sexta-feira, 7 de março de 2014

Vamos aos pássaros!

Para não voltar a versar e a apontar as tristezas deste país e ter de lamentar a insipidez de mais uma manifestação contra as políticas do “governo” que, como todas as anteriores, não passou de um folclórico passeio por Lisboa;

para não ter de observar o pavor que estes “nossos” governantes têm de eventuais confrontos com o povo, que os leva a cercarem-se de hordas de guarda-costas de cada vez que saem da “toca” – da lura talvez, que é mais própria dos coelhos – e que os levou ontem a exibir uma força militar frente à Assembleia como se estivessem à espera da invasão dos marcianos (posso imaginar que aquela “nobre” senhora loira que ascendeu a segunda figura da República estivesse rodeada dos 40 GNR convocados para segurança do interior da Assembleia e talvez até tivesse envergado o cinto de castidade não fosse o diabo tecê-las…);

para não ter de lamentar que os juízes desta terra, depois de deixarem prescrever o estrondoso caso da trapalhada na compra dos submarinos e outros e outros e outros casos do chamado “colarinho branco”, tenham decidido pela prescrição da roubalheira no BCP (preparando-se e nos para, de igual modo, decretarem a prescrição da bandalheira do caso BPN/PSD);

para não ter relembrar o (pouco noticiado) caso do jornalista de foi agredido a pontapé por um solícito assessor do partido do “governo” quando aquele apenas queria fotografar o “DR” Relvas na sua triunfal chegada ao Conselho Nacional do partido (ai se fosse um elemento do PS!!!);

para não ter de lamentar o facto de os deputados dos partidos da oposição não terem acompanhado todos os deputados do BE quando abandonaram a Assembleia face à birrinha de indignação do sr. Coelho;

para não ter de confessar, aqui perante todos, que também eu estou com uma enorme birra de igual modo indignada sim, mas com a obra de destruição nacional que este grupelho de predadores hasteado ao poder por uma grande percentagem de “nós” está a levar a cabo dia após dia;


deixo aqui as imagens da minha gata (também ela uma grande predadora) que, com estes belos prenúncios de Primavera, saiu para as rústicas traseiras do nosso quintal, atraída pelo chilreio com que a passarada perfumou os ares da manhã, para ver se lançava a unha a algum passarito mais distraído…







Liberdade de escol(h)a


Vai um furdúncio por aí acerca da liberdade de escolha das escolas e da liberdade nas escolas que é de mais! Até o dr. Guinote que – como qualquer um de nós – pouco mais vê para além do seu umbigo, escreveu, sobre o assunto, um opúsculo daqueles que a fundação do regime, tão bem dirigida pelo outrora socialista dr. Barreto (dá vontade de fazer o trocadilho com «barrete», mas isso é outra história) costuma lançar e que se vendem, a preço reduzido, no pingo doce e assim.

Ora o meu umbigo não é, nem de longe, nem de perto, grande e famoso como o do dr. Guinote, mas sobre esta temática também me concedo a liberdade de expressar as minhas opiniões desinteressadas e gratuitas, de conhecedora todavia.

Sabemos que a atual discussão sobre a liberdade nas escolas e a liberdade de escolha das escolas é uma falácia. Mais uma das muitas que este ministro (C)rato – já para não falar no “governo” em geral – tem lançado para o ar. Pretende ele, com esta questão, iludir as pessoas em geral. Por um lado, os pais – nem todos, haja deus! – que continuam apegados àquela ideia antiga e absurda de que os colégios preparam melhor os alunos do que a escola oficial, ocultando-lhes o reverso da medalha (vem-me sempre à ideia daquele Colégio daqui da zona, de ideário católico que recusou um aluno em idade de escolaridade obrigatória só por ser cego…) quando o que o dr. (C)rato, neoliberal (des)assumido, deseja mesmo é promover o ensino privado em desfavor do público para descartar responsabilidades e despesas. Por outro lado, pretende ludibriar os directores e os professores estabelecendo a maior confusão entre liberdade e autonomia quando, sabemos muito bem, as escolas não têm – ou melhor, têm cada vez menos uma coisa e outra. Autonomia – já aqui disse – ninguém a imaginou e decretou tão bem como o ministro Roberto Carneiro (Dec-Lei 43/89). Quanto ao regime de administração e autonomia da ministra Maria de Lurdes Rodrigues (Dec-Lei 75/2008) saiu cheio de ingénuos enganos, pensando a equipa ministerial que o país estava democraticamente preparado para ter de volta os “diretores” e para ter um Conselho Geral com a comunidade escolar e educativa a usar os poderes próprios de uma democracia representativa – conceito e realidade que nós, portugueses, ainda estamos longe de interiorizar. Daí que tenha sido completamente subvertido pela classe dos professores em atitude revanchista e, mais ainda, pelos sucessores do anterior governo.

