Quando aqui há dias se descobriu
a golpada da Volkswagen, logo ouvi na rádio as declarações de um «distinto
patareco» do Automóvel Clube de Portugal que afirmava perentoriamente que em
Portugal não tinha entrado nem um único carro com aquele dispositivo que iludia
as quantidades de emissão de gases poluentes para a atmosfera e que isso era
facílimo de comprovar através dos números de registo e não sei quê, não sei que
mais.
Com o ”feitiozinho” que já me vão
conhecendo, deu-me logo vontade de rir do que o distinto senhor dizia e da
certeza com que o afirmava e lembrei-me, ato contínuo, de quando lá nos idos de
50-60, muitos outros distintos senhores afirmavam que fora por intercessão da
Nossa Senhora de Fátima que Portugal não tinha passado pelos horrores da
Guerra, a Segunda…
Logo de seguida, no mesmo
programa da rádio, falou outro senhor, não me lembro de que organismo, que afirmou
que era difícil calcular os danos em Portugal porque cá nem existia o
instrumento que permitia avaliar se os carros tinham o dito problema. (Mais
vontade de rir…)
Dias depois, li no jornal que são
mais de 94 mil carros portugueses com aquele software enganoso…
Mentem-nos de toda a maneira… E
já não é de agora. Nem vale a pena lembrar do tempo da ditadura em que as
mentiras, as ocultações das realidades e as «lavagens ao cérebro» eram diárias.
Mas nesse tempo não havia internet e
as pessoas eram mantidas na máxima ignorância e na maior ausência de instrução
para mais facilmente acreditarem docilmente no que a Igreja e a informação
nacional divulgavam. Agora já assim não é, se bem que desse jeito a … … (ai,
estamos em período de reflexão…)
Mas, a propósito do “distinto senhor” do
Automóvel Clube de Portugal de quem me ri, acho que ainda ri mais porque me
lembrei de uma anedota dos bons velhos tempos das anedotas pré-net contadas ao
vivo nas rodas de amigos e que era assim:
Uma bela noite, um senhor viajava sozinho
Alentejo abaixo quando o carro parou recusando-se a continuar viagem. Atrapalhado,
ali no meio de nada e sem possibilidade de comunicar com ninguém (ainda não
havia telemóveis…) começou a andar até que encontrou uma quinta. Bateu, bateu e
lá apareceu uma senhora a quem explicou o sucedido pedindo que o deixasse
passar lá a noite. A senhora disse que vivia sozinha, que a casa era pequena,
mas que poderia ficar na sala. O homem agradeceu dizendo que ela podia ficar
descansada porque ele era um homem sério, até era sócio do Automóvel Clube de
Portugal. E lá se deitaram. Com todo o respeito.
No outro dia de manhã, o homem
levantou-se e foi dar uma volta pelo quintal onde havia muitas galinhas lindas,
gordas, bem cuidadas, mas só viu um galo também ele grande e vistosos, bem
vaidoso do seu galinheiro. Quando a dona da quinta o convidou a tomar o pequeno-almoço,
observou:
«Vi que andou pelo quintal a ver
as minhas galinhas…»
«Sim, de facto. E que belas
galinhas! Mas admirei-me porque vi apenas um galo e… como pode ele ser o único
para tantas galinhas?...»
«Sabe – disse a quinteira – é que
o meu galo não é sócio do Automóvel Clube de Portugal…»