quarta-feira, 3 de junho de 2015

A menina dança?





No tempo dos bailes da nossa juventude, em que os rapazes se dirigiam às raparigas pedindo-lhes para dançarem com eles a próxima música, havia um dito pouco cortês que usámos de brincadeira entre nós, que era assim: «A menina dança, ou já tem gajo?» 

Não é que foi o que se me aflorou à memória ao ver esta foto (ridícula) de um momento do lançamento do programa eleitoral destes dois e que (hipocritamente) tem como tema «Portugal no caminho certo».

Nunca vi tanta hipocrisia e tanta mentira junta!!


terça-feira, 2 de junho de 2015

Automóveis de há cem anos

Na «Leiria de há cem anos» também houve exposição de automóveis de há cem anos.





Há cem anos e hoje.
































Qual seria(m) o(s) vosso(s) preferido(s)?

segunda-feira, 1 de junho de 2015

No Dia das Crianças

Para celebrar este Dia das Crianças, este ano trago umas sugestões de leituras para e sobre crianças que podem, de alguma forma, ser interessantes para quem por aqui passar.

Primeiro, não posso deixar de referir o livrinho que a nossa amiga poeta Lídia Borges lançou há meio ano e que teve a gentileza de mo oferecer para os meus pequeninos – O Mistério dos Sonhos Roubados – que é um convite aos mais jovens para aproveitarem as delícias da leitura.


Começa assim:

«Chovia. Chovia sempre! Uma chuva miudinha, pingabirrenta que obrigava o Rui a ficar dentro de casa. Ora, ora! Assim as férias não prestavam para nada!

Já estava farto de jogar no computador e de ver televisão. Metido no quarto, riscava com o dedo os vidros embaciados da janela, enquanto se perdia nas lembranças das últimas férias de verão. Divertira-se à grande com o primo Francisco que mora numa cidade, lá para o Algarve. Deitou-se na cama preguiçosamente a recordar esses dias passados na praia entre mergulhos, gelados, risadas e alegrias ensolaradas.

- Quem me dera estar agora com o Francisco! – desabafou em voz baixa.

De repente, a cortar o silêncio do quarto, como que por artes mágicas, ouviu-se uma voz que sussurrava:

- Ei… Ei…. Olha para aqui!

O Rui levantou-se de um pulo, muito assustado.

- Não tenhas medo. Sou eu, aqui, na prateleira de cima…»


Outra leitura interessante é O Senhor Pina de Álvaro Magalhães que é uma enternecedora homenagem que o autor faz ao poeta, jornalista, escritor Manuel António Pina desaparecido há dois anos. 

Começa assim:

«O senhor Pina queria escrever uma história para a Ana e para a Sara, que fosse diferente e tão divertida que pusesse as palavras na brincadeira. E, já agora, que não fizesse muito sentido, ou que fizesse sentido de outra maneira.

Era terça-feira, que não era o melhor dia para começar esse género de história, talvez de escrever poesia, mas nunca se sabia. Por isso, ele espreitou para a rua pela janela do escritório e viu um rapazinho a fazer o pino no meio da relva do jardim. Depois, veio outro e fez o mesmo e a seguir um terceiro, que também tentou, mas desequilibrou-se e caiu no meio de um canteiro.

O senhor Pina pôs-se então a pensar num país onde as pessoas andassem todas de pernas para o ar. Era, talvez, uma boa ideia para a tal história, apesar de ser uma terça-feira. Como pensaria uma pessoa de pernas para o ar? Não o mesmo que pensaria se estivesse de pernas para baixo. Com toda a gente a pensar como toda a gente, ninguém pensava nada diferente.»

A minha terceira sugestão, de crianças tem apenas o título – Meninas, de Maria Teresa Horta, uma série de contos de alguma forma ligados entre si cujas protagonistas são todas meninas quase todas negligenciadas, quando não abandonadas e maltratadas, que se entregam à imaginação, à magia ou à leitura salvadoras.

"Meninas que são ela, mas que também são outras, inventadas ou recriadas, mas sempre reflexo do que se tem feito ao longo dos séculos a quem nasce mulher."



(Sobre este grande pedaço de crua prosa poética falarei quando acabar de o ler.)



domingo, 31 de maio de 2015

Canções de Amor (2)

Hoje, a rubrica Canções de Amor é dedicada à música francesa, sempre tão bela, tão doce, tão romântica.

Espero que gostem da minha seleção.



Les fueillies mortes  (1951)





L’hymne à l’amour  (1957)




Ne me quittes pas  (1959)








Il faut savoir  (1965)





sábado, 30 de maio de 2015

A Leiria de há cem anos

Amigos, vejam-se transportados à Leiria de há cem anos!

A notícia veio no jornal «O Século de Leiria» do dia 30 de Maio de 1915 e dizia assim:

«ACTUALIDADES LOCAES

Festas da cidade

É nos dias 30 e 31 de Maio que se realizam estes festejos que prometem atrair a Leiria inúmeros forasteiros.
Além das solenidades religiosas e bodo aos pobres na Igreja do Espírito Santo, haverá iluminação, tiro aos pombos, theatros, 2 touradas, no sábado à antiga portugueza e no domingo começará a tourada por uma ferra de novilhos, rancho de tricanas, fogo do minho, etc. etc.
Para o público apreciador de theatro há boas notícias, pois vem da capital a Companhia de Theatro Éden, já com dois annos de reconhecida existência.
Em boa hora a Companhia evita os distúrbios na capital e estreia peça na cidade do Liz, com Palmira Bastos, Augusto Melo, Robles Monteiro e Amélia Rey Colaço no elenco. 
A estadia na cidade serve ainda de preparação para evento igualmente magestoso em Braga, na cidade Augusta.
A comissão dos festejos pede aos habitantes da cidade para decorarem durante os dias de festa, as fachadas de suas residências, o que agradece...»

(Nota da editora:o texto segue a ortographia do antiquíquíquíssimo Acordo Ortográfico....)

De facto, hoje, 30 de Maio de 2015, exatamente cem anos passados, não houve tourada, nem bodo aos pobres, nem teatro com a Companhia de Robles Monteiro, nem fogo do minho... Mas viu-se muita gente daqueles tempos.... Ora reparem.












































Uma enorme azáfama!!


sexta-feira, 29 de maio de 2015

O golfe chegou ao Alentejo

Três Alentejanos reunidos  tentam encontrar uma nova maneira de passar o  tempo.

Diz um:

- Ó compadris, já chega de sueca e dominó. Tou farto dist !!

Diz outro:

- Atão e se fossemos jogar golfi ?

Pergunta o primeiro:

- Atão, ó! compadri, com'é quisso se joga?

- É c'um pau, umas bolas e um buraco.

Responde o outro :

- Atão tá beim ; ê cá dou o pau.

Diz o segundo:

- Prontos,  ê cá dou as bolas.

Responde o terceiro:


- Compadris, ê cá nã jogo.




quinta-feira, 28 de maio de 2015

Clausura

Há, no Palácio da Vila, em Sintra, um pequeno quarto – conheci-o há muitos, muitos anos atrás e impressionou-me bastante – chamado «Quarto dos Infantes» onde o infeliz rei Afonso VI foi encarcerado, depois de ter regressado da Ilha Terceira para onde fora deportado cinco anos antes. De regresso a Lisboa, foi alojado nesse quarto de pequenas dimensões no Palácio de Sintra, apenas nesse Verão já que nas restantes estações do ano o quarto recebia muito frio e muita humidade. Porém lá permaneceu, «sepultado, como se fora morto» (nas suas próprias palavras) até à sua morte, nove anos depois.




A janela do quarto dava para a Serra, de onde os seus leais amigos, o Conde de Castelo-Melhor por exemplo, comunicavam com ele enviando-lhe sinais de fogo – diziam os cicerones do Palácio. E chamavam a especial atenção dos visitantes – nos quais me incluí várias vezes – para as lajes do chão do quarto gastas de tanto o infeliz rei andar no quartinho de um lado para o outro.



Lembrei-me deste triste episódio da nossa História e dos meus conhecimentos de juventude um dia destes ao atravessar aquela minha sala e subir e descer estas minhas escadas. Para cá e para lá, vezes sem conta. Salvas as distâncias espácio-temporais e históricas, às vezes sinto que também este meu chão vai acabar por ficar gasto…