sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Esta gente/Essa gente

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente

NENHUMA!

A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente

(Ana Hatherly)


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Gosto dele é gingão!

Ouvi hoje de manhã na rádio. Sabem que não sou grande fã do fado, mas a este achei piada por ser brincalhão e saltitante. É que para mim o fado é como o jazz: à partida digo que não gosto de jazz porque me aborrecem – irritam-me mesmo, como o canto de alguns pássaros – os sons repetitivos e estilhaçados como se de arestas se tratasse do saxofone ou mesmo do piano ou as vozes secas e metálicas que muitos cantores de jazz gostam de forçar, nomeadamente as mulheres cantando o chamado jazz contemporâneo em português. Mas se me perguntarem se gosto de Glenn Miller, sim, adoro! Se me perguntarem se gosto dos blues e do jazz dos pretos de New Orleans da primeira metade do século XX, sim, adoro! Se me perguntarem se gosto de Louis Armstrong, de Otis Reding, de Ray Charles, de Frank Sinatra, de Nat King Cole, sim, adoro!!

Com o fado é a mesma coisa. Se me perguntarem se gosto de fado, a minha primeira resposta é «Não». Na minha infância o fado era doentio, queixinhas, por de mais dramático, deprimente, cinzento – como a alma dos portugueses nessa época (e se calhar na actual também, mas enfim…). O fado era o Marceneiro (que nunca consegui ouvir) o Carlos Ramos (um chato!) o Fernando Farinha (o miúdo da Bica) e a Amália (cuja voz comecei a apreciar apenas há meia dúzia de anos) que achava fascizante com aquela medonha ”Casa Portuguesa” que pretendia mostrar como era bom viver numa casinha portuguesa modesta, pobrezinha e assim. Eu era miúda, mas intrinsecamente detestava!... E, por oposição (tantas coisas senti e defendi na vida por oposição!) gostava do fado gingão, divertido, folgazão que nos fazia sentir como um povo vivo. Fado do tipo A Casa da Mariquinhas, do Zé da Samarra com a amante ao seu lado, do Eh pá, não fiques calado e outros de que já nem me lembro (isto foi nos anos 50). Claro que depois passei a apreciar o fado cantado por Maria Teresa de Noronha, por Vicente da Câmara, depois por Carlos do Carmo, Paulo Bragança, Camané e assim…

Bom, mas voltando ao começo: ouvi hoje na rádio e achei graça por ser divertido e gingão, bem ao meu gosto - o Fado da Procura pela Ana Moura.



E, já agora, também vou deixar aqui a nova versão da Casa da Mariquinhas, toda modernizada, pela Gisela João, que ouvi há dias e achei uma graça… Espero que gostem.





quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Parabéns, Zezito!

Ainda há pouco era assim...



... e já passaram seis anos!


Parabéns, Zezito!
Possa sempre o Sol brilhar sobre ti!



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Desobediência civil



"Desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país. É esse o nosso problema."

(Ramalho Eanes)


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1º de Dezembro




Dia em que se celebra quem conseguiu atirar com os traidores pela janela fora!
Terá sido por isso que este "governo" quis apagar este dia da memória das pessoas? (medo que lhes pudesse acontecer o mesmo, sei lá!)

Por mim acho que cortaram este dia de celebração da liberdade do naipe dos feriados embora, no fundo, no fundo, tivessem vontade de cortar o feriado do 25 de Abril...

Porém, sinto que este foi o último ano em que o 1º de Dezembro não foi celebrado de forma descansada e, parafraseando a Teté, conto com a dita "defenestração eleitoral" para que assim aconteça!



Restauremos o 1º de Dezembro!!

domingo, 30 de novembro de 2014

O Maneli de Serpa



Uma rua de Serpa
Agora que o Alentejo está em alta e para começarmos a semana com um sorriso, deixo aqui esta história do Maneli de Serpa que dedico em especial à nossa amiga Janita.

«O Maneli, alentejano de gema, adormeceu na praia sob um sol escaldante e sofreu graves queimaduras nas pernas.

Foi transportado para o hospital de Beja, com a pele completamente vermelha, cheio de bolhas, e as dores eram horríveis.

Qualquer coisa que lhe tocasse na pele, era a mais completa agonia!

O médico, um alentejano de Serpa, foi ver o Maneli e prescreveu que lhe fosse administrado soro, por via intravenosa, um sedativo leve e 3 comprimidos de Viagra de 8 em 8 horas.

Antonieta, a enfermeira de serviço também ela alentejana, da Vidigueira, completamente boquiaberta perguntou:

- Oh Doutori, vomecê desculpe, mas vomecê receitou Viagra?!!!

Responde o médico:

- Si senhora, recetê Viagra e muito bêm.

A Antonieta volta a perguntar:

- Mas atão pra que serve ao Maneli o Viagra nas condições em quele tá?

Ao que o médico respondeu:

- Atão nã se tá memo a vere? É prós lençois nã tocarem nas quêmaduras das pernas !!!»


Atão passem vossemecês muito bêm!! 



sábado, 29 de novembro de 2014

Um dia de Sol!

Que bênção, depois de dias e dias de chuva, acordarmos com um dia de Sol!

Já aqui deixei dito que muitas vezes me vêm à cabeça clarões de músicas da minha juventude e foi o que aconteceu hoje de manhã: le soleil... Gilbert Becaud - inícios de 60. Linda, linda a canção!

Felizmente há YouTube ... e olhem só o que encontrei: uma passagem de um filme de 1960, de nome Plein Soleil, protagonizado pelo meu muito apreciado Alain Delon , novinho, novinho e lindo! Não sei qual o nome do filme em português nem me lembro de o ter visto. 

Mas lá estava a bela canção de Becaud... 

Querem ouvir?




A lindíssima "moçoila" que contracenava com o menino bonito do cinema francês da época era a Marie Laforet que também era cantora.