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| (daqui) |
Foi hábito que me ficou de há
anos.
No tempo em que trabalhava
(muito!) na e para a “minha” escola, naqueles anos loucos (mas completos!) da
direção, tirava apenas duas semanas de férias no Verão, para ir para a praia –
que não me imagino a passar um ano sem ter uns bons dias de praia – e aproveitava
para ler os livros que pudesse. Nada melhor que «fazer as férias do lagarto»
deitada ao sol/à sombra a ler!
Este ano a «produção» foi bem
profícua!
Terminei o livro «Meninas» de Maria Teresa Horta – que
vai merecer um texto à parte, de tão bem escrito, de tão poético, de tão
violento!
Emprestaram-me «Quando Lisboa tremeu» de Domingos
Amaral em que entrei com agrado por se tratar de um romance histórico. São quase
500 páginas mais de romance do que de histórico. Mas lê-se bem e rápido –
daquela escrita torrencial, com grande profusão de diálogos (não sei como há
imaginação para tanto!) numa linguagem simples e corrida que por vezes não consegue
evitar um ou outro erro de pontuação e um ou outro lapso de ortografia – e diverte,
entretém.
No mesmo «pacote» de empréstimo,
vinha «O Retrato da Mãe de Hitler», do
mesmo autor, que pretende ser a continuação de «Enquanto Salazar dormia», que li há anos e até achei bom, mas que mais
não é senão mais um daqueles best-sellers
vulgares, longos e chatos, à volta de uma história de amor do tempo da 2ª
Guerra contada em intermináveis flashbacks
(analepses, em português). Nada de espacial.
«O Verão Quente» - também de Domingos Amaral (juro que não tenho
percentagem nas compras!...) – é bem melhor em termos históricos: versa a época
do PREC, no pós 25 de Abril entrelaçada por uma história do tipo policial que acelera
no leitor a vontade de chegar ao final do livro. Bem melhor que o anterior, se
bem que o autor exagere na forma como aborda o sexo – e não se pense que estou
aqui armada em pudica… - algo excessivo e, muitas vezes, desadequado. Mas
gostei. Tenho para mim que muito do que é dito sobre os acontecimentos de Abril
– e muito é dito – saíram diretamente da boca do Professor Freitas do Amaral,
pai do autor.
Para distrair de Domingos do
Amaral, li, pelo meio, o excelente livro «O
Retorno», de Dulce Maria Cardoso, este sim, um verdadeiro romance
histórico, com muito mais de histórico do que de romance, muito bem escrito,
que retrata a penosa época do regresso forçado das pessoas que viviam e tinham
as suas vidas estabelecidas nas ex-colónias e que se viram, de um momento para
o outro, transferidas para uma terra desconhecida, quase inóspita – embora tenha
sido feito o (im)possível para absorver todos esses concidadãos – muitas vezes
com pouco mais do que a roupa que traziam no corpo e numa malinha. De leitura
(quase) obrigatória!
Ah! E ainda consegui ler uma
antologia de (bons) textos (quase poéticos) de António Tabucchi, recentemente
editada pela D. Quixote e que comprei porque inclui também o breve romance «Os três últimos Dias de Fernando Pessoa» escrito
em 1995. Deu-me logo vontade de reler «O
Ano da Morte de Ricardo Reis», o livro de Saramago de que mais gostei!
Hei de fazê-lo!


