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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Frases soltas

O Rei vai nu!!!

«Ninguém está acima da lei(Ministra da Justiça)

(Exceto o Ricardo Salgado, o Paulo Portas, o Dias Loureiro, o Oliveira e Costa, o Duarte Lima, o Arlindo entre muitos outros)

«As instituições estão a funcionar com normalidade.» (PR)  

(Pois estão, mas apenas para o lado oposto de quem proferiu esta sábia frase.)

«Os políticos não são todos iguais.» (PM) 

(Ainda bem! Olha se fossem todos como ele…)

«As declarações do antigo chefe de Estado português de absolutamente lamentáveis e são uma vergonha para o país.» (presidente do Sindicato dos Magistrados do MP)

(Todos nos habituámos já às irreverências e frases emotivas do antigo presidente da República. Ai de nós se não tivesse havido gente irreverente e emotiva, a começar por ele próprio, desde o dealbar da nossa ainda jovem democracia!)

«Se António Costa ganhar as eleições com processo Sócrates às costas é um génio.» (Marcelo Rebelo de Sousa)

(O habitual arauto da desgraça, comentadeiro da TVI dos degredos, visionária pitonisa do templo laranja lança o mote que convém e que deverá ser repetido até à exaustão por todos os jornalistas e comentadeiros do regime.)

«Aleluia, a malta de Mação não perdoa.» (deputado do PSD que é natural de Mação tal como o “super-juiz” da moda.)

(Da moda e também do regime, digo eu! )  


sábado, 15 de novembro de 2014

Notícia da semana!



Encontrei no mural de um facefriend e não resisti... É que, tirando as habituais trapaças do "governo", a "galinha dos ovos de ouro" do irrevogável ministro e das detenções no caso dos vistos gold que nos põem os olhos em bico, esta foi, sem sombra de dúvidas a notícia da semana (que fica aqui para os mais distraídos...)

«Deu entrada no Ministério Público (MP) uma queixa contra António Albuquerque, marido da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Em causa estarão alegadamente ameaças feitas a um jornalista do Diário Económico.

A queixa que deu entrada no MP, conta hoje o jornal i, diz respeito a uma troca de SMS que terá sido feita entre o ex-editor executivo daquele jornal, em que António Albuquerque reage a um artigo de opinião do jornalista e colega à data Filipe Alves.

António Albuquerque terá considerado que o jornalista em causa era “um calhau” e um “ser sem coluna”, revela o jornal i, que adianta também que, numa SMS, terá surgido a ameaça de enviar Filipe Alves para o hospital: “Metes a minha mulher ao barulho e podes ter a certeza que vais parar ao hospital”, pode ler-se.

Também o diretor do Diário Económico, António Costa, terá sido visado nas SMS: “Tu e o teu diretor [António Costa] são uns cabrões fdp", cita o jornal i de uma das SMS enviadas pelo marido da ministra.

Na sequência destes factos, o jornalista Filipe Alves terá exigido um pedido de desculpas formal ao antigo colega, tendo como resposta uma ameaça de processo, supostamente por ter descoberto a morada de António Albuquerque. Da parte do gabinete da ministra não terá havido comentários sobre o caso.

Da redação do Diário Económico terá surgido a confirmação de que António Albuquerque mudou o seu comportamento a partir de 2011, altura em que Maria Luís Albuquerque integrou o Governo, na altura como secretária de Estado do Tesouro, próxima do então ministro Vítor Gaspar.

O texto que terá suscitado as ameaças do marido da ministra foi publicado a 22 de setembro último e aborda a possível venda do Novo Banco. Ao jornal i, Albuquerque terá confirmado o teor das mensagens, acrescentando que não pedirá desculpas e que na sua vida "só [tratou] mal duas pessoas, precisamente Filipe Alves e António Costa, diretor do Diário Económico.

Recorde-se que, Albuquerque esteve também na EDP mas saiu de lá depois de a sua contratação ter sido conhecida do público.»

(in jornal Público)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Carlos do Carmo

Ouvi hoje na rádio parte de uma entrevista dirigida pela melhor entrevistadora portuguesa da atualidade – eu diria mesmo a única – Maria Flor Pedroso ao fadista-cantor Carlos do Carmo que, como todos sabem, foi distinguido com um Lifetime Grammy, o primeiro Grammy Latino a ser atribuído a um cantor português. O prémio será entregue no próximo dia 19 em Las Vegas e o cantor falou, entre muitas outras coisas, da alegria e do orgulho em ter sido agraciado e do que vão, ele e a mulher, fazer naquela louca cidade americana. Vão, disse ele, fazer coisas loucas como, por exemplo, submeterem-se a um (re)casamento daqueles à moda de Las Vegas.

Sabemos o bom comunicador que é Carlos do Carmo como sabemos o homem de esquerda que é. Falou, feliz, de todas estas alegrias e divertimentos e da família; falou, orgulhoso, do seu contributo e de outras entidades para a elaboração da candidatura do Fado a Património da Humanidade, um trabalho sério e profundo que se prolongou por seis anos; e falou de outros assuntos ligados à situação do país.


