segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sintra, um lugar mágico

(Casa dos Penedos)

Como sabem, sou uma apaixonada por Sintra. Por isso não resisto a deixar aqui notícia de que um dos mais prestigiados jornais norte-americanos, o Chicago Tribune, dedicou um artigo àquela minha vila do coração, dizendo que se trata de “um lugar mágico na ponta da Europa”. Faz referência às lojinhas da Vila Velha, à arquitectura dos palacetes e das casas senhoriais, aos hotéis e, especialmente à Quinta da Regaleira (daí a magia, pelo seu poço iniciático e todos os sinais que a ligam à maçonaria) e ao Cabo da Roca que é o ponto mais ocidental da Europa.


(Palácio do Milhões, agora Quinta da Regaleira)


Mas, para quem lá mora, ou morou, a magia vem da Serra com toda aquela vegetação luxuriante, do clima quase londrino que envolve os bosques e toda a serra em geral de neblina cerrada dias e dias a fio, lembrando Avalon e as suas velhas e misteriosas histórias sobrenaturais. A magia emana do interior da terra e como que nos agrilhoa ali, àquele largo que se abre no sopé da serra com o seu palácio medieval com aquelas chaminés gigantes onde o Rei de Aviz beijava as suas damas mas “era por bem”.....

Lá aprendi, em tempos, uma canção popular de que já só me lembro do princípio e que diz tudo. Era assim:

Não sei o que Sintra encerra
Que ao vê-la um dia
Nos enfeitiçamos

Não há em nenhuma outra terra
A graça, a alegria
Que nela encontramos

E a beleza não está, para os amantes de Sintra, no Palácio da Regaleira, vulgo do Milhões. A beleza está nos verdes musgados dos parques da Pena, no Palácio de construção romântica do príncipe de Saxe que casou com a nossa rainha D. Maria II e, para mim, especialmente no Palácio de Monserrate e nos seus frondosos jardins em volta que chegaram a ter duzentos jardineiros para tratar deles.



(Palácio de Monserrate)

Nos anos da minha adolescência, nos nossos passeios pela Serra, íamos muitas vezes até Monserrate. Nessa altura, o Palácio estava fechado ao público e das janelas, por onde espreitávamos, podíamos admirar os belos tectos e as paredes. Mas as salas estavam completamente vazias. Que belas histórias de mistério construíamos nas nossas cabeças!

Essa era a verdadeira magia!

(Monserrate, em versão antiga)

domingo, 7 de novembro de 2010

A apanha da azeitona



O olival cá de casa é quase um conjunto vazio. É composto por uma única oliveira que nasceu ali atrás no quintal transportada, há uns anos, ainda em embrião, numa terra vinda do pinhal para um canteiro descarnado.

De há uns três ou quatro anos para cá, a boa da oliveira começou a dar azeitonas que não chegariam ao quarteirão completo e que caíam com o vento e com a chuva. Mas este ano, não se sabe por que divina razão, encheu-se de azeitonas verdes que foram engrossando e tornando-se pretas. E nem queiram saber a excitação que foi cá em casa – não minha, que detesto azeitonas e, ainda por cima, citadina como sou, não dou grande importância a estas explosões mais campestres.

Foram semanas a falar na apanha da azeitona e, esta semana, deu-se: o avô e a neta dedicaram-se com todo o afã à azáfama da apanha das ditas! E não é que ainda se apanharam mais de vinte quilos dos negros frutos?!

Ora vejam:

(eis a oliveira)

(o avô e a neta)


( a neta)

(a avó deu uma ajudinha, pouca...)

(o avô empenhou-se muito...)


(...era às mãos-cheias!)


(e depois foi às alguidaradas...)

(Vejam a satisfação da neta!)


Lembram-se os meus amigos menos jovens daquela adivinha do nosso livro da 2ª ou da 3ª classe que era assim:

Verde foi meu nascimento
E de luto me vesti.
Para dar a luz ao mundo
Mil tormentos padeci.

sábado, 6 de novembro de 2010

We will survive!


A sério! Estamos a ficar fartinhos da crise! Os nossos meios de comunicação só podem ser sádicos porque constantemente nos moem o juízo com a crise e com os (des)mandos do governo e da oposição e do presidente da república e dos juros da dívida pública e do FMI e sei lá o que mais!

