terça-feira, 10 de agosto de 2010

Que calor!




Pode refrescar-se e deve! E olhe que a melancia é 70% água!
Entretanto, se estiver ao serviço, vá lendo as alterações ao Estatuto do Aluno  aprovadas ontem... 

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Indisciplina


Os jornais e os telejornais vêm hoje muito escandalizados com a notícia de que 17 mil alunos foram alvo de processos disciplinares no último ano, o que corresponde a um aumento de 15%. E acrescentam que pais e professores estão muito preocupados com este aumento que se deve, essencialmente, ao facto de as escolas terem demasiados alunos e de estarem na escola até cada vez mais tarde.

A mim, pessoalmente, espanta-me que tenha havido 17 mil meninos que tenham sido alvo de processos disciplinares e acredito sinceramente que os professores estejam assaz preocupados com a situação. Quanto aos pais... parece-me que, se eles de facto se preocupassem com este problema, isso só por si baixaria o número de casos de indisciplina.

Não vou falar do meu tempo de aluna que esse tempo é para esquecer... mas não me lembro de processos disciplinares nem no colégio nem no liceu onde andei. Bastava que fossemos chamados ao gabinete do Director ou da Senhora Reitora para termos um tal medo que não voltaríamos a repetir fosse qual fosse o motivo dessa chamada. E então se informassem para casa... bem, nem vale a pena falar!

Mas não é preciso retroceder cinquenta anos! Basta olhar para há dez, quinze anos atrás e estes casos não aconteciam com esta frequência nem com esta violência. E a responsabilidade não está na “falta de autoridade dos professores” ou das direcções, nem na forma de “organização das escolas”, nem no “descrédito em que caiu a classe docente” com a medidas dos últimos ministérios. Os principais responsáveis de grande parte dos conflitos que se passam nas escolas dentro e fora das aulas são – que me desculpem – os pais!

O menino tem sempre razão!
O menino sabe, porque os paizinhos lhe disseram, que o professor nada pode contra ele!
O menino não mente! Tem muitos defeitos, mas não mente!
O menino é muito nervoso e por isso não consegue estar quieto e calado. Até é seguido por um psicólogo lá fora!
O menino chama nomes ao professor porque também chama nomes aos paizinhos e os paizinhos, lá em casa, também chamam nomes ao professor.
O menino fala alto nas aulas e atira papeis para o chão porque lá casa também o faz.
O menino não fez o TPC porque teve os anos da prima e o treino de ténis ou de andebol e a explicação de francês e a aula de psicodrama!
O menino tem de atender o telemóvel na aula porque pode ser a mãezinha.
Se o telemóvel do menino for apreendido pelo professor, no dia seguinte, o menino traz outro.
O menino não pode ter testes à 2ª feira porque no fim-de-semana vai para fora com os paizinhos.
O menino não tem um horário de trabalho e de estudo porque, coitadinho, já vai muito cansado da escola e tem de brincar!

Etc. etc. etc.

Ora não é com um novo Estatuto do Aluno, ou com a nova figura do Director, ou com escolas maiores ou mais pequenas que as coisas se resolvem. Enquanto os pais não entenderem que está nas suas mãos a prevenção da indisciplina nas escolas, não vamos a sítio nenhum. E, a continuarmos assim, daqui a algum tempo – não muito, não arranjaremos muitas pessoas que queiram ser professores...




domingo, 8 de agosto de 2010

Van Gogh

(Auto-Retrato)

Há dias, em 30 de Julho, fez 120 anos que Vincent van Gogh, se suicidou, aos 37 anos, depois de ter passado uma vida de fracassos sócio-familiares que se deveram a uma doença mental – esquizofrenia e/ou doença bipolar – que o condicionou.

Levou uma vida bastante instável, foi estudando as técnicas das artes, esteve em Paris onde se deu com os impressionistas, mas nem por isso conseguiu vender nenhum dos imensos quadros que foi pintando. Curiosamente actualmente os seus quadros são dos mais bem cotados no mundo e valem milhões.