Mas a frase que me ficou mesmo no ouvido foi a seguinte: «Que estúpida esta esquerda que temos, que se recusa a unir-se, permitindo assim que a direita vá ganhando!» E não se deteve em mais explicações. Eu também não o farei, naturalmente.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

De cara destapada

Sabe quem me conhece que sou, desde as eleições para a Constituinte, votante do PS. De “cara destapada” sempre, sem omissões nem hesitações, num meio não tão-somente conservador, mas acanhado, de direita a que até chama(va)m de Cavaquistão. E, ao mesmo tempo que, desassombradamente dizia aos PPD(s) da terra e da escola que se queixavam de determinadas condições – nos idos de 70 – «Eu não tenho a culpa, não votei AD!», também sempre fui bastante crítica de muitas ações levadas a cabo, de opções tomadas e de pessoas escolhidas pelo PS ao longo da sua existência. De tal modo que, um colega com quem trabalhei diariamente durante algum tempo, me chegou a perguntar «mas haverá alguém no PS de quem tu gostes?!»

Sofri com o descalabro que procedeu o aparecimento do PRD de má memória; lutei contra a liderança de Vitor Constâncio; nem sempre obedeci às casmurrices de Mário Soares; cheguei a vociferar contra algumas escolhas aqui do PS da terra e até votei fora do partido uma vez! Mas mantive-me sempre fiel aos meus/seus princípios.

Quando a crise financeira mundial quase nos submergiu, a direita viu que era chegada a altura para “ir ao pote” e em 2011, com os préstimos de uma determinada esquerda que sempre se considera especial, ficámos “sem chão”, já nos bastidores do PS havia algum tempo se perfilava, pressuroso, o camarada António José Seguro para agarrar as coisas e segurar as pontas. Alguém teria de o fazer – houve que o aceitar e apoiar, pois então!

Desde então tem sido aquele ramerrão a que se tem assistido próprio de uma figura mediana e com pouco rasgo a bem de um consenso que não interessa a ninguém, muito menos ao país, com alguns avanços ténues e mais uns tantos recuos – lembro-me de quando o partido esteve à beira de assinar por baixo os descalabros que este “governo” vem perpetrando ter escrito um vigoroso mail privado a uma das “nossas” deputadas eleitas por Leiria pedindo-lhe que «metessem algum juízo» na cabeça do “líder”. (Se assim tivesse acontecido, teria rasgado o meu cartão de trinta e tal anos – e, claro, não viria mal ao mundo nem ao PS se o tivesse feito…) E depois, lá se continuou a «dar-lhe o benefício da dúvida» mas sempre na expectativa de um rasgão, um abanão por parte do secretário-geral! Que nunca aconteceu.

Agora que, extemporaneamente ou não, o abanão veio de fora e as perspectivas são diferentes (melhores, bem melhores) para o partido e para o país, o secretário-geral não foi capaz de exibir a rectidão de carácter que eu acreditava que ele teria e mostrar o espírito democrático que é – ou deveria ser – apanágio de um partido como o PS abrindo caminho para uma escolha livre (pois não foi o que ele repetidamente pediu ao presidente da República para fazer em relação ao “governo”?).

Posso tentar fazer um esforço para compreender as razões que o levam a uma atitude destas. Agora o que eu não consigo nem quero tolerar é que, num ato de desespero desdenhoso e estúpido, venha agora (finalmente “de cara destapada”) mostrar todo o “desamor” (não ia dizer “ódio”!) que sempre sentiu pelo primeiro-ministro anterior e depois de saber como foi difícil e forçado aquele momento, dizer que «nunca teria assinado aquele memorando de 2011»!

(retirado do facebook)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Calimero em versão nacional

Até há uns meses atrás a culpa de tudo o que acontecia de mal neste país era imputado ao Sócrates. Agora, depois de inventarem que ele ia para a cama com outros homens (e se fosse, qual era o crime?); depois de inventarem todas as trapaças e mais algumas sobre roubos, contas off shore e desvios orçamentais colossais que nunca conseguiram provar, o homem foi finalmente deixado um pouco em paz e preterido pelo Tribunal Constitucional.

Portugal foi considerado hoje o 2º país da Europa com menos apoio às famílias – culpa do Tribunal Constitucional!

Bruxelas e o FMI reviram em baixa o crescimento da economia portuguesa – culpa do Tribunal Constitucional!

Portugal é visto como um país de empresas de baixa facturação – culpa do Tribunal Constitucional!

O número de pessoas e famílias a viver no limiar e abaixo do limiar da pobreza aumenta em velocidade de cruzeiro – culpa do Tribunal Constitucional!

A taxa do desemprego vai descendo não por criação de emprego, mas porque os desempregados vão deixando de ter direito ao cada vez mais encolhido subsídio de desemprego passando à qualidade de indigentes – culpa do Tribunal Constitucional!