Depois de esquartejar e esfarrapar tudo o que se foi fazendo pela Escola desde os anos 80, o ministro (C)rato vem agora muito sorrateiro – tão sorrateiramente como entrou no ministério e nos corações dos (tontos dos) professores – com aquelas falinhas mansas e a barba de três dias à Clooney – dizer que vai dar mais autonomia aos directores com a qual eles até concordaram. Soube-se, entretanto, pelos jornais que os diretores não tinham sido chamados a discutir essa propalada autonomia…

A autonomia com que o ministro acena às escolas é criar novas disciplinas, poder definir cargas horárias diferentes para as disciplinas – desmantelar todo o edifício curricular que levou anos e resultados (bons) a construir – e, dizem eles, a possibilidade de “escolher os professores” – o logro (enorme!) dos contratos de autonomia…

A liberdade para e nas escolas, meus amigos, seria – e eu sei do que falo! – libertarem os professores de tantas grelhas, tantos gráficos, tantas metas, tantos objetivos, tantos planos de melhoria e toda essa estúpida e americana panóplia de burocracias ocas com que a inspecção-geral abafa as escolas para que lhes seja dada a avaliação (dita) externa de Muito Bom que lhes dará acesso ao dito contrato de autonomia que mais não é que mais uma palete de papeis com palavras vazias, frases de construção arrevesada e gráficos feitos em programas de computador muito prafrentex…


E o ato de ensino-aprendizagem fica onde?!




quarta-feira, 5 de março de 2014

A nossa vil tristeza

(Camões por Júlio Pomar)

Mais uma das certeiras crónicas de Baptista-Bastos! Docemente violenta, suavemente crua, assertivamente crítica e sempre, sempre extraordinariamente culta. De quem sabe do que fala, de quem vivamente conhece a nossa história, a nossa cultura, a nossa literatura. Nos antípodas «desta súcia trepada ao poder»… Referências a Camões, Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, Alexandre Herculano e conversas com Alice Vieira para lamentar o estado a que este triste povo chegou mercê da «estratégia de embuste» levada a cabo pela dita «súcia» sem decência e sem vergonha com a cobertura de um presidente que no estrangeiro «diz coisas absurdas e abstrusas» mostrando a sua «tenaz mediocridade» é de mestre!

Não é novidade para ninguém que não perco uma crónica de BB (e até já comprei o seu último livro “Tempo de Combate”) mas aquele final da crónica de hoje «"Isto dá vontade de morrer", para lembrar o grito d"alma de Herculano, em hora de desânimo como a de agora» bateu forte.

É que minutos antes, ao ouvir as notícias da hora do almoço, eu tinha tido o seguinte desabafo: «como compreendo a atitude de Antero de Quental, num país destes!»

Nota: o título da crónica de hoje é decalcada num verso de «Os Lusíadas», desabafo do poeta que, por acaso – ou não por acaso – continua muito, muito actual.

 «O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
D'uma austera, apagada e vil tristeza»


(Lusíadas, X,145)

terça-feira, 4 de março de 2014

Sambinhas

A Majo é que disse que faltava um sambinha. E ela tem razão: não há Carnaval sem samba. Mas como escolher se há tantos e tão bonitos?!

Vou começar pela belíssima Aquarela do Brasil, de 39, do compositor Ary Barroso, de que há sei lá quantas versões, mas de que escolhi esta mais antiga.




E o Samba da Minha Terra que deixa a gente louca?
Oiçam só!




E a loucura do Tico-Tico de Fubá? Escolhi a excelente versão de Paco de Lucia, em homenagem.




E o Samba de uma nota só já vestido de bossa nova?




E o Desafinado? E a Banda?  E o Samba do Avião? E o Samba de Janeiro? E a camisa Amarela? E tantos tantos tão belos, tão melodiosos, tão ritmados?


Mas quem pode ignorar a encantadora Manhã de Carnaval na voz doce do malogrado Agostinho dos Santos?  



Enjoy!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Carnavalizando-se!



Desmascaremo-nos, pois.
Desnudemo-nos, então.
Irreconhecidamente belos, feios
Com máscaras ou sem.
Elevados. Depravados. Santificados.
Rebaixados. Degradados. Renovados.
Ridicularizados. Dicotómicos. Desestabilizados.
Invertidos. Convertidos. Divertidos. Obscenos.
Profanamente divinos.
Infernalmente paradisíacos
Parodisíacos.
Ritualísticos.
Permutos. Absurdos.
Exageros. Aconchegos.
Desapegos.
Heroicamente romanceados.
Dissonantes. Mutantes.
Carnavalizantes.


(Maria Ivanúcia Lopes da Costa, Brasil)


Quem nos dera!

domingo, 2 de março de 2014

Aos meus amigos homens...

Cuidado como tomam os medicamentos!!




Não há como levar a mal! É Carnaval!!!

sábado, 1 de março de 2014

Boleros

E os boleros? Tão lindos. Música tão bamboleante, tão sensual! Romântica mesmo. 

Ui o que eu gostava de boleros aí pelos meus 12 - 14 anos! Depois foi a doce loucura da música anglo-saxónica e lá se foram os boleros. O "meu" primeiro bolero foi - e, bem vistas as coisas ainda é - Sabor a mi. Lindo e romântico de morrer!





O bolero fetiche dos meus pais (anos 40) era o espetacular Besame mucho





Mas o maior, o mais belo, o mais romântico, o mais cantado de todos é mesmo a extraordinária Perfídia.