Vejamos apenas alguns:


(Paisagem)


(Campo de Trigo)


(Cottage)


(Terraço do Café em Arles)





(Os Girassóis)

(Lírios)

(Quarto do Pintor em Arles)


(Noite Estrelada)


(Noite Estrelada sobre o Rhone)

(Cadeira e Cachimbo do Pintor)

(Auto-retrato com Orelha Cortada)

Ah! De referir que se trata também de um Carneiro... Nasceu no dia 30 de Março de 1853. Mas foi um Carneiro infeliz. As suas últimas palavras, dirigidas a Theo, seu irmão, que sempre o apoiou e único comprador de quadros seus, teriam sido: "La tristesse durera toujours.”


sábado, 7 de agosto de 2010

Perfídia




Nadie comprende lo que sufro yo
canto pues ya no puedo sollozar,
solo temblando de ansiedad estoy
todos me miran y se van.


Mujer,
si puedes tu con Dios hablar,
pregúntale si yo alguna vez
te he dejado de adorar;


Y al mar,
espejo de mi corazón,
las veces que me ha visto llorar
la perfidia de tú amor...


Te he buscado dondequiera que yo voy,
y no te puedo hallar,
para que quiero otros besos
si tus labios no me quieren ya besar.


Y tú,
quien sabe por donde andarás
quien sabe que aventuras tendrás
que lejos estas de mí...!


Te he buscado dondequiera que yo voy
y no te puedo hallar,
para que quiero otros besos
si tus labios no me quieren ya besar.


Y tu,
quien sabe por donde andarás
quien sabe que aventuras tendrás
que lejos estas de
mi...!


De mí...!

Uma das minhas canções preferidas de sempre, em todas as versões. Até na versão cantada em português, pela minha colega do Colégio, Amélia Terenas, estaríamos aí no 3º/4º ano do liceu, nos intervalos das aulas. E nós muito apaixonadas ...

Depois na versão perfeita dos Shadows que os "meus" Diamantes tocavam (também na perfeição...)  nas festas e nos bailes e, por fim a  versão romântica de Nat King Cole.




sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dois acontecimentos a registar!


(Ericeira anos 60)

Não fomos antes porque ainda não tinham saído os resultados dos meus exames de aptidão à Faculdade. A minha mãe não brincava em serviço! Enquanto não se acabavam os exames, ninguém ia para a praia lá em casa. Por isso só no dia 6 de Agosto fomos, de armas e bagagens, para a Ericeira para passarmos lá o mês. O meu pai foi lá pôr-nos e voltou para Sintra para ir trabalhar normalmente porque naquele tempo só os professores gozavam férias... não recebendo, naturalmente! Era o caso da minha mãe que por acaso recebia os doze meses do ano porque estava efectiva num colégio.

Chegámos à Ericeira a meio da tarde e, depois de nos instalarmos na casa alugada a uma senhora estranhíssima chamada Brígida, ainda fomos à praia estrear os nossos fatos de banho para a saison.

Foi aí que tudo aconteceu. Encantei-me por um moço que estava na barraca ao lado e ainda hoje vivemos juntos!
(Ericeira - Praia dos Pescadores)

(Praia dos Pescadores)


Foi em 1966, no dia da inauguração da Ponte Salazar.






Não sei quem foi, mas alguém disse que «Há casamentos que acabam bem e outros que duram para sempre» ... ...

Marilyn Monroe



Faz anos que, aos 36 anos, morreu Marilyn Monroe, uma das mais conhecidas sex symbols de Hollywood. Apareceu morta na manhã do dia 5 de Agosto de 1962 com uma overdose de barbitúricos, deixando a sua morte envolta num véu de mistério já que toda a documentação da investigação à sua morte desapareceu sem deixar rasto.