São cerca de 40 mil professores que se candidataram a um número diminuto de mil e novecentas vagas do quadro – culpa do Tribunal Constitucional!

Até o ministro da Saúde vem dizer «vamos lá ver se não temos de fazer cortes na Saúde» - tudo por culpa do Tribunal Constitucional!

O “nosso” primeiro queixou-se de que a sua governação foi posta em causa – culpa do Tribunal Constitucional! (é que foi a primeira vez que tal aleivosia aconteceu!)

E por fim, o “nosso” primeiro teve de cancelar a visita ao Brasil para assistir ao encontro inaugural da Selecção – culpa do Tribunal Constitucional, claro!!

São duas as inferências que se me assomam à ideia:   
                                                                               
Primeiro, que o “nosso” primeiro é uma vítima de todas as malvadezas e estão todos contra ele, coitadinho! Como dizia o Calimero (quem não se lembra dele?) «It’s not fair!!»



Depois, em modo bem mais duro que nada tem a ver com o boneco animado do tempo das minhas filhas, só me apetece citar o ex-secretário de Estado da Cultura: «Vão tomar no cu!» (Desculpem-me o vernáculo, mas estou a citar um conhecido escritor da praça.)



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sinais de (re)toma

Agora que os donos da Europa e do FMI permitiram que a ministra Swap «se conseguisse livrar» da troika e obrigaram o “governo” à suja «saída limpa», começam a despontar os primeiros sinais de alívio, os primeiros «sinais de retoma».

O grande «grito do Ipiranga» foi dado pelo “governo”: realizou uma reunião de conselho de ministros (acho que até falaram em inglês…) em que aprovou um documento em inglês (“para inglês ver, claro!) pirosamente chamado «The Road to Growth» para atrair investidores para Portugal. E já vieram engalar em arco dizer que, para combater o emprego jovem, a McDonald’s vai criar 600 novos empregos nos próximos três anos. Que belos empregos! Duradores, muito bem pagos e com fortes perspectivas de futuro… …

No dia seguinte ao do conselho de ministros, o Eurostat veio com a notícia de que Portugal tem a sexta taxa de emprego mais baixa da zona euro, afastando-se pelo quinto ano seguido do objectivo europeu de 75% até 2020 e que a taxa de emprego entre os portugueses com idades entre 20 e 64 anos caiu em 2013 pelo quinto ano consecutivo para os 65,6.

No mesmo dia, o INE publicou as Contas Nacionais Trimestrais em que mostra que a retoma que o governo decretou existir não passa de uma (recorrente) ficção: no primeiro trimestre de 2014, quando comparado com o trimestre anterior, a economia caiu 0.7% em termos reais.

O PIB tem caído em cadeia (diz que é por causa do encerramento de uma refinaria da Galp e da diminuição da produção da AutoEuropa) e o investimento caiu mais de 30% desde o início do programa de ajuda externa.

E hoje ficámos a saber que o preço que pagamos pelo gás e pela electricidade é dos mais altos da EU.

São ou não são uns extraordinários sinais de (re)toma? Robustos e fiáveis…

Uns bons tomas (sem «re») é o que este “governo” precisa!!





sábado, 17 de maio de 2014

A minha mediania

Sempre me considerei uma pessoa de inteligência mediana. Digo sempre com muita humildade que «se eu consigo fazer uma certa coisa, toda a gente o conseguirá». Nunca senti os pés enterrados no lamaçal da estupidez, nem a minha cabeça alguma vez roçagou o brilho das estrelas.

Por isso há determinados comportamentos por parte de alguns outros que considero verdadeiros atentados à minha (mediana) inteligência. Um deles é uma pessoa contar-me duas e três vezes o mesmo episódio mesmo quando educadamente digo: «pois, já me disseste…». Isto para não falar – e isso acontece-me várias vezes – de quando me vêm contar algo muito interessante que fui eu que lhes contei ou darem-me uma ideia estupenda da qual fui eu que lhes falei…

Outro e bem pior é, sem dúvida, virem mentir para cima de mim quando hipocritamente me dizem aquilo que pensam que eu quero ouvir.

Mas pior, pior que tudo isto é ouvir os apaniguados deste “governo” dizer que «hoje é um dia excecional, um dia histórico porque a troika de foi embora»; que eles é que foram os tais que «correram com a troika»; que «Maria Luís Albuquerque foi a ministra que conseguiu fazer com que a troika se fosse embora, que foi, com Cavaco Silva, Carlos Costa, Vítor Gaspar e Passos Coelho, a protagonista do resgate; e que é um “nome incontornável como candidata à liderança do partido”. 




Por amor de Deus!! E os desastres que entretanto aconteceram ao povo e ao país em geral? E os roubos desmedidos? E os demandos? E as constantes mentiras? E as pessoas na miséria? E os retrocessos na economia, na saúde, na educação, na vida de todos os dias? E o aumento incrível dos proventos dos mais ricos? E o fosso abissal entre ricos e pobres e miseráveis – que outros não há!!

