Sabe quem me conhece que sou,
desde as eleições para a Constituinte, votante do PS. De “cara destapada”
sempre, sem omissões nem hesitações, num meio não tão-somente conservador, mas
acanhado, de direita a que até chama(va)m de Cavaquistão. E, ao mesmo tempo
que, desassombradamente dizia aos PPD(s) da terra e da escola que se queixavam
de determinadas condições – nos idos de 70 – «Eu não tenho a culpa, não votei AD!», também sempre fui bastante
crítica de muitas ações levadas a cabo, de opções tomadas e de pessoas
escolhidas pelo PS ao longo da sua existência. De tal modo que, um colega com
quem trabalhei diariamente durante algum tempo, me chegou a perguntar «mas haverá alguém no PS de quem tu gostes?!»
Sofri com o descalabro que
procedeu o aparecimento do PRD de má memória; lutei contra a liderança de Vitor
Constâncio; nem sempre obedeci às casmurrices de Mário Soares; cheguei a
vociferar contra algumas escolhas aqui do PS da terra e até votei fora do partido uma vez! Mas mantive-me sempre fiel aos
meus/seus princípios.
Quando a crise financeira mundial
quase nos submergiu, a direita viu que era chegada a altura para “ir ao pote” e
em 2011, com os préstimos de uma determinada esquerda que sempre se considera
especial, ficámos “sem chão”, já nos bastidores do PS havia algum tempo se
perfilava, pressuroso, o camarada António José Seguro para agarrar as coisas e
segurar as pontas. Alguém teria de o fazer – houve que o aceitar e apoiar, pois
então!
Desde então tem sido aquele
ramerrão a que se tem assistido próprio de uma figura mediana e com pouco rasgo
a bem de um consenso que não interessa a ninguém, muito menos ao país, com
alguns avanços ténues e mais uns tantos recuos – lembro-me de quando o partido
esteve à beira de assinar por baixo os descalabros que este “governo” vem perpetrando
ter escrito um vigoroso mail privado a uma das “nossas” deputadas eleitas por
Leiria pedindo-lhe que «metessem algum juízo» na cabeça do “líder”. (Se assim
tivesse acontecido, teria rasgado o meu cartão de trinta e tal anos – e, claro,
não viria mal ao mundo nem ao PS se o tivesse feito…) E depois, lá se continuou
a «dar-lhe o benefício da dúvida» mas sempre na expectativa de um rasgão, um
abanão por parte do secretário-geral! Que nunca aconteceu.
Agora que, extemporaneamente ou
não, o abanão veio de fora e as perspectivas são diferentes (melhores, bem
melhores) para o partido e para o país, o secretário-geral não foi capaz de exibir
a rectidão de carácter que eu acreditava que ele teria e mostrar o espírito
democrático que é – ou deveria ser – apanágio de um partido como o PS abrindo
caminho para uma escolha livre (pois não foi o que ele repetidamente pediu ao
presidente da República para fazer em relação ao “governo”?).
Posso tentar fazer um esforço
para compreender as razões que o levam a uma atitude destas. Agora o que eu não
consigo nem quero tolerar é que, num ato de desespero desdenhoso e estúpido,
venha agora (finalmente “de cara destapada”) mostrar todo o “desamor” (não ia
dizer “ódio”!) que sempre sentiu pelo primeiro-ministro anterior e depois de
saber como foi difícil e forçado aquele momento, dizer que «nunca teria
assinado aquele memorando de 2011»!
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(retirado do facebook)
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