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terça-feira, 13 de março de 2018

Too tired...






É assim que estou! Desculpem-me qualquer coisinha... (especialmente de não usar a nossa bela Língua) 

Nem sei já se se trata de cansaço, se falta de imaginação para escrevinhar...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A importância de um sorriso

Hoje, numa outra ida ao hospital, pedimos uma informação a duas senhoras auxiliares – na faixa dos cinquenta e muitos anos – que encontrámos num corredor por onde andávamos perdidos.

Logo as senhoras nos deram a informação necessária com toda a simpatia. Aliás, como todo o pessoal com que nos temos cruzado ao longo deste quase mês e meio, desde as auxiliares aos médicos chefes de serviço, desde os enfermeiros aos voluntários, todos de uma amabilidade e de uma simpatia extremas. Verdadeiros profissionais.

Bom, mas voltando ao episódio de hoje: depois de nos indicarem o caminho certo, uma das senhoras dirigiu-se-me: «Doutora?» E eu, admiradíssima, lá pensei: «certamente mãe de um antigo aluno…» Mas retruquei: «De onde me conhece?» E a senhora, com um ar de quase deslumbramento, disse: «Fui sua aluna…» («Há quantos anos, meus Deus…» - pensei) Mas disse espantada: «E ainda se lembra de mim?!» E aí a senhora derreteu-me por completo quando afirmou: «Não me lembrava, mas quando vi o seu sorriso, lembrei-me logo…»

Depois estivemos a falar um pouco. A senhora foi minha aluna nos anos 70, no início da minha carreira aqui em Leiria, ainda no “ciclo velho” e ainda se lembrava do meu sorriso…


Acho que ganhei o dia…


"O Ciclo Velho"

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Se não digo, rebento!

Corro o risco de levar os meus queridos seguidores/visitantes a pensar que estou a tornar este espaço mais de registo e discussão dos aspetos negativos do dia-a-dia do que a tratar das maravilhas da vida, da arte, da escrita, das estações do ano, da poesia.

A questão é que, todos os dias os órgãos de comunicação social nos pretendem vender “gato por lebre” e eu não aguento.

Quando eu era tímida e trabalhava na escola, tinha, muitas vezes, de ir a reuniões alargadas com presidentes de outras escolas para discussão de problemas da vida escolar dos alunos. Muitas vezes, tinha opiniões muito diversas das do grupo e eu ouvia, ouvia, e quando “enchia”, pedia a palavra e dizia: «Desculpem, não concordo nada com isso e, se não digo, rebento…»

Assim estou agora: «Se não digo, rebento!»
Então andam mais de não sei quantos funcionários do Ministério Público (seja isso o que for) daqueles com formação (ou sem ela, sei lá!) a fazer inquirições (era o que fazia o Ofício dito Santo e a polícia política do ditador) por causa de dois convites para ir assistir a jogo de futebol e os outros restantes funcionários a inquirir dois antigos secretários de Estado de um governo de há anos porque utilizaram indevidamente o cartão de crédito – não, não foi para comprarem fatos Armani, nem para levarem a família a fazer viagens à Seicheles – para comprarem livros e revistas que levaram para casa quando terminaram o mandato.

 Quantos bilhetes de futebol e quantos livros e revistas se poderiam comprar com os milhões roubados no âmbito do crime financeiro do século no BPN, ou do BES?

Quantos bilhetes de futebol e quantos livros e revistas poderiam ser comprados com as luvas recebidas (e desaparecidas) com a compra dos Pandur e dos submarinos?

Querem fazer de nós parvos ou trata-se apenas de continuar e prolongar sine die o processo de difamação das governações de esquerda iniciado em 2004 com o obscuro e infame caso Freeport?

De nada mais se fala nesta torpe e infame comunicação social. Entretanto, o ex ministro Miguel de Macedo foi hoje ouvido em tribunal sobre o caso dos vistos gold – mas a comunicação social, caladinha. Ontem um dos arguidos da operação FIZZ afirmou em tribunal que tinha provas da manipulação da Procuradora Geral (desta) República e dados sobre quem a PGR tem andado a proteger – mas a comunicação social, caladinha, caladinha…

E querem vocês que eu me cale também? Não posso. Senão rebento!



