quinta-feira, 7 de maio de 2015

Para memória futura

Em defesa dos funcionários públicos - a quem muito "boa gente" atribui - juntamente com os reformados, também conhecidos pelo grupo da «peste grisalha» - as culpas pelo buraco financeiro do país (que nada tem a ver com as golpadas do BPN e outras quejandas, claro!) e para que nos lembremos quando formos votar lá para o outono.


















E aí vem-nos à mente o velho poema de Brecht que já aqui deixei antes.




quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pátria

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. (...)»

Retrato feito há mais de cem anos por Guerra Junqueiro e, no entanto, tão atual ainda...
Que sufoco!!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sempre a aprender

Dei aulas de Português a uma doce e simpática senhora canadiana de Picton, Ontário, durante cerca de três anos enquanto viveu aqui em Leiria, casada com um português. Sempre me elogiou – exageradamente, claro! – a minha maneira de ensinar e a minha enorme paciência. Ficámos amigas; mesmo muito amigas.

Hoje recebi dela (mais) um simpático mail dedicado a todos os seus professores desde os seus primeiros tempos e a todos os seus amigos que são professores e a mim própria dizendo que “esta semana celebram [no Canadá] os professores todos porque todos merecem ser celebrados”, que “este mundo é um mundo melhor porque existem pessoas como vós todos, professores.Todos vós sois únicos e muito especiais [diz ela] e cada um de vós fez uma diferença na minha vida.”

Pensei que seria mais uma das maravilhosas tradições canadianas e pus-me a investigar. Fiquei a saber que a PTA – Parents – Teachers Association – instituiu, desde 1984, a semana Teacher Appreciation Week (Semana de Apreço aos Professores) que se celebra na primeira semana de Maio e tem por objetivo agradecer e elogiar os homens e mulheres que dedicam as suas vidas, a sua paixão e os seus saberes a educar crianças e jovens.

A National PTA foi fundada em Washington DC, em 1897, tendo passado a existir PTA(s) em vários países de língua inglesa e em muitas universidades.

A minha querida amiga canadiana distinguiu-me como uma das professoras a celebrar nesta semana e enviou-me alguns tags carinhosos. Uma verdadeira querida! 








segunda-feira, 4 de maio de 2015

Divirtam-se! Boa semana!

Entrada especialmente dedicada ao Ricardo Santos (que tanta música nos dá ...) e a todos os meus amigos e amigas que se deliciam com um bom enfiamento de musiquinhas saltitantes...





Divirtam-se!
É uma boa forma de começar a semana!

domingo, 3 de maio de 2015

Mães

Hoje já toda a gente disse tudo sobre as Mães, já se desejaram todos os «Bom Dia da Mãe», já se escreveram todas as frases mais bonitas, já se ofereceram todas as rosas vermelhas ou amarelas que as floristas conseguiram arranjar.

Por isso, como já nada de novo posso acrescentar, vou limitar-me a deixar imagens da mães cá de casa.




A minha avó, a minha mãe, eu e as minhas filhas (que são já, elas também, mães).




A mãe do meu marido com dois dos seus seis filhos.

Umas Mães-Coragem, as mais velhas!



E para que não se diga que nada de bom desejo às Mães que por aqui passarem, deixo aqui expressos os meus desejos mais doces....


(Dolce Peccato, Leiria)

sábado, 2 de maio de 2015

Vislumbres

Logo no primeiro dia, antes até da inauguração oficial. À entrada, beijinho ao Presidente e toca de lhe passar à frente, a correr muito - até porque chovia aquela chuva miudinha que, dizem, molha tolos... e eu não gosto de ir à Feira.

Ó mas eles gostam. Eles gostam tanto!








E agora uma fartura à Penim - que essas não podem faltar!






Outro dia, com sol, talvez ... sei lá!

Nunca pensei!

O tempo que dista entre estas datas revolucionárias de nossa boa memória que são o 25 de Abril (para sempre com letra maiúscula por muitas ortografias novas que venham a acontecer) e o 1º de Maio cria sempre em mim um lampejo, um enorme arrepio que me eriça os nervos num tremor que mexe entre a alegria e a exaltação.

Nestes últimos anos de triste declínio da vida das pessoas, de desaparecimento de instituições e de ardilosos tramas por parte de quem jurou governar a bem do povo, essa agitação interior tem vindo a esmorecer e este ano, perante os trapaceiros espetáculos circenses a que temos assistido no âmbito da Justiça, da Educação, da Saúde e hoje mesmo da Economia com o carrocel da venda da TAP – até o senhor presidente que jurou uma Constituição popular, plural e laica veio dizer: «Deus queira que não aconteça nada de mal à TAP…» (tenho a certeza que o presidente Thomaz não diria melhor…) aquela minha excitação algo saborosa passou a uma inquietação tumultuosa e perturbadora.

Tenho dado comigo a dizer tantas vezes: «Nunca pensei que chegássemos a este ponto, a este estado a esta situação!»

E pior, mas mesmo muito pior: nunca pensei chegar a ver um ex primeiro-ministro (em Portugal as pessoas de visão não são bem-quistas e normalmente são afastados e bem arrastadas na lama) encarcerado há cinco longos meses, bem longe de Lisboa, sem saber – nem ele nem nós – por que razão ao certo, com “culpas” diárias diferentes desferidas nos jornais sem que se saiba com que fundamento ou fonte. E não me venham a falácia de que temos de «deixar a Justiça trabalhar» porque esta bem se tem de esquecido de «trabalhar» com tantos outros «suspeitos» com «indícios» de terem graves  culpas muito mais fundadas e andam por aí a viver regaladamente por esse mundo fora e ainda são elogiados nos discursos deste atual primeiro-ministro.

Li hoje no jornal que o homem que anteontem matou a ex-mulher, os sogros e um enteado ficou em prisão preventiva por perigo de fuga e outras razões muito parecidas com as que levaram à prisão preventiva do ex pm.


Esta fotografia foi das imagens que mais perturbou aquela minha habitual exultação em memória destes dias de lembrança revolucionária – garanto! E lamento...