Mostrar mensagens com a etiqueta Vergonha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vergonha. Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de julho de 2014

Mais uma cratinice!

Mesmo «de férias» não dá para ignorar mais esta aleivosia por parte do senhor (C)rato e da sua maravilhosa equipa. 

E nem vale a pena voltar a perorar sobre o caso. Basta transcrever parte do editorial do DN de ontem para se ficar a entender a atitude persecutória aos professores por parte do ministro.

«O Ministério da Educação publicou ontem em Diário da República um despacho em que agenda para a próxima terça-feira, 22 de julho, a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), imposta aos docentes contratados. (...)

A avaliação profissional, seja em que atividade for, faz parte do escrutínio e é um instrumento indispensável para aferir da qualidade e do mérito de quem trabalha. Mas o que está em causa é o método adotado pelo ministério liderado por Nuno Crato.


Convocar os professores para um exame obrigatório apenas com três dias úteis de antecedência, em que muitos já estão em pleno gozo de férias, é pouco sério e revela uma postura quase revanchista em relação a uma classe profissional que, naturalmente, tem usado de todos os meios legais à sua disposição para travar as intenções do Governo. É evidente que é necessário escolher os melhores e também é normal que, a este processo, corresponda uma redução do número de professores contratados com base em critérios de qualidade aferidos através da avaliação. O que não é aceitável é que o Executivo transmita a ideia de que o seu único objetivo é contabilístico, isto é, a eliminação de professores da folha de pagamentos do Ministério da Educação. É que, em política, o que parece é.»

(DN, 18 de julho de 2014, sublinhados meus)




sexta-feira, 30 de maio de 2014

Que vergonha!


Até a minha gata se envergonha!


Ainda nem um, nem unzinho dos orçamentos elaborados por esta espécie de "governo" e promulgados por aquela espécie de presidente da República que muitos ajudaram a eleger conseguiu ser feito de acordo com as normas da Constituição da República!

Que fazer? Num país civilizado, sustentado em critérios democráticos e com um povo forte e bem educado e bem formado, já tinham sido todos erradicados (para não dizer corridos).

Mas nós continuamos formatados pelos requerimentos em papel selado dirigidos a Sua Excelência muito respeitosamente e ficamos à espera do deferimento. Indefinidamente...

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Chocante!


Não é difícil encontrarmos notícias chocantes nos jornais da atualidade porque, de facto, vivemos num mundo cão dominado pela violência e pela força do dinheiro.

Chocante a nível internacional é o caso das raparigas nigerianas raptadas da escola por um bando de loucos extremistas e fundamentalistas que se dizem islamitas. E a comunidade internacional, o que faz? Manifestações com cartazes apelativos que, de alguma forma, apenas ajudam a descansar as suas mentes solidárias. Sei que países ditos civilizados enviaram equipas de peritos para tentarem encontrar as infelizes jovens e também sei que Portugal não quis participar na pseudo-ajuda ou tão pouco tomar partido para não suscetibilizar a Guiné Equatorial ou não sei que outro país que, por dinheiro, queira integrar a CPLP…

Chocante, de facto, a vida de miséria e opressão a que as mulheres islamitas são sujeitas! Chocante e revoltante.

Mas choque e revolta foi que senti quando, num dia destes li no jornal que, aqui neste nosso país à beira-mar plantado, os suspeitos de violência doméstica podem agora pagar uma multa e assim evitar ir a julgamento, mantendo o seu cadastro limpo. O que é isto? Uma forma de encher os cofres do estado e de ajudar a desentupir os tribunais?

Dá-se uma coça ou ameaça-se a mulher de morte, paga-se a multa e pronto, fica tudo bem como se nada tivesse acontecido? Ah! Mas o agressor não pode voltar a exercer violência, senão… Pois. E se da segunda vez lhe der para matar a mulher? Dá-se-lhe uma segunda oportunidade e paga mais uma multa? E se da violência doméstica se passar a funcionar assim com a violência nas ruas, ou com os assaltos a casas, ou com outra qualquer forma de agressão?

Poderão dizer-me: «ah, isso não pode acontecer!» E eu digo: «não sei, não!»


quarta-feira, 23 de abril de 2014

E viva o futebol!!


Recebi há pouco por e-mail um comunicado da Federação Nacional dos Médicos que deixo aqui para que conste. (os sublinhados são meus)

O Governo e o seu ministro da saúde desencadeiam o mais violento ataque para destruir o SNS!!!

