segunda-feira, 7 de abril de 2014

Memória de Elefante

«… podes achar idiota mas preciso de qualquer coisa que me ajude a existir.» (Todos precisamos, não é? E muito!)

É assim que termina «Memória de Elefante», o primeiro romance do escritor António Lobo Antunes, publicado em 1979 e que acabei de ler há dias. Mas não foi o primeiro nem o segundo romance que li do autor. Sei que não é um autor querido do grande público, mas eu gosto de o ler. Se calhar comecei a lê-lo por ser psiquiatra. Os psiquiatras sempre exerceram um certo fascínio sobre mim. Mas isso é outra história…

«Memória de Elefante» atraiu-me pelo título (sempre tive muito boa memória) e pelo que ouvi da boca do autor numa entrevista a que assisti aquando do lançamento de «Não é meia-noite quem quer». Também queria ver se a prosa, a linguagem utilizada, a sintaxe, a temática eram já tão densas e complexas como em romance mais recentes.

Lobo Antunes disse que «Não é meia-noite quem quer» é o mais autobiográfico dos seus romances. Mais ou menos autobiográficos são todos os romances que dele li, mas parece-me que «Memória de Elefante» é muito, muito ligado ao afastamento do autor da mulher e das filhas., da sua saída de casa.

A história quase não existe porque tudo se passa num dia e numa noite da vida deste psiquiatra atormentado com a solidão que lhe advém do seu trabalho no hospital psiquiátrico e da ausência da família chegada: a mulher, que continua a amar com um amor de paixão e as filhas, que chega a espiar à saída do colégio.

Uma prosa pesada, carregada de referências de grande erudição, memórias de infância, dores de crescimento numa família grande e pertencente à burguesia lisboeta em que a figura do pai é por de mais marcante, cicatrizes profundas deixadas pela Guerra Colonial. E sempre a angústia do narrador que é personagem principal e se confunde com o autor.

Aliás o que mais surpreende e encanta (e dificulta) na leitura de Lobo Antunes é a constante desconstrução da narrativa; a confusão nas categorias do romance: o tempo cronológico e psicológico, os espaços, o tratamento das personagens que muitas vezes se confundem e o narrador que constantemente passa de “ele” para “eu”. Neste seu primeiro romance essa desconstrução não é ainda tão profunda ao nível das personagens já que toda a (pouca) acção se centra no narrador. Por outro lado, a sintaxe ainda é mais ou menos “regular” porque ainda não há frases nem palavras deixadas a meio…

Mas é uma narrativa violenta, com uma linguagem violenta, cheio episódios muito fortes e pesados como são as cenas passadas no hospital psiquiátrico em condições quase sub-humanas – é preciso ver que o país tinha saído há pouco da ditadura, tempo em que os direitos básicos da população não eram tidos nem achados. De igual modo violento quando se descrevem os sentimentos do narrador-autor-psiquiatra. Violento e dramático na descrição da prostituta com que o narrador se envolve para, de alguma forma, sanar a sua solidão, a sua angústia.

E, alternando, a beleza, a ternura do capítulo que trata do momento em que o psiquiatra, roído de saudades das filhas, se esconde numa pastelaria de bairro à espera que elas saiam do colégio para as ver de longe. «Torcido de cólicas de amor o médico tinha a impressão de haver feito a favor delas um seguro de sonho…»


Se gostarem do género, leiam…

domingo, 6 de abril de 2014

Mais um ano, ou menos um?...

«Em certa ocasião alguém perguntou a Galileu Galilei:

- Quantos anos tens?

- Oito ou dez, respondeu Galileo, em evidente contradição com sua barba branca.

E logo explicou:

- Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais.»


Assim estou eu: hoje passei a ter menos um ano... mas quantos mais destes passar a ter melhor, não é?...

(que complicada é a matemática...)



O bolinho estava delicioso...



sábado, 5 de abril de 2014

Cheiro a fénico

Aprendi com as mulheres lá minha infância que, ao escolhermos na praça, por exemplo, um pargo, devemos  reparar se ele cheira a fénico. E se cheirar, há que recusá-lo em absoluto.

Vem-me à cabeça esta memória de outras eras a propósito do «cherne», aquela espécie de político a quem a mulher, certamente feliz por se livrar dele a tempo inteiro quando foi para a Europa, assim apelidou a partir do poema de O’Neill «Sigamos o Cherne» (que se «lá no assento etéreo a que subiu» ficou a saber disso, deve ter dado umas boas voltas na tumba!)




É que o cherne, ao fim de todos estes anos a boiar em águas turvas e chocas, cheira com certeza a fénico e há que recusá-lo!

Ascendeu aonde ascendeu muito pela pobreza de inteligência, civilidade e de «saber de experiência feito» que grassa, desde o fim da Guerra Fria, entre os políticos da Europa e mais ainda por ter servido nos Açores (o «criado de libré» no dizer sempre sarcástico de Baptista-Bastos) aqueles cafés ao Bush e ao Blair sedentos de irem ao pote no Iraque. E agora, na curva descendente do seu baço reinado europeu, está a lançar todas as redes – ironia de cherne estragado – aqui para a tirinha de terra de onde fugiu com o rabinho entre as pernas clamando que o país estava «de tanga» para ver se apanha distraído este povo de tristes pescadores de carapaus e sardinha e se  atraca a Belém.

