Até há uns meses atrás a culpa de tudo o que acontecia de mal neste país era imputado ao Sócrates. Agora, depois de inventarem que ele ia para a cama com outros homens (e se fosse, qual era o crime?); depois de inventarem todas as trapaças e mais algumas sobre roubos, contas off shore e desvios orçamentais colossais que nunca conseguiram provar, o homem foi finalmente deixado um pouco em paz e preterido pelo Tribunal Constitucional.
Portugal foi considerado hoje o 2º país da Europa com menos apoio às famílias – culpa do Tribunal Constitucional!
Bruxelas e o FMI reviram em baixa o crescimento da economia portuguesa – culpa do Tribunal Constitucional!
Portugal é visto como um país de empresas de baixa facturação – culpa do Tribunal Constitucional!
O número de pessoas e famílias a viver no limiar e abaixo do limiar da pobreza aumenta em velocidade de cruzeiro – culpa do Tribunal Constitucional!
A taxa do desemprego vai descendo não por criação de emprego, mas porque os desempregados vão deixando de ter direito ao cada vez mais encolhido subsídio de desemprego passando à qualidade
de indigentes – culpa do Tribunal Constitucional!
São cerca de 40 mil professores que
se candidataram a um número diminuto de mil e novecentas vagas do quadro –
culpa do Tribunal Constitucional!
Até o ministro da Saúde vem dizer
«vamos lá ver se não temos de fazer
cortes na Saúde» - tudo por culpa do Tribunal Constitucional!
O “nosso” primeiro queixou-se de
que a sua governação foi posta em causa – culpa do Tribunal Constitucional! (é
que foi a primeira vez que tal aleivosia aconteceu!)
E por fim, o “nosso” primeiro
teve de cancelar a visita ao Brasil para assistir ao encontro inaugural da
Selecção – culpa do Tribunal Constitucional, claro!!
São duas
as inferências que se me assomam à ideia:
Primeiro, que o “nosso” primeiro
é uma vítima de todas as malvadezas e estão todos contra ele, coitadinho! Como
dizia o Calimero (quem não se lembra dele?) «It’s not fair!!»
Depois, em modo bem mais duro que
nada tem a ver com o boneco animado do tempo das minhas filhas, só me apetece
citar o ex-secretário de Estado da Cultura: «Vão tomar no cu!» (Desculpem-me o vernáculo, mas estou a citar um conhecido escritor da praça.)