O Governo e o seu Ministério da Saúde publicaram uma portaria (nº 82/2014) a 10/4/2014 que constitui o mais violento ataque ao SNS e ao direito constitucional à saúde, visando proceder ao integral desmantelamento de toda a rede hospitalar pública.

Nesse sentido, a FNAM considera urgente denunciar as seguintes questões fundamentais:

1- É inadmissível que um assunto desta enorme importância como é o estabelecimento de critérios para categorizar os serviços e estabelecimentos dos serviços de saúde seja remetido para uma mera portaria.

Esta medida só pode ser encarada como uma ação deliberada para fugir à discussão e até à negociação do seu conteúdo, dado que as portarias não estão obrigadas ao cumprimento dessas exigências legais gerais.

O secretismo da elaboração desta medida culminou com a sua publicação em portaria para criar a política do facto consumado.

Não é conhecido qualquer tipo de fundamentação para as medidas aí contidas, nem qualquer estudo dos impactos para as populações em termos assistenciais.

2- Os objetivos fundamentais desta portaria são o encerramento arbitrário de serviços hospitalares, alguns deles de elevadíssima qualidade assistencial e dotados de sofisticada tecnologia, colocar os vários sectores de profissionais de saúde em mobilidade forçada, despedimento de milhares de profissionais de saúde, diminuição acentuada da capacidade formação de novos profissionais, encerramento da maioria das maternidades do país, diminuição acentuada da capacidade de resposta global do SNS, criar condições incontornáveis para uma rápida expansão das entidades privadas, à custa dos subsistemas de saúde, e dar mais um passo, desta vez decisivo, para uma acelerada desertificação de vastas zonas do interior do país.

3- A portaria confere liberdade às entidades privadas das PPP de escolherem a carteira de especialidades que mais lhe convêm mediante os processos de negociação dos contratos de gestão e atribui à ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) do Ministério da Saúde o poder exclusivo e arbitrário de autorizar, sem estarem previamente definidos quaisquer parâmetros, a instalação de novos serviços hospitalares.

4- As especialidades médicas de endocrinologia e de estomatologia são eliminadas dos hospitais públicos, os hospitais pediátricos são eliminados, o mesmo acontecendo ao Instituto Oftalmológico Dr Gama Pinto (Lisboa), que possui uma elevada diferenciação técnico-científica nessa área médica, e a dois importantes serviços de cirurgia cardiotorácica como o do Hospital de Gaia e do Hospital de Santa Cruz (Lisboa). Neste último caso, é curioso verificar que se trata de um hospital especializado na área do coração e que ao mesmo tempo que se estabelece a decisão de o liquidar são mantidos vultuosos contratos nesta área com o hospital privado da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa.

É indispensável lembrar a polémica já existente em torno das cirurgias cardiotorácicas na cidade de Lisboa, há cerca de 6 meses, com a divulgação de um relatório de uma comissão nomeada pelo Ministério da Saúde e que visava tão-somente a justificação dos contratos com aquela entidade privada.

É agora mais do que evidente que o Ministério da Saúde está a preparar, de facto, o encerramento do Hospital de Santa Cruz, tal como já na altura alertámos em comunicado.

É, ainda, indispensável sublinhar que os Hospitais de Anadia, Cantanhede e Ovar desaparecem da relação dos hospitais públicos, o que significa que o Ministério da Saúde já tomou a decisão de os privatizar ou entregar às misericórdias das respetivas zonas.

5- De acordo com o conteúdo da portaria, grande parte das maternidades do nosso país vão ser encerradas.

Nos hospitais do chamado Grupo I deixa de existir a especialidade de obstetrícia, o que implica o encerramento das respetivas maternidades.

