sábado, 18 de abril de 2015

Casal do Norte

Para animar o fim de semana, hoje fica aqui um diálogo amoroso entre um casal do Norte. 

(De referir e relembrar que a as gentes do Norte têm uma forma mais liberal de usar o vernáculo... Se é suscetível, fique por aqui!!!)

Diz ele:

- Amor, tu fazes-me lembrar a nebe!... Tás sempre tão fria comigo!...

Responde ela:

- Pois, e tu fazes-me lembrar o neboeiro!... Sempre que bamos prá cama num se bê um caralho!!!



sexta-feira, 17 de abril de 2015

Santuário do Senhor Jesus da Pedra




Impressionava-me quando em finais dos anos 60 comecei a lá passar de comboio nas minhas primeiras visitas à família cá do namorado em Leiria. Ali, no meio da planície, fora da vila de Óbidos, a caminho das Caldas da Rainha, erguia-se uma espécie de mosteiro hexagonal grandioso e belo, pelo menos diferente. Só agora tive oportunidade de lá entrar e de o visitar por dentro.

Lamento estar tão degradado, tão mal cuidado, a precisar de ser pintado por fora e que lhe substituam os os vidros partidos nas janelas superiores. 

Existem diversas lendas na região que justificam a construção do Santuário. Possuem em comum a ação milagrosa de uma antiga cruz de pedra com a imagem esculpida de Cristo crucificado, hoje exposta no altar-mor da igreja. A mais popular esclarece que na década de 1730, vivendo a região uma prolongada seca, com grandes prejuízos para a agricultura, um lavrador foi chamado pela imagem, que se encontrava escondida num combro por entre silvados, em terreno da Colegiada de Santa Maria de Óbidos, junto à estrada que ligava esta vila às Caldas da Rainha. A imagem "clamou-lhe" veneração, o que o lavrador cumpriu juntamente com alguns outros populares, tendo vindo a chover.

A tradição narra que aquela pequena escultura ali havia sido colocada pela própria rainha D. Leonor, para indicar o caminho das águas curativas da Caldas, tendo-se tornado objecto de veneração à época, mas tendo depois caído no esquecimento. Com a sua redescoberta pelo lavrador e o "milagre" subsequente, a imagem voltou a ser objecto de devoção popular, tendo sido erigida uma capela de madeira para albergar a imagem.

A "estranha" imagem de pedra de Cristo Crucificado esteve até à inauguração do Santuário recolhida numa pequena ermida junto à estrada para Caldas da Rainha onde era objecto de grande devoção, nomeadamente do Rei D. João V que inicia os seus tratamentos no Hospital Termal Rainha D. Leonor, passando a visitar frequentemente a imagem do Senhor Jesus da Pedra, pela qual tinha grande veneração, ofertando-lhe avultadas esmolas.

(Informações retiradas de :














quinta-feira, 16 de abril de 2015

Celebrando a Arte

Dizem que ontem se celebrou o Dia Mundial da Arte.
Mas porque ontem não deu tempo para vir aqui registar o meu contributo,faço-o hoje da forma mais simples.
E porque este ano se celebram os 100 anos de Orpheu, deixo aqui desenhos e pinturas dos modernistas Almada Negreiros e do esquecido dos portugueses Amadeo Souza-Cardoso.


De Amadeo:












Do Almada










Qual a vossa apreciação?

terça-feira, 14 de abril de 2015

When A Man Loves A Woman

Apesar da voz poderosa, não posso dizer que era um dos meus cantores preferidos, mas hoje, no dia em que anunciaram a sua morte aos 77 anos, não posso deixar de recordar aqui uma das mais belas canções do ano 66 do século passado que voltou a ser cantada por tantos cantores de nome como Joe Cocker, Michael Bolton, Art Garfunkel e outros.

Relembremos.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ainda a questão da língua

Como prometi na entrada de anteontem, trago aqui a posição do nosso Nobel da Literatura acerca da (pouca) importância que tem a ortografia (que é uma parte da gramática) no amplo universo da língua. Noutra altura trarei outros textos de grandes figuras das nossas letras para corroborarem esta ideia.