Nota Final – li agora que o Partido Popular Europeu quer ver discutido o caso dos bilhetes de futebol no Parlamento Europeu!


Aonde vamos parar? 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Desculpem qualquer coisinha...

Falhas de textos meus, falhas de publicações diárias, falhas – e grandes – de visitas aos blogs amigos e de comentários às respetivas publicações, falhas de atenção…

… que me desculpem todos. 

Desde o passado dia 28 em que o meu companheiro de uma vida foi longa e delicadamente intervencionado, parece que não consigo concentrar-me nas rotinas habituais, parece que tudo está diferente… entontecida me sinto.

Além de que, regressado a casa passados dez dias, os cuidados necessários são os exigidos por um cálice de cristal, deixando-me pouco tempo e pouca energia para estoutras atividades.

… que me desculpem todos.


E, se por ventura, teimo em vir aqui, é talvez mais por vício, talvez porque em tempos li no blog do Carlos Oliveira um slogan engraçado de mais que aconselhava: «Este verão não abandone o seu blog!».





quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A Guida Maria

Fiz a minha 4ª classe num Externato privado na Parede – de que já não me lembro o nome – no ano letivo de 1957/58. A minha mãe dava lá aulas aos alunos da 2ª classe, turma onde tinha uma aluna que se chamava Guida Maria. Muito bonita, muito vivaça, muito alegre e divertida, com um olho azul muito expressivo, mas nem por isso muito boa aluna porque faltava muito às aulas para ir aos ensaios e para decorar os papeis das peças em que representava. Teria os seus sete/oito anos.




O colégio era frequentado por meninos e meninas “de família” por isso a Diretora, a Srª D. Maria Alice, minha professora, tinha certos cuidados na organização do colégio, nos serviços que prestava e nos eventos que realizava.

Lembro, com especial ternura, a festa de final de ano em que se representou uma peça de teatro muito completa e muito abrangente. O enredo era muito simples: uma avó fazia 82 anos e lamentava-se, sozinha, em palco, porque nenhum dos seus netos a visitava nesse dia. Depois, aos poucos, eles iam aparecendo e cada um trazia consigo um grupo que dançava ou cantava para a avó. As danças, os cantares e os poemas declamados cobriam quase todas as províncias de Portugal. Lembro-me que se dançaram o vira do Minho e da Nazaré, o corridinho do Algarve, o bailinho da Madeira e até o fandango sapateado do Ribatejo (que foi ensaiado pelo motorista do colégio que era ribatejano). Também houve bailado clássico e belas canções pelo coral.

Eu fui escolhida para representar a avó, de cabelo empoado e longo vestido e xaile negros e a minha primeira fala, ao abrir do pano, era: «82 anos… Como o tempo passa!» Depois, lá me lamentava por estar sozinha e ninguém se lembrar de mim naquele dia e aí aparecia a pequena Guida Maria, minha neta. Então desenrolava-se a peça, sendo nós duas as “responsáveis” pela chegada dos restantes netos com os seus grupos de animação da festa da avó.

Os nossos “ensaiadores” foram, nada mais, nada menos do que o ator Luís Cerqueira, pai da Guida Maria, e um cunhado daquele, tio da Guida, o Senhor Vaquinhas que era encenador.



A peça foi representada no antigo Casino do Estoril.



No final da representação, o pai e o tio da Guida Maria pediram à minha mãe que me deixasse seguir a carreira do teatro que eles me encaminhariam.

A minha mãe não deixou. (A sua grande aspiração era que a filha tirasse um curso superior e “fosse alguém”… )

Fui acompanhando à distância e a espaços a carreira da minha famosa colega até que ontem fui tristemente surpreendida pela notícia da sua morte.

Lamento que tenha partido com tanto ainda para dar.




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Dia de enorme pressão

A informação era de que se tratava de uma intervenção delicada e demorada. Marcada para logo de manhã.

O telefone retinia de chamadas e mensagens a querer saber, a desejar tudo a correr bem, se precisares de alguma coisa, é só dizeres… Só simpatias, só sinais de amizade, de grande amizade.

O médico há de dizer-te alguma coisa – avisou-me ele.  Mas a tarde alongou-se sem que tivesse concentração para me ocupar com coisa alguma. O telefone tocava «então já se sabe alguma coisa?»

