quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Da escola

Dois dias depois de sair da escola – e já lá vão quatro anos e meio – abri este espaço e, imbuída ainda do muito trabalho da direção, da luta pelo bem-estar da população que ali dentro se movia e da ligação afectiva que me ligava àquela instituição que se criou ao longo dos trinta e seis anos que lá labutei, transportei para aqui muita da preocupação que diariamente me envolvia enquanto ainda trabalhava.

As amigas que por aqui passavam iam dizendo que eu ainda não me tinha desligado da escola e, de facto, não tinha, por muitas e variadas razões que não vêm agora ao caso. A questão é que passado todo este tempo, continuo a sentir aqui dentro e de quando em vez, muitas das ansiedades, dos desejos, dos receios daqueles tempos.

Os últimos dias de Agosto e os primeiros de Setembro trazem-me sempre à memória e ao coração as emoções por vezes contraditórias do regresso à escola para a abertura do novo ano lectivo: o torvelinho da reunião geral, do reencontro com os colegas, das brincadeiras, da feira de vaidades, da chegada e receção aos colegas novos; as fúrias e o ranger de dentes da entrega dos horários; as catadupas de pais que reclamavam por isto e por mais aquilo; os cuidados a ter com os novos alunos e com os alunos deficientes; a escolha dos técnicos de apoio – um sem número de novidades que anualmente se repetiam…

Aí por finais de Agosto começava eu a sonhar que não encontrava a sala de aulas onde os alunos me esperavam; ou que tinha de ir dar aulas de Físico-Química (de que nunca percebi nada); ou que chegava à aula e a única palavra que conseguia dizer em inglês era «yes». Já não tenho esses sonhos, mas ainda me toca a quase vontade de ter a reunião geral de abertura do ano…

Quid pro quo… essa espécie de encantamento só pode estar, porém, a esbater-se de ano para ano da órbita de atuação dos colegas no ativo:

  • horários com 26 horas de componente lectiva (até no tempo de Salazar eram de 22 horas) para encolher o número de professores por escola…professores com oito e nove turmas (com 28 alunos, ou mais) que dificilmente chegarão a conhecer as reais necessidades de cada um dos alunos e muito menos conseguirão aplicar a tão apregoada diferenciação pedagógica…
  • grelhas e mais grelhas de avaliação dos alunos, dos colegas, da instituição para preencher para depois «fazer bonitinhos» para a bendita Inspeção Geral atribuir «Muito Bom» à escola de modo a que esta possa contratar mais um professor…
  • unidades de ensino especializado para alunos deficientes sem professores de apoio e muito menos com técnicos especializados…
  • auxiliares de ação educativa em número insuficiente e largamente substituídos por «tarefeiros» contratados para quatro horas por dia e pagos a menos de três euros a hora…
  • direções mais passistas que o Passos e mais cratinas que o (C)rato…

Palpita-me que por altura do Natal, os profissionais de educação estarão tão exaustos como em tempos nos sentíamos em finais de Maio!

Duas ou três ilações:
  • O “governo” poupará umas boas massas para tapar os buracos criados pelos BPN(s) e quejandos e contratar mais uns assessores muito bem pagos;
  • O público em geral ficará contente porque finalmente houve quem pusesse os professores – esses grandes preguiçosos que tinham três meses de férias – a trabalhar a sério;
  • E o Mário Fenprof continuará a não querer repetir aquelas imensas manifestações de professores descontentes com as medidas inumanas da ministra de há cinco anos atrás.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

terça-feira, 2 de setembro de 2014

September song

Mesmo correndo o risco de me tornar repetitiva ano após ano, não resisto a voltar a deixar aqui a September song com toda a sua beleza e o seu harmonioso tom melancólico.

Balancei entre a versão de Frank Sinatra e a versão mais doce de Nat King Cole, mas como não consegui decidir-me, deixo ambas para poderem escolher.

Bom Setembro!










segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Leituras de férias

Gosto muito de romances históricos – já o aqui afirmei por mais de uma vez. Há uns anos, aí em 2007, quando ainda havia uma livraria em Vilamoura que fazia uma mini Feira do Livro de verão, o jovem e simpático livreiro recomendou-me vivamente a compra de um romance histórico que ele considerava muito bom de um autor espanhol recém-aparecido. Comprei e, como estava de férias, li-o quase de uma esquentada! Chamava-se «A Catedral doMar», de Ildefonso Falcones e tratava da construção pelo povo da catedral de Santa María de la Mar em Barcelona, no século XIV. Um romance violento mas apaixonante que não nos deixa interromper a leitura.

