terça-feira, 8 de setembro de 2015

É preciso mudar

Não partilho propriamente da opinião do constitucionalista Jorge Miranda que afirmou há meses, na televisão, que «Maria de Lurdes Rodrigues foi a nossa melhor ministra da Educação» - cá para mim, os melhores ministros da Educação foram mesmo Veiga Simão e Roberto Carneiro - mas, ao contrário da imensa maioria dos meus colegas professores que, juntamente com o Mário Fenpof (cadê ele?!) a arrasaram - sempre a considerei uma boa ministra, muito inteligente e conhecedora e com um enorme sentido do dever.

É por isso e porque concordo em absoluto com o texto que transcrevo para aqui a sua opinião que publicou no Público de hoje com o título «É preciso mudar».


«O que está em causa nas eleições que se aproximam é uma escolha entre deixar tudo como está ou mudar o rumo da governação. Deixar tudo como está, no plano dos serviços públicos prestados aos cidadãos, significará realmente:

Alimentar o radicalismo ideológico que orientou a governação nos últimos quatro anos. Com o pretexto da troika, assistimos ao desmantelamento de políticas essenciais para as pessoas e para o futuro do país, como os programas de formação de adultos (Novas Oportunidades) ou de modernização da administração (Simplex), apenas porque eram políticas públicas lançadas pelo Governo anterior;

Aceitar como inevitáveis os cortes nas pensões e a destruição do sistema público de segurança social, através de medidas que criam incerteza e desconfiança sobre a sua sustentabilidade e o seu futuro. A privatização de uma parte do sistema público de pensões, que o Governo prepara através do mecanismo do plafonamento, não é necessária para a sua sustentabilidade, mas constitui uma ameaça real que colocará em risco as pensões de todos nós e transformará o sistema de segurança social num sistema caritativo mínimo para os mais pobres;

Consentir no processo de degradação das instituições e dos serviços públicos sujeitos a condições de funcionamento que os impossibilitam de prestar serviços de qualidade. As Lojas do Cidadão, serviços de que todos nos orgulhávamos por serem bons exemplos de modernização administrativa, sofrem hoje de um congestionamento que ilustra bem a destruição provocada, por este Governo, na administração pública;

Permitir que o sistema científico, construído com persistência ao longo dos 40 anos de democracia, continue a ser destruído, comprometendo o futuro do país e as expectativas de qualificação de centenas de jovens que ambicionam uma carreira no mundo da ciência. Nos últimos quatro anos assistimos ao encerramento de um terço dos centros de investigação, à redução drástica dos programas de formação avançada e de emprego científico e à consequente emigração de milhares de jovens qualificados;

Desistir de melhorar os resultados escolares de todos os alunos e a qualidade do serviço público de educação. Nos últimos quatro anos, o insucesso escolar aumentou para valores iguais aos de 2004, milhares de alunos deixaram de poder aprender inglês, ficaram sem os programas de apoio ao estudo e sujeitos à instabilidade pedagógica gerada pela incompetência nos concursos de colocação de professores.

A coligação PSD/CDS apresenta-se nestas eleições sem verdadeiro programa eleitoral. Não vale a pena ter ilusões. A coligação nada apresenta porque o que tem para dar aos portugueses é o mesmo que já deu: destruição das instituições e empobrecimento do país. Quando se aproxima a hora de escolher, não é possível esquecer os últimos quatro anos. São eles que, desta vez, estão em avaliação na hora de votar. Não nos peçam para acreditar que os mesmos farão melhor.»

(sublinhados meus)


Modernices


E você também é antiquado? Também prefere papel ou decide-se pela máquina de ar quente?!

domingo, 6 de setembro de 2015

Não gosto de palhaços

Pois é mesmo verdade: desde que me lembro de me levarem àqueles pequenos (e pobres) circos lá em Algés, nos idos de 50, nunca gostei de palhaços. Quero dizer, não era bem não gostar dos palhaços, que até eram simpáticos e, não obstante a miséria e a tristeza que lhes líamos no olhar, esforçavam-se por nos fazerem rir e trazer alguns breves momentos de alegria a um público também ele pobre e triste. Do que eu nunca gostei foi de palhaçadas.

