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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Quem nos dera!

Quem nos dera que houvesse quem, amanhã, desse assim voz de rendição ao atuais governantes!





Quem nos dera que houvesse quem amanhã pudesse arrear assim os retratos dos atuais governantes!






Quem nos dera!!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

E a gente acorde finalmente em Portugal!


«Que o poema seja microfone e fale
        uma noite destas de repente às três e tal
   para que a lua estoire e o sono estale
         e a gente acorde finalmente em Portugal».

                                                (Manuel Alegre, in O Canto e as Armas, 1967)





«E a gente acorde finalmente em Portugal!!»

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Bibelots

Não sou grande amante das coisas da casa nem me preocupo muito com enfeites e bibelots, mas gostava de vos mostrar uns bibeblots especiais...









O nosso Socas pode ser um gato vaidoso e exibicionista mas não dispensa o cravo revolucionário...

Faz muito melhor que muito boa gente que conhecemos!...

terça-feira, 25 de março de 2014

Os Memoráveis

Hoje, uma vez mais, a escritora Lídia Jorge deslocou-se à Livraria Arquivo aqui em Leiria com a sua editora para apresentar mais uma das suas obras: Os Memoráveis.

Ainda não li o livro embora o tenha comprado há já alguns dias – é que ando a ler Memória de Elefante de Lobo Antunes e não gosto de cruzar leituras – por isso nada sei dizer sobre o conteúdo para além de que trata do 25 de Abril, mas deixo aqui algumas linhas de força que a autora, no seu tom sereno e lúcido e o seu olhar límpido, lançou perante uma sala cheia de mulheres (em grande parte) da chamada «peste grisalha» (se bem que bem escondida pelas melhores tintas do mercado…)

Pensou escrever o livro há dois anos e meio de uma ideia que vinha já de há catorze anos. Acabou por escrevê-lo «por urgência sentimental» - há dois anos e meio as pessoas ainda não sentiam necessidade de voltar a cantar a “Grândola”.

 A escrita propriamente dita foi feita em seis meses e até à véspera de entregar o original à editora foi sempre dizendo lá em casa que «não havia livro» porque receava não ser oportuno.

 Na altura em que se celebram, ou melhor, em que as pessoas sentem necessidade de celebrar os 40 anos da Revolução de Abril, a autora pensa que os portugueses querem testemunhos, histórias, episódios e o seu livro não é um panfleto, nem uma representação histórica, não retrata os jovens militares de Abril, antes os recria fazendo não um retrato histórico, mas tão-somente personagens literárias. E quando em entrevistas ou apresentações da obra lhe perguntam quem é a personagem A ou B, foge sempre à identificação das figuras da Revolução.

E avisou que há que ler o livro não como «uma celebração vermelha, mas com muitos contornos». Há que ler o livro para memória e para deixar uma esperança, porque «não há memoráveis se não houver futuro».

Depois de ler o livro, voltarei – daqui a algum tempo porque só leio à noite – para dar a minha modesta opinião sobre a narrativa.

Talvez queiram fazer o mesmo, não?


(Ouvindo ler um excerto do seu último livro)

(Falando sobre o livro)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Bom Ano do Cavalo!


Não era já tempo de se fazer uma nova revolução de luta pela Democracia?!

Vamos ter esperança no Novo Ano do Cavalo!



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Demissão, já!



Foram dois momentos altos hoje:

  • O sinal de força que os polícias unidos deram ao país e a este "governo" ao chegarem às portas da Assembleia da República que não invadiram apenas porque não quiseram E gritavam: «Invasão!» «Demissão!»
  • O discurso de abertura da conferência organizada pelo ex-Presidente da República, Mário Soares em defesa da Constituição da Democracia e do Estado Social que terminou com grandes apupos e gritos de «Demissão!».«Demissão!»


Não é preciso dizer mais nada, pois não?!


sábado, 5 de outubro de 2013

Viva a República!









Que vivam todas as Repúblicas que possam trazer-nos de volta a coragem necessária para nos livrarmos de vez de todos os Condes Andeiro, todas as Duquesas de Mântua, todos os Migueis de Vasconcelos que estão de volta para nos infernizarem a vida e de todos os embusteiros que nos ameaçam, chantageiam e mentem em cada discurso, em cada comunicação!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Duas ou três coisas no 1º de Maio




1. Como é costume neste dia, vestimos uma peça de roupa vermelha e hoje lá saímos os dois de pullover encarnado para relembrar a luta quase sangrenta dos trabalhadores de há mais de cem anos pelos seus direitos face a uma classe de patrões que os explorava e oprimia.