Dois anos mais tarde, saiu outro romance do mesmo autor - «A Mão de Fátima» - sobre o qual me foi dito não ser tão entusiasmante como o primeiro pelo que não o li até por falta de tempo, que ainda trabalhava.

Este verão comprei a sua última obra - «A Rainha Descalça» - que versa a estranha, terrível e difícil vida dos ciganos numa Espanha cruel, intolerante, fanaticamente católica, inquisitorial dos anos de 1700. Apesar de ter lido com bastante interesse (e rapidez: li as suas 700 páginas nas duas semanas de férias no Algarve) este novo romance histórico, não o achei tão apaixonante como «A Catedral do Mar».

Então, para a segunda parte das férias pelo Alentejo, resolvi levar «A Mão de Fátima» mesmo com a menção de «algo chato»… Só vos digo que li as suas 900 páginas nestas duas últimas semanas. Muito bom!

A narrativa decorre no Sul de Espanha, anos de 1500, quando os muçulmanos tinham já deixado de reinar no Al-Andalus e começaram a ser violentamente absorvidos pelos católicos com a força da Inquisição, ou chacinados, ou expulsos, sempre à espera de uma ajuda que nunca chegou de Argel ou do Sultão de Constantinopla, ou da rainha Isabel I, grande vencedora sobre a Armada Invencível ou até da França para se rebelarem contra os cristãos opressores. Entrelaçada com o cruel vaivém de milhares de muçulmanos ferozmente massacrados (e massacrando, conforme as ondas de sorte ou de azar) é-nos contada a vida do herói do romance, Hernando, filho de uma muçulmana que, menina ainda, fora violada por um sacerdote cristão e que é educado em ambas as religiões. Toda a intriga decorre entre as constantes perplexidades de atuação religiosa e de vida que se põem ao herói e o grande amor, a enorme paixão que nutre ao longo da vida – que coincide com o decurso da narrativa – pela bela Fátima, uma jovem mourisca que ele salva acidentalmente de morte certa às mãos dos cristãos. Muito empolgante! E, infelizmente, muito actual de certa forma, já que reconhecemos nas violentas descrições da vida dos mouriscos muitos dos comportamentos que nos são descritos diariamente nos jornais e na televisão a propósito dos muçulmanos que reinam nos países mais fundamentalistas do Islão.

A ler – se tiverem paciência. E tempo, claro! São 900 páginas!




domingo, 31 de agosto de 2014

Postal de férias

Ao contrário do habitual em que nos fixávamos numa praia e ali passávamos a temporada completa, este ano fizemos as férias do andarilho e foram muitas e belas as praias por onde andámos na área de Melides. 

Vejam se para isso estiverem dispostos...


Praia de Melides...
...das belas banhocas!

Lagoa de Melides

Lagoa de Santo André

Praia Dourada da Aberta Nova

Praia da Galé e...

... a sua espetacular arriba fóssil

A famosa Comporta, com a Serra da Arrábida ao fundo

Praia do Carvalhal

São Torpes 
(aquecida pela Central Termoeléctrica de Sines)

E por último, mas não em último, as belezas de Porto Covo:










Nada tinham a ver com a praia, mas também lá vimos estes...




Boa semana e bom recomeço para quem vai "pegar" amanhã ao trabalho!

sábado, 30 de agosto de 2014

Servidos?!

Pelo-me por uma boa bifana. E esta, hoje, já de regresso, é a verdadeira bifana na ... caralhota...


Hummmmmm... estava deliciosa! 

São servidos? É só dar um saltinho ali a Almeirim e bom apetite!


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Em defesa dos alentejanos...

Não é que eles precisem que saiamos em sua defesa em questão de anedotas ou outra qualquer questão, mas hoje, à saída da belíssima praia do Carvalhal, em pleno Alentejo, ouvi um veraneante daqueles que parecem bem-postos na vida a chegar com a família junto do seu belo carro e dizer em tom de brincadeira:

- Mulher, passa-me aí a “tchave”!

Praia do Carvalhal, Comporta

E, ato contínuo, lembrei-me daquela anedota antiga sobre o grupo de teatro que foi apresentar o drama de Pedro e Inês no nordeste transmontano mais profundo onde o som ch é pronunciado tch.

Quando, nas cenas finais, D. Pedro entra desesperado gritando pela sua bela Inês, um elemento do público levanta-se da plateia e grita:

- Está ali escarrapatchada no meio do tchão com uma matchadada que lhe deu o Patcheco