Assim, irão desaparecer até 31/12/2015 as maternidades nos seguintes estabelecimentos hospitalares:
- Unidade Local de Saúde Norte Alentejo (Portalegre); Unidade Local de Saúde Baixo Alentejo (Beja); Unidade Local de Saúde Litoral Alentejano (Santiago do Cacém); Centro Hospitalar Cova da Beira (Covilhã e Fundão); Centro Hospitalar de Leiria; Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Aveiro, Águeda e Estarreja); Hospital da Figueira da Foz; Unidade Local de Saúde da Guarda; Unidade Local de Saúde de Castelo Branco; Centro Hospitalar Barreiro/Montijo; Centro Hospitalar de Setúbal; Centro Hospitalar do Oeste (Torres Vedras/Caldas da Rainha); Centro Hospitalar do Médio Tejo (Abrantes, Torres Novas eTomar); Hospital de Santarém; Hospital Fernando da Fonseca (Amadora/Sintra); Centro Hospitalar do Alto Ave (Guimarães e Fafe); Centro Hospitalar do Médio Ave (Famalicão e Santo Tirso); Centro Hospitalar entre Douro e Vouga (Feira, Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira); Centro Hospitalar Póvoa do Varzim/Vila do Conde; Centro Hospitalar Tâmega e Sousa ( Penafiel e Amarante); Hospital Santa Maria Maior (Barcelos); Unidade Local de Saúde de Matosinhos; Unidade Local de Saúde do Alto Minho (Viana do Castelo); Unidade Local de Saúde do Nordeste (Bragança, Mirandela e Macedo de Cavaleiros).

6- As várias declarações já emitidas pelo Ministério da Saúde e seus serviços centrais negando o encerramento de qualquer maternidade ou qualquer redução de serviços é uma atitude lamentável e revela uma chocante falta de seriedade política.

O conteúdo da portaria é claro e muito objetivo nas suas disposições gravosas.

Muitos milhares de cidadãos vão ficar impossibilitados de aceder aos serviços de saúde.

7- A gravidade desta portaria ministerial culmina o trabalho disfarçado do Ministério da Saúde em aplicar continuadamente cortes muito superiores aos exigidos pela Troika, colocando agora a nu uma política premeditada de destruição do SNS.

É tempo de parar definitivamente com esta ação de destruição social encetada pelo Governo que se comporta perante os cidadãos portugueses como se de uma força bélica de ocupação do nosso país se tratasse.

A FNAM apela a todos os médicos, em particular, e aos cidadãos, para se oporem a estas novas e brutais medidas.

Reafirma, também, o seu empenho em colaborar com todas as forças e entidades que defendem o SNS e o Estado Social.

É preciso dizer basta. E já!!!

Porto, 22/4/2014
A Comissão Executiva da FNAM


Ao ler este amontoado de aleivosias, lembrei-me de um desabafo que um amigo escreveu há dias no facebook (e não se pense que se trata de um qualquer iletrado; trata-se de pessoa por de mais culta e conhecedora.)

«Povo de enconados!
Vão-lhes ao bolso, calam-se como escravos cobardolas!
O clube da preferência ganha ou perde, berram a plenos pulmões e saem todos à rua!»

Pois a mim parece-me que, ao ter-se conhecimento de uma enormidade como é a “consagrada” na referida Portaria, a Praça do Marquês de Pombal deveria ser pequena para reunir todos os que se considerassem prejudicados por essa lei ignara de forma a abanar as consciências (e também o físico, porque não?) destes facínoras que muitos cegamente ajudaram a eleger!


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Baixo nível

(O Trio Maravilha)

Então o dr. Barroso, o inefável cherne, vem a Lisboa armado em carapau de corrida, trazendo na mala seis comissários lá do grande oceanário que deve ser e Comissão Europeia, discutir o futuro deste pequeno e pobre Portugal.

E, como se trata de um assunto por de mais amplo e abrangente, que diz respeito a todos nós, sejamos partidários ou simpatizantes do quadrante A ou do quadrante B, ou C, ou D, o europeísta senhor, que nem mesmo ao fim de dez anos de contacto com a civilização conseguiu perceber e menos ainda interiorizar como as personalidades com responsabilidades de governação de topo devem mostrar-se equidistantes e iguais no tratamento de todos, convidou para essa conferência o senhor presidente – tem sorte por pertencer à mesma familória partidária do dr. Barroso! – o senhor primeiro-ministro e mais uns meninos lá do seu “governo”.

O líder do maior partido da oposição recebeu um e-mail às tantas da noite para se inscrever para poder assistir e ouvir caladinho as bacoradas que cada um dos ilustres convidados nacionais – que os internacionais não conheço minimamente para asseverar da sua qualidade – conseguir atirar ao ar. Quanto aos restantes partidos de esquerda com representação no Parlamento, nem sequer têm permissão para se inscreverem para assistir.

Será este um procedimento democrático? (Salazar, apesar de tudo, conseguiu ser mais coerente: pôs “essa gente toda” na clandestinidade!)

