domingo, 31 de outubro de 2010

Happy Hallowe'en!


(in Google)


Esconjuro de bruja (para mis amigos...)

"¡Ojos de sapo, patas de rana,
que tengas suerte toda la semana!

¡Alas de murciélago , cola de lombriz,
que hoy y siempre seas muy feliz!

¡Muelas de hipopótamo, cuernos de dragón,
que nunca nadie hiera tu corazón!

¡Dientes de culebra, huesos de chucho,
NUNCA olvides que te quiero mucho!

¡Uñas de gato, plumas de gallina,
que siempre te lleves bien con la vecina!

CONJURO:

Escobita, escobita,
que cada año me ponga más bonita.

Sapo, sapito,
que este año mevaya mejorcito.

Caldero, calderito,
que me abunde el dinerito..."





sábado, 30 de outubro de 2010

Terra de Pinhal e Mar


Não será vasto este pedaço de país, das serranias verdejantes de Sicó aos areias do Osso da Baleia, dos cimos pedregosos e áridos de Aire e Candeeiros à penedia escalavrada de Moel; não será vasto, até, quando medido desde os poços neveiros de Castanheira de Pêra até aos campos de vinhedos e pomares do Bombarral.

Vasto não será, por certo, que de bem maior território e mais largas imensidões podem ufanar-se outros que , a Norte e a Sul, no litoral rente ao mar ou nas bandas do interior quase raiano, compõem este recanto da Europa que dá por nome Portugal. Por escasso que seja, porém, o distrito de Leiria e sua região, faz da variedade a sua riqueza, a sua identidade, a sua magia.

Experimentemos olhá-lo de longe (ou de relance, tanto dá), como se possível fora diluir na contemplação as fronteiras e no olhar esbater as distâncias, pequenas sejam elas.

Detenhamos a vista nos recantos acolhedores por onde ribeiras serpenteiam, a norte, a sulcar de brilho escondido pinhais e bosques vários, os montes ali ao lado, enquanto patamares e socalcos multiplicam miradouros a cada passo. Balança-se-nos a visão entre casebres e solares acastelados, com memórias de anos por contar. Guardião da memória, ali está Santiago, da Guarda chamado, e sua réstia de ameias, vigilantes, ainda, sobre o longe, como quem mantém, séculos volvidos, uma missão a cumprir; ali estão os cumes de Castanheira de Pêra, a espreitar, pressurosos, sobre vales e regatos.

Guardiã da memória será, também, a sombra do Marquês, acolhida às estreitas ruas que, em Pombal, cidade de seu nome, seu termo e sua morada, ao aconchego do velho castelo se acolhem. E com elas (e com ele) farrapos de passado, que em cada aldeia nos espreita, da Redinha a Litém.

Ou essa outra sombra que povoa de façanhas e lendas o fio da lembrança, a de D. Fuas Roupinho, a pairar, ainda, entre as muralhas de Porto de Mós e o casario da velha vila, ou lá no alto do Sítio, a espreitar, o areal da Nazaré, a pata gravada para sempre na rocha da lenda. (...)

Olhemos o pinhal, sim, esse verde ondeado de vento até ao ventre do mar, enlaçado, quase nos areais de S. Pedro, das Paredes, da Polvoeira. De um e outra (de pinheiro e de areia) se construiu a magia incessante e polícroma do vidro por terras se Marinha Grande, semente de uma outra história, às vezes de suor, às vezes de lágrimas, às vezes de luta enfeitiçada, tão travessa quanto madrasta.

Sosseguemos os passos, se sossego há aí, cidade adentro: agora, nas ruas estreitas de Leiria, que rescendem, ainda a Eça, a Rodrigues Lobo, a Lopes Vieira, à beira da Sé ou do Castelo; logo depois, em Alcobaça, à sombra de paredes carcomidas de anos, que respiram amores impossíveis e cantos de morte e desejo, resguardados nas pedras tumulares de Pedro e Inês; a seguir, no remanso das Caldas da Rainha, alfobre de artistas do barro, estância de pintores, ateliê de arquitectos, fiel depositária de todos eles e seus sonhos e devaneios. (...)

Repousaremos, porventura, em Óbidos, ao abrigo das muralhas, a contemplar o sol quando declina e se desvanece, lento e suave, sobre a lagoa, na antevisão do mar que se adivinha, teimosos na Foz do Arelho. Óbidos, esse burgo guardião-mor destas terras; guardião do tempo, guardião da memória, guardião das águas, de terras, de rostos, de colinas. E de templos, que em cada esquina da vila muralhada nos surpreendem o passo afadigado da procura.

(Carlos A. André, in “Terra de Pinhal e de Mar”)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lamento por uma política perdida




Mesmo correndo o risco de me "caírem em cima" das formas  mais inverosímeis - não há grande probabilidades de isso acontecer porque não sou muito conhecida no meio - não resisto a copiar para aqui a crónica de hoje do jornalista Ferreira Fernandes no Diário de Notícias. Gosto imenso de o ler diariamente sobre os assuntos mais díspares e, que me desculpem os que assim não pensam, mas tem um olhar crítico (quase) sempre certeiro sobre as questões que aborda.

Não venho aqui fazer a apologia da anterior ministra da Educação (que, de facto, falhou muito), embora eu tenha sido das poucas pessoas que sempre a admirou pela sua verticalidade e pela certeza do que queria fazer (por oposição à actual ministra que, de sorriso fácil e com pouco dentro da cabeça, não sabe o que quer nem o que se há-de fazer). A questão é que o PS quebrou a coluna para acabar por dar razão aos professores com o objectivo de ganhar as eleições e, semi-ganhando-as apenas, não conseguiu nada nem para os professores, nem para si próprio, nem para o país.

