domingo, 7 de setembro de 2014

O Processo

Não, não vou falar de Kafka, mas tão-somente do do processo kafkiano que é a justiça à portuguesa. A propósito do desfecho do processo chamado de Face Oculta.

Entendi não me meter nisso. O facebook está pejado de opiniões críticas às decisões do juízes de Aveiro e até o meu querido Ferreira Fernandes tratou do assunto no seu jeito tão peculiar. 

Não resisto, porém, a transcrever para aqui o texto que o blogger Dieter Dellinger deixou no facebook, bem como parte de outro que retirei do seu blog.

Diz assim:

«O maior assassino conhecido em Portugal, o Vitor Jorge que matou na Praia do Osso da Baleia sete pessoas em Março de 1987, incluindo a mulher e a filha, foi condenado pelo juiz Gregório Simões a 20 anos de cadeia e saiu ao fim de 14 anos.

Haverá alguma comparação entre assassinar a mulher, a filha, o namorado desta e mais 4 amigos e um pequeno caso de eventual corrupção com oferta de uns robalos e até uns dinheiros que não foram provados, pois os robalos foram vistos por testemunhos, os 25 ou 50 mil euros dados ao Penedos e ao Varas ninguém viu.

O assassinato de sete pessoas deu dois anos por cada uma, sem esquecer a barbaridade de matar a própria filha e a mulher, o que já não é tão invulgar em Portugal devido à forma mole e atenuada com que são condenados os criminosos domésticos.

Um homem que não matou ninguém leva 17 anos porque os juízes querem vingar-se de duas coisas; do PS que lhes tirou os três meses de férias, deixando-os apenas com um mês como toda a gente e do fato de terem estado a escutar o Sócrates durante mais de um ano e o Noronha do Nascimento, presidente do STJ, ter mandado destruir as escutas porque o processo era de sucatas e Sócrates não falou desse assunto tão baixo com o seu amigo Varas.

Sócrates perguntou ao então administrador bancário Varas quem eram os donos da TVI e quem financiava a estação para o atacar tão vilmente. Pergunta que o Supremo Tribunal de Justiça achou normal e isenta de qualquer criminalidade, quando os juízes na sua fúria neurótica queriam fazer da pergunta um "atentado ao estado de direito". De resto, o termo “face oculta” pretendia dar a entender criminosamente por parte dos procuradores que a tal “face oculta” era a de Sócrates. Por vezes a Justiça em Portugal perde a cabeça e torna-se mesmo criminosa.

A Justiça só pode agir por atos e não por perguntas. De resto, as informações comerciais sobre qualquer empresa relatam isso. Saliente-se que o assassino libertado pela justiça portuguesa, Vitor Jorge, conhecido na prisão pelo "mata sete", vive atualmente em Nice e já ameaçou de morte uma sobrinha que vive em Paris e que, segundo um jornal, mudou de casa por isso. As autoridades portuguesas não comunicaram à Polícia Francesa a presença de pessoa tão perigosa porque acharam bem que fosse assassinar mais pessoas em França. O homem anda tresloucado e já tentou suicidar-se várias vezes e pode muito bem voltar ao seu desejo íntimo de matar pessoas em série.

Este texto foi cortado da minha página e de outras em que estava inserido. Juízes ou procuradores fazem censurar; pretendem ser a nova PIDE.»


No seu blog, escreveu:

Escutas Ilegais no Processo Face Oculta

Gostei de ouvir Sócrates salientar dois aspetos do Processo Face Oculta. Primeiro, foi escutado inicialmente de uma forma acidental porque era o Armando Varas a ser escutado e depois continuou a ser escutado durante meses pela PJ e Procuradores de Aveiro sem pedido prévio ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça como manda a lei da República Portuguesa, a quem todos devem obediência; segundo, o presidente do STJ mandou destruir as escutas e quatro anos depois, estas mantêm-se intactas e fizeram parte da sentença escrita, neste aspeto ilegalmente, pelos juízes de Aveiro.

Nas escutas nada havia sobre negócios de sucata, pelo que é manifesto o crime praticado pelos juízes de não pedirem licença ao presidente do STJ e não obedecerem à ordem de destruição das escutas. Sócrates chamou-lhes indiretamente e muito bem de pistoleiros que eu considero com objetivos de massacre político. Os juízes de Aveiro quiseram e ainda querem "degolar" politicamente Sócrates com as tais escutas porque não lhe perdoam ter-lhes tirado os três meses de férias.