Depois vêm o senhor presidente e o senhor primeiro-ministro – em mais um golpe baixo de publicidade e campanha eleitoral – gritar e barafustar porque o PS não quer entender-se com o “governo” no que ao futuro do país diz respeito…
Muito baixo nível!!

(E fiquei eu tão chocada, quando aqui há anos o grupo da “oposição” lá na “minha” escola convidou o conhecido psicólogo Eduardo Sá – irmão de uma colega lá da dita “minha” escola e pertencente ao tal grupo da “oposição” – para dinamizar um encontro com os professores da escola de cujo conselho executivo eu era presidente sem sequer nos informar da sua vinda …)

Infelizmente o baixo nível é comum aos mais díspares grupos sociais…

sexta-feira, 14 de março de 2014

Que vergonha!



Contraria-me sobremaneira ouvir algumas pessoas (e algumas com formação para o não fazerem) dizerem que têm vergonha de serem portugueses. Não admitiria mostrar vergonha de ter nascido no meu país tivesse eu nascido na Coreia do Norte, na Guiné Equatorial, no Paquistão, na Suécia, em Marrocos, ou nos States! Nasce-se e pronto! Não depende da nossa vontade e nada podemos fazer por isso ou contra isso. Além de que é uma imensa falta de cidadania, de classe, de educação renegarmos o nosso país: quase um paralelo com quem, mercê da instrução que cavalgou chega – ou pensa que chega – a um patamar em que se permite envergonhar-se dos pais que lhes deram o ser (e, muitas vezes, o dinheiro para aceder à dita instrução que os pais não tiveram).

Já ter vergonha do que este nosso povo – ou parte dele, grande parte dele – faz e diz e da forma como se comporta e como é, não me faz diferença nenhuma e, embora não preconize, até pratico…

Não vou registar aqui, hoje e uma vez mais, a vergonha que sinto de termos a espécie de governo e a espécie de presidente que nos calhou (pelo voto, eu sei!) que isso tenho-o eu feito dia após dia.

Hoje sinto uma imensa vergonha de me ver representada por um punhado de deputados que “chumbaram” o diploma de co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo, continuando o nosso país a ser o único da Europa ocidental que exclui essa possibilidade, ficando nesta matéria acompanhado apenas por países como a Rússia, a Roménia e a Ucrânia.

Vergonha por ter uma comunicação social de tal modo vergada ao “politicamente (e religiosamente) correto” que, à hora em que milhares de pessoas, funcionários públicos, se manifestavam junto à Assembleia da República contra as políticas de cortes e de empobrecimento dos trabalhadores, todos os canais de televisão, generalistas e por cabo, estavam a transmitir, paulatinamente e passo a passo, o funeral do D. José Policarpo!

E vergonha talvez ainda maior, por mais próxima e porventura mais ampla, foi encontrar hoje uma ex-colega que, depois de uma conversinha rápida a criticar os governantes, afirmou que não ia votar mais e que eu devia fazer a mesma coisa porque por cada voto, mesmo em branco, os partidos recebem três euros e tal e com o voto dela nenhum partido há de ganhar dinheiro.

Tanta ignorância, tanta incultura, tanta estupidez!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ofir

Em Setembro de 73 (lembro-me bem porque soubemos por lá da morte de Allende) ainda sem filhas e em vésperas de entrar em estágio profissional (um grande e difícil passo na carreira de professor naquele tempo antes da Revolução) fomos dar um grande passeio pelo Minho, região que fazia (e faz) parte do meu imaginário infantil já que a família do meu pai era toda de lá.

O Minho é todo ele lindo! Verde, verde, cheio de serras verdejantes e frescas cortadas por riozinhos coleantes, cidades e aldeias risonhas, floridas e cheias de cor que quase se cosem umas às outras por meio de quintas, algumas senhorias, de muros e casarões de pedra granítica. E depois orlado por uma costa de belas  praias severas e frias de especial vulto.


(imagem retirada daqui)

Nunca mais me esqueci do deslumbramento que senti quando visitei Ofir onde ficamos uma noite. Aquele pinhal semeado de belas casas de férias e o hotel sobranceiro ao mar – lindo! Fez-me lembrar a já “minha” praia de S. Pedro de Muel.