 Às cinco da tarde, «vamos contactar o hospital», mas que não, que ainda estava no bloco. Nem a garrafa de gás butano conseguimos que se ligasse ao aquecedor daquela divisão. (Será que as coisas inanimadas absorvem a nossa inquietação? Lembrei o dia da primeira eleição de Soares para Presidente contra Freitas do Amaral que tinha a vitória como certa – para grande raiva minha – e tudo correu mal nesta casa, até a máquina de lavar roupa recusou trabalhar – e sem avaria!)

Lá para as seis e meia, «já saiu do bloco, mas ainda não subiu. Vou ligar ao recobro.» «Não, esses casos vão para a medicina intensiva. Vou ligar.» Obrigada, obrigada, obrigada a todas tão amáveis, com vozes tão frescas apesar do trabalho pesado que têm sobre si…

«Sim, ele está cá. Mora cá em Leiria? Estou a perguntar porque a visita é só das sete às sete e meia.»

Que sim, que podia ir mesmo que chegasse um pouco atrasada… Obrigada, outra vez.

Lá estava ele, o meu companheiro de vida em todas as horas boas e más, ligado a não sei quantas máquinas num espaço amplo, daqueles que fazem lembrar os filmes, com mais três ou quatro outros vigiados por médicos e enfermeiras. Sereno, profundamente adormecido, entubado. Esquecido da vida.

Foram seis horas de operação. Correu como se previa, sem surpresas. O resto, logo se vê. Disse o médico.

Depois foi informar os amigos de volta, enviar mensagens, receber mais telefonemas. Ouvir mais palavras de conforto.

Estou muito cansada. A pressão foi muita. Que notícias teremos amanhã? Trata-se de um órgão muito delicado.




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Hoje digo uma pequena prece ...

Sabe quem me conhece bem que não sou pessoa de rezas ou de comportamentos próprios da religião, seja ela qual for. Mas não é por isso que me considero menos humana, menos sensível ou estou menos pronta para a ajuda, o apoio, a compaixão pelo meu próximo.

Neste luto emaranhado de ódio e más-vontades que se está a viver no país, mas de muito sofrimento para tantos,  e no meio de toda a angústia que me aperta o coração e a garganta, lembrei-me de uma «pequena prece» que a Aretha Franklin diz tão bem.

Por todos e para todos - e no dia de aniversário do nascimento do meu pai, que faria hoje 98 anos se a morte não o tivesse surpreendido aos seus breves 49 - uma pequena prece - A Little Prayer for you!




sábado, 16 de setembro de 2017

'Cause Baby, It's You!

Naqueles tempos ainda não tinham "inventado" a tão propalada auto estima... senão a minha estaria nos negativos. Nos tempos da adolescência,(e ainda hoje...) eu movia-me muito entre a elevação e o desnível do humor - mais este do que aquele, para falar verdade.

E, nos dias em que (não interessa lembrar os motivos) me sentia muito, muito pequenina, refugiava-me nesta canção.

Hoje (não interessam os motivos)  também me senti muito pequenina e... lembrei-me da canção.

Fui à procura dela no incansável YouTube e, para além da versão dos Beatles, que era a que eu ouvia naquele tempo, encontrei uma versão anterior por uma girls band que eu desconhecia e outra mais moderna na voz poderosa de Adele.

Ficam aqui todas e, se tiverem paciência para as ouvir, falem das vossas preferências.














terça-feira, 29 de agosto de 2017

Flores resilientes

Claro que já não se lembram daquela minha publicação sobre a resiliência e sobre as minhas flores resilientes. Gosto mesmo dessas flores que, ano após ano, renascem em cada Verão com a vivacidade de quem é muito bem tratado mesmo sem o ser. 

Já as tive amarelas salpicadas, brancas e rosa forte. Mas nos últimos anos só estas últimas têm renascido. E eu cheia de pena por não aparecerem as brancas.

Mais pena ainda senti - ou seria mesmo uma pontinha de inveja? - ao vê-las despontar ali por todo o lado no jardim da urbanização lá em Nerja!




Ainda pensei trazer um pezinho para o transplantar no meu quintal, mas com o calor sufocante que fazia, ao fim de oito horas de viagem, havia de cá chegar sem vida.