Em vez de usar a palavra «palhaços» talvez devesse empregar palavras como histriões, titeriteiros, farsistas (ou farsantes…) E, no entanto, adoro rir, aprecio uma boa anedota, vejo com prazer uma comédia fina. Nada, porém, de histrionices, pantominas, palhaçadas, enfim.

Ora é mercê destes meus gostos e não-gostos que me tenho abstido de seguir os telejornais e os (pseudo) comentários e debates político na televisão nomeadamente desde 6ª feira, dia em que decidiram deixar o ex-primeiro-ministro sair da prisão.

(Podia até deixar aqui o meu pensamento da histrionice dessa detenção em Novembro último, mas não foi isso que me trouxe aqui hoje.)

A palhaçada montada à porta da casa onde ele decidiu acoitar-se, por palhaçada que é, desagrada-me sobremaneira. Mas pior, bem pior do que essa – que se assemelha aos palhaços que eu via em Algés pela miséria que transparece nos atores – e essa sim, põe-me os nervos em franja, é a histrionice dos jornalistas e dos (pseudo) comentadores (de direita, que outros não há) que à força querem – e hélas! vão conseguindo – inculcar nas cabecinhas frágeis e leves de quem os ouve e os atende que a saída de Sócrates da prisão vai prejudicar o PS e vai fazer agitar e estremecer a campanha eleitoral e que só se vai falar em Sócrates e que isso vai fazer sombra ao António Costa e que e que… Quando percebemos muito bem que o que eles – todos esses histriões que pululam nas televisões – pretendem é serem eles próprios a agitar a campanha eleitoral e falar muito de Sócrates e do seu «enorme ego» e mais não sei o quê, para assim fazerem (re)despertar o enorme ódio que esse mesmo povinho sente contra o ex-primeiro-ministro que «provocou a enorme crise económica» que deixou Portugal (e a Irlanda e a Grécia e a Espanha e a Itália e a França) à beira do abismo e ganharem votos custe o que custar!




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Canções de amor (5)

Foi a primeira canção do dia e fiquei apaixonada como se fosse a primeira vez que a tivesse ouvido.

Que belo poema de amor do O'Neill!

Até apetece dizer «Tomai lá do O'Neill»!




Bom fim de semana!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Colinho

Não, não vou falar daquele clube (de piegas  - Passus dixit) que pediu «colinho» para conseguir ganhar o duplo campeonato…

Colinho tem tido – acho que mesmo sem pedir – os «senhores» da coligação para tentarem ganhar a dupla eleição.

Que grande, grande parte da comunicação social está há muito completamente obrigada a fazer-lhes o caminho não é novidade para ninguém. Nem sequer há necessidade de referir o presidente de Belém que, desde 2010, tudo tem feito para aguentar esta espécie de governo que ele tão bem promoveu.

Comentadores políticos já só restam, nos três canais de televisão, os pertencentes ao partido da maioria. Os entrevistadores, seguindo todos o estilo bacoco da pseudo melíflua Judite de Sousa ou do bajulador escrevedor de best-sellers, fazem as perguntas e põem as questões que lhes mandam e logo, logo interrompem os entrevistados que pretendem dizer algo que possa denegrir, beliscar sequer os mui poderosos «senhores» do poder.

O jornal mais lido no país – que mostra bem o “nosso” grau de cultura e de literacia – é um gordo odre de mentira e de maledicência sobre as estruturas fora do círculo da atual governação, instigando quem o lê a odiar tudo o que não esteja de acordo com a «situação» - termo que se usava no tempo da ditadura salazarista.