Num flash vem-me à mente o desespero de António Nobre:

«Jezus! Jezus! Jezus! o que hi vae de afflicção!

Ó meu amor! é para ver tantos abrolhos,
Ó flor sem elles! que tu tens tão lindos olhos!
Ah! foi para isto que te deu leite a tua ama,
Foi para ver, coitada! essa bola de lama
Que pelo espaço vae, leve como a andorinha,
A Terra!


    Ó meu amor! antes fosses ceguinha...»

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Baixo nível

(O Trio Maravilha)

Então o dr. Barroso, o inefável cherne, vem a Lisboa armado em carapau de corrida, trazendo na mala seis comissários lá do grande oceanário que deve ser e Comissão Europeia, discutir o futuro deste pequeno e pobre Portugal.

E, como se trata de um assunto por de mais amplo e abrangente, que diz respeito a todos nós, sejamos partidários ou simpatizantes do quadrante A ou do quadrante B, ou C, ou D, o europeísta senhor, que nem mesmo ao fim de dez anos de contacto com a civilização conseguiu perceber e menos ainda interiorizar como as personalidades com responsabilidades de governação de topo devem mostrar-se equidistantes e iguais no tratamento de todos, convidou para essa conferência o senhor presidente – tem sorte por pertencer à mesma familória partidária do dr. Barroso! – o senhor primeiro-ministro e mais uns meninos lá do seu “governo”.

O líder do maior partido da oposição recebeu um e-mail às tantas da noite para se inscrever para poder assistir e ouvir caladinho as bacoradas que cada um dos ilustres convidados nacionais – que os internacionais não conheço minimamente para asseverar da sua qualidade – conseguir atirar ao ar. Quanto aos restantes partidos de esquerda com representação no Parlamento, nem sequer têm permissão para se inscreverem para assistir.

Será este um procedimento democrático? (Salazar, apesar de tudo, conseguiu ser mais coerente: pôs “essa gente toda” na clandestinidade!)

Depois vêm o senhor presidente e o senhor primeiro-ministro – em mais um golpe baixo de publicidade e campanha eleitoral – gritar e barafustar porque o PS não quer entender-se com o “governo” no que ao futuro do país diz respeito…
Muito baixo nível!!

(E fiquei eu tão chocada, quando aqui há anos o grupo da “oposição” lá na “minha” escola convidou o conhecido psicólogo Eduardo Sá – irmão de uma colega lá da dita “minha” escola e pertencente ao tal grupo da “oposição” – para dinamizar um encontro com os professores da escola de cujo conselho executivo eu era presidente sem sequer nos informar da sua vinda …)

Infelizmente o baixo nível é comum aos mais díspares grupos sociais…

sábado, 5 de abril de 2014

Cheiro a fénico

Aprendi com as mulheres lá minha infância que, ao escolhermos na praça, por exemplo, um pargo, devemos  reparar se ele cheira a fénico. E se cheirar, há que recusá-lo em absoluto.

Vem-me à cabeça esta memória de outras eras a propósito do «cherne», aquela espécie de político a quem a mulher, certamente feliz por se livrar dele a tempo inteiro quando foi para a Europa, assim apelidou a partir do poema de O’Neill «Sigamos o Cherne» (que se «lá no assento etéreo a que subiu» ficou a saber disso, deve ter dado umas boas voltas na tumba!)




É que o cherne, ao fim de todos estes anos a boiar em águas turvas e chocas, cheira com certeza a fénico e há que recusá-lo!

Ascendeu aonde ascendeu muito pela pobreza de inteligência, civilidade e de «saber de experiência feito» que grassa, desde o fim da Guerra Fria, entre os políticos da Europa e mais ainda por ter servido nos Açores (o «criado de libré» no dizer sempre sarcástico de Baptista-Bastos) aqueles cafés ao Bush e ao Blair sedentos de irem ao pote no Iraque. E agora, na curva descendente do seu baço reinado europeu, está a lançar todas as redes – ironia de cherne estragado – aqui para a tirinha de terra de onde fugiu com o rabinho entre as pernas clamando que o país estava «de tanga» para ver se apanha distraído este povo de tristes pescadores de carapaus e sardinha e se  atraca a Belém.

Para isso ele faz de tudo. Manipula opiniões sobre a excelente actuação do “governo”; encomenda relatórios sobre a "recuperação" da nossa economia e sobre a famosa "saída à irlandesa"; opina sobre tudo e manda recados e bitaites cá para dentro em nome da Europa.

Como os insanáveis “governantes”, deputados, apoiantes e puxa-saco da maioria e como os media em geral, também este cherne estragado está apostado em denegrir e desacreditar o partido que tem fortes probabilidades de ganhar as próximas eleições legislativas. Então, lembrou-se de levantar umas ondas de areia do fundo do mar atirando mais uma atoarda sobre o ex-governador do Banco de Portugal, elemento daquele partido, querendo enredá-lo no infame e torpe escândalo do BPN, criado pelas gentes do seu próprio partido e do qual se quer agora afastar, vá-se lá saber porquê!...

