domingo, 6 de julho de 2014

Dia do Vinho

Fiquei a saber pelo telejornal da manhã da RTP 1 que se celebra hoje o Dia do Vinho. Não encontrei nada de muito certo mas parece-me que, aqui em Portugal, se celebra no primeiro domingo de Julho.

Nunca na minha vida bebi sequer uma gota de vinho (não de álcool) e é até, juntamente com azeitonas, uma das minhas repulsas compulsivas - dito assim mesmo com estas duas palavras fortes e que têm a ver com «pulsões».

No tempo da minha infância e adolescência uma senhora, aqui neste país pequenino e cinzento, não bebia vinho, nem cerveja. Beberia um vinho branco, um licor, um Porto, um Madeira, um champanhe mas apenas em ocasiões especiais. Não me lembro de ver a minha mãe ou a minha avó a beberem vinho e, mesmo das minhas tias minhotas, apenas uma bebia à refeição. Havia alcoólicos de mais naquele tempo em que o Salazar dizia que «Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses» por isso as mulheres da classe média não se podiam dar a esse desfrute. Beber era coisa de homens e de bêbados.

De há uns anos para cá, o "prestígio" do vinho foi-se regenerando, as marcas refinaram, passámos a ser produtores de bom vinho apreciado no estrangeiro e tudo e agora é "fino" beber vinho. Tinto se possível. 

E agora até há um Dia do Vinho!

Por isso resolvi deixar aqui umas brincadeiras para, de alguma maneira, ajudar a celebrar o vinho (que eu abomino...)

Primeiro Pessoa que até foi «apanhado em flagrante delitro»





Depois a Arte: O Fado e o Vinho da nossa amiga Clotilde.



Por fim, o humor.







E, já agora ....


sábado, 5 de julho de 2014

Netices...

A minha neta, que ainda agora passou para o 2º ano, entrou de férias há três semanas e já está farta! Apesar de ter passado as duas últimas semana numas férias organizadas para ocupar as crianças, disse à mãe que estava farta de «casa»! Que se levantava e «casa»! Comia e «casa» e, por muito que a mãe a leve aqui e ali, ela acha (coitada!) que está sempre «em casa»…

E então o cúmulo foi quando ontem ela afirmou que queria ir para Lisboa, que isto aqui é muito pequeno…

Acham que estas coisas vão nos genes?!...




sexta-feira, 4 de julho de 2014

La vie en rose

Quem se lembra desta belíssima canção cantada por esta voz poderosa?








Há dias recebi uma nova versão - muito apropriada à rapaziada (e raparigada...) da minha idade...




La vie en rose, c’est à partir de la cinquantaine : cir’Rose, ostéopo’Rose, arth’Rose, név’Rose, artériosclé’Rose, fib’Rose, etc.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Cá se fazem...

Acreditamos, para nossa própria paz de espírito e equilíbrio emocional, numa qualquer justiça superior, uma justiça divina ou cósmica, uma espécie de conta-corrente que, de alguma maneira, nos alivie as dores dos maus momentos e das maldades de que por vezes somos vítimas e que se traduz pelo simples e popular ditado «cá se fazem, cá se pagam».

Veio-me à mente este pensamento (tão profundo…) quando, um dia destes, depois de descaroçar a agulha de croché quilo e meio de ginjas para fazer doce, fiquei com a pele dos dedos e a unhas pretas como se tivesse andado a trabalhar na terra ou não limpasse as unhas há quinze dias. E não houve creme, limão ou lixívia que as conseguisse fazê-las voltar a um aspeto mais limpinho.


Quando, vai para quarenta anos, me vi obrigada a finalmente vir morar para Leiria, vim encontrar uma sociedade que mantinha um estilo de vida em muitos aspectos diferente daquele a que eu vinha habituada. Um dia tive de ir a uma agência do extinto Banco Pinto e Sotto Mayor fazer, a pedido do meu marido, um depósito e, naturalmente, pus-me na bicha (desculpem-me: recuso-me a dizer «fila» como se usa agora) para a caixa. O meu espanto foi mais que muito quando o funcionário da caixa começa a chamar pelo nome e com toda a deferência clientes (homens, claro!) para os atender à frente das pessoas que estavam na bicha. Lá me mantive à espera da minha vez de ser atendida até porque não queria chegar a casa sem ter realizado o dito depósito mas com alguma revolta, uma fúria como nem imaginam. Mas o pior ainda estava para vir… É que, quando finalmente cheguei ao balcão, reparei, com alguma repulsa, que o funcionário tinha as unhas pretas, pretas como se tivesse acabado de trabalhar na terra… Tal como as minhas depois de descaroçar as ginjas…


(imagem da net)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia

Hoje é dia de celebrar Sophia de Mello Breyner. Não porque um punhado de deputados decidiu (depois da “querela” nacional de se guardar o que restou de Eusébio no lugar dos eméritos) fazer trasladar os seus restos mortais para o Panteão Nacional, mas tão-somente porque passam dez anos do seu desaparecimento físico.

Tantos poemas belos, tantos textos narrativos, também eles pedaços de poesia única, tantos fragmentos políticos poderia transcrever para aqui numa singela homenagem. Escolhi, porém, passos de uma carta (uma de muitas) dirigida ao igualmente grande poeta Jorge de Sena, em 10 de Junho de 1963.