Para isso ele faz de tudo. Manipula opiniões sobre a excelente actuação do “governo”; encomenda relatórios sobre a "recuperação" da nossa economia e sobre a famosa "saída à irlandesa"; opina sobre tudo e manda recados e bitaites cá para dentro em nome da Europa.

Como os insanáveis “governantes”, deputados, apoiantes e puxa-saco da maioria e como os media em geral, também este cherne estragado está apostado em denegrir e desacreditar o partido que tem fortes probabilidades de ganhar as próximas eleições legislativas. Então, lembrou-se de levantar umas ondas de areia do fundo do mar atirando mais uma atoarda sobre o ex-governador do Banco de Portugal, elemento daquele partido, querendo enredá-lo no infame e torpe escândalo do BPN, criado pelas gentes do seu próprio partido e do qual se quer agora afastar, vá-se lá saber porquê!...

Se, de facto, já em 2002, ele estava preocupado com o crescimento daquele «polvo» de águas sujas, tinha obrigação, enquanto primeiro-ministro, de formalmente questionar o governador do BdP sobre se seria verdade «aquilo que se dizia sobre o BPN», alertar a Assembleia da República e até o Presidente da República. Mesmo sem o ter feito, o dr. Barroso, se tivesse querido jogar limpo, teria apresentado estas surpreendentes revelações que agora se lembrou de vir relembrar aquando da realização das comissões de parlamentares de inquérito sobre o assunto, coisa que não fez.

Este cherne fede! Cheira a fénico! Há que recusá-lo!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Já nada é como era...



Para esquecermos a chuva e entrarmos no fim de semana a sorrir!

O noivo escreveu um poema para noiva um pouco antes do casamento:

Que feliz sou, meu amor!
Domingo estaremos casados,
O café da manhã na cama,
Um bom sumo e pães torrados

Com ovos bem mexidinhos
Antes de ir p' ró trabalho
Tudo pronto bem cedinho
P'ra inda ires ao mercado

Depois regressas a casa
Rapidinho arrumas tudo
E corres pro teu trabalho
Para começares o teu turno

Tu sabes bem que, de noite
Gosto de jantar bem cedo
De te ver toda bonita
Com sorriso ledo e quedo

Pela noite mini-séries
Cineminhas dos baratos
E nada, nada de shoppings
Nem de restaurantes caros

E vais cozinhar p'ra mim
Comidinhas bem caseiras
Pois não sou dessas pessoas
Que só comem baboseiras...

Já pensaste minha querida
Que dias gloriosos?
Não te esqueças, meu amor
Qu'em breve seremos esposos!

Como resposta, a noiva escreveu um poema para o noivo:

Que sincero meu amor!
Que linguagem bem usada!
Esperas tanto de mim
Que me sinto intimidada

Não sei de ovos mexidos
Como tua mãe adorada,
Meu pão torrado se queima
De cozinha não sei nada!

Gosto muito de dormir
Até tarde, relaxada
Ir ao shopping fazer compras
de Visa, tarjeta dourada

Sair com minhas amigas,
Comprar roupa da melhor
Sapatos só exclusivos
E as lingeries p'ró amor

Pensa bem... ainda há tempo
A igreja não está paga
Eu devolvo o meu vestido
E tu o fato de gala

E domingo bem cedinho
Em vez de andar aos "AIS",
Ponho aviso no jornal
Com letras bem garrafais:

HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
PORQUE A EX-FUTURA ESPOSA
DECIDIU MANDÁ-LO À MERDA!



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Parabéns, Marta!

Esta bebé aqui, no colo da minha avó, é a nossa mais nova e nasceu faz hoje anos.


Talvez prefiram vê-la ao colo do pai - um pai típico dos anos 70...


... ou ao colo da mãe...



... ou melhor ainda, recém-chegada a casa, ao colo da irmãzita.




Uma ternurinha, não é?

Mas eles crescem. E tão rapidamente!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Livros infantis e não só...

Visita à Livraria Arquivo no Dia Internacional do Livro Infantil.
(infelizmente vazia de crianças E de adultos...)





E a minha especial leitora na sala de leitura infanto-juvenil...



... e no corredor dos livros infantis em poses especiais...






Ainda bem que há estes Dias de... e estes netos e outras razões de força para recordar, escrever, dar opiniões e pôr fotografias, senão como poderia eu preencher este meu espaço diariamente há já quatro anos?!

Fez quatro anos no passado dia 31 que me desliguei da escola e faz hoje 4 anos que iniciei esta aventura diária.

Obrigada, amigos virtuais e outros, que me vão dando o reforço necessário para ir continuando...




terça-feira, 1 de abril de 2014

Dia das Mentiras

Com a cambulhada de mentirosos que integram aquela espécie de governo que nos calhou na  rifa das eleições, o dia das mentiras cá em Portugal podia ser celebrado quase dia sim, dia também. Mas hoje, que é o Dia das Mentiras mesmo,  merecem uma homenagem especial. 

Prémio «O Mais Mentiroso da Legislatura»














Chega assim, não vos parece?
Num país verdadeiramente democrático, estes senhores 
estariam já demitidos!

(imagens retiradas do Google)