Só há uns três anos voltámos a passar por lá e nem queiram saber o choque que sentir ao deparar-me com três torres de apartamentos imensas e desmedidamente desajustadas da paisagem espetadas quase em cima do areal! Ato contínuo me saltou à mente a guerra que, ao longo dos anos, se tem movido nos jornais ao Prédio Coutinho ali perto em Viana e que nada tivesse sido dito acerca daqueles três mamarrachos em cima da belíssima praia da minha lembrança.






Todas estas recordações hoje porque os telejornais aludiram fortemente ao facto de o mar estar a pôr em grande perigo aqueles mastodontes que ali foram plantados por triste imitação da construção nas praias algarvias.


Lamentável. Muito lamentável!
  

(Prédio Coutinho - foto retirada daqui)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O despudor

Isto é assim há muitos anos cá em casa, pelo menos desde que as filhas deixaram de ser crianças: ir acompanhando o telejornal à hora do jantar.

Pois hoje não aguentei e desliguei! É que os três canais que transmitem o telejornal das oito estavam a passar a mesma mentira, a mesma trapaça ao mesmo tempo: que a taxa do desemprego continua a descer pelo quarto trimestre seguido! E iam comentando e mostrando gráficos que provavam como estamos cada vez melhor e que a economia está a dar sinais de… sei lá de quê!

Esta é das mentiras que este “governo” põe a girar que mais me enoja, que mais me irrita! O emprego não aumenta mas o desemprego desce. Meio país está sem trabalho e sem conseguir trabalho, mas o desemprego baixa. Ah, é verdade! Muitas pessoas vão trabalhar para outros países onde ganham rios de dinheiro, o que também ajuda a baixar a taxa do desemprego.

Mas o que estes falaciosos do “governo” pela boca, ou melhor, pelo silêncio dos jornalistas e dos comentadores das televisões calam, é o número imenso e todos os dias crescente de pessoas que deixam de ter direito ao subsídio de desemprego, passando à categoria de indigentes, que vai ajudando em larga medida a fazer baixar a percentagem do desemprego. Só que na comunicação social estes que passam à classe de pessoas sem direitos são mencionados como “pessoas que deixaram de procurar emprego”. Como se o fizessem por sua própria vontade e iniciativa!

O cinismo e o despudor com que estes fulanos enganam o povo são verdadeiramente nojentos. E o pior é que o povo está desertinho por votar a ser enganado!




domingo, 6 de outubro de 2013

Que nos matem a todos!!

Contava hoje deixar aqui uma breve mostra do que foi ontem em Leiria o evento «Há Música na Cidade». Mas perante a pirâmide de vergonhas - ou melhor, de poucas vergonhas - que este "governo" que ninguém despede nem põe para correr despejas sobre todos nós dia após dia e até mesmo aos domingos, não posso deixar de transcrever grande parte de um texto que li no facebook e que mostra bem o desespero e o desencanto que já viveu tantos anos sem nunca esperar chegar a esta dolorosa situação.


(…) «Hoje, a desconhecida idosa, triste e vacilante, recebeu um choque de monta quando ainda não tinha tomado o seu café e a torrada preparada com as mãos trémulas. Ouviu e mal podia acreditar nas palavras que os seus ouvidos recebiam. O governo vai retirar 100 milhões de euros às pensões de sobrevivência de todos os regimes de reforma. 

Já lhe tiraram muito com a hipócrita taxa de solidariedade e com os novos escalões de IRS, aumentaram-lhe o IMI do pequeno apartamento adquirido há quase 50 anos, aumentaram a eletricidade tão preciosa para os dias frios de inverno, o gás e a água e agora ainda vão ao que resta. 

Na padaria, a idosa queixou-se que, pelas suas contas, vai ficar com menos do que ela recebia quando o marido era vivo e reformado. Já quase não vê de uma vista e da outra apenas uns 50% e tem de ir a Coimbra à consulta do médico que a operou de um glaucoma causado pela diabetes. 

Que nos matem a todos, disse a octogenária. A senhora Merkel que mande através da troika instalar as câmaras de gás que os seus compatriotas tão bem souberam construir durante a guerra. Nós, os idosos, somos os novos judeus da Europa, querem a nossa liquidação final, querem-nos mortos sem tratamentos e à fome e ao frio.

Na verdade, foi um golpe tremendo anunciado pelo Portas, o tal que era contra todos os aumentos de impostos. O egoísmo totalitário instalou-se em todas as sociedades globalizadas. A Igreja Católica nada diz porque a austeridade assassina vem de dois partidos ditos democratas-cristãos e Francisco, como os seus antecessores, acha bem tudo o que tem o nome de Cristo sem se insurgir contra a hipocrisia máxima dos que fingem nele acreditar para roubarem sempre mais.