Se, de facto, já em 2002, ele estava preocupado com o crescimento daquele «polvo» de águas sujas, tinha obrigação, enquanto primeiro-ministro, de formalmente questionar o governador do BdP sobre se seria verdade «aquilo que se dizia sobre o BPN», alertar a Assembleia da República e até o Presidente da República. Mesmo sem o ter feito, o dr. Barroso, se tivesse querido jogar limpo, teria apresentado estas surpreendentes revelações que agora se lembrou de vir relembrar aquando da realização das comissões de parlamentares de inquérito sobre o assunto, coisa que não fez.

Este cherne fede! Cheira a fénico! Há que recusá-lo!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Vamos aos pássaros!

Para não voltar a versar e a apontar as tristezas deste país e ter de lamentar a insipidez de mais uma manifestação contra as políticas do “governo” que, como todas as anteriores, não passou de um folclórico passeio por Lisboa;

para não ter de observar o pavor que estes “nossos” governantes têm de eventuais confrontos com o povo, que os leva a cercarem-se de hordas de guarda-costas de cada vez que saem da “toca” – da lura talvez, que é mais própria dos coelhos – e que os levou ontem a exibir uma força militar frente à Assembleia como se estivessem à espera da invasão dos marcianos (posso imaginar que aquela “nobre” senhora loira que ascendeu a segunda figura da República estivesse rodeada dos 40 GNR convocados para segurança do interior da Assembleia e talvez até tivesse envergado o cinto de castidade não fosse o diabo tecê-las…);

para não ter de lamentar que os juízes desta terra, depois de deixarem prescrever o estrondoso caso da trapalhada na compra dos submarinos e outros e outros e outros casos do chamado “colarinho branco”, tenham decidido pela prescrição da roubalheira no BCP (preparando-se e nos para, de igual modo, decretarem a prescrição da bandalheira do caso BPN/PSD);

para não ter relembrar o (pouco noticiado) caso do jornalista de foi agredido a pontapé por um solícito assessor do partido do “governo” quando aquele apenas queria fotografar o “DR” Relvas na sua triunfal chegada ao Conselho Nacional do partido (ai se fosse um elemento do PS!!!);

para não ter de lamentar o facto de os deputados dos partidos da oposição não terem acompanhado todos os deputados do BE quando abandonaram a Assembleia face à birrinha de indignação do sr. Coelho;

para não ter de confessar, aqui perante todos, que também eu estou com uma enorme birra de igual modo indignada sim, mas com a obra de destruição nacional que este grupelho de predadores hasteado ao poder por uma grande percentagem de “nós” está a levar a cabo dia após dia;


deixo aqui as imagens da minha gata (também ela uma grande predadora) que, com estes belos prenúncios de Primavera, saiu para as rústicas traseiras do nosso quintal, atraída pelo chilreio com que a passarada perfumou os ares da manhã, para ver se lançava a unha a algum passarito mais distraído…







quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Campanha eleitoral



A rapaziada do “governo” entrou em campanha eleitoral. E não se pense que o alvo dessa campanha é a eleição dos deputados portugueses para o Parlamento Europeu que terá lugar em finais de Maio próximo. De facto, em finais de Janeiro, ainda nem se conhecem os nomes que irão integrar as listas dos diversos partidos para essa eleição.

Não! Quando digo que o “governo” está em campanha eleitoral, refiro-me às legislativas (que terão lugar lá para Outubro de 2015) e até às presidenciais (que serão realizadas lá para Janeiro de 2016).

Primeiro vieram com os sinais positivos da economia (mesmo sem dizerem quais) e com a descida da taxa do desemprego que, sabemos bem, tem diminuído porque grande parte dos desempregados deixaram de ter direito ao respetivo subsídio passando a não contar como desempregados já que passaram à triste categoria de indigentes. Quanto a este assunto a nossa atemorizada comunicação social nunca diz que esses cidadãos passaram a não contar para nada, antes diz, da forma mais eufemística, que «deixaram de procurar emprego», empurrando para eles a responsabilidade dessa situação. Por outro lado, esconde-se o exorbitante número de pessoas que, não conseguindo trabalho cá no país, emigram fazendo também baixar a percentagem do desemprego.

Agora, como moeda de troca com o «criado de libré» a quem a «taluda» da guerra no Afeganistão arranjou um lugar como presidente da Comissão Europeia e a quem Passos Coelho prometeu lançar na corrida a Belém, vêm os seus “subordinados” ajudar à campanha interna fazendo o constante elogio da acção deste “governo”, dizendo que Portugal pediu o resgate tarde de mais – discurso que vem espevitar aquela ideia tão grata a este povo de que os socialistas estiveram, estão e estarão na origem de todos os males que lhes acontecem – declarando que a dívida pública portuguesa baixou não sei quantos pontos, e agora anunciando até que o défice para este ano ficará 1% abaixo do negociado com a troika.

