Tenho-me abstido de comentar o
«caso Eusébio» por vários motivos: primeiro porque pouco ou nada me diz; depois
porque não sou fã de futebol (e muito menos de “futebóis”); depois porque achei
excessivo, desmedido, exagerado todo o bruaá (para não dizer “folclore”) que as
televisões fizeram em torno da morte do jogador, por muito querido que fosse
das pessoas em geral e dos lisboetas em particular; isto para não falar nas
discussões provincianas e estéreis sobre a ida ou não ida do mesmo para o
Panteão Nacional o qual, tenho a certeza, nunca fora tão falado por toda a
gente!
Mas… hélas! há sempre um mas em
toda a discussão! Eis que abro a internet aqui no meu computador e com que
notícia me deparo em grandes parangonas?!
«O FC Porto não resistiu aos 11 Eusébios que estiveram em campo.»
Por amor de Deus! Que lamechice! Que
saloiada! Quem disse ao jornalista responsável por este lamentável título que
tem de «fazer poesia»?! Não há quem lhe diga que não é poeta quem quer?!
Não está em causa – para mim – o valor
que o jogador Eusébio teve ou não teve, nem qualquer tipo de desrespeito pela
sua memória ou pelos seus adoradores; muito menos quero com isto defender o clube
A ou atacar o clube B, não obstante achar insuportável a arrogância e a
sobranceria de muitos adeptos e do treinador de um e as baboseiras que os
presidentes quer de um, quer de outro, lançam inopinadamente pelas bocas fora
cada vez que lhes apetece. Em causa está apenas a lamechice requentada que
semelhante palavreado (pretendendo ser imagem) transmite. E depois admiramo-nos
que o outro senhor nos apode de «piegas»…
De facto, o estudo das
Humanidades está completamente esquecido no nosso sistema educativo – leia-se
na revista QI de ontem, subordinada ao tema A literatura contra a ditadura do banal, a entrevista a dois
professores da Faculdade de Letras de Lisboa comissários da Conferência “A
Urgência da Literatura” que se realizou neste fim-de-semana no CCB.
Trata-se disso mesmo: a ditadura do banal. É que lêem-se apenas
revistas cor-de-rosa e livros tipo Margarida Rebelo Pinto e Paulo Coelho que nada
mais veiculam senão banalidades bege; as criancinhas lêem muito mais do que liam
há pouco anos, é certo, mas poucas são as que ultrapassam a leitura dos
livrinhos ocos com ilustrações lindíssimas; os manuais de Língua Portuguesa de
toda a escolaridade básica usam textos cada vez mais infantilizados e mais
facilitados; e depois? Depois aparecem frases (texto até!) banais – para não
dizer parolas – como aquela que me saltou aos olhos quando liguei a internet…










