terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Caridade


Hoje li no jornal uma carta enviada por um leitor que não resisti a transcrever para aqui de tanto que concordo com o que lá é dito. Ora leiam:

É tão útil haver pobrezinhos. Se não os houvesse, como é que as almas benfazejas podiam praticar a caridade, socorrê-los, enfim, fazer boas acções? Evidentemente que, para haver muitos pobrezinhos sem quase ou nenhum dinheiro mesmo, têm algumas dessas tais almas de possuir muitos, muitos milhões. Por isso é que o presidente executivo da PT, Zeinal Bava, se congratulou com a possibilidade (dada pelo PS, pelo PSD e pelo CDS ao votarem contra a proposta do PCP) de o grupo que dirige, e outros, anteciparem a distribuição de lucros, embolsando, assim, mais uma boa maquia.

É também por haver tantos pobrezinhos e tanto altruísmo que o referido gestor e o seu colega presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, tiveram mais uma tão nobre atitude: inscreveram-se como voluntários no Banco Alimentar contra a Fome.

Claro que há mais almas sensíveis para com os pobrezinhos que eles geram. Ainda hoje vi , numa grande superfície comercial os/as caixas com camisolas da referida instituição. Juntam, portanto, o útil ao agradável: a clientela fica embevecida com tanta solidariedade e compra mais umas toneladas.

Portanto, tudo isto graças aos pobrezinhos, coitadinhos, e à generosidade dos que os geram, que até é de pôr em causa a afirmação bíblica de que é mais fácil entrar um camelo pelo buraco de uma agulha que um rico no reino dos céus.

(Francisco Ramalho)


Até me fez lembrar aquela canção do antes do 25 de Abril, do então jovem José Barata Moura  "Vamos Brincar à Caridadezinha", lembram-se?


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Em nome da Constituição






É, no mínimo, indecente o presidente do governo dos Açores ter decidido compensar pecuniariamente os funcionários públicos que, por força da Lei do Orçamento para o ano de 2011, vão sofrer cortes nos seus ordenados. Apesar de ser uma região autónoma, aquele arquipélago não deixa de ser abrangido pela soberania nacional pelo que deveria cumprir o que foi decidido, sabe-se a que custo, para todos os funcionários em geral.

Quanto a isto, ponto assente!

O senhor presidente da República veio, de imediato, para a televisão, na sua campanha eleitoral encapotada, dizer que considera que esta medida pode violar a Constituição e a moral e sei lá o que mais. Naturalmente! Um presidente da República tem de ser o garante de que toda a lei legitimamente aprovada seja cumprida de igual forma por todos os cidadãos! E, se estivermos atentos, vemos como os “elevadores” de opinião dos jornais puseram o senhor presidente no topo com uma setinha para cima por esta sua chamada de atenção sobre este assunto que, repito, considero deplorável.

Mas, alguém poderá explicar-me por que razão o senhor presidente não vem à televisão defender os princípios constitucionais de cada vez que o senhor presidente do governo da Madeira toma decisões contrárias às decisões nacionais ou de cada vez que profere aquelas barbaridades a que todos tivemos de nos habituar a ver e a ouvir e de cada vez que perpetra aqueles seus enormes dislates partindo sempre do princípio que a Madeira é a Madeira e não é o Continente?!

domingo, 5 de dezembro de 2010

It's Christmas Time


Se bem que ainda não vestisse a casa de Natal - isso, cá em casa, é feito há muitos anos sempre no dia 8 de Dezembro - já é Natal por todo lado. Por isso, começo desde já a desejar a todos os meus amigos  - e aos outros também porque é tempo de boa-vontade - um bom Natal. Para isso, e porque estou em Leiria, escolhi uma voz bem leiriense - aqui  mesmo dos Marrazes! - e bem conhecida e bem timbrada: a voz de David Fonseca com uma moderna canção de Natal de que gosto muito.

Como ele diz: "Give something to someine special!"

 Merry Christmas!


sábado, 4 de dezembro de 2010

Dreams





A senhora canadiana a quem ando a ensinar português e que já referi neste espaço é, como já disse, uma pessoa cheia de sensibilidade e delicadeza - sense and sensibility, na linguagem de Jane Austen - e ofereceu-me um dos seus poemas e que não resisti a transcrever para aqui por tão breve e tão cheio de verdade.

"Fly high on your dreams
as dreams are your happiness
and soul for living."

            (Susie E. King)

Avanço a tradução que ela própria tentou com alguma ajuda, perdendo-se embora um pouco da leveza e do ritmo das palavras.

"Voa alto nos teus sonhos,
que os sonhos são a tua felicidade
e a alma para viveres."


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dia de anos






Hoje faz anos o nosso neto, o José Ricardo. O nosso Sagitariozinho, signifique isso o que significar. Faz apenas dois aninhos, mas já tem "muita personalidade"...

E vejam: quando fui para lhe tirar uma fotografia sentadinho no sofá com o avô, saiu assim:



E passeando pelo jardim, em Leiria.







Aqui, para o apanharmos a ele num instante, quase cortámos a cabeça da bela estátua das "Mulheres de Leira", à entrada do parque.

É um sossego o nosso menino!


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Só neste país!


A minha amiga Rosa-dos-Ventos deixou ontem um comentário ao meu texto sobre 1640 em que afirmava que não gosta nada de ouvir dizer (e tanto se diz!) "isto só neste país..." Eu também não gosto. Quem estiver mal, mude-se ou faça mudar o rumo das coisas. Mexa-se! Proteste! Não se abstenha do voto! Mas não fique na bela posição de criticar da bancada como quem não tem nada a ver com o assunto.

A propósito daquele comentário, lembrei-me de uma canção do meu muito querido de sempre Sérgio Godinho que, no seu estilo tão peculiar, se refere a essas pessoas. E a canção chama-se mesmo "Só neste país"





quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

1640

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Tenho uma amiga que me disse, no outro dia, que 1640 foi o início da nossa desgraça. Ri-me. Na escola foi-me/nos sempre inculcado um nacionalismo arreigado contra os nossos coabitantes de Ibéria logo desde a fundação de Portugal em que o valente Afonso , o primeiro de tantos, se tornou independente do Reino de Leão. Depois nas intermináveis batalhas que, disseram-nos, sempre vencemos contra os castelhanos: Atoleiros, Valverde, Aljubarrota, Toro (esta há quem diga que não vencemos).

Depois, a perda da independência foi uma questão de teimosia por parte de uma Rei adolescente e aéreo que acreditava que estava investido de divindade e que, por certo, lera muitos romances de cavalaria. E, morto sem descendência lá pela Moirama, fez com que passássemos para as mãos dos nossos primos, que com tantos casamentos entre príncipes e princesas castelhanos com portugueses, aconteceu ser Filipe, o segundo de Castela, a ganhar o nosso reino por testamento.

Porém, valentes e empreendedores como somos, lá se conseguiu reunir um punhado de quarenta nobres jurados que repuseram a nossa independência. Este momento da nossa História também foi muito enaltecido nas nossas mentes de estudantes a fim de nos enraizar o nacionalismo que convinha naquela época salazarista.(No coro do Liceu cantávamos o Hino da Restauração! * E, nesse dia, os rapazes da Mocidade Portuguesa desfilavam fardados pelas cidades e vilas do país). Sem pretender denegrir o gesto dos 40 jurados e a força anímica nacional, sabemos que Filipe IV estava cheio de problemas também com a vontade de independência da Catalunha e, talvez por isso, não tivesse forças para se impor a Portugal.

Mas como teria sido se ainda hoje fossemos uma província de Espanha, como pretendia a minha amiga? Poderemos imaginar? Querem os meus (hipotético) leitores dizer algo sobre esta possibilidade?


* Hino da Restauração

Portugueses celebremos
O dia da Redenção
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.

A Fé dos Campos de Ourique
Coragem deu e valor
Aos famosos de Quarenta
Que lutaram com ardor.


P'rá frente! P'rá frente!
Repetir saberemos
As proezas portuguesas.


Avante! Avante!
É voz que soará triunfal
Vá avante mocidade de Portugal!
Vá avante mocidade de Portugal!