- Baptista-Bastos, o intrépido comentador da realidade do país às 4ªs feiras no DN, foi, ao fim de sete anos de belas e intensas crónicas semanais, mandado calar. «Fui posto fora» - escreveu ele hoje. «Mas não posso calar o que me parece um acto absurdo, somente justificado pelas ascensões de novos poderes. Porém, esses novos poderes são, eles próprios, transitórios pela natureza das suas mediocridades e pelo oportunismo das suas evidências.»
- Mas entretanto, os «juízes são os primeiros a ter aumentos no pós-troika» - porque será? Serão os trabalhadores (recuso-me a usar o neologismo laboral de “colaboradores”) mais mal pagos do país, ou haverá outra razão um pouco mais profunda?!
- A ministra-sinistra das Finanças e o super-competente governador do Banco de Portugal (que hoje também reviu em baixa o crescimento da economia previsto pelo governo) depois de jurarem a pés juntos, desde Agosto, que os contribuintes não poriam um cêntimo do seu bolso no desastre do BES, vieram agora dizer que, se calhar, não poderá ser bem assim… Enganaram-se, pois então! Mas estes nem pedem desculpa.
- A ministra da Justiça, essa pediu desculpa, mas foi sempre dizendo que não houve caos nos tribunais. Hoje, em entrevista informal a alguns repórteres em que deu conta que os tribunais vão, aos poucos, recuperando a plataforma e tal, pediu-lhes, tão humilde (!!) «Não me façam mentir…»
- Quem não se enganou, nem mentiu, nem nada, foi o inefável ministro (C)rato que, na semana passada, afirmou no Parlamento que «nenhum professor seria prejudicado» por causa do erro nas colocações, vem agora dar o dito por não dito, declarando que não prometeu aos professores a manutenção no lugar. Ele disse tão-somente «mantêm-se» e não «manter-se-ão»! «Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal. Os professores mantêm-se, disse. Mantêm-se até às novas listas de colocação corrigidas, que tacitamente revogam a anterior. É a lei», declarou. – o senhor ministro sabe gramática…
- A comissão de inquérito aprovou no Parlamento o encerramento do caso dos submarinos com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS e com os votos contra de toda a oposição que apresentou uma declaração conjunta “Relatório viciado, inquérito inacabado.” Nesse documento, PS, PCP e BE acusam o relatório de Mónica Ferro de “branqueamento”, “vontade de abafar o debate”, “selecção tendenciosa de depoimentos”, “tentativas de encobrimento” e “dúvidas graves”. Apesar de tudo isto, os senhores Durão Barroso e Paulo Portas podem continuar a dormir descansados...
- Frase do dia encontrada no facebook:«Este desgoverno é versado em cobardês, desavergonhês, e passa-culpês. Obviamente, prefiro o eduquês!!»
- Mais revivescências haveria a registar, mas fico-me por estas – que não são nada poucas, nem boas – não sem antes referir a última:Faz hoje quarenta anos que vim viver para Leiria. E esta não comento...
"Com licença, com licença/ Que a barca se fez ao mar/ Não há poder que me vença/ Mesmo morto hei-de passar!" (António Gedeão)
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Revivescências de um dia
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terça-feira, 7 de outubro de 2014
Os caracóis do Reguengo
Há uma povoação muito bonita aqui no pequenino concelho da Batalha que tem uma tradição muito original que hoje me lembrei de trazer aqui: no início do mês de outubro realizam-se as festas de Nossa Senhora do Fetal durante as quais se organiza a procissão das velas que acompanha o andar da Senhora.
A originalidade é que o percurso da procissão que se faz entre a capela e a Igreja é todo iluminado por lamparinas feitas de cascas de caracóis. É um espetáculo maravilhoso que atrai muita gente ao evento.
Vale a pena ver.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
In despair
Exausta fujo às arenas do puro intolerável
os deuses da destruição sentaram-se ao meu lado
a cidade onde habito é rica de desastres
embora exista a praia lisa que sonhei.
(Sophia de Mello Breyner)
Assim me sinto hoje.
A incompetência, as fraudes, as injustiças, a total ausência de defesa, a impunidade que grassa nos processos de contratação dos técnicos especializados pelas escolas deixa-me para lá de desesperada.
E nada há que se possa fazer: a educação - o país! - está no mais puro caos!
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| (daqui) |
domingo, 5 de outubro de 2014
Ai, a República!
| (Museu Republicano de Pedrogão Grande) |
Hoje é dia de dizer «Viva a República!»
«Viva a República!»
Pobre República porém, que tantos
reveses tem sofrido nos seus pouco mais de cem anos de vigência! Senhora das
suas verdades e das suas ideias, mas cheia de incertezas, entrou por este tristonho
e pobre país de gentes néscias e bisonhas aos repelões sem saber se iria vingar
e tornar-se forte como se tornara noutras latitudes.
E se a muito custo conseguiu –
mercê da vontade de homens bons e de mulheres de força – implantar alguns das
suas regras e doutrinas, não passaram mais de vinte anos para que fosse
arrumada na prateleira da desgraça, escondida por detrás de bustos de cónegos rubicundos
e de figuras embalsamadas para que depressa a esquecessem.
Assim esteve amarrada e de mordaça na boca
durante quase meio século. Quase anquilosada foi retirada do canto das teias de
aranha por um punhado de soldados sonhadores – de novo, os homens bons – que lhe restituiu a cor, a luz e a vida.
Mas a vida dá tantos tombos e o
que hoje é luz amanhã pode ser treva. E foi assim que esta espécie de
governantes, que bem tenebrosos são, achou por bem retirar-lhe a pompa da
celebração em dia de feriado – talvez um primeiro passo para remetê-la àquela
velha prateleira onde passou metade da sua vida.
Agora é meio-celebrada, sem a
pompa do povo na rua – porque povo preguiçoso tem de ser punido com chicote –
por uns deputados de ideias atarracadas e olhos estrábicos com a linguagem
rebuscada de quem não sabe falar a língua e por um presidente que se diz ser
dela – da República – hirto, macambúzio e maldisposto que manda recados
abstrusos a torto e a direito como quem dá tabefes aos colegas dos seus protegidos
“filhinhos” se não lhes fazem as vontadinhas.
Ai, pobre República! E este povo
que, com as forças que lhe restava, conseguiu correr com os Filipes, conseguiu destituir
a monarquia e foi capaz de apear a ditadura, não consegue levantar-se em
peso e depor estes deputados míopes, estes ministros ultra incapacitados, bem
como aquele presidente sorumbático e carrancudo?
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014
A uma mulher desconhecida
Poema para minha mãe que foi a sepultar fez hoje 26 anos.
É muito bela esta mulher desconhecida
que me olha longamente
e repetidas vezes se interessa
pelo meu nome
eu não sei
mas nos curtos instantes de uma manhã
ela percorreu ásperas florestas
estações mais longas que as nossas
a imposição temível do que
desaparece
e se pergunta tantas vezes o meu nome
é porque no corpo que pensa
aquela luta arcaica, desmedida se cravou:
um esquecimento magnífico
repara a ferida irreparável
do doce amor
José Tolentino de Mendonça
Dia do idoso
Foi ontem que se celebrou o Dia
Internacional do Idoso. A mim – e a muitos de nós – parece-me ridículo a
celebração deste dia e até o nome de «idoso», mas entendo que a ONU sentisse, a
certa altura, aí por 1991, a preocupação de chamar a atenção para as questões
do envelhecimento e da protecção e cuidados a ter com os mais velhos.
Mas o que é, de facto, um idoso? Convencionou-se
que idoso é todo aquele que tem 65 ou mais anos de idade. Mas também isso, como
tudo na vida, é muito relativo. E cada vez mais!
No passado dia 26, na sessão
solene de reabertura da Academia de Cultura e Cooperação da Santa Casada Misericórdia
de Leiria, assisti a uma palestra em que o palestrante, o coordenador da
Academia Cultural da Santa Casa de Lisboa, um simpático e extraordinariamente entusiasmado
e entusiasmante ex-professor de Física Quântica da Faculdade de Ciências de
Lisboa, arrebatou com o seu discurso um auditório cheio de «idosos» durante
cerca de hora e meia.
Depois de se questionar
alegremente sobre o que era um «idoso», um «sénior», um «velho», uma «pessoa da
terceira idade», um «cota» e a partir de que idade se devem designar assim as
pessoas, disse ele entre muitas outras coisas sábias:
- definiu-se a «terceira idade,
mas ter-se-á definido a primeira e a segunda?
- a longevidade está aí: fala-se já de uma quarta
idade e adivinha-se quinta pelo que as pessoas desocupadas e cheias de saber e
de experiência de vida devem manter-se ativas e em jovial convivialidade, daí
que sejam cada vez mais importantes as academias de cultura – recusa chamar-lhes
«universidades seniores» porque estas dão atribuem diplomas e graus – cujos objetivos
deverão ter a ver com o convívio, a ocupação de tempos de ócio, a troca de
dinâmicas, o trabalho intergeracional, o otimismo, as empatias e as partilhas,
o amor!
- viva-se que a vida é
apaixonante! Recusemos a ideia de «velho» porque velhos são os bons vinhos e os
bons amigos! Ninguém quer ser velho, mas todos queremos chegar a velhos; quando um velho morre é uma biblioteca que
fecha! E, ao proferir esta frase tão sábia, lembrei-me do meu querido
Professor Vitorino Nemésio que, às portas da morte, conta-se que terá dito: «Nunca tive tanto saber acumulado!»
Pois a Academia Cultural e de
Cooperação da Santa Casa da Misericórdia de Leiria vai, muito em breve, (re)abrir
portas ao fim de três ou quatro anos em que não funcionou. De início vai contar
com sessões (abertas a pessoas que já não trabalhem nas suas profissões) de
Artes Performativas – Pintura, Arte da Reciclagem, Música e eventualmente
Teatro – História(s) e Factos de Leiria; Escrita Criativa; Enologia e Inglês. As
sessões terão lugar da parte da tarde, de 2ª a 6ª feira no espaço do Lar da
Misericórdia à Senhora da Encarnação. Os monitores são todos ex-professores das
escolas de Leiria (nos quais me incluo…). Haverá visitas de estudo e muita
animação…
Se, por acaso, passar por aqui,
for de Leiria ou arredores e estiver interessado em ser «alunos» ou até monitor
– why not? – poderá dirigir-se para mais informações e pormenores ao Lar da
Santa Casa.
Contactos
Contactos
Cristina Agostinho - 914 987 292
Marta Violante - 966 576 214
Av. N. Senhora de Encarnação
geral@misericordiadeleiria.p
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Música
Então hoje é dia de dar Música ao pessoal!... Mas como já vos «dou tanta música» quase diariamente, hoje que se celebra o Dia Mundial da Música (já desde 1975) vou deixar aqui algumas imagens que, de alguma forma, têm a ver com a mais bela, a mais cristalina das artes - a música.
E... lembram-se deste filme espantoso com uma banda sonora absolutamente estilhaçante à época? Uma maravilha!
Lembram-se? Uma maravilha, não vos parece?
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