(…)

Quanto tempo é que isto vai durar? Perguntou a idosa na padaria aos poucos anciãos que ainda se arrastam até ali para comprar pão e eventualmente tomar um café. Todos discutiam a notícia, todos lamentavam a sua falta de forças para se revoltarem e um deles disse: “pois é, ninguém se revolta por nós; julgam que nunca chegarão a velhos. Não me refiro aos políticos que esses roubam o suficiente para a sua velhice, mas aos honestos cidadãos trabalhadores e às classes médias”. Ficaram todos mudos e quedos, fixando os raios solares que hoje entravam alegremente na padaria, mas que nada tiravam da tristeza daqueles que trabalharam toda a vida para NADA.»

sábado, 31 de agosto de 2013

Levando o governo ao colo


Não é novidade para (quase) ninguém que os media estão a fazer de tudo para levar os portugueses a voltarem a votar na vergonhosa direita que tomou o poder de assalto (com a conivência de igual modo vergonhosa dos partidos lá da esquerda do fundo, diga-se). O nosso amigo do cronicasdorochedo escreve sobre este assunto hoje e mais não ouviu – e fez ele muito bem! – o omnisciente “comentador” Luís Marques Mendes que ainda há pouco perorou sobre o chumbo pelo TC da lei da mobilidade especial – vulgo despedimento em massa – dos funcionários públicos.


Foi a primeira vez que me deu para o ouvir e, garanto, fiquei “vacinada”. Calhou passar para a SIC para evitar a carochinha de serviço ao Jornal da TVI e um qualquer programa supercretino que um qualquer garotelho também supercretino apresentava na RTP1. Pois o senhor em questão, aluno incondicional do “saber de experiência feito” do senhor presidente e do estilo inconfundível do supercomentador da TVI, falou dos juízes do Tribunal Constitucional e da sua atuação com um desbrido  tom de desapreço e de desconsideração mencionando a idade em que se podem aposentar e o facto de não terem interrompido as férias «como faz o primeiro-ministro e o presidente», “paleio” que realmente agrada a uma determinada camada de pessoas e sempre manipulando-lhes as vontades. Por outro lado, foi acicatando outra camada de pessoas no sentido de lhes avolumar o odiozinho que sentem pelos “benefícios” de que gozam os malandros dos funcionários públicos!

“A decisão do Tribunal Constitucional tem de ser respeitada, mas merece ser criticada. No sector público não se pode despedir, mas pode despedir-se no privado. Na Constituição não está esta distinção”, acusou. “O que está aqui em causa não é uma lei da Constituição é um princípio e o princípio é subjetivo. Se fossem outros juízes se calhar a interpretação era outra”, reiterou. E depois ainda ameaçou com novo aumento de impostos se os “incompetentes” dos juízes do TC chumbarem os cortes nas pensões!

É de facto abjeta a forma como este e todos os outros comentadores de direita manipulam, mentem, inventam para levarem este “governo” ao colo!

Dramática, porém, a forma como este povo se deixa manipular e convencer por gente tão pequena como esta!

Comentadores da direita


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Consternação

Grande consternação, uma indizível revolta, uma imensa dor foi o que senti ao ouvir, logo de manhã – e assim continuei ao longo do dia – as notícias que referiam que seria perto de um milhão o número de crianças sírias que já atravessaram sozinhas a fronteira do seu país (75% das quais com idades inferiores aos onze anos) refugiando-se noutros países, enquanto outros dois milhões permanecem deslocados dentro do seu país.

É de ficar em lágrimas só de supor o sofrimento atroz destas crianças que perderam o seu abrigo, os pais, os familiares, todo e qualquer tipo de bem-estar, de conforto físico, social, psicológico, passando toda a espécie de privações.

Ato contínuo vêm-nos à mente os nossos do coração e imaginá-los em situação idêntica e parte-se-nos o coração!

Foi citado António Guterres – o alto-comissário da ONU para os refugiados – que terá manifestado a sua preocupação com o facto, tendo mesmo afirmado que é uma enorme vergonha, um enorme fracasso do mundo ocidental.