O seu ar de loira explosiva de curvas redondas bem sensuais e o género de filmes que rodou, comédias românticas, em que pouco tinha de usar os neurónios contrasta com a notícia dada hoje sobre um livro que vai ser publicado brevemente com textos íntimos e passagens dos seus diários que, dizem, revelam o seu extraordinário amor pela literatura e os livros. "Ninguém suspeitava que no interior de seu corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta", escreve o italiano António Tabucchi no prefácio do referido livro.

Para recordar o triste fim da jovem artista que encantou o Presidente John Kennedy, fica o poema de Ruy Belo “Na morte de Marilyn”

Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só era assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos mas era reservar apenas para ela
o seco sóbrio simples nome de mulher
em vez de marilyn dizer mulher
Não havia no fundo em todo o mundo outra mulher
mas ingeriu demasiados barbitúricos
uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha
ou suspeitou que tinha errado a vida
ela de quem a vida a bem dizer não era digna
e que exibia vida mesmo quando a suprimia
Não havia no mundo uma mulher mais bela mas
essa mulher um dia dispôs do direito
ao uso e abuso de ser bela
e decidiu de vez não mais o ser
nem doravante ser sequer mulher
O último dos rostos que mostrou era um rosto de dor
um rosto sem regresso mais que rosto mar
e toda a confusão e convulsão que nele possa caber
e toda a violência e voz que num restrito rosto
possa o máximo mar intensamente condensar
Tomou todos os tubos que tinha e não tinha
e disse à governanta não me acorde amanhã
estou cansada e necessito de dormir
estou cansada e é preciso eu descansar
Nunca ninguém foi tão amado como ela
nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão
Era mulher era a mulher mais bela
mas não há coisa alguma que fazer se certo dia
a mão da solidão é pedra em nosso peito
Perto de marilyn havia aqueles comprimidos
seriam solução sentiu na mão a mãe
estava tão sozinha que pensou que a não amavam
que todos afinal a utilizavam
que viam por trás dela a mais comum imagem dela
a cara o corpo de mulher que urge adjectivar
mesmo que seja bela o adjectivo a empregar
que em vez de ver um todo se decidia dissecar
analisar partir multiplicar em partes
Toda a mulher que era se sentiu toda sozinha
julgou que a não amavam todo o tempo como que parou
quis ser até ao fim coisa que mexe coisa viva
um segundo bastou foi só estender a mão
e então o tempo sim foi coisa que passou

(Ruy Belo)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Maria Virgínia Pestana


Não há nada de morbidez nisso, mas gosto de ler a rubrica diária Obituário do DN. Todos os dias refere uma personalidade, nacional ou estrangeira, que foi a enterrar e que se destacou em vida em qualquer campo do conhecimento, do bem público ou simplesmente ficou célebre por algo que realizou. Fazem uma resenha da sua vida no e o factp é que tenho aprendido muito com essas breves leituras.

Ontem, referiram o passamento de uma senhora de 111 anos de idade, a Senhora Dona Maria Virgínia Pestana, que integrou a primeira turma de mulheres na Universidade de Coimbra, no ano de 1917. Achei um espanto!

Definem-na como uma mulher de garra – naturalmente! – enérgica e de bom humor que adorava cantar, tocar piano e guitarra e montar a cavalo. Fez o Curso de Ciências Físico-Químicas e leccionou no Liceu Infanta D. Maria, em Coimbra, tendo-se aposentado aos 75 anos! Foi uma das três fundadoras da primeira república de estudantes feminina, a Casa Independente de Raparigas. E teve seis filhos!

Toda esta energia só pode vir de uma Carneiro – é que a Senhora Dona Maria Virgínia, que viveu de boa saúde até ao passado Domingo, comendo fruta e leite (nada de peixe nem carne) e lendo os jornais e revistas sem óculos, nasceu no dia 3 de Abril do último ano do século XIX!

Aqui fica um pequeno testemunho: