Em vésperas do Natal de há dois
anos, entrou-me pela casa dentro este gatão a que chamámos de Lourinho, um
doido que faltava em casa de noite e chegava de manhã todo molhado e arranhado.
Um dia apanhou um resfriado valente e até teve de ficar internado na clínica
veterinária.
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| Esteve tão doentinho! |
Pois no passado verão, enquanto
fomos duas semanas de férias, o fulaninho, não obstante continuar a ter a comidinha
a horas posta por uma senhora que vem cá exclusivamente para tratar dos meus
gatinhos, pirou-se sem dizer mais palavra.
Meses depois, aí por Outubro –
até falei nisso aqui – uma vizinha veio trazer-me um gatão que pensava ser o
meu Lourinho. Não era. Apesar de ser um bom bocado parecido. Este era
deliciosamente mais meigo, vinha muito bem tratado e não fazia xixi na porta… De
tão fofo que era/é, chamámos-lhe Miminho. Foi à veterinária fazer o registo e
ver de possíveis maleitas. Fez-se dono da casa, tratado com realeza por mim e
pela minha neta e respeitado pelas nossas gatas.
Então não é que o safado me
desaparece sem rasto no mês passado? Dois, três, quatro dias é ausência normal num
gato jovem-adulto, mas duas, três semanas já não é. Dei-o por perdido. Com a
pena do costume. Até que, um dia destes, vou dar com ele aqui a uns 150 metros
na minha rua, ali nuns verdes perlados de margaridas amarelas e papoilas
transbordantes de vigor, todo esparramado. Chamei-o: «Miminho!» e não é que o
magano vem bamboleante até mim, rebola-se no chão e recebe as festas que lhe
prodigalizei na barriga? Veio atrás de mim, feito cãozinho, até casa. Comeu, comeu,
limpei-o de bicharada, dormiu, refastelou-se de mimo. Dois dias depois, outra larga ausência.
Sei que se aboletou junto a uma
gatinha muito linda chamada Esperança – que está de esperanças mais vezes do
que gostaria – e que pára por ali nos verdes campos. De cada vez que ali passo
e o vejo, chamo-o, vem atrás de mim feito cãozinho, come, come, limpo-o de
bichos, descansa e volta para lá.
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| Esta é a Esperança |
In(g)ratos estes gatos! Mas o
amor tem destas coisas, não é verdade?
