(…)

Recordo que a PJ e os procuradores chegaram a acusar Godinho de ter oferecido viaturas Mercedes de topo de Gama a Penedos e outros para se verificar depois que a Mercedes não vendeu nenhuma viatura dessas a Godinho ou aos seus colaboradores e Penedos e outros nunca tiveram esses carros em seu nome ou de familiares. O agente da PJ entrevistado hoje não conseguiu provar de onde vieram os tais Mercedes que ele disse terem sido oferecidos a Penedos e quem terá ficado com os mesmos, apesar de ter investigado todos os concessionários da marca.»

Por mim ainda me dá vontade de acrescentar o seguinte: 

Será que os juízes vão ter de igual modo mão pesada para os processos BPN e BES, ou vão concluir que não há provas suficientemente incriminatórias para penalizar os réus (quais?!) ou até, quiçá, deixá-los prescrever?

Deveriam atribui-los aos juízes de Aveiro que, ao contrário do ovos, de moles nada têm!

sábado, 6 de setembro de 2014

Baile à antiga

Se aproveitarem o sábado à noite para irem dar um pezinho de dança, inspirem-se nos passos (salvo seja...) dos pares do vídeo abaixo e divirtam-se!  (Cuidadinho com o lumbago e com as artroses, porém...)





Bom fim de semana!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

In the sixties

É fácil de adivinhar especialmente para as pessoas da minha criação...

Lembram-se deles?




quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Da escola

Dois dias depois de sair da escola – e já lá vão quatro anos e meio – abri este espaço e, imbuída ainda do muito trabalho da direção, da luta pelo bem-estar da população que ali dentro se movia e da ligação afectiva que me ligava àquela instituição que se criou ao longo dos trinta e seis anos que lá labutei, transportei para aqui muita da preocupação que diariamente me envolvia enquanto ainda trabalhava.

As amigas que por aqui passavam iam dizendo que eu ainda não me tinha desligado da escola e, de facto, não tinha, por muitas e variadas razões que não vêm agora ao caso. A questão é que passado todo este tempo, continuo a sentir aqui dentro e de quando em vez, muitas das ansiedades, dos desejos, dos receios daqueles tempos.

Os últimos dias de Agosto e os primeiros de Setembro trazem-me sempre à memória e ao coração as emoções por vezes contraditórias do regresso à escola para a abertura do novo ano lectivo: o torvelinho da reunião geral, do reencontro com os colegas, das brincadeiras, da feira de vaidades, da chegada e receção aos colegas novos; as fúrias e o ranger de dentes da entrega dos horários; as catadupas de pais que reclamavam por isto e por mais aquilo; os cuidados a ter com os novos alunos e com os alunos deficientes; a escolha dos técnicos de apoio – um sem número de novidades que anualmente se repetiam…

Aí por finais de Agosto começava eu a sonhar que não encontrava a sala de aulas onde os alunos me esperavam; ou que tinha de ir dar aulas de Físico-Química (de que nunca percebi nada); ou que chegava à aula e a única palavra que conseguia dizer em inglês era «yes». Já não tenho esses sonhos, mas ainda me toca a quase vontade de ter a reunião geral de abertura do ano…

Quid pro quo… essa espécie de encantamento só pode estar, porém, a esbater-se de ano para ano da órbita de atuação dos colegas no ativo:

  • horários com 26 horas de componente lectiva (até no tempo de Salazar eram de 22 horas) para encolher o número de professores por escola…professores com oito e nove turmas (com 28 alunos, ou mais) que dificilmente chegarão a conhecer as reais necessidades de cada um dos alunos e muito menos conseguirão aplicar a tão apregoada diferenciação pedagógica…
  • grelhas e mais grelhas de avaliação dos alunos, dos colegas, da instituição para preencher para depois «fazer bonitinhos» para a bendita Inspeção Geral atribuir «Muito Bom» à escola de modo a que esta possa contratar mais um professor…
  • unidades de ensino especializado para alunos deficientes sem professores de apoio e muito menos com técnicos especializados…
  • auxiliares de ação educativa em número insuficiente e largamente substituídos por «tarefeiros» contratados para quatro horas por dia e pagos a menos de três euros a hora…
  • direções mais passistas que o Passos e mais cratinas que o (C)rato…

Palpita-me que por altura do Natal, os profissionais de educação estarão tão exaustos como em tempos nos sentíamos em finais de Maio!

Duas ou três ilações:
  • O “governo” poupará umas boas massas para tapar os buracos criados pelos BPN(s) e quejandos e contratar mais uns assessores muito bem pagos;
  • O público em geral ficará contente porque finalmente houve quem pusesse os professores – esses grandes preguiçosos que tinham três meses de férias – a trabalhar a sério;
  • E o Mário Fenprof continuará a não querer repetir aquelas imensas manifestações de professores descontentes com as medidas inumanas da ministra de há cinco anos atrás.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

terça-feira, 2 de setembro de 2014

September song

Mesmo correndo o risco de me tornar repetitiva ano após ano, não resisto a voltar a deixar aqui a September song com toda a sua beleza e o seu harmonioso tom melancólico.

Balancei entre a versão de Frank Sinatra e a versão mais doce de Nat King Cole, mas como não consegui decidir-me, deixo ambas para poderem escolher.

Bom Setembro!










segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Leituras de férias

Gosto muito de romances históricos – já o aqui afirmei por mais de uma vez. Há uns anos, aí em 2007, quando ainda havia uma livraria em Vilamoura que fazia uma mini Feira do Livro de verão, o jovem e simpático livreiro recomendou-me vivamente a compra de um romance histórico que ele considerava muito bom de um autor espanhol recém-aparecido. Comprei e, como estava de férias, li-o quase de uma esquentada! Chamava-se «A Catedral doMar», de Ildefonso Falcones e tratava da construção pelo povo da catedral de Santa María de la Mar em Barcelona, no século XIV. Um romance violento mas apaixonante que não nos deixa interromper a leitura.

Dois anos mais tarde, saiu outro romance do mesmo autor - «A Mão de Fátima» - sobre o qual me foi dito não ser tão entusiasmante como o primeiro pelo que não o li até por falta de tempo, que ainda trabalhava.

Este verão comprei a sua última obra - «A Rainha Descalça» - que versa a estranha, terrível e difícil vida dos ciganos numa Espanha cruel, intolerante, fanaticamente católica, inquisitorial dos anos de 1700. Apesar de ter lido com bastante interesse (e rapidez: li as suas 700 páginas nas duas semanas de férias no Algarve) este novo romance histórico, não o achei tão apaixonante como «A Catedral do Mar».

Então, para a segunda parte das férias pelo Alentejo, resolvi levar «A Mão de Fátima» mesmo com a menção de «algo chato»… Só vos digo que li as suas 900 páginas nestas duas últimas semanas. Muito bom!

A narrativa decorre no Sul de Espanha, anos de 1500, quando os muçulmanos tinham já deixado de reinar no Al-Andalus e começaram a ser violentamente absorvidos pelos católicos com a força da Inquisição, ou chacinados, ou expulsos, sempre à espera de uma ajuda que nunca chegou de Argel ou do Sultão de Constantinopla, ou da rainha Isabel I, grande vencedora sobre a Armada Invencível ou até da França para se rebelarem contra os cristãos opressores. Entrelaçada com o cruel vaivém de milhares de muçulmanos ferozmente massacrados (e massacrando, conforme as ondas de sorte ou de azar) é-nos contada a vida do herói do romance, Hernando, filho de uma muçulmana que, menina ainda, fora violada por um sacerdote cristão e que é educado em ambas as religiões. Toda a intriga decorre entre as constantes perplexidades de atuação religiosa e de vida que se põem ao herói e o grande amor, a enorme paixão que nutre ao longo da vida – que coincide com o decurso da narrativa – pela bela Fátima, uma jovem mourisca que ele salva acidentalmente de morte certa às mãos dos cristãos. Muito empolgante! E, infelizmente, muito actual de certa forma, já que reconhecemos nas violentas descrições da vida dos mouriscos muitos dos comportamentos que nos são descritos diariamente nos jornais e na televisão a propósito dos muçulmanos que reinam nos países mais fundamentalistas do Islão.

A ler – se tiverem paciência. E tempo, claro! São 900 páginas!