sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Poema antigo

Encontrei, num livro antigo, uma folha com um soneto muito bonito manuscrito por mim, sem data nem nome de autor, dos tempos antigos da adolescência, em tempo de desamores... 

Foi um belo reencontro, podem crer. Tanta companhia me fez este como outros muitos poemas que eu transcrevia de livros e revistas que encontrava lá pela Biblioteca em Sintra. Mas tão tontinha que não registava o nome dos seus autores...

Querem ler? É um lindo poema de amor - digno de uma Florbela Espanca, sei lá!





quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A política do «custe o que custar»



Que este primeiro-ministro que, por incúria de alguns – ou de muitos – «foi ao pote», ou seja, tomou o poder de assalto, não tem política(s) não é novidade para ninguém neste país.

Que este mesmo primeiro-ministro não tem uma linguagem cuidada e usa muitas expressões do registo coloquial que não quadra com o nível de um chefe da governação, também já nos espanta.

Mas daí a utilizar a mesma vulgar expressão em sentidos contrários é que é de mais!

Então o senhor Passos Coelho, pouco tempo após ter chegado ao pote, digo, ao governo, afirmou aos quatro ventos que «temos de pagar a dívida custe o que custar». Mas ontem, depois de se saber que uma mulher de 51 anos que sofria de hepatite C morreu porque não lhe pôde ser ministrado o medicamento respectivo porque o hospital não tinha dinheiro para o comprar, depois de se saber que as pessoas morrem nas urgências sem que um médico chegue perto de si, depois de se saber que as mortes nos hospitais têm sido aos milhares e não apenas por efeito do pico de gripe, o insigne primeiro vem a público e afirma, como se de um nazi se tratasse, para quem o quis ouvir que «deve-se fazer tudo para salvar vidas, mas não custe o que custar».

Facilmente se conclui destas – e de outras muitas – afirmações desta espécie de primeiro-ministro que nos calhou em sorte que há que fazer de tudo para pagar aos agiotas que nos emprestam dinheiro para podermos continuar a aumentar a dívida soberana, mas que não temos de fazer de tudo para salvar vidas de cidadãos.

Que bem entregues estamos!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

She

Uma das canções mais belas de sempre - She

A excelente versão de Charles Aznavour gravada em 1974





Em 1999, Elvis Costello gravou a deliciosa canção para o filme - também delicioso - Notting Hill.




Difícil escolher, mas... qual das versões preferem?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Biografias


Gosto de ler biografias e autobiografias. Sempre que aparece uma de ou sobre um(a) autor(a) português(a) que me pareça interessante, leio. Nada a ver com fotobiografias (também tenho algumas) que essas interessam mais pelas fotos do que pelo conteúdo.

Não me atraem as biografias propriamente pelo que aconteceu ou não nas vidas dos biografados – se bem que esses factos sejam também “giros” de saber – mas especialmente pelo que se pode aprender acerca das circunstâncias sociais, temporais e históricas.

Foi nessa assunção que li algumas biografias de autores do século XX. Estou a lembrar-me da dolorosa (mas não lamechas) «Autobiografia» de Luís Pinto-Coelho ou a excelente biografia de João Pedro George sobre o louco autor Luíz Pacheco ou até – ou especialmente – o «Bilhete de Identidade» da arrogante Maria Filomena Mónica. Todas elas acrescentaram um pouco – ou um muito – mais de conhecimento sobre o século XX em Portugal. Mas não se cultiva muito o género cá pelo país, o que é uma pena.

Isto mesmo vi escrito numa crónica de Eduardo Pitta das coligidas no seu último livro «Pompas Fúnebres» pp 56-57. Diz o crítico literário: «A gente olha em volta e fica a pensar na enxurrada de informação (social, política, literária) que representariam as biografias de Manuel Teixeira-Gomes, Aquilino Ribeiro, Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros, Florbela Espanca, (…) Miguel Torga, (…) Vergílio Ferreira, Sophia de Mello Breyner Andresen, Jorge de Sena (…) Luís Miguel Nava. (…)(Nesta lista de 40 autores, nascidos entre 1860 e 1957, há três ainda vivos.) Nem todas urgentes, com certeza, porque a importância relativa das obras e o grau de intervenção pública nem sempre coincidem. Mas uma dúzia bem escolhida faria a história do século XX português. Os seus equivalentes ingleses, norte-americanos e franceses estão todos biografados, alguns mais de uma vez. (…) E nós por cá? Nós por cá talvez preferíssemos trocar a lenda (…) pelas biografias a que temos direito.»

E eu que de bom grado as leria, sem dúvida.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Vendam também o Palácio de Belém!

Na sanha de «melhorar» o país e de serem os «bons alunos» da Europa - mesmo que a dívida pública ascenda aos 132% do PIB e que mais de dois milhões de portugueses estejam a viver abaixo do limiar da pobreza, na grande maioria crianças, jovens e velhos e que o desemprego real ronde os 20% - esta espécie de governo que, por incúria de muitos, tomou conta do poder tem vendido o país aos pedaços. Das empresas nem vale a pena falar - já só falta a TAP. Agora viram-se para o património. 

Este é o forte que querem alienar. O forte de São Miguel Arcanjo na Nazaré que data do tempo de D. Sebastião.












Um dia destes poderão querer alienar também o Castelo de São Jorge, a Torre de Belém, a Torre dos Clérigos, a Universidade de Coimbra e ...

... até  Palácio de Belém, sei lá! Com inquilino e tudo!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Io sono il vento

Com os alertas laranja - estou mesmo a falar de meteorologia... - com a forte agitação marítima que se fez sentir aqui pelo litoral e com as rajadas de vento que ontem abanaram as gelosias das janelas do meu quarto, lembrei-me  desta canção que foi apresentada no Festival de San Remo de 1959 e tantas versões teve.

A versão original é poderosa e muito ao gosto dos anos 50.




A edição feminina é de igual modo poderosa. Há a versão mexicana pelas Hermanas Navarro, e a brasileira de Mário Augusto. Mas eu fico-me pelo italiano. 

Espero que gostem... e também espero que o vento (e a chuva e o frio) abrande...




Boa semana!

Alemanha




Difícil confiar numa nação que, no espaço de menos de 50 anos, provocou duas sangrentas Guerra Mundiais.