quinta-feira, 7 de outubro de 2010

No tempo das escolas primárias


No tempo em que eu andava na escola primária, as aulas começavam sempre no dia 7 de Outubro. Era um acontecimento, uma data marcada no calendário quase como o Natal ou o 1º de Dezembro ou o 15 de Agosto. Do mesmo modo que as aulas do liceu começavam sempre no dia 1 de Outubro. Era o início do Outono e era o início das aulas.

Não sou nada do género de dizer que o que se fazia antigamente é que era bom. Muito pelo contrário. Mas não concordo nada com o começo das aulas quase no início de Setembro. Bem sei que tivemos de acertar os “horários” com o resto da Europa e que actualmente as famílias têm mais necessidade que as crianças vão para a escola o mais cedo possível porque não têm quem fique com elas em casa, mas o certo é que o nosso país tem um clima quase mediterrânico e é muito difícil receber as crianças e os adolescentes nas aulas com temperaturas de 30 graus em salas sem quaisquer condições de climatização para o calor (nem para o frio, por acaso!)

Desde há uns 15 anos para cá, todos os anos as aulas começam uns dias mais cedo e se assim continuar, qualquer dia estaremos a começar as aulas no dia 1 de Setembro. Compreendo que seja assim que se faz nos países nórdicos; compreendo que seja o melhor para as famílias, mas volto a dizer que é muito difícil prender a atenção dos alunos e fazê-los aprender seja o que for quando eles estão a pensar num refrescante banho de mar!

A propósito do tempo em que eu andava na escola primária, a foto que registei acima é da minha turma da 4ª classe. Querem adivinhar quem sou eu?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

As fichas de avaliação do desempenho docente



Saiu, no passado dia 15, o Despacho n.º 14420/2010 que aprova as fichas de avaliação do desempenho docente.

Entretanto, o sítio do Ministério da educação informa que "a DGRHE disponibiliza um Gabinete de Apoio à Avaliação que garante a informação e o aconselhamento técnico necessários à realização destes procedimentos, de modo a assegurar a consistência e o rigor dos processos e dos resultados da avaliação do desempenho de docentes."

Oxalá assim consigam evitar que as escolas incorram em erros processuais que levem o senhor advogado da DREC a sugerir a anulação de avaliações a haver.


A avaliação do desempenho docente de 2007/2009

Depois de nove meses de silêncio, a DREC respondeu aos recursos hierárquicos interpostos ao abrigo do Decreto Regulamentar n.º 2/2008 por quatro colegas da minha escola sobre os resultados da avaliação do desempenho relativos ao biénio de 2007/2009 realizada ainda no meu mandato como presidente do Conselho Executivo.

Para além da longa demora na resposta (de acordo com a referida legislação, a resposta deveria ter sido dada no prazo de dez dias úteis) nada de especial no desfecho da questão, não fora terem estas respostas sido acompanhadas de uma orientação para a escola dizendo que, atendendo a que foram detectados erros processuais, toda a avaliação de todos os professores realizada no passado ano lectivo poderá ter de ser repetida!

Se não se tivessem feito erros processuais é que era para estranhar! O processo de avaliação foi aquele de que toda a gente ainda se lembra: legislação e contra-legislação, orientações e contra-orientações dentro do mais curto espaço de tempo. De cada vez que os Sindicatos se reuniam com a Senhora Ministra, tudo mudava, sem que nos dessem nem tempo, nem orientações práticas e precisas para se proceder à avaliação dos colegas. Tudo foi feito de acordo apenas com o que nos parecia melhor, sem termos qualquer ajuda da Administração para nada – muito menos da DREC – nem as escolas têm à sua disposição advogados que as orientassem no caminho pela floresta virgem que parecia a legislação que nos caía quase diariamente em cima. As equipas de apoio que o ME pôs à disposição das escolas a partir do final do ano lectivo 2008/2009 e que montaram uma formação ad hoc para os avaliadores fizeram o que puderam, foram altamente disponíveis, mas pouco mais nos deram do que uma leitura da legislação mais relevante e a forma como submeter a informação sobre a avaliação nas plataformas informáticas altamente redutoras que o ME pôs à disposição das escolas de forma muito descomprometida.

Agora, depois de haver professores que mudaram de escola e outros que, inclusivamente, concorreram no presente ano tendo sido graduados com aquela avaliação, vem a DREC dizer à escola que deve ponderar a hipótese de repetir o processo de avaliação do desempenho de quase 160 professores!

Uma vez mais a DREC não manda nem desmanda – sugere. Uma vez mais o senhor advogado que costuma dar andamento aos assuntos ligados aos recursos humanos não consegue dar uma resposta concreta e clara, descartando sempre para as escolas o difícil das questões.

Além disso, espanta-me uma coisa: todos os recursos interpostos por elementos do pessoal não docente no tempo em que fui responsável por aquela escola, e não foram assim tão poucos, foram respondidos pela Inspecção-Geral de Educação e nunca pela DREC. Felizmente sempre foram tidas em conta as razões por nós apresentadas em cada um dos casos e, quando aconteceu termos feito “erros processuais”, sempre nos foram pedidos esclarecimentos ou dadas orientações no sentido de emendarmos as nossas falhas. Nunca a IGE nos instou no sentido de anularmos toda a avaliação de todo o pessoal.