Pois não é que uma semana depois de estarmos em casa, ao lado do tufo de flores rosa forte, começaram a despontar as ditas flores brancas?

Podem chamar-me os nomes que quiserem, mas nem imaginam como fiquei contente!






sábado, 19 de agosto de 2017

É bem certo...




Pode ser muito zen , muito in, muito moderno, muito relaxante e tal, mas passar doze dias numa casa sem televisão nem internet a contemplar o Mediterrâneo é de mais para mim... 

E nem um jornalzinho português (desde que não fosse o Correio da Manha...)

Valeram as valentes banhocas naquele "mar do meio" com aquela água calma, quentinha e transparente (apesar das mordidelas das medusas...) e as passeatas por allá...

Bom, mas agora que estou de volta, vamos ver se ponho as visitinhas aos meus amigos bloggers em dia e se volto a ganhar o meu ritmo habitual...

(Já viram a maldadezinha da Afrodite? Já não se pode confiar nos deuses! E menos ainda nas deusas...)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Que fazer?

Que fazer quando, ao fim de quase uma semana, a enxaqueca persiste?





Tirar férias do blog e...




Bom fim de semana!

domingo, 25 de junho de 2017

Era disto que eu precisava!


Que me limpassem os miolos...





sexta-feira, 19 de maio de 2017

«Il faut savoir»

Se calhar foi por ter sido educada para a contenção das emoções e dos sentimentos que sempre gostei tanto desta canção!




Muito linda e muito forte, não acham?


terça-feira, 16 de maio de 2017

Eu fiz um bolo e...

Nada de mais. Como quase todos os fins de semana, fiz um bolo para a sobremesa do almoço de família de domingo. 

Coisa simples e prosaica. Foi ao forno numa daquelas formas chamadas de chaminé e cresceu, cresceu, cresceu, até que ficou assim.




E aí pensei: «Enganei-me na forma! Usei a mais pequena! Agora como é que o tiro dali? Vai "estrampalhar-se" todo...»

O certo é que saiu direitinho, direitinho e lindo!!



E delicioso, também!
Um simples bolo de iogurte...

6 ovos
1 iogurte de aromas
3 medidas (da embalagem do iogurte) de açúcar
3 medidas de farinha
2 colheres de café de fermento em pó
1/2 medida de óleo.

Batem-se as gemas com duas medidas de açúcar. De seguida junta-se o óleo, a farinha com o fermento e o iogurte batendo sempre muito bem. Por fim, misturam-se as claras batidas em castelo firme com uma medida de açúcar.

Deita-se o preparado numa forma (GRANDE) barrada com margarina e polvilhada com farinha e vai ao forno na temperatura 180/190º, durante 30/40 minutos.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Mais um ano

Pronto! Como acontece com toda a gente (e ainda bem) fiz mais um ano. Ontem, como Carneiro que se preze. E escusam de perguntar quantos se cumpriram porque eu não digo! Ficam apenas a saber que cheguei ao limiar dos setenta.

Muitos beijinhos, muitos abraços e sorrisos, muitos telefonemas, muitas mensagens pelo telemóvel e pelo facebook, alguns mails de amigos recentes e de sempre e um jantar com a família. Já está!



Além de tudo isto, recebi uns carinhos assim.

Da minha amiga canadiana:





Da Majo:






Da Amélia:




E pronto! Se me portar bem, para o ano há mais…

sexta-feira, 10 de março de 2017

Filha única

Um dia destes, ao olhar-me no espelho para me pentear, vi o caracol que o meu irmão tinha sobre a testa e lembrei-me dele. Lembrei-me especialmente daquele retrato de quando ele era pequenino e eu ainda nem tinha nascido.

Para que conste, eu tive um irmão. Estive sempre inscrita no livro dos filhos únicos, com aqueles adjetivos todos com que gostam de apodar os filhos únicos, mas tive um irmão. Sempre gostei de espantar os meus conhecidos e amigos mais próximos dizendo «sou filha única, mas tenho um irmão!» Nascido do primeiro casamento do meu pai que, infelizmente, pouco durou, ficou órfão de mãe muito pequenino tendo sido enviado para Barcelos para a casa da avó e das tias que o criaram com o maior carinho, com o maior desvelo.