Por favor, chega! Não é a primeira vez que enfrentamos uma crise financeira, política ou seja que tipo de crise for! Crise a sério passámos nós nos tempos da ditadura - e mais tínhamos as contas públicas equilibradas (sabe deus a que preço!) - e sobrevivemos e soubemos levantar a cabeça. Portanto, não tenhamos dúvidas que havemos de levantá-la outra vez e outra e outra se for preciso!

Mas para isso há que fazer renascer a alegria e a boa disposição das pessoas e não acabrunhá-las a cada minuto que passa dando razão a quem diz que somos um povo soturno, tristonho, saudosista.

Para isso deixo aqui uma versão extraordinariamente bem disposta da canção "We will survive" que vale a pena ver até ao fim.



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Devolver os aumentos? Não, obrigado!

(antiga imagem do site da DGRHE - só simpatia e confiança!)

A Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação – vulgo DGRHE – saiu-se com mais uma daquelas orientações que põe logo as escolas a tremer, alertando para possíveis erros nas progressões na carreira de alguns professores realizados nos últimos anos, ao abrigo das duas últimas versões do Estatuto da Carreira Docente, de 2007 e de 2009 e, não contentes com isto, intimava os directores a promoverem, “com a maior brevidade possível”, a devolução das verbas pagas em excesso, sob pena de serem responsabilizados por estas.

São tão engraçados estes “nossos” superiores hierárquicos! No espaço de dois anos lançam dois Estatutos da Carreira Docente diferentes seguidos de toda a parafernália de diplomas e normativos deles decorrentes sem darem tempo às escolas de absorverem as novas determinações e, mais importante ainda, sem promoverem reuniões formativas sobre as mesmas.

As escolas, que não têm advogados nem economistas ao seu serviço, têm sempre imensas dúvidas na interpretação das leis que são, elas próprias confusa, ambíguas e remissivas e sobre estas questões de progressão e outras que implicam dispêndio de verbas. Pedem-se constantes esclarecimentos às ressequidas DRE que raramente têm resposta ou, quando as têm vêm em forma de pareceres e são tão ambíguas e de tão difícil interpretação quanto as leis – entenda-se isto a partir da minha experiência com o senhor advogado e chefe de divisão da DREC – e depois têm o topete de atirar com o odioso das questões para cima das escolas – e agora que (re)inventaram os directores que vão ser “pau para toda a obra” ameaçam-nos com as responsabilidades e, ainda por cima, retroactivamente!

De cada vez que há um novo concurso de professores ou qualquer outro procedimento administrativo para o qual seja criada uma nova aplicação informática, logo a DGRHE promove reuniões com as direcções das escolas para lhes passar o rotineiro “powerpoint” com todos os passinhos de acesso à dita aplicação para que tudo funcione bem aos olhos do público – na avaliação dos professores foi o que fizeram, aliás, foi a única coisa que fizeram! Mas quando se trata de explicar e de aferir procedimentos determinantes como são vencimentos, a avaliação do pessoal ou critérios e orientações pedagógicas, de imediato apelam para a dita autonomia das escolas...

Que conveniente!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Camioneta Fantasma



Às vezes, detenho-me a ver nos jornais as percentagens das audiências dos programas de televisão . É um bom indicador dos nossos gostos, da nossa maneira de ser.

No outro domingo atrás foi, no mínimo, surpreendente (e assustador) verificar que a chamada gala da Casa dos Horrores – eu bem sei que é a Casa dos Segredos, mas parece-me mais real chamar-lhe Casa dos Horrores porque este reality show (como se diz agora; até parece que a nossa língua não é suficientemente rica em vocabulário para termos de usar as expressões inglesas...) é realmente um verdadeiro horror a todos os níveis! – liderava a tabela, sem qualquer contestação, com 14% de audiência média (43,6% de share, seja isto o que for...) à frente dos (abomináveis) Ídolos da SIC, do jogo do Sporting (e se fosse do Benfica era a mesma coisa!), dos telejornais, etc., etc..

Mas, o que me deixou mais contrariada foi o facto de o último programa da tabela, com apenas 5,8% de audiência e 14,4% de share, fosse o mini-filme histórico “Noite Sangrenta” que o canal público passou em dois episódios emitidos no sábado e no domingo que muito me agradou (aliás tem passado vários filmes desta série sobre acontecimentos históricos da 1ª República) e que versava os acontecimentos trágicos da noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em que a chamada Camioneta Fantasma liderada por um simples cabo do Exército arrebanhou, de suas casas e da forma mais vil, alguns dos mais notáveis homens da implantação da República, assassinando-os sem se saber, até hoje, a mando de quem.