Por que não acontece o mesmo agora que se trata do pessoal docente?


terça-feira, 5 de outubro de 2010

O 1º Centenário da República




Comemora-se hoje o 1º centenário da República Portuguesa. Há exactamente cem anos, em Lisboa, dirigentes do Partido Republicano Português dirigiram-se aos Paços do Conselho, de cuja varanda, José Relvas, acompanhado de Eusébio Leão e de Inocêncio Camacho, proclamou a República: "Unidos todos numa mesma aspiração ideal, o Povo, o Exército, e a Armada, acabou de, em Portugal, proclamar a República." 


A televisão pública está, desde manhã, a acompanhar as celebrações que se realizam em Lisboa, precisamente na Praça do Município, onde montaram um estúdio aberto, onde contaram com a presença e os conhecimentos de historiadores e sociólogos e de onde foram entrevistando as individualidades que iam chegando. Tudo bem até aqui.

o ambiente que se vivia e que as repórteres emprestavam à emissão era vivo, dinâmico, alegre. Só que, e isto já se constata há alguns dias nas televisões relativamente ao centenário da República, o discurso utilizado foi sempre no sentido de levar as pessoas a comparar, pela negativa, claro!, a situação que se vivia em Portugal há cem anos com a que se vive actualmente. Perguntas "inocentes" como: "Acha que se os Republicanos de há cem anos pudessem estar aqui agora, ficariam felizes com o que se tem feito?" ou "O que fizémos com este País em cem anos?" ou "Parece-lhe que a situação que se vivia há cem anos é comparável  à que se vive hoje?" parecem querer pôr na boca dos entrevistados o lamento, a crítica, a severidade para com a nossa vida actual!

Que pretende a nossa comunicação social? Mostrar que vivemos exactaamente como há cem anos? Que nada se fez em temos de educação e cultura,  de saúde, de bem-estar das pessoas, de abertura social e política, etc., etc., etc.? Deprimir ainda mais um povo já de si cultural e socialmente deprimido? Cavar ainda mais fundo a crise social e política? Ou fazer o papel que nos cabe sempre tão bem de estarmos sempre na oposição a tudo o que se faça ou não faça?

Triste este noso traço psicológico pelo qual queremos mostrar-nos sempre mais "à frente" pela crítica de tudo o que acontece! Triste este traço psicológico que nos põe sempre para baixo, em vez de nos esforçarmos por mantermos a cabeça fora das ondas! Triste este traço psicológico que nos torna "ingovernáveis" não por mais nada se não por conformismo, inépcia, ignorância, futilidade, parolismo!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Revolução da Rotunda


A 2 de Outubro, os republicanos marcam a revolução para a 1ª hora do dia 4, contando com a participação dos militares e dos civis da Carbonária.


Na reunião preparatória, ficou deliberado que os primeiros locais a atacar pela força das armas seriam: o Palácio das Necessidades, onde se encontrava o rei, D. Manuel II, que devia ser preso, e o Quartel da Guarda Militar no Largo do Carmo. Enquanto isso, os oficiais republicanos ocupariam os diversos quartéis de Lisboa, após o que se dirigiriam aos locais acima indicados. Cabia em missão ao Vice-almirante Cândido dos Reis liderar a revolta na Marinha, ocupando os navios de guerra atracados no Tejo, assumir o seu comando e deles bombardear as posições governamentais.

Mas os intentos republicanos não foram integralmente alcançados, dado que alguns quartéis não aderiram às imposições do movimento revolucionário, acatando as ordens dos oficiais monárquicos, pelo que nem o Palácio das Necessidades, nem o Quartel-General, nem o do Carmo, foram ocupados.

Em face do aparente fracasso do golpe militar, o almirante Cândido dos Reis, antevendo o desaire da revolta, suicidou-se na madrugada do dia 4, enquanto os restantes revoltosos, comandados pelo comissário naval Machado Santos, membro da Carbonária e acompanhado por tantos outros carbonários, sargentos, soldados e centenas de civis, decidiram barricar-se na Rotunda, onde aguardaram por reforços que não apareceram. Sabiam, porém, que numerosos grupos de republicanos e carbonários, espalhados pela cidade, os apoiariam com armas e alimentos.

Na manhã do dia 4 encontravam-se na Rotunda cerca de 200 homens, número que num curto espaço ascendeu aos 1500. Os republicanos barricados na Rotunda conseguiram resistir aos fracos ataques monárquicos, com especial destaque para o que foi liderado por Paiva Couceiro.

(Revolta da Rotunda)


(A heroina Amélia Santos que partcipou
na Revolta da Rotunda)


(O estandarte da Revolução)

(Postais da publicação "Os Postais da Primeira República" de António Ventura)


Dia Mundial dos Animais


Em 1929 no Congresso de Protecção Animal em Viena, Áustria, foi declarado o dia da morte de São Francisco de Assis como o Dia Mundial do Animal.  E não é coincidência, pois este santo é o protector dos animais. Ele sempre se referia aos bichos como irmãos: irmão fera, irmã leoa.

Em Outubro de 1930, foi comemorado pela primeira vez o Dia Mundial do Animal.

A 15 de Outubro de 1978 foram registados os direitos dos animais através da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Animal pela UNESCO. O Dr. Georges Heuse, secretário-geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta declaração.







domingo, 3 de outubro de 2010

No primeiro dia de chuva


(Barcelos por Francisco Mendes)


Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

(Fernando Pessoa, 15-11-1930, in
Poesias Inéditas)