As tortuosidades da vida não permitiram que vivêssemos juntos e foram parcas as vezes que nos juntámos em crianças. Só mesmo quando fui para a Faculdade, já ele voltara a Lisboa, tivemos algum contacto e acabámos por apadrinharmos o casamento um do outro. Seguimos caminhos profissionais muito idênticos e mantivemos uma estreita relação de amizade. A doença atacou-o novo e levou-o antes de completar os 60 anos.

Não teve uma vida feliz, mas nunca se lhe ouviu um lamento sobre nada. Não foi o meu amado irmão – esse lugar guardo-o para o meu primo-irmão – mas lembro-me muito dele sempre com uma ponta de nostalgia, de tristeza. Lembro-me dele quando, em tempo de chuva, o meu cabelo fica rebelde (chamavam-me «pelo de arame» no colégio) e, ao olhar-me no espelho, vejo o caracol que ele tinha sobre a testa.





domingo, 5 de março de 2017

Devo ser mesmo o diabo!

Que fique aqui bem claro que não venho em busca de palavras de conforto dos meus amigos que tantas vezes fazem o favor e têm a generosidade de mas prodigalizarem …

Como considero este espaço um diário de bordo, um weblog, costumo aqui registar os momentos, os acontecimentos, os sentimentos, as emoções que mais me tocam.  É o que, uma vez mais, vou fazer.

Devo ser o diabo!! Hoje de manhã, encontrei dois ex-colegas lá da “minha” escola e, de alguma forma, fiquei indisposta. Uma foi “minha” vice-presidente nos meus tempos de presidente do Conselho Diretivo nos idos de 80. Colegas e amigas. Tive várias equipas porque, desde finais de 70, dirigi, sempre que foi necessário e não havia mais ninguém disponível, a escola – mais tarde agrupamento – e, felizmente, sempre consegui uma especial parceria, uma familiaridade, uma cumplicidade até entre os vários membros. Para isso concorriam o trabalho que tínhamos de desenvolver em comum, as muitas horas que trabalhávamos juntos e as por vezes, muitas vezes, difíceis decisões que tínhamos de tomar.

Pois essa minha ex-colega, ex-vice, ex-amiga dizia (hiperbolicamente, claro!) que tudo o que sabia (em termos de gestão, naturalmente!) tinha aprendido comigo. Hoje – aliás como de há uns anos para cá – falou-me fria e superficialmente sem sequer olhar para mim.
Saí da frutaria onde nos cruzámos com essa quase mágoa e passa por mim um outro dos meus ex-colegas – esse, porém, não meu ex-amigo – que recebi no meu último grupo de trabalho para evitar que fosse dar aulas, que não era das tarefas que ele mais gostava de desempenhar, num momento de regresso à escola após um destacamento terminado e a quem consegui passagem para o nono escalão que ele, por si só, não conseguira – passa por mim, dizia eu, de cara fechada, zangada, azoada, e nem ao meu marido foi capaz de dar os bons-dias…

Devo mesmo ser o diabo!! Ri-me, pois que mais?

Mas logo, logo relembrei como me “apunhalaram pelas costas”; logo, logo revivi as trapaças que, com o seu grupo de amiguinhos congeminaram para porem lá um diretor fraquinho, facilmente manipulável pelo lobby; logo, logo me doeram as reuniões em casa de uma delas – que sempre se fez, e faz, minha amiguinha – para me afastarem.

As fraudes foram várias e queixámo-nos delas, mas os “superiores” e os Inpetores em educação pouco querem saber do que se passa nas escolas desde que lhes apresentem papeis com muitos gráficos coloridos e muitas frases bonitas.

E afastaram-me, mau grado as velhacarias e a má-fé. Mas, ao fim deste tempo todo – sete anos passados – são eles que não me falam!

Devo ser mesmo o diabo!

(brinco muito com o diabo e o inferno… costumo dizer que sou tão má que, quando morrer, vou logo de cabeça para o inferno, mas quantas as pessoas boazinhas que lá vou encontrar!!!...)



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Corando...

Não tenho emenda. Às portas das sete décadas de vida, continuo a corar como uma adolescente pudica sempre que, por algum motivo, sou posta em evidência.

Fui sempre assim. Nas aulas, perante os muitos alunos tímidos que coravam assim que lhes dizia o nome, serenava-os irmanando-me com eles no que tocava à coloração das faces. Nas reuniões dentro e fora da escola, sempre que tinha de tomar uma forte posição contrária à da maioria – e aconteceu bastantes vezes – eu dizia com clareza: «Eu coro muito, mas digo sempre!» E dizia. Mesmo que fosse contra tudo e contra todos.

Hoje, estava eu a ver de uns livros na secção de livraria do Continente, e a uns dois ou três metros de mim estava uma jovem senhora que olhava para mim com alguma insistência. Até que, depois de me fazer algumas perguntas sobre a minha profissão e onde a exercera, acabou por me dizer que tinha sido minha aluna. Claro que não me lembrava dela. Classes de trinta e tal alunos, nos idos de oitenta… E aí, a senhora começa a dizer: «Foi minha professora de inglês e uma boa professora e eu gostava tanto da senhora! Muito boa professora… Eu gostava muito da senhora.»

Então não é que comecei de corar, corar, corar até à raiz dos cabelos? Que vergonha. O que terá a minha ex-aluna pensado de mim? Certamente que estou xexé…




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Vieira de outros tempos

«Tenho dito aqui por mais de uma vez que, menina lisboeta, vivi cerca de ano e meio na vila da Vieira de Leiria onde fiz parte da 1ª classe, a 2ª e o início da 3ª. Foi das experiências mais ricas da minha infância por ser um ambiente tão diferente e distante daquele que conhecia. De recordar que isto se passou em 1957/58. Foi lá que, pela primeira vez, vi uma picota (que encanto!) uma lagartixa, um ancinho para ir à caruma (bem como a própria caruma), cântaros de barro com que as mulheres iam buscar água à fonte e as respetivas cantareiras, mulheres descalças com os canos de lã nas pernas, as camarinhas, aquele mar violento a levantar-se em ondas altas e furiosas, aqueles barcos lindos de proa altíssima a lembrar os Vikings, os bois e as mulheres – tão fortes quanto eles – a puxarem as redes cheiinhas de peixe a saltar, etc. etc.»

...........................

De novo trago aqui a introdução do meu texto Génio Lusitano por se tratar de um momento da minha infância que me foi/é grato de mais e que ficou absolutamente na sombra do texto principal. Hoje deixo este pedaço de memória ilustrado por um diaporama que encontrei na net e que até parece que foi feito com tantas imagens que guardo daqueles idos de 50 de tanta beleza para mim, mas de imensa miséria para aquela gente, aquelas mulheres, que trabalhava no campo, no pinhal, na fábrica das limas, no mar. 




terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A ressonância magnética

Sabe quem já experimentou como é desagradável fazer uma ressonância magnética. A barulheira é de tal ordem que parece que estão a britar as paredes ali mesmo em cima de nós; depois vem o som de fortes marteladas por cima da nossa cabeça, tudo isto acompanhado por aquele som trepidante dos martelos pneumáticos. Tudo isto connosco deitadinhos dentro de um exíguo tubo branco com a recomendação de que não nos movamos sob pena de se ter de começar o exame de início. Até nos põem uma campainha na mão para interromper o exame em caso de emergência.

Hoje tive de fazer um desses exames e, como não foi a primeira vez, mantive-me calma, e tentei pensar em coisas agradáveis e leves.

Foi quando, face à barulheira do “martelo pneumático” a “rebentar o chão” ali mesmo juntinho a mim, me lembrei de uma anedota muito, muito velha, do tempo do liceu que se contava assim:


Um fulano todos os dias passava por uma obra e via um operário de martelo pneumático na mão a perfurar o solo fazendo as fundações. Como era muito gozão, todos os dias lhe dizia:

- Então? A andar de lambreta?

O outro ficava furibundo mas nada podia fazer. Até que um dia pensou esperá-lo com um tijolo na mão para lho atirar em cima.

No dia seguinte, lá estava ele preparado com o tijolo junto à cara para atirar em cima do provocador.

Quando este chega e o vê naquela posição, diz com o ar mais escarnecedor:

- Então? Hoje a ouvir rádio?...