Não partilho propriamente da opinião do constitucionalista Jorge Miranda que afirmou há meses, na televisão, que «Maria de Lurdes Rodrigues foi a nossa melhor ministra da Educação» - cá para mim, os melhores ministros da Educação foram mesmo Veiga Simão e Roberto Carneiro - mas, ao contrário da imensa maioria dos meus colegas professores que, juntamente com o Mário Fenpof (cadê ele?!) a arrasaram - sempre a considerei uma boa ministra, muito inteligente e conhecedora e com um enorme sentido do dever.
É por isso e porque concordo em absoluto com o texto que transcrevo para aqui a sua opinião que publicou no Público de hoje com o título «É preciso mudar».
«O que está em causa nas eleições
que se aproximam é uma escolha entre deixar tudo como está ou mudar o rumo da
governação. Deixar tudo como está, no plano dos serviços públicos prestados aos
cidadãos, significará realmente:
— Alimentar o radicalismo
ideológico que orientou a governação nos últimos quatro anos. Com o pretexto da
troika, assistimos ao desmantelamento
de políticas essenciais para as pessoas e para o futuro do país, como os
programas de formação de adultos (Novas Oportunidades) ou de modernização da
administração (Simplex), apenas porque eram políticas públicas lançadas pelo
Governo anterior;
— Aceitar como inevitáveis os
cortes nas pensões e a destruição do sistema público de segurança social,
através de medidas que criam incerteza e desconfiança sobre a sua
sustentabilidade e o seu futuro. A privatização de uma parte do sistema público
de pensões, que o Governo prepara através do mecanismo do plafonamento, não é
necessária para a sua sustentabilidade, mas constitui uma ameaça real que
colocará em risco as pensões de todos nós e transformará o sistema de segurança
social num sistema caritativo mínimo para os mais pobres;
— Consentir no processo de degradação das instituições e dos
serviços públicos sujeitos a condições de funcionamento que os impossibilitam
de prestar serviços de qualidade. As Lojas do Cidadão, serviços de que todos
nos orgulhávamos por serem bons exemplos de modernização administrativa, sofrem
hoje de um congestionamento que ilustra bem a destruição provocada, por este
Governo, na administração pública;
— Permitir que o sistema
científico, construído com persistência ao longo dos 40 anos de democracia,
continue a ser destruído, comprometendo o futuro do país e as expectativas de
qualificação de centenas de jovens que ambicionam uma carreira no mundo da
ciência. Nos últimos quatro anos assistimos ao encerramento de um terço dos
centros de investigação, à redução drástica dos programas de formação avançada
e de emprego científico e à consequente emigração de milhares de jovens
qualificados;
— Desistir de melhorar os
resultados escolares de todos os alunos e a qualidade do serviço público de
educação. Nos últimos quatro anos, o insucesso escolar aumentou para valores
iguais aos de 2004, milhares de alunos deixaram de poder aprender inglês,
ficaram sem os programas de apoio ao estudo e sujeitos à instabilidade
pedagógica gerada pela incompetência nos concursos de colocação de professores.
A coligação PSD/CDS apresenta-se
nestas eleições sem verdadeiro programa eleitoral. Não vale a pena ter ilusões.
A coligação nada apresenta porque o que tem para dar aos portugueses é o mesmo
que já deu: destruição das instituições e empobrecimento do país. Quando se
aproxima a hora de escolher, não é possível esquecer os últimos quatro anos.
São eles que, desta vez, estão em avaliação na hora de votar. Não nos peçam
para acreditar que os mesmos farão melhor.»
(sublinhados meus)