Entretanto, o PM e apaniguados que até há poucas semanas ameaçavam o povo com um segundo resgate vêm agora apregoar que vamos sair deste resgate “limpinhos, limpinhos” (onde é que já ouvimos isto?!) como a Irlanda. A continuarmos neste ritmo, ainda passamos à frente da Alemanha!...

Apoiando a campanha em curso, a nossa comunicação social, seja com reportagens, notícias, debates, cometários escolhidos, todos os dias repete até à exaustão (e apenas) estes e outros logros ardilosos. Ainda há pouco, o telejornal do canal governamental pretendeu fazer um balanço da atuação dos três anos do “presidente” da República e para tal convidou algumas figuras absolutamente insuspeitas a pronunciarem-se: Proença de Carvalho, Francisco Van Zeller, Nicolau Breyner… (Nem os ouvi!)

Por último, mas não em último, um grande apoio da (vergonhosa) campanha do “governo” é o secretário-geral do maior partido da oposição que, segundo consta, se move pelo país mas em sapatinhos de lã para não dar muito nas vistas, não levanta aquela vozinha de menino de coro para nada, limitando-se a dizer, com muito pouca convicção, que o “governo” não pode contar com o PS para não se sabe muito bem o quê, e não se assume abertamente perante o país como uma verdadeira e forte alternativa.


Estamos feitos!

domingo, 17 de novembro de 2013

O novo PRD!



Agora vem mais um ‘cromo’ com a ideia peregrina de formar um novo partido; um partido de união. Um senhor saído de um partido menor que foi para o Parlamento Europeu logo negando o seu próprio partido e agora quer armar-se em (mais um) salvador, não digo da Pátria que essa precisa de mais do que isto para ser salva, mas das consciências atormentadas. Mais um hipócrita a juntar a tantos que adejam como vampiros sobre as nossas cabeças. Este senhor, mais um iluminado da praça pretende criar «uma frente que devolva ao país a realidade da Constituição» que seja «um rumo novo, “uma esquerda nova”, ou um partido de “tipo novo”, que não seja “reaccionário”, como outros de esquerda.»

De imediato me vem à lembrança a erupção meteórica do PRD, em 1985, sob a égide de Hermínio Martinho, um outro ‘cromo’, que também pretendia “moralizar a vida política do país” e que, curiosamente, também apareceu após um episódio de crise e de austeridade – embora não nos moldes da que estamos a viver atualmente! Como é que o sério e íntegro Presidente Eanes (muito jovem para ficar sem visibilidade e sem ação política) foi colar-se a um projeto daqueles?!


Só espero que estes catões portugueses, em mais um acesso de sebastianismo serôdio, não mergulhem de cabeça nesta nova aventura que se vai chamar LIVRE (tudo pensado!) de Liberdade, Esquerda, Europa e Ecologia (ganda salganhada, no entanto!) como fizeram com o breve furacão que foi o PRD e que venham a arrepender-se depois de mais uns tantos estragos feitos!


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Imploda-se Portugal!




A implosão que o “ministro” (C)rato prometeu para o Ministério da Educação está quase, quase concluída! Depois de diminuir drasticamente o número de professores e de funcionários nas escolas, depois de aumentar o número de alunos por turma e de cortar nas horas semanais de algumas disciplinas, depois de proibir a colocação de professores de apoio e de técnicos especializados – psicólogos e terapeutas – que faziam o acompanhamento específico dos alunos com necessidades educativas especiais acolhidos em unidades estruturadas nas escolas, ontem assistiu-se à entrada em vigor do propalado “cheque-ensino” que pretende “dar liberdade de escolha às famílias” entre o ensino público e o privado.

Sabemos que este princípio está consagrado na Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE)  (É garantido o direito de criação de escolas particulares e cooperativas (art. 2º c)) o que não quer dizer que tenha de ser o Estado a pagar, a aguentar, a garantir os proventos a essas escolas particulares e cooperativas.

Para este “governo” a Educação conforme está definida na acima referida LBSE é uma “gordura” do estado portanto há que descartar essa despesa (da mesma forma consideram a Saúde) e entretanto dar a possibilidade de: a) potenciar o enriquecimento de mais uns tantos correligionários; b) promover o formatado ensino da linha do Igreja; c) reforçar o fosso, já bem largo, entre ricos e pobres.

Ontem à noite pudemos assistir na televisão a duas belíssimas prestações sobre esta problemática: primeiro o programa “Verdade Inconveniente” na TVI sobre o número incrível de colégios que brotaram como cogumelos (muitos deles quase junto a escolas públicas que iam esvaziando) desde os anos 90 especialmente na área geográfica da DREC (vá-se lá saber porquê…) e o que cada um deles tem custado ao erário público.