(…) «Vivo entontecida, afogada em problemas familiares, sem tempo para escrever, desmemoriada de tudo.
O Francisco e eu estamos os dois bastante exaustos da vida dura. Eu começo a sentir-me incapaz de fazer tudo o que quero fazer. Ser ao mesmo tempo poeta, mulher do D. Quixote e mãe de cinco filhos é uma tripla tarefa bastante esgotante. Eu nunca aceitei que fosse preciso escolher entre a poesia e a vida pois ambas me parecem a mesma coisa. Mas agora sinto-me completamente incapaz de fazer tudo, de cumprir tudo o que me aparece.

Há dias aconteceu-me isto: comecei a escrever um poema à tarde, mas fui tão interrompida que desisti. À noite tentei acabá-lo mas estava cansada de mais e dispersa em mil bocados. No dia seguinte de manhã fui com a cozinheira à praça. E de repente no meio dos peixes, das couves e das galinhas pensei que precisava de parar um minuto, um minuto de férias sem cálculos nem contas. Então mandei à cozinheira que fosse ela comprando os legumes e «fugi» para o café da praça e pedi um café ao balcão. Enquanto estava a tomar  o café lembrei-me do poema e pedi ao empregado que me emprestasse um papel e um lápis. Foi assim que consegui acabar o poema nem misto de pausa e de euforia. Depois fui a correr comprar a fruta! Isto é a minha vida. Mas às vezes fica tudo mal escrito e mal vivido.

Espanto-me como você pode trabalhar tanto. (…)

Tenho andado muito solitária, bastante desenganada de literatura e sinto muito a sua falta, neste deserto intelectual. O saloismo da maioria dos intelectuais portugueses é quase inacreditável e as fortes desilusões que tenho tido fazem-me perder o ânimo.

Desde que fui a Itália apoderou-se de mim a ideia fixa de viajar. Fui à Madeira a convite da LVC fazer uma conferência em que falei muito de si e li alguns poemas seus. Espero ir em Setembro à Grécia, de automóvel, com a Agustina Bessa-Luís e o marido, se daqui até lá arranjar dinheiro! Não penso noutra coisa! (…)

(in “Sophia de Mello Breyner – Jorge de Sena, Correspondência 1959 – 1978”;, Guerra e Paz Editores, Lisboa, 2010, pp 76 -78)

Nem quero imaginar o «saloismo» que Sophia iria achar em, ao fim deste tempo todo e dadas as circunstâncias, trasladarem os seus restos mortais para aquele triste, frio e descaracterizado Panteão!

(in JL, 26 Janeiro a 8 Fevereiro de 2011)

terça-feira, 1 de julho de 2014

O cúmulo da hipocrisia!

Considero o desemprego uma das piores chagas sociais já que acarreta muitas outras chagas sociais e familiares e todas.

Desde que esta espécie de governo, na sua sede incontida de «ir ao pote», tomou conta do país destruindo-o e vendendo-o a retalho, as vidas de tantas e tantas famílias sofreram o maior trambolhão em muitas décadas com a sua sanha furiosa do empobrecimento das pessoas e o aniquilamento da economia.

Indústria e comércio passaram a fechar portas dia após dia e o chamado funcionalismo público sofreu (e continua a sofrer) cortes inauditos. Nos Centros de Emprego as filas de desempregados nunca mais pararam de crescer e a emigração voltou aos níveis numéricos dos tristes anos 60 em Portugal.

As taxas de desemprego subiram a números nunca pensados sem que houvesse preocupação e muito menos estratégia por parte dos «governantes» para, a bem das pessoas, tentarem inverter a trágica situação das pessoas. Antes tem havido – ah lá isso tem! – um aproveitamento ao nível do nojento por parte do «patronato» para usarem de força, chantagem e abaixamento de salários e de benefícios. E quanto a criação de novos empregos, zero ou menos do que isso.

E agora, como que por milagre de alguma outra santinha da Ladeira, as taxas de desemprego descem, descem e continuam a descer… até o Eurostat vem corroborar. Como é que o desemprego desce sem que o emprego aumente? Só há uma explicação numérica, objectiva: os desempregados emigram ou então – que é pior – acaba-se-lhes o direito ao subsídio e são cortados das estatísticas. Passam à categoria de indigentes e pronto – é um alívio, um sossego para os “nossos” mui competentes “governantes”!

E aí vem o trampolineiro, o teatral, o irrevogável Paulinho das Feiras, amigo dos velhinhos que estão nos lares e não sei que outros apodos hei-de usar nele, exultar berrando aos sete ventos que «a descida do desemprego é um sinal de esperança».

É o cúmulo da hipocrisia!!




Tapetes Carpélio

A rapaziada da minha idade decerto se lembra bem do sucesso dos tapetes Carpélio em finais de 60. Sintéticos, leves, fofos e felpudinhos e de fácil lavagem.

Esses tapetes tinham mais ou menos o aspeto deste casaco...




Quando casei, no início dos idos de 70, tive um terno de tapetes Carpélio amarelo-dourado que, sobre alcatifa azul-escura contrastavam com mobília de linhas direitas lacada a branco.

A mobília ainda dura, já dos tapetes, resta apenas a recordação do pelo e da cor que agora me vem frequentemente à memória de cada vez que vejo a minha última aquisição em gato, o Lourinho, nesta triste figura…