Foi pena!

E diz o Ferreira Fernandes:

Na semana em que Sócrates foi reeleito, perguntaram-me na SIC pelas medidas que ele devia tomar. Fiquei-me por uma só e, mesmo essa, óbvia. Era como aconselhar Álvaro Siza quando desenhou a pala da Expo: "Arquitecto, faça-a de maneira que ela não caia." Disse eu naquele debate da SIC: "Sócrates devia manter a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues." Grande espanto, no debate... Não sendo uma águia em análise política, uma coisa eu tinha por certa do primeiro mandato de Sócrates. Num sector prioritário, a Educação, tentou-se que os seus trabalhadores seguissem a mais elementar das normas profissionais: subir na carreira só por mérito. Maria de Lurdes Rodrigues (MLR) fora a cara dessa revolução (e aqui está uma definição de Portugal: revolução, por cá, é tentar que aconteça a um professor o mesmo que ao merceeiro que eu escolho para me fornecer e aos astronautas seleccionados pela NASA - ser examinado). Mas a ministra foi muito contestada e tinha de ser chutada no novo Governo. Daí o espanto pela minha proposta, no debate da SIC. E, de facto, MLR foi despedida. À custa da popularidade perdeu-se uma ministra com política certa. Hoje, as sondagens são desastrosas para o PS. Isso é o problema do PS. O problema de Portugal é que, com o receio de chegar mais cedo a essa impopularidade, o PS não nos garantiu como herança aquela política certa.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O (des)acordo


"O vale de lágrimas que cultivamos para nos enlevar aparece, entretanto, ponteado de rebentos súbitos de humor, de desbragamento. Como uma veia a salvaguardar-nos o outro lado de resignação.

O pícaro, a pilhéria, a maledicência, a insensatez, o delírio, fizeram-se-nos, com efeito, contrapontos irrecusáveis." (Fernando Dacosta, in "Máscaras de Salazar")

Apesar do nosso temperamento sorumbático e masoquista, conseguimos sempre inventar a piada, a pilhéria, o desbragamento...





quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Crónica de uma (re)candidatura anunciada




Conforme “arautizado” (passe o neologismo), o dr. Cavaco lá veio anunciar a sua (re)candidatura. Todo solenidades, todo formalidades. Todo contenção. Que sente que o país ainda precisa dele, que vai gastar metade do orçamento disponível para a sua campanha, que tem experiência, que tem credibilidade, etc. etc.

Com tantos predicados e com tantos conhecimentos de Economia, não se percebe como não conseguiu prever e atalhar a crise que, por acaso e para relembrar às pessoas até é mundial! Evidentemente que o Presidente da República não governa. Quem governa ou desgoverna são os governos. Então para que precisamos de um tecnocrata na Presidência? O “buraco” em que nos encontramos é recorrente na nossa História. Bem vistas as coisas já vem do final dos Descobrimentos, do tempo do D. Sebastião. Mas este “buraco” começou a ser cavado nos finais dos anos 80 quando o dr. Cavaco era Primeiro Ministro.

Não sou capaz de perceber como pessoas inteligentes e vividas, com experiência de vida fora deste “jardim à beira-mar plantado” como são o Dr. João Lobo Antunes e a Maestrina Joana Carneiro (filha do melhor Ministro da Educação que tivemos no pós-25 de Abril) conseguem ser apoiantes incondicionais deste presidente de estatura esfíngica, sem o dom da palavra, sem perfil cultural de nenhuma ordem.

Entendo, porém, que com estas características, com estes discursos tristonhos e sem rasgo, o povo se reveja nele. Diz Fernando Dacosta referindo-se ao povo português no excelente livro “Máscaras de Salazar” que “Pela tristeza atingimos a paz interior, nossa forma de felicidade, de alegria; daí cultivarmos o saudosismo, o romantismo, o messianismo, o fatalismo. Lavamo-nos no choro, deleitamo-nos na desgraça, adiamo-nos na espera.” E é esta tristeza, este dramatismo, este pessimismo, esta resignação compulsiva que nos faz aceitar tudo, até um presidente sorumbático, rígido, que mal sabe sorrir e que acredita que pode ser o paizinho, o salvador da Pátria.

Abençoada crise na qual nos revolvemos com deleite e que está sempre na ponta da língua de todo e qualquer comentador, jornalista ou analista para que ninguém abstraia dela. Faz o nosso género, acalenta-nos a dor e faz-nos esperar por um messias pintado de tímido, de não sofisticado, de honesto, de raiz popular subido a pulso, de ungido de Deus, como o povo gosta e que o vem tirar da desgraça.

É assim que se apresenta o "novo" candidato.

domingo, 24 de outubro de 2010

Boa semana!


Amanhã vou ser operada. Vão tirar-me mais uma coisa aqui de dentro que está a dar uns probleminhas. Nada de grave. Mas como vai ser mais uma anestesia geral, nunca se sabe... Então deixo aqui um pequeno filme que recebi de um amigo com umas sugestões de como ter uma vida (mais ou menos) feliz.

Boa semana!

sábado, 23 de outubro de 2010

Lisboa



(Terreiro do Paço - Cais das Colunas)


"Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro, e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa-dos-ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que me dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos."

In “Lisboa Livro de Bordo”
José Cardoso Pires , 1998