Chegados ao café onde todas as manhãs vamos beber a bica, diz a simpática jovem – ainda na casa dos vinte – que diariamente nos atende com um sorriso nos lábios: «Que bonitos! Hoje vêm a condizer; os dois de vermelho!» E eu: «O 1º de Maio é vermelho!» E ela, sempre simpática: «Ai é? Não sabia! Mas porquê? Hoje é o Dia do Trabalhador; isso eu sei.» E lá lhe expliquei com toda a simplicidade sobre a luta dos trabalhadores e de como não se podia celebrar este dia no tempo da ditadura e assim… É que estes jovens até têm o 12º ano, mas falta-lhes ouvir falar das coisas que sucederam ainda há tão pouco tempo.

2 . Como espantado ficou o meu marido quando, num lar de idosos, leu, em cartazes afixados nas paredes, as opiniões de alguns deles sobre o que foi o 25 de Abril! Que nada lhe deviam, que nada tinham ganho, que nada fora feito. Espanto? Como? Porquê? Sabemos como este povo era (é!) fechado, ignorante e inculto, grato aos céus e aos governantes (que graças a Deus eram muito sérios e zelavam por nós) por manterem assegurado o pão-nosso de cada dia, mesmo que este fosse duro e bolorento; por viverem escorados numa hierarquia em que se obedecia ao que o senhor prior – representante natural de Deus na Terra – dizia, devendo a mulher obediência cega ao marido – mesmo que fosse emborrachar-se todos os dias para a taberna e lhe batesse e aos filhos no seu ziguezagueante regresso a casa – devendo os filhos, quantos mais melhor, tudo se cria, ser postos a trabalhar aos sete anos para ganharem para os pais comprarem terras e mais terras e assim se vivia. Tão bem! E depois veio o 25 de Abril e estilhaçou essa realidade podre mas tão segura! Veio o 25 de Abril e agitou as mentes das pessoas! Veio o 25 de Abril e obrigou as crianças a irem para a escola! Como poderão estas velhas iletradas e estes velhos esdrúxulos dizer bem daquela onda gigante que lhes submergiu a santa vidinha de lodo parado?

3 .  É de gentinha com esta mentalidade ignara, atada e minúscula que descende o atual presidente (o pior de todos desde Abril!) que ascendeu a Belém mediante o voto de muitos seus iguais e que o inigualável BB tão bem define na sua habitual crónica das quartas-feiras, hoje, 1º de Maio. Diz ele: «É a criatura que há, o Presidente que se arranja, irremissível e sombrio. Medíocre, ressentido, mau-carácter, incapaz de compreender a natureza e a magnitude histórica da revolução. E sempre agiu e se comportou consoante a estreita concepção de mundo com que foi educado. A defesa da direita mais estratificada está-lhe no sangue e na alma, além de manter, redondo e inamovível, um verdete avassalador pela cultura.»


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Foi assim há 39 anos

Há 39 anos as notícias eram estas:






E hoje, meu Deus, e hoje?

Há que não perder a esperança e continuar a acreditar e a lutar com alma. Assim:





quarta-feira, 24 de abril de 2013

Mas quando nos julgarem bem seguros...



Venham leis e homens de balanças,
mandamentos d'aquém e d'além mundo.
Venham ordens, decretos e vinganças,
desça em nós o juízo até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade
a luz vermelha brilhe inquisidora,
risquem no chão os dentes da vaidade
e mandem que os lavemos a vassoura.

A quantas mãos existam peçam dedos
para sujar nas fichas dos arquivos.
Não respeitem mistérios nem segredos
que é natural os homens serem esquivos.

Ponham livros de ponto em toda a parte,
relógios a marcar a hora exacta.
Não aceitem nem queiram outra arte
que a presa de registo, o verso acta.

Mas quando nos julgarem bem seguros,
cercados de bastões e fortalezas,
hão-de ruir em estrondo os altos muros
e chegará o dia das surpresas.

José Saramago