E eu que sempre considerei António Guterres um homem de bem, de uma imensa sensibilidade (e inteligência) e detentor de muitos dos valores cristãos, fiquei a pensar quanto sofrimento deve ele próprio guardar no coração face à impossibilidade de dar uma resposta, pelo menos, razoável a mais esta brutal calamidade.






quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cortes e mais cortes!



Esta vai ser a nossa figurinha à procura do dinheiro da nossa reforma a partir do próximo  mês de Janeiro depois de levar mais um corte sabe-se lá de quanto!


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Kafka no seu melhor!

O Google informa-nos que passam hoje 130 anos desde o nascimento de Franz Kafka. Francamente não sabia, nem nunca Kafka foi um dos autores de que eu gostasse ou conseguisse ler até ao fim por emaranhado de mais, por surrealista de mais, por insólito e absurdo de mais por sufocante de mais!

A situação que se vive no país desde o meio da tarde de ontem, porém, é a maior homenagem que se pode fazer ao movimento surrealista. Escrevi ontem no facebook que o texto que o pseudo-primeiro-ministro leu ontem ao país à hora dos telejornais nem mesmo Kafka seria capaz de o redigir. De facto, o insólito, o absurdo, a alienação, a paranoia foram ali elevadas ao seu expoente máximo. 

O método kafkiano, no entanto, e para nosso mal, não se limitou à retórica do alienado primeiro-ministro. Infelizmente, esse processo alastrou a toda a situação, toda a conjuntura que vivemos desde ontem à tarde.

Senão, vejamos:
  • O número dois do governo – que anteontem era número três – demite-se ontem de manhã porque diz não concordar com a nomeação da substituta do anterior número dois que se demitira no dia anterior; o presidente da República diz que não sabia de nada e faz uma declaração impenetrável sobre a forma de fazer cair o governo.
  •   Enquanto o povo fica a saber pelas televisões que o atual número dois pedira a demissão do governo, o presidente da República dá posse apressadamente à substituta do anterior número dois que fora a causadora da demissão do atual número dois; dessa cerimónia de que estão ausentes os restantes ministros do mesmo partido do número dois demissionário, o pseudo-primeiro-ministro entra e sai num instantinho e a visada está tão feliz que não consegue despegar da cara um sorriso completamente idiota que lhe vai de orelha a orelha.
  • À hora de abertura dos telejornais, o insolitamente descarado e embusteiro primeiro-ministro faz ao país a tal declaração mais que kafkiana em que diz que foi surpreendido com o pedido de demissão do número dois que, na véspera, nada lhe terá dito contra a nomeação da rapariga do sorriso desmedido e diz que não se demite, que não abandona o país. (Suspeito, cá para mim, que o país queria era abandoná-lo a ele…)
  •  Logo após esta pseudo-diversão, em igual tom e quase com a mesma voz vem, sem ninguém lhe encomendar o sermão, o líder do maior partido da oposição dizer alegremente (quase tanto como naquele dia, há dois anos, em que o anterior líder daquele partido e então primeiro-ministro abandonou o partido, o governo e o país) que estava ali aos saltinhos prontinho para ser governo.
  •  As televisões pululam de comentadores que se multiplicam a prever cenários qual deles o mais arrevesado e o mais telúrico. Alguns canais anunciam que os restantes ministros e secretários de Estado do partido do número dois ora demissionário, devem demitir-se hoje de manhã. (Seria o mínimo que se lhes devia! Mas, quando cheguei às notícias do almoço e nada de pedidos de demissão, aí comecei a desconfiar…) Nas notícias da manhã, um elemento do partido do número dois afirmou que claro que o senhor presidente da República foi avisado em devido tempo do pedido de demissão daquele.
  • O povo – essa instituição vaga e abstrata de quem tanto se fala – que andou durante meses a fazer manifestações de rua a pedir a demissão imediata do governo e até do presidente e a escrever piadas no Facebook sobre esse mesmo assunto, agora está caladinho, cheio de medo, a dizer que não havia necessidade disto, que a troika vai-se vingar em nós, que a alternativa não é credível, que os políticos são todos iguais, ah! e que lá se vai o nosso esforço e a nossa credibilidade na Europa e que assim e que assado…
  •  E agora, ao fim da tarde, ficamos a saber que afinal o número dois não volta, mas que está disponível para negociar com o partido do número um para manter tudo na mesma!

