Hoje li no jornal uma carta enviada por um leitor que não resisti a transcrever para aqui de tanto que concordo com o que lá é dito. Ora leiam:
É tão útil haver pobrezinhos. Se não os houvesse, como é que as almas benfazejas podiam praticar a caridade, socorrê-los, enfim, fazer boas acções? Evidentemente que, para haver muitos pobrezinhos sem quase ou nenhum dinheiro mesmo, têm algumas dessas tais almas de possuir muitos, muitos milhões. Por isso é que o presidente executivo da PT, Zeinal Bava, se congratulou com a possibilidade (dada pelo PS, pelo PSD e pelo CDS ao votarem contra a proposta do PCP) de o grupo que dirige, e outros, anteciparem a distribuição de lucros, embolsando, assim, mais uma boa maquia.
É também por haver tantos pobrezinhos e tanto altruísmo que o referido gestor e o seu colega presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, tiveram mais uma tão nobre atitude: inscreveram-se como voluntários no Banco Alimentar contra a Fome.
Claro que há mais almas sensíveis para com os pobrezinhos que eles geram. Ainda hoje vi , numa grande superfície comercial os/as caixas com camisolas da referida instituição. Juntam, portanto, o útil ao agradável: a clientela fica embevecida com tanta solidariedade e compra mais umas toneladas.
Portanto, tudo isto graças aos pobrezinhos, coitadinhos, e à generosidade dos que os geram, que até é de pôr em causa a afirmação bíblica de que é mais fácil entrar um camelo pelo buraco de uma agulha que um rico no reino dos céus.
(Francisco Ramalho)
Até me fez lembrar aquela canção do antes do 25 de Abril, do então jovem José Barata Moura "Vamos Brincar à Caridadezinha", lembram-se?