Depois foi a vez do Prós e Contras – programa que raríssimas vezes vejo porque não suporto a apresentadora – em que a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues juntamente com o Professor José Reis, ex-secretário de Estado do Ensino Superior deram umas boas lições (ia dizer que “deram um baile”, mas não ficava bem nem era condicente com o nível dos dois participantes) sobre Educação a dois impreparados ex-ministros da Educação do PSD, o balofo Couto dos Santos, do tempo de um dos governos de Cavaco, e o Professor Pedro Lynce do governo de Durão Barroso e do qual pediu a demissão ao fim de um ano de mando como ministro do Ensino Superior que mais não fizeram senão defender a ideia que o Irrevogável Portas plasmou no inefável Guião da reforma do Estado…

Entretanto e perante todos estes casos e a perpetração quase cabal da implosão do Ministério da Educação, onde anda o sr Mário FENPROF? A prometer greves (greves! Para que servem as greves atualmente?) contra a realização da prove de acesso à carreira de professor… Minudências face à gravidade das medidas tomadas pelo ministro (C)rato! Se fosse a ministra Maria de Lurdes a tomar medidas destas já o sr Mário FENPROF estaria com os professores todos na ruas como fez há uns anos atrás…

E, pior ainda: face à implosão deste e de outros ministérios como o da Saúde, o da Segurança Social e, atrevo-me a dizer, o país em geral, onde está o chefe do principal partido da oposição? O que anda a fazer? O que pensa? O que propaganda faz da sua atuação?


É que o país precisa de saber.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tão baixo, tão baixo...

Quem não se lembra das anedotas de tão … tão?

«Era uma beata tão beata, tão beata que passou um homem e fumou-a!»

«Ela era tão magra, tão magra que engoliu uma azeitona e parecia estar grávida!»

«Ela era tão magra, tão magra que passava pelo meio dos pingos da chuva!»

Hoje lembrei-me destas tolices ao ouvir e ler as luminárias que o “nosso” primeiro-ministro lançou pela boca fora no encerramento da “universidade” de verão do seu iluminado partido. (Nem me falem no ridículo de chamarem universidade às reuniões que os partidos fazem no fim do verão em que uns tantos meninos jotinhas se inscrevem para serem vistos por quem os possa chamar para lugares que lhes assegurem a vidinha.)

E perguntam-me vocês o que terão as bacoradas que o senhor pm (com letra pequena!) largou boca fora a ver com as piadas de tão…tão? Bom, eu explico: é que o senhor pm não fez mais nada senão tropeçar nas palavras e nas frases que usou. E aí lembrei-me da piada que falava daquela anã que era tão baixinha, tão baixinha que tropeçava no cordão do tampax…

Pois o senhor pm não é baixinho (embora seja pequenino) nem usa tampax, mas realmente tropeçou nas palavras, nas frases, nas ideias que lançou ao acusar os juízes do Tribunal Constitucional de «falta do bom senso» (já sabem como eu odeio a expressão bom senso, mas não é por aí que….) e por arrasto, sem se dar conta disso, acusou o presidente da mesma falta de bom senso…

Não contente com isto, ainda largou aquela outra pérola que toda a gente já referiu e que foi: «O que é que a Constituição fez pelos 900 mil desempregados?» Que tropeção! Pior, bem pior do que a pobre anã que todos os meses tropeçava no cordãozito do tampão…

Não vou gastar palavras a comentar esta incomensurabilidade porque já toda a gente o fez; posso no entanto sugerir um desses comentários que achei muito bom.

Não posso porém deixar de dizer que, face a estes tropeções e a estas trapalhadas antidemocráticas, anticonstitucionais, baixas, boçais e torpes, em qualquer país civilizado – que não é o caso do nosso, infelizmente – este pm seria forçado pelas instituições a demitir-se.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O fascismo a bater-nos à porta


Corre pelo Facebook – abençoada janela aberta onde as vizinhas conversam de janela para janela como se costumava e eu vi fazer-se lá na minha terra, Algés, nos longos idos de 50 – e decerto muitos dos meus amigos já se deliciaram a ler, mas não resisto a passar aqui algumas partes deste extraordinário texto que saiu no DN do sábado passado.

Nem sempre leio os textos do provedor do leitor – o jornalista Óscar Mascarenhas – por demasiado longos, mas este realmente não me passou pelo apelativo e por de mais direto título «Poiares Maduro e Lomba sãotão-somente o fascismo a bater-nos ao de leve à porta».
Se não leram ainda, deem uma vista de olhos que merece a pena.

«Aldrabões. Não faço por menos. Mandam as artes e manhas dos artigos de opinião que não se diga logo ao que vem o autor, para manter o leitor agarrado ao prazer do texto. Mas desta vez, iconoclasta como me quero, finto as regras e vou direto ao assunto: os senhores (professores doutores ou doutorandos e mais o que desejarem ser no currículo e na mercearia do bairro) Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, nos poucos dias que levam de governo, já deram provas de terem sido aldrabões. Não digo que o sejam, que não sou tão pateta e desajeitado que abra um alçapão legal sob os meus próprios pés perante juristas assim ditos tão eminentes: afirmo que o foram. Episódica e admito que corrigivelmente.

E vou mais longe: nos poucos dias em que estes governantes exerceram o poder, o fascismo deu um passo em frente. Nem lhes vou dizer que limpem as mãos à parede, porque podem espalhar a peste, a cólera e a tinha. Lavem-nas, com sabão azul e branco e, de caminho - vão ao banho! (...)

Vejamos quem são estes figurões de que falo - e o leitor trace a opinião sobre o civismo, carácter, ou o que lhe aprouver deles. Miguel Poiares Maduro, ministro, colega de sala de um tal irrevogável Paulo Portas, que preferiu trocar a sua reputação pela salvação da pátria, numa espécie de martírio de Santa Maria Goreti mas ao contrário, no corpinho frágil de São Domingos Sávio que se finou aos quinze anitos. (Este mostra-se mais resistente, sinal de que o Senhor hesita em chamá-lo para junto de si, transferindo o ónus para a tolerante e inexcedível bondade de Cavaco Silva, sempre bem aconselhado pela sua nunca por demais citada esposa, não eleita pelo voto mas calculo que pelo coração de uma cabina telefónica cheia de portugueses, pelo menos!) Paz às almas! Miguel Poiares Maduro, igualmente colega de carteira de um tal Chancerelle Machete que, de ainda mais maduro, se atascou na podridão, ipsis verbis, de uma coisa que dá pelas siglas de SLN e BPN e o qual, diz o WikiLeaks, tem uma reputação tão elevada junto dos americanos que, quando eles quiserem fazer qualquer negócio em Portugal, não duvidarão em consultar certo escritório de advogados porque, como dizem os ianques naquela língua-de-trapos, every man has his price e... money is no problem. Gostaria patrioticamente de estar enganado, mas, em diplomacia, o que parece... é o que diz o WikiLeaks. O outro: Pedro Lomba, colega de Agostinho Branquinho, a criatura que não sabia o que era a Ongoing e teve de ter emprego na Ongoing para perceber o que é a Ongoing. E ser colega de tal figura é coisa para se trazer ao peito, com orgulho, como um broche de bom latão.

Os dois, Poiares Lomba e Pedro Maduro, são herdeiros - com pouco jeito - de Miguel Relvas, que, com muito menos estudos do que eles, lhes deu lições de como fazer política nestes tempos.

Pois os colegas de Portas, Machete e Branquinho - e aprendizes de Relvas - deram-se à missão de gerir a informação ao povo, através dos jornalistas, prometendo briefings diários que duraram dois dias e que retomaram agora, com a honradez da palavra que os caracteriza, em encontros diários duas vezes por semana, não sei se o leitor entende. (...)

Aqui é que estes grandes educadores dos jornalistas aldrabaram. Começaram por dizer - ponho no plural porque tão aldrabão foi o secretário de Estado que disse, como o ministro que mandou dizer ou, pelo menos, não o desautorizou - que os briefings com os jornalistas seriam umas vezes em on - isto é, podia dizer-se quem disse o quê - outras vezes em off (que na sabedoria analfabeta do secretário de Estado e do ministro não sei de quê nem interessa se convertia numa figura nova em que suas excelências expenderiam umas quantas patacoadas espremidas dos seus notáveis bestuntos e os jornalistas papagueá-las-iam, mas sem dizer quem esvurmou tais pústulas de sabedoria). E disseram, ex cathedra, que era assim que se fazia em Inglaterra. Aldrabaram. (Vês, Pedro Tadeu, que há uma palavra ainda mais forte do que "mentiram"? Quando a falta à verdade é rasca e torpe, a palavra é "aldrabice".) Os briefings em Inglaterra são sempre atribuídos ao PMS (Prime Minister Spokesperson), isto é, ao porta-voz oficial do primeiro-ministro, pessoa conhecida e identificada - e as respostas são sempre factuais, nada de divagações onanistas de ministros ou secretários de Estado fala-barato armados em palestrantes.

E, com esta aldrabice, intrujaram: no segundo dia de briefing, levaram uma conceituada jornalista da rádio a reproduzir todos os vómitos e regurgitações opinativas do ministro ou do secretário de Estado, atribuindo-os sempre a "fonte do Governo". Intrujaram a jornalista, que, eventualmente, por temor reverencial ou mau conselho, se esqueceu dos seu dever deontológico de não reproduzir comentários sem identificar a autoria. (...)

Mas não se fica por aqui a impertinência e a incivilidade destes dois cavalheiros: mais recentemente, o ministro Maduro esticou-se nas pontas do pés, esganiçou--se e verberou jornalistas sobre as perguntas que deveriam ou não fazer!

Mas quem é ele?

E, pior do que isso, porque é que não houve nenhum jornalista presente que dissesse a Sua Impertinência que lhe cabe responder ou não às perguntas dos Senhores Jornalistas (com maiúsculas, perante tão vulgar e efémero ministro) e não dizer-lhes o que devem ou não perguntar?

Aviso solene aos jornