quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

The King

Desculpar-me-ão a repetição ano após ano, mas hoje é dia de homenagear o Rei. Rei do rock, o rei das canções românticas, o rei da viola da voz quente e do olhar brilhante e dos inconfundíveis passos de dança que tanto chocaram os puritanos dos anos 50. O Rei que tão aperreado e maltratado foi pelos seus conterrâneos. (De alguma forma faz lembrar Eusébio a quem, tal como a Elvis, foi vedado expandir o seu talento fora das fronteiras; que foi quase abandonado e deixado à sua sorte. Agora que desapareceu, são honras e mais honras levadas a um exagero provinciano e aproveitador, tão conveniente para, de certa forma, se esquecer a infame situação que se vive.)

Faria hoje 79 anos. 

Deixo aqui duas das suas interpretações: um rock daqueles «Jailhouse Rock» e a minha mais preferida de sempre «Are you lonesome tonight?»







terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Bye-bye, love!

Começam – ou melhor, continuam – a desaparecer os ídolos da nossa juventude e isso, por muito que digamos o contrário, põe-nos mais uma pequena nuvem na alma, rouba-nos  mais um pouquinho de brilho da aura, afasta-nos mais uns passos daquela doce e etérea estouvadice da adolescência.

Desta vez foi o Phil Everly, o mais jovem dos Everly Brothers, que partiu aos 74 anos. E venho aqui falar neles exactamente porque foi dos primeiros «conjuntos» que fizeram parte dos meus loucos gostos de pré-adolescente, foram suas algumas das primeiras canções com que comecei a aprender inglês e a afagar o meu coraçãozinho apaixonado, extasiado com os encantos da vida que começava a despontar.

É deles umas das primeiras «canções da minha vida» pela letra que muito me dizia à época e pela música pré-rock que começava a encantar-me e a ajeitar a minha forma e o meu gosto de dançar. Além de que era uma «habituée» do repertório dos meus Diamantes no início da sua carreira de animadores das nossas festas, dos nossos bailes nos idos de 60.

Quem se lembra? 






segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Há mar e mar...

E este mar que de Norte a Sul nos acaricia e lambe como cordeirinho a sua mãe, fonte de toda a nossa vida e história, espelho da nossa dor e das nossas alegrias, corola de toda a nossa poesia, hoje, ali no recanto do poeta do país lilás, das ilhas de bruma, esteve assim.












(imagens retiradas do facebook)


(...)
Mar tenebroso!
Mar fechado e rugoso
Sobre um casto jardim adormecido!
Mar de medusas que ninguém semeia
Criadas com mistério e com areia
Perfeitas de beleza e de sentido!

Vem a sede da terra e não se acalma!
Vem a força do mundo e não se doma!
Impenitente e funda a tua alma
Guarda-se no cristal de uma redoma.
(...)


(De “Ode ao Mar”
Miguel Torga, 1946)


E para verem melhor a fúria do mar, ainda acrescento um pequeno vídeo.



domingo, 5 de janeiro de 2014

Mau Tempo no Canal

Já estava há muito nos meus intentos ler a obra-prima do meu muito querido professor Vitorino Nemésio, mas por isto ou por mais aquilo, ou tão-somente porque pensava que se tratava de uma narrativa muito apegada aos hábitos da pesca e de outras fainas das gentes do Açores, ou ainda – o que é pior – por falta daquele «marketing» (como se diz agora) que praticamente não existe no que toca aos nossos clássicos (e aos outros…), foi ficando para trás.

Finalmente decidi-me, muito por influência de uma referência feita pelo crítico Eduardo Pitta a um aspeto da vida humana abordado na obra, lá me resolvi a procurar pelas estantes todas da casa, escada abaixo, escada acima, o exemplar editado por uma daquelas coleções de livros de bolso que brotaram nas nossas editoras depois da Revolução.

Parece-me que há buracos nesta casa porque me desaparecem livros! (Penso que ganham asas até às casas da minhas filhas, mas isto fica só aqui entre nós…)

Livraria com ela, pré-auto-prenda de Natal e lá me lancei na leitura. Tenho a dizer que só leio por prazer em duas situações: em férias na praia e quando me vou deitar, daí que demore algum tempo a ler e a saborear as minhas escolhas. 

Mas só vos digo: desde que li, já adulta, (que no liceu uma pessoa anda por de mais atarefada com os namoricos para se deixar absorver pela beleza de uma obra completa) a obra narrativo-lírica «Viagens na Minha Terra» que não punha os olhos num pedaço de tão boa literatura! Que maravilha de descrições, que forma absolutamente rendilhada de dar continuidade à história, que mestria no uso da língua, das palavras, da sonoridade da escrita, das metáforas, das imagens! As palavras parecem autênticos farrapinhos de espuma daquele mar tão poético como tenebroso do Canal! Bem se vê que o autor, que veste a pele de narrador, (ou será ao contrário?!) conhece aquele mar, aquelas gentes, a cauda do cachalote a bater na água, cada uma das grutas de que constantemente se desprende o cheiro de lava quente, o sentir e o linguajar das pessoas  (muitas vezes parece-me estar a ouvi-lo, nas aulas, com aquele sotaque algo fanhoso, e aquele ar disperso que punha em cada lição: «Eu sou da Terceira que se chama Terceira porque foi a terceira a ser descoberta…» «Ó Machado Pires, (que era o assistente) como é que se chamava aquele que matou o … » Tão delicioso nas aulas como no romance.


O Canal - pequeno, mas furioso, braço de mar entre o Faial e o Pico

E quando me vêm com lutas de alecrim e manjerona do ataque ao acordo ortográfico – este, porque os anteriores não os conheceram – porque é um assassinato à língua de Camões , a qual, de facto, a grande maioria nem conhece) convido-os a todos a que leiam os nossos clássicos, os nossos romancistas, ensaístas e poetas do século XX, esquecidos por força da infame e clerical ignorância do povo e por força de um sistema político opressor e baço que quase só nos permitia ler o catecismo; leiam-nos no registo atual ou noutro qualquer, e aí sim, verão como se maneja com a maestria (com mais um ou menos c- ou p-) a dita língua de Camões!


sábado, 4 de janeiro de 2014

Se um gato te escolhe

Li não sei onde que, se um gato da rua entra pela nossa casa dentro adotando-a como o seu próprio lar, é porque estamos a precisar de um gato que nos proteja porque, dizem, os gatos têm o poder de remover as energias negativas do nosso corpo bem como do dos restantes moradores da casa. 

Pois nós cá em casa devemos acumular «paletes» de energias negativas porque primeiro, atualmente temos dois gatos «residentes» e depois, porque quase todos os gatos que temos tido – com exceção da nossa Julinha que me foi oferecida (ou melhor, proposta, ou direi mesmo imposta!) pelo meu sobrinho Ricardo e da nossa Ritinha que veio com um dos namorados da minha filha Marta (devo dizer que cada um dos seus namorados, pelo menos os mais «oficiais», se fez acompanhar por um animal de estimação), todos nos entraram pela porta dentro adotando-nos sem apelo nem agravo, grande parte deles como residentes e outros como simples comensais…


A Julinha
A Ritinha

Só que, não contente com isto, no passado mês de Dezembro, assim à laia de ante-prenda de Natal, lá me entrou, sem qualquer pingo de medo ou de vergonha, outro gato-gatão pela porta da frente aos miaus, direto, diretinho à tigela dos secos! Amarelo-riscado, muito jovem, muito macho, atlético direi mesmo!




Não obstante a despesa que aumenta em comida e veterinário, eu não resisto a mais um gato, se bem que prefira gatinhas que são mais meigas, mais calmas, mais asseadinhas… Mau é aturar o Humano (como diz a nossa amiga do pequeno jardim com gatos) que não gosta muito de gatos (acho que por uma pontinha de ciúme…) e a minha filha mais velha (que é como o pai mas para pior…) 

Mas pior, pior é que, enquanto a gata Branquinha o cheira e recheira denotando uma certa estranheza e nada mais do que isso, o nosso gato Socas, que curiosamente também nos entrou há uns anos pela porta dentro (das traseiras, convenhamos…) é que não o tolera, travando-se ambos, quando se encontram na cozinha, de uma berraria daquelas que eu gostaria que o (rapazola) António José Seguro fizesse com o rapazola metido a primeiro-ministro!





sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Mau começo

Nunca pensei vir a dizer isto, mas felizmente terminaram as festas. E não terminaram lá muito alta para mim.




A noite de 31, como de costume desde que há pequeninos, foi cá em casa com aquela folia relativa de quando há pequeninos em casa: tudo, ou quase tudo, se gira em volta deles e depois dos brindes e dos beijinhos e dos abraços da meia-noite e de espreitarmos os foguetes de lágrimas, as flores e os pompons que por aqui atiram para o ar em grande estrépito, são as despedidas e toca, cada um para as suas casas porque as crianças estão com sono. 

Até aqui tudo bem! O pior veio depois! A uma família da extinta classe média já não deveria ser permitido pôr na mesa entradas variadas, marisco, um assado recheado, fritos, doces, bolos, vinhos, vodka, champanhe e sei lá o que mais! Por isso, e decerto por castigo dos deuses (que estão feitos com a situação política) pelos excessos a que já não devíamos ter direito, levei toda a noite de levante e a vomitar. No dia de Ano Novo, enquanto todos se alambazavam com o cabritinho assado com batatinhas e castanhas e o esparregado que ainda consegui cozinhar, estive tão-somente a vê-los comer e depois espetei-me na cama de cabeça à roda! E pior ainda, é que até hoje, ainda não consegui ingerir mais nada que não fosse chá com alguma torradinha e caldo de cenoura. Dores e tonturas…

Entretanto, como já aqui disse, avariou-se-me a aparelhagem de som com o meu bom gira-discos e no próprio dia 1, a placa gráfica do meu portátil «pifou», enquanto a televisão da cozinha – que é bem do século passado – começou a emitir em azul-escuro, rosa-choque e verde antes de conseguir fixar as cores todas… Parece conspiração!

Não é boa forma de se entrar num ano novo, pois não? Isto para não falar no negrume e o verdete com que este “governo” continua a cobrir os reformados (e os trabalhadores) da função pública fazendo-os responsáveis por todos os males que desde há uns anos para cá vieram ao mundo, fazendo cair sobre eles todo o seu génio de vingança do TC, a curto prazo, e do próprio 25 de Abril, a longo prazo.

Mas, de facto, o que me perturbou mais que tudo e me tirou o sono e a alegria foi mais uma notícia preta e injusta recebi no final do ano que toca alguém muito próximo e que não quero, não posso comentar aqui.


A minha avó espanhola dizia muitas vezes «os ciganos não querem bons começos», por isso…

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Viva a liberdade livre!

Usando o computador da casa - que não tem nada do que eu gosto - fica aqui mais uma canção daquelas que chamam pela gente. Que bom seria se conseguisse chamar por esta gente  que tudo aceita sem reagir!





Bom Ano! Melhor Ano!