Foi ontem que se celebrou o Dia
Internacional do Idoso. A mim – e a muitos de nós – parece-me ridículo a
celebração deste dia e até o nome de «idoso», mas entendo que a ONU sentisse, a
certa altura, aí por 1991, a preocupação de chamar a atenção para as questões
do envelhecimento e da protecção e cuidados a ter com os mais velhos.
Mas o que é, de facto, um idoso? Convencionou-se
que idoso é todo aquele que tem 65 ou mais anos de idade. Mas também isso, como
tudo na vida, é muito relativo. E cada vez mais!
No passado dia 26, na sessão
solene de reabertura da Academia de Cultura e Cooperação da Santa Casada Misericórdia
de Leiria, assisti a uma palestra em que o palestrante, o coordenador da
Academia Cultural da Santa Casa de Lisboa, um simpático e extraordinariamente entusiasmado
e entusiasmante ex-professor de Física Quântica da Faculdade de Ciências de
Lisboa, arrebatou com o seu discurso um auditório cheio de «idosos» durante
cerca de hora e meia.
Depois de se questionar
alegremente sobre o que era um «idoso», um «sénior», um «velho», uma «pessoa da
terceira idade», um «cota» e a partir de que idade se devem designar assim as
pessoas, disse ele entre muitas outras coisas sábias:
- definiu-se a «terceira idade,
mas ter-se-á definido a primeira e a segunda?
- a longevidade está aí: fala-se já de uma quarta
idade e adivinha-se quinta pelo que as pessoas desocupadas e cheias de saber e
de experiência de vida devem manter-se ativas e em jovial convivialidade, daí
que sejam cada vez mais importantes as academias de cultura – recusa chamar-lhes
«universidades seniores» porque estas dão atribuem diplomas e graus – cujos objetivos
deverão ter a ver com o convívio, a ocupação de tempos de ócio, a troca de
dinâmicas, o trabalho intergeracional, o otimismo, as empatias e as partilhas,
o amor!
- viva-se que a vida é
apaixonante! Recusemos a ideia de «velho» porque velhos são os bons vinhos e os
bons amigos! Ninguém quer ser velho, mas todos queremos chegar a velhos; quando um velho morre é uma biblioteca que
fecha! E, ao proferir esta frase tão sábia, lembrei-me do meu querido
Professor Vitorino Nemésio que, às portas da morte, conta-se que terá dito: «Nunca tive tanto saber acumulado!»
Pois a Academia Cultural e de
Cooperação da Santa Casa da Misericórdia de Leiria vai, muito em breve, (re)abrir
portas ao fim de três ou quatro anos em que não funcionou. De início vai contar
com sessões (abertas a pessoas que já não trabalhem nas suas profissões) de
Artes Performativas – Pintura, Arte da Reciclagem, Música e eventualmente
Teatro – História(s) e Factos de Leiria; Escrita Criativa; Enologia e Inglês. As
sessões terão lugar da parte da tarde, de 2ª a 6ª feira no espaço do Lar da
Misericórdia à Senhora da Encarnação. Os monitores são todos ex-professores das
escolas de Leiria (nos quais me incluo…). Haverá visitas de estudo e muita
animação…
Se, por acaso, passar por aqui,
for de Leiria ou arredores e estiver interessado em ser «alunos» ou até monitor
– why not? – poderá dirigir-se para mais informações e pormenores ao Lar da
Santa Casa.
Contactos
Cristina Agostinho - 914 987 292
Marta Violante - 966 576 214
Av. N. Senhora de Encarnação
geral@misericordiadeleiria.p