O meu espanto e o meu desagrado têm a ver com dois aspectos principais: um é que estamos constantemente a ouvir dizer que a nossa História tem tantos episódios tão interessantes para se fazerem peças de teatro e novelas e filmes e sei lá o que mais para instruir as pessoas e dar-lhes a conhecer o nosso passado e, no fim, quando se faz alguma coisa nesse sentido e até com alguma qualidade, há “meia-dúzia” de bem intencionados que vêem o programa.

Por outro lado, e este é o aspecto que menos abona a nosso favor, é que está meio país embasbacado com os insanes desacatos de uns tantos jovens homens e mulheres, todos bem apessoados e vestidos/despidos à moda, diga-se, para atraírem o ”pessoal”, mas de uma boçalidade e de um baixo nível que nos deixam, no mínimo, envergonhados!

Não pretendo armar-me em moralista ou coisa parecida porque é coisa que nunca fui; nem me escandaliza o nosso voyeurismo (aí vai outro estrangeirismo...) que faz parte da natureza humana (lembro-me que me diverti um bocado com os primeiros Big Brother); mas contraria-me o facto de aquelas pobres ”marionetas” terem sido escolhidas pelas suas características mais baixas e mais negativas de forma a dramatizarem com a maior naturalidade os sentimentos e os valores mais baixos da escala, como sendo a mentira, a desconfiança, a inveja, o engano, o fingimento, a traição e sei lá o que mais, tudo rodeado de grandes festas fictícias – as galas – e de uma grande alegria mascarada.

Há, com toda a certeza, outras formas menos perniciosas de divertir as pessoas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia de Finados




Não Choreis os Mortos

Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.


E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.


Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.


E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.

(Pedro Homem de Mello, in "Caravela ao Mar")

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ó tia, dá bolinho?



(in pitoreska.blogspot.com)

Só quando vim viver para Leiria (no ano 74 do século passado) ouvi falar no Dia do Bolinho. Em Lisboa, no dia 1 de Novembro, vivia-se (pouco) o Pão-por-Deus. Grupinhos de crianças iam de prédio em prédio, subindo e descendo escadas, a pedir o pão por Deus. E as pessoas enchiam-lhes os saquitos com castanhas, nozes, romãs, chupa-chupas, rebuçados.

A (enorme) novidade para mim, quando vim para cá, foi o bolinho propriamente: essas maravilhosas broas de batata ou de batata doce que as donas de casa coziam recheadas de deliciosos frutos secos e a saberem a erva-doce e a que chamavam merendeiras. Hummm! Uma delícia, mesmo!

O pior, porém, era mesmo o dia 1 de Novembro, quando logo pelas sete da manhã, hordas de garotos começavam a tocar incessantemente às campainhas das portas das casas, logo dando murros nas portas e gritando, alguns, selvaticamente, “Ó tia, dá bolinho! Se não leva no focinho!”

Nunca fui muito apreciadora destes costumes a que alguns chamam de “manter a tradição” – não sou grande seguidora da tradição! – e muito menos nestes termos, de modo que nunca dei a devida resposta a estes pedidos de bolinho indiscriminados.

Actualmente, aqui pela zona onde vivo pelo menos, já poucas crianças se metem nessas andanças, o que a mim me parece muito bem.

Aprecio e muito, porém, o trabalho das Educadoras e das Professoras dos mais pequenitos que, nas escolas, trabalham com eles estes costumes, desenhando, descrevendo, cosendo saquinhos de pano, procedendo ao levantamento de receitas e cozendo, até, com eles as ditas broinhas para oferecerem lá em casa aos familiares.

Não resisto a deixar aqui uma das muitas receitas das ditas “merendeiras” de que eu tanto gosto!

Ingredientes:

1kg de farinha de trigo
1kg de batata
750g de açúcar louro
5 ovos
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de sobremesa de fermento royal
frutos secos
erva-doce q.b.
raspa de limão.

Preparação:

Cozer as batatas com sal e transformá-las em puré, juntar a manteiga e misturar bem. Depois juntar o açúcar e, de seguida, a erva-doce. Juntar os ovos inteiros e mexer bem, colocar a farinha e fermento e amassar bem. Finalmente, juntar os frutos secos. Depois fazer bolinhas de massa e levá-las ao forno a cozer.