sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A uma mulher desconhecida

Poema para minha mãe que foi a sepultar fez hoje 26 anos.




É muito bela esta mulher desconhecida
que me olha longamente
e repetidas vezes se interessa
pelo meu nome

eu não sei
mas nos curtos instantes de uma manhã
ela percorreu ásperas florestas
estações mais longas que as nossas
a imposição temível do que
desaparece

e se pergunta tantas vezes o meu nome
é porque no corpo que pensa
aquela luta arcaica, desmedida se cravou:
um esquecimento magnífico
repara a ferida irreparável
do doce amor

José Tolentino de Mendonça

Dia do idoso

Foi ontem que se celebrou o Dia Internacional do Idoso. A mim – e a muitos de nós – parece-me ridículo a celebração deste dia e até o nome de «idoso», mas entendo que a ONU sentisse, a certa altura, aí por 1991, a preocupação de chamar a atenção para as questões do envelhecimento e da protecção e cuidados a ter com os mais velhos.

Mas o que é, de facto, um idoso? Convencionou-se que idoso é todo aquele que tem 65 ou mais anos de idade. Mas também isso, como tudo na vida, é muito relativo. E cada vez mais!

No passado dia 26, na sessão solene de reabertura da Academia de Cultura e Cooperação da Santa Casada Misericórdia de Leiria, assisti a uma palestra em que o palestrante, o coordenador da Academia Cultural da Santa Casa de Lisboa, um simpático e extraordinariamente entusiasmado e entusiasmante ex-professor de Física Quântica da Faculdade de Ciências de Lisboa, arrebatou com o seu discurso um auditório cheio de «idosos» durante cerca de hora e meia.

Depois de se questionar alegremente sobre o que era um «idoso», um «sénior», um «velho», uma «pessoa da terceira idade», um «cota» e a partir de que idade se devem designar assim as pessoas, disse ele entre muitas outras coisas sábias:

- definiu-se a «terceira idade, mas ter-se-á definido a primeira e a segunda?

 - a longevidade está aí: fala-se já de uma quarta idade e adivinha-se quinta pelo que as pessoas desocupadas e cheias de saber e de experiência de vida devem manter-se ativas e em jovial convivialidade, daí que sejam cada vez mais importantes as academias de cultura – recusa chamar-lhes «universidades seniores» porque estas dão atribuem diplomas e graus – cujos objetivos deverão ter a ver com o convívio, a ocupação de tempos de ócio, a troca de dinâmicas, o trabalho intergeracional, o otimismo, as empatias e as partilhas, o amor!

- viva-se que a vida é apaixonante! Recusemos a ideia de «velho» porque velhos são os bons vinhos e os bons amigos! Ninguém quer ser velho, mas todos queremos chegar a velhos; quando um velho morre é uma biblioteca que fecha! E, ao proferir esta frase tão sábia, lembrei-me do meu querido Professor Vitorino Nemésio que, às portas da morte, conta-se que terá dito: «Nunca tive tanto saber acumulado

Pois a Academia Cultural e de Cooperação da Santa Casa da Misericórdia de Leiria vai, muito em breve, (re)abrir portas ao fim de três ou quatro anos em que não funcionou. De início vai contar com sessões (abertas a pessoas que já não trabalhem nas suas profissões) de Artes Performativas – Pintura, Arte da Reciclagem, Música e eventualmente Teatro – História(s) e Factos de Leiria; Escrita Criativa; Enologia e Inglês. As sessões terão lugar da parte da tarde, de 2ª a 6ª feira no espaço do Lar da Misericórdia à Senhora da Encarnação. Os monitores são todos ex-professores das escolas de Leiria (nos quais me incluo…). Haverá visitas de estudo e muita animação…

Se, por acaso, passar por aqui, for de Leiria ou arredores e estiver interessado em ser «alunos» ou até monitor – why not? – poderá dirigir-se para mais informações e pormenores ao Lar da Santa Casa. 


                                                          Contactos
Cristina Agostinho - 914 987 292
Marta Violante - 966 576 214
Av. N. Senhora de Encarnação
geral@misericordiadeleiria.p




quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Música

Então hoje é dia de dar Música ao pessoal!... Mas como já vos «dou tanta música» quase diariamente, hoje que se celebra o Dia Mundial da Música (já desde 1975) vou deixar aqui algumas imagens que, de alguma forma, têm a ver com a mais bela, a mais cristalina das artes - a música.