É ou não é o que eu digo? Nem Kafka com a sabedoria dos seus 130 anos conseguiria escrever uma novela melhor!

domingo, 16 de junho de 2013

Greves de professores


Tendo sido sindicalizada desde os anos de 75 ou 76, aderi sempre às greves de professores naqueles tempos quentes em que, aqui por Leiria as greves não era muito bem vistas. Lembro-me bem de, lá na “minha” escola a funcionar ainda nas antigas instalações do velho Lyceu de Francisco Rodrigues Lobo, se dar a separação entre as colegas da área da AD darem aulas como se nada fosse e os outros a ficarem na sala dos professores no tempo em que os grevistas ainda cumpriam o horário na escola. Lembro-me como caiu mal – também em mim, diga-se! – quando um colega sindicalista e grevista uma vez abriu, intimidatório, as salas de aulas para ver quem tinha “furado” a greve…

E assim continuei, mesmo depois de me ter des-sindicalizado, a aderir às greves até aos anos 90, quanto comecei a perceber que, com as greves, não incomodava ninguém já que os alunos uivavam de alegria com a falta de aulas, os governos metiam nos cofres uma quantidade de dinheiro, além de que nada se conseguia. Isto aconteceu pela altura em que a nossa tabela salarial passou das letras para os escalões e eu, que estava à beira da letra C – o topo era a letra A – fui integrada no 5º escalão – em 10 – sofrendo um enorme revés na subida na carreira. Os sindicatos nada fizeram e eu “bati com a porta”. 

De há uns anos para cá, e perante a ineficácia das greves de professores, começámos nas escolas a perguntar-nos por que razão não se marcavam greves às avaliações e às provas de exames porque aí sim far-se-ia doer. 
 
Geralmente pouco se liga(va) aos professores – essa cambada de madraços que só trabalhava 22 horas por semana e passava quase meio anos em férias. E agora, depois de o querido líder (C)rato, aos poucos, ter retirado dinheiro e ter aumentado as horas de trabalho aos professores, depois de ter aumentado o número de alunos por turma e ter diminuído as disciplinas dos planos de estudo dos alunos com o único objetivo de poder despedir umas centenas de professores, tropeçando em mentiras em cima de mentiras à laia do que tem feito o querido líder Passos, os sindicatos marcam greve às avaliações – que tem passado mais despercebida e é mais perigosa – e no dia do exame de Português do 12º ano.
Aqui é que foi o elas! O querido líder Passos veio recomendar aos professores que guardassem a sede de greve para o dia da greve geral em 27 de Junho, sem lhe passar pela cabeça que é data em que se realiza o exame de Matemática do 9º ano e outros. 

O vice querido líder Portas veio “puxar o lustro” aos professores apelando para a sua consciência. Aquele senhor que faz discursos para campónios deixando transparecer que está tudo pacífico e sem sinais de instabilidade no 10 de Junho e depois vai para a Europa dizer como estamos mal mercê da austeridade que o FMI tem imposto ao país veio também fingir que está a fazer o seu papel de mediador entre as partes. 

E o querido líder (C)rato, o da implosão da Educação em Portugal, tem-se desmultiplicado em vindas às televisões com aquele seu tom mansinho que tanto encantou os professores – é preciso dizê-lo e repeti-lo! – com a imposição dos exames – que grande parte dos professores, no fundo, gosta mais de classificar (não digo avaliar!) do que levar os alunos a aprenderem (não digo ensinar!) ”arrepelando os cabelos” contra os malandros dos sindicatos, culpando a “comissão arbitral”, prometendo a mudança da lei que não lhe obedeceu e voltar a opinião pública contra os professores afirmando – hipocrisia suprema! – que não vai permitir que “os nossos jovens” sejam prejudicados! 

Prejudicados não serão pelo facto de serem amontoados em salas de aulas que nem dimensão têm (nem mobiliário) para os acomodar? Prejudicados não serão por lhes cortarem disciplinas fundamentais, apoios e professores com um número razoável de turmas que lhes permitam conhecê-los suficientemente bem para poderem acompanhá-los no seu trajeto educativo? Prejudicados não são por serem cada vez mais os que têm de recorrer ao apoio da Ação Social Escolar e a fazer o máximo de refeições nas escolas porque em casa não há o que comer? E outras coisas mais!

E perante tudo isto e sei lá o que mais, diz às televisões o pataroco do atual presidente da Confap muito inchado que vem «confiante da reunião com o senhor Secretário de Estado que lhe garantiu que será assegurado “o superior interesse dos nossos filhos”»! Valha-lhe Deus!