Por imperativo de mudança de
móveis – não sou mesmo nada dada a mudanças dos sítios das coisas! – houve que
remexer nas gavetas.
Sabe muito pouca gente dos gritos e dos
tabefes que a minha mãe me deu por eu não ser nada dada a arrumar gavetas… Uma
maçada!!! Muito mais divertido era estar a ouvir música, a tirar letras dos
discos novos, a ler, a escrever cartas e poemas…
Bom, mas em época de tardes
livres não arranjo mais desculpa para não “remexer” as gavetas. Refiro-me aos
gavetões das cómodas onde, nem digo há quantos anos, placidamente «jazem» as várias
toalhas de festas bordadas e com rendas, os imensos naperons e individuais,
alguns bordados por mim (imaginem!) outros bordados da Madeira e dos Açores,
conjuntos de quarto em crochet, dúzias de guardanapos que acompanhavam as
toalhas bordadas, saquinhos de guardanapos, sacos de pão bordados a ponto de cruz e sei lá o que mais - coisas que não se usam mais!
Nos idos de 60 e por aí, as meninas
da dita classe média trabalhadora iam juntando peças de enxoval desde muito
novas. Pelo Natal e pela Páscoa, em festinhas de aniversário era perfeitamente habitual
recebermos conjuntos de chávenas, taças de loiça fina, vidros, toalhinhas de
chá e assim se ia fazendo o enxoval. E depois as mães desdobravam-se a mandar
bordar lençóis e toalhas de festas e a comprar mais isto e mais aquilo para que
as filhinhas não ficassem mal vistas aos olhos dos sogros… (ihihihihihih.....)
Enquanto ia “remexendo” e mudando
o “património” de umas para outras gavetas, ia pensando no que irão as minhas
filhas, quando eu morrer, fazer com tanta toalha de banquete, tantos
guardanapos de linho bordados, tantos servicinhos de chá e de café, tantas
tacinhas e chávenas do lindo bago-de-arroz e sei lá o que mais de tralha do meu
enxoval e mais algumas coisas ainda do enxoval da minha mãe…
Olha! Ponham tudo no OLX!....
(Mas é uma pena…)





