É isso mesmo que o ministro (C)rato
quer: desacreditar os professores (da escola pública) aos olhos da população. E
vai conseguindo. Os jornais, impantes, lá anunciaram em primeira página, que «mais
de um terço dos professores chumbaram na prova de avaliação». E nos telejornais
lá apareceu um qualquer representante do Instituto de Avaliação, organismo
responsável pela elaboração da dita prova, a dizer, com um ar zombeteiro, que
«vamos lá!...» professores que não entendem a interpretação de um texto ou um
cálculo deixam muito a desejar…
Já aqui disse e repito: exerci a
carreira nos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico durante 40 anos sempre com bons
resultados, desempenhei cargos de chefia intermédia e de topo durante vários
desses anos, cheguei a ser chefe de divisão numa Coordenação de Área Educativa,
fui formadora de professores e, garanto-vos, que teria chumbado se me tivessem
obrigado a passar por semelhante prova(ção)!
Depois veio o ministro (C)rato em
defesa desta forma de testar as competências dos professores dizendo que é como
o exame para a carta de condução – confesso que não entendi a arrevesada
comparação, mas é como digo, não teria competências para obedecer ao perfil que
o senhor ministro delineou para se ser
professor…
Que a intenção do senhor ministro
(C)rato para escolher os professores com menos de cinco anos de experiência sabemos
nós muito bem qual é! Não tem objectivos de qualidade coisa nenhuma! Tem o objectivo
de se descartar de uma boa quantidade de professores que já serviram nas
escolas na qualidade de contratados e, por outro lado, o objectivo de denegrir
a imagem dos professores e da escola pública junto da opinião pública. Mostrar
que eles são ignorantes, não prestam, e por isso os alunos não conseguem alcançar
o almejado sucesso educativo.
Porque é que os professores das
escolas privadas não têm de passar por este crivo tão irregular? Como será que
os directores dos colégios escolhem os “professores de qualidade” que lá têm
sem lhes aplicarem a prova?
E será que o irónico senhor
representante do IAVE, ou o senhor ministro (C)rato, ou o senhor PM Coelho ou
até, quiçá, o senhor presidente que ocupa o Palácio de Belém teriam passado se
lhes tivessem aplicado equivalente prova de comportamentos e competências sem
lhes darem a conhecer antecipadamente as rasteiras, as confusões e a
abrangência desnecessária das matérias visadas? Muito provavelmente, não!
Entretanto, ao contrário do que
diz a canção, é preciso desacreditar, fazer desacreditar…