E que belas galinhas! Mas admirei-me porque vi apenas um galo e… como pode ele ser o único para tantas galinhas?...»


«Sabe – disse a quinteira – é que o meu galo não é sócio do Automóvel Clube de Portugal…»

(daqui)

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Lembro-me de ti, Mamã



Lembro-me de ti, Mamã, de cada vez que, agora sozinha, me sento num daqueles cafés das arcadas. De como nos sentávamos as duas, naquele primeiro ano que passei aqui nesta cidade que eu não queria, num daqueles pequenos cafés das arcadas a beber um chá. Vinhas, de cada vez que a tua lida de professora te permitia, lá da nossa Sintra acompanhar a minha jovial gravidez. Naqueles dias frios e chuvosos e nós duas (nós três…), cúmplices, ali confortavelmente recolhidas.

Lembro-me de ti, Mamã, de cada vez que olho as tuas netas que tanto amaste e tanto te devem. De cada vez que olhos os cabelos pretos da Marta tão iguais aos teus.

Lembro-me de ti, Mamã, de cada vez que cuido dos meus netos tentando fazer tão bem como tu fizeste.

Lembro-me de ti, Mamã, de cada vez que, inexoravelmente, a cada ano, passa mais um dia 2 de Outubro, dia de há já quase três décadas em que para sempre adormeceste.

Lembro-me de ti, Mamã, em cada Natal, em cada dia de anos, em cada dia especial.

Lembro-me de ti, Mamã, no bem e no mal, em cada dia que passa.

Lembro-me de ti, Mamã, revejo-me em ti, Mamã, no bem e no mal, de cada vez que respiro.



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Agora entendi!!

Eu a pensar que o avanço propalado pelas «sondagens» católicas das tv(s) se devia muito ao discurso "genuinamente" religioso do "nosso" pm que até mostrou às velhinhas de um lar um crucifixo que, disse ele (o aldrabão!!), traz sempre consigo... (de que, por acaso, nunca se lembrava de apalpar na algibeira em que o transporta sempre (diz ele, o aldrabão!), de cada vez que roubava as pensões e tirava os direitos às mesmas velhinhas...)

Eu a pensar que esse avanço nas «sondagens» se devia ao programa concretamente detalhado que a coligação elaborou e tem explicado claramente a todos os portugueses...

Eu aqui a pensar que o dito avanço nas «sondagens» se devia ao facto de, ao longo deste período de campanha eleitoral não haver nem um único acontecimento ou evidência que tivesse vindo desdizer fosse o que fosse que os elementos irrevogavelmente coligados tenham afirmado...

Mas afinal não é por nada disso!

A razão absolutamente válida chegou-me hoje por mail e está aqui...