Mas não só. Ontem abri o DN, que já foi um verdadeiro jornal de referência, e até pensei que estava noutro país que não aquele de que temos tido notícia nos últimos anos. Só para referir títulos:

«Já há menos famílias a falhar pagamento do crédito da casa»

«Ferrari já vendeu 14 carros, cinco dos quais em Agosto e está a crescer mais 17% que em 2014»

«Tribunais. Obras urgentes de três milhões de euros vão avançar já neste mês»

«Menos área ardida em julho e agosto»

«Câmaras [que receberam a transferência de competências no âmbito da educação] evitam conflitos e até dão mais poder às escolas» e «Vários outros municípios tinham interesse em aderir»


E, por fim, “a cereja em cima do bolo”: uma carta de um leitor, uma, uma única, de um senhor Acácio Pinto (que me fez lembrar as redações super moralizantes que nos obrigavam a escrever na 4ª classe lá nos idos de 50) que dizia assim:

«Promessas não pagam dívidas

 Portugal é desde 2011 governado por PSD.CDS-PP com o compromisso de cumprir as medidas de ajustamento da troika em consequência do descalabro causado pela governação do Eng.º Sócrates. E não devia haver dúvidas de que foram cumpridas, apesar dos sacrifícios que passámos. A oposição entende que o governo foi longe de mais, a troika não exigia tanto. Não é o que diz o FMI, nosso credor. A Grécia não acatou as condições da troika e já vai no terceiro resgate. A Portugal bastou um, que foi duro mas resultou. Ficámos mais pobres materialmente, é verdade, mas ganhámos credibilidade internacional que não tínhamos. O governo mandou a troika embora e Portugal ficou livre das peias que não lhe permitiam aceder ao mercado em condições normais. Já se nota que o país está a crescer, o desemprego desceu significativamente, as exportações e o turismo estão a aumentar, a poupança dos emigrantes a subir. Isto não diz nada ao eleitorado que vai ter de decidir que governo deseja - este ou outro que não deu provas e o que diz não passa de promessas? Promessas não pagam dívidas.»

Se isto não é colinho, não sei o que mais será.




quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Rossio

Só depois de “perdermos” as coisas (e as pessoas) é que lhes apreciamos a beleza, o valor, a emoção que provocam em nós.

Habituada desde muito garota a desembarcar na Estação do Rossio – ainda andei nos comboios a carvão, imagine-se! – a área, por mais bela que fosse – e era! – não dava para me extasiar…

Foi, durante anos, aquela correria louca da estação para o autocarro – Liceu. Da estação para o metro – Faculdade. Sim, o incêndio no Teatro D. Maria II. Sim, as corridas dos Pides atrás dos estudantes e/ou outros manifestantes… De resto, era o Rossio.

Mas também era o Rossio da Loja das Meias, das esplanadas do Nicola, do requinte do chá e torrada na Pastelaria Suíça, do chiar das rodas dos eléctricos, do café com leite e um donut no Tico-Tico antes de apanhar o 32 para a Paula Vicente. E aquele hotel ali por cima carregado de memórias dos refugiados da Guerra, dos ventos de liberdade de 40, do fechamento de 50. Tão elegante! Que bonito devia ser por dentro! Que deslumbre seria espreitar das usas janelas lá no alto!


(daqui)

E agora, passados anos sem conta, a oportunidade de ir ficar nesse mesmo hotel.

Tudo muito ao estilo da segunda metade do século XX – o (meu) querido século XX – banhado tudo por aquela luminosidade que só em Lisboa se vislumbra. Nada dos luxos, das facilidades (como se diz agora, deslumbrados que estamos com os empréstimos do inglês da América) que se exigem hoje aos hotéis do novo milénio. 

No nosso quarto, situado lá bem no alto, o mobiliário – bem como a casa de banho, curiosamente – transportou-me à casa da minha avó onde nasci e vivi a minha infância num Algés dos anos 50.









Tudo requintadamente suspenso nos anos 50/60. Senão, veja-se a sala de estar, centro vivencial de todo o hotel.















E depois esta vista única que se descobre quando se abrem as janelas.









Um verdadeiro brinquinho-de-folha-de-oliveira pendurado na orelha do Rossio, este Hotel Metropole, ali mesmo por cima do Nicola. 




terça-feira, 1 de setembro de 2015

Parabéns, Sérgio!

Foi ontem, bem sei! 70 anos de vida e que vida! Celebrou-os ontem (mas o meu computador enguerguilhou e não me deixou escrever...) 

Possa ele ainda escrever mais 70 canções!

Como esta.




Ou como esta.



Ou outras tantas!!