«Num programa de televisão em que se abordava a questão do acordo ortográfico, José Saramago disse: «Aprendi a escrever mãe com “e” no final, depois veio uma reforma e tive de aprender a escrever com “i” no final, veio mais uma reforma e voltou a ser com “e” no final. E com essas mudanças a mãe, posso-vos garantir, era sempre a mesma. E agora se mudarem de novo ela só não é mais a mesma porque já morreu.»

Esta relação com a língua, que é mais do que a soma das palavras ou das suas regras, visível em quase todos os seus textos (mas principalmente em Memorial do Convento), foi seguramente aquilo que mais me marcou em José Saramago. A língua precisa de seus sinais para se constituir como língua, mas os sinais são apenas sinais e não a língua, são as roupas e não a pessoa que as veste. Com esta posição, Saramago perguntava (nos fazia perguntar) onde estava a língua. O que é a língua? A palavra aponta coisas. Stone em inglês aponta o mesmo que pedra em português. Mas muda assim tanto, se for pedra? (…)

A convenção das sinaléticas da língua não deve desviar a nossa atenção do principal da língua: o desvelar de nós e do mundo; que tanto mais intenso e profundo será quanto mais exercitamos a língua. Podemos talvez não conseguir libertar o país, o povo, nós mesmos, mas podemos e devemos libertar a língua.»

(Paulo José Miranda, in Palavras para José Saramago, Lisboa: Caminho. 2011)




domingo, 12 de abril de 2015

Estátua humana

Fica aqui esta simpática estátua humana para vos desejar um boa semana.




E, já agora, serão capazes de dizer onde a encontrei?
Claro que sim! É terra bem conhecida.

Boa semana!!

sábado, 11 de abril de 2015

Ensinem esta gente a falar português!

Anda meio mundo por este «jardim à beira-mar plantado» a bater no acordo ortográfico de 1990 por causa de menos um p ou menos um c que nem se pronunciam inventando mentirinhas e falácias como aquela patetice do «cágado» e do «cagado» (porque a ignorância é tanta que nem sabem que as esdrúxulas são todas obrigatoriamente acentuadas) e ninguém se preocupa em ensinar esta juventude a falar convenientemente.

Hoje telefonei para um restaurante que vende refeições para fora a fazer uma encomenda para um quarto para uma e diz-me a menina que me atendeu lá do outro lado: «então isso é para as 12 e 45, não é?» Depois de lhe parecer que eu estaria a falar chinês, acabei por lá chegar à hora marcada (fosse ela qual fosse…) e nem pedido havia registado! Mas isso é outro assunto que nada tem a ver com o conhecimento da língua portuguesa…


(Casa da Música - foto de F. Mendes)

Ontem, como toda a gente sabe, celebraram-se os dez anos da inauguração da Casa da Música e a TVI, numa iniciativa muito louvável, juntou-se às comemorações fazendo um acompanhamento próximo, divulgando o espaço, a sua construção, concertos, como os visitantes são conduzidos pela Casa por guias que vão mostrando e explicando o que deve ser conhecido. Muito bem! Quando lá fui há cinco anos, infelizmente ainda não havia este serviço. O pior foi ver uma jovem guia, que parecia bem conhecedora e bem desembaraçada, dirigir-se ao grupo de visitantes por «Vocês»… Apanágio da gente nova e dos vendedores que levam «injeções» de marketing à americana, ninguém lhes diz que o tratamento por «você(s)» não deve ser utilizado com pessoas que não conhecemos – é extremamente indelicado!!

Isto para não falar na «perca» (que não do Nilo, mas de oportunidades ou de direitos) ou no «houveram» com que os “nossos” bem-falantes políticos nos brindam constantemente, ou na avalanche de termos americanos infiltrados por via das ciências da gestão e sem os quais parece que já ninguém consegue viver.


É que a nossa língua, a dita «língua de Camões» com que toda a gente enche a boca para enfatuadamente atacar o pobre do acordo ortográfico de 1990, não precisa de infiltrações americanas porque é rica e plástica de mais! O pior é que também é difícil de mais e muitas dessas pessoas não a conhece bem.


(Casa da Música - Reflexos - foto de F. Mendes)