E... lembram-se deste filme espantoso com uma banda sonora absolutamente estilhaçante à época? Uma maravilha!









Lembram-se? Uma maravilha, não vos parece?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Os Maias

Este fim-de-semana lá nos abalámos até ao cinema – que preguiçosos estamos para sairmos de casa se não tivermos uma obrigação! – para irmos ver Os Maias com realização de João Botelho.

É bom que haja quem queira dar visibilidade – e uma visibilidade moderna, desassombrada – aos nossos clássicos e João Botelho, para além da quantidade de filmes que já assinou, realizou com grande mestria a sua versão do Livro do Desassossego.

Quanto a Os Maias, que tem muito mais de teatro do que de cinema, gostei e não gostei.


Gostei da intervenção do narrador em voz off que nos vai servindo o fio condutor da história;

Gostei da forma elegante como se nos apresentam as personagens e, de alguma forma, a ambiência decadente em que se movem;




Gostei da finura das filmagens, nomeadamente no que toca às cenas de envolvimento amoroso, especialmente da última noite de amor de Carlos e de Maria Eduarda;



Gostei particularmente da representação de João da Ega e do velho Afonso da Maia;






Gostei da utilização algo inovadora dos cenários pintados – lindíssimos – em vez da bela paisagem natural da Lisboa oitocentista.

Mas não gostei da forma teatral e por de mais exagerada como nos foi apresentado o passado da família Maia: as desavenças do pai absolutista com o filho Afonso da Maia que, liberal e maçon, teve de se refugiar em Inglaterra, bem com os amores de Pedro da Maia, pai de Carlos, com a negreira Maria Monforte. Mesmo tendo sido feito com a intenção de dar a ideia de uma rápida analepse, achei muito exagerado.

Muito embora tenha sido um diletante, não gostei da escolha de um betinho para dar vida à personagem Carlos da Maia.

Não gostei do episódio das corridas de cavalos mais parecidas com as de Ascot do que com a descrição crítica e irónica das mesmas no romance escrito.




Também o Dâmaso Salcede, o amigo adjacente de Carlos da Maia, não está bem na sua pele de bajulador balofo e untuoso que Eça tão bem retrata e descreve. Tal como é absolutamente truncada a história de rivalidade entre Eusebiozinho e Carlos desde os tempos da infância em Santa Olávia e que vai redundar na idade adulta nas bengaladas – e só isso nos é mostrado no filme – com que Carlos brinda o «amigo» na segunda parte do filme.

A segunda parte do filme é, de facto, muito mais dinâmica e entusiasmante do que a primeira que, com já acima referi, me pareceu muito teatral.

De qualquer forma, acho que vale a pena abalarem-se de casa e irem ver a versão João Botelho da obra-prima de Eça.


domingo, 28 de setembro de 2014

Yes, Yes, PS!



Ideias soltas sobre um grande dia:

Contra tudo e contra todos, o PS continua a ser um, senão mesmo O grande partido.  

Ao acorrerem às 600 e tantas mesas eleitorais do PS, os portugueses mostraram que estão fartos deste "governo" e desta maioria de trapaceiros mentirosos que tem vilipendiado o país. 

Por muito que a oposição queira tentar convencer o povo que o partido está e vai continuar partido ao meio, viu-se que afinal a forma como se organizaram e como correram estas eleições primárias (as primeiras realizadas no país) mostra bem que  o partido está fresco e determinado.

Para além disso, tanto vencedor como vencido comportaram-se da forma mais lisa e digna nas suas intervenções e comportamentos. 

À imagem de outras "fraturas" que aconteceram dentro do partido no passado e de que já poucos se lembram, veremos que a eventual ferida agora aberta sarará com a rapidez de quem tem uma boa carnadura.

Ficou mal a pretensa indiferença do professor da TVI e sua partenaire face ao discurso de demissão do derrotado.

Ficou francamente mal ao Jerónimo - que, por acaso, também de Sousa como a supra citada partenaire - berrar a plenos pulmões que «as eleições no PS são uma farsa». Das duas, uma: ou se trata da proverbial falta de maleabilidade mental do PC ou de estrita dor de cotovelo.

Força, PS!!


sábado, 27 de setembro de 2014

Sabores de outono

Sabores de outono cá da casa:

A habitual tarefa da marmelada...




... e as romãs a tomarem na árvore.







sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Modelos de beleza

Para vos desejar um bom fim de semana hoje deixo aqui dois especimes de beleza do "nosso" tempo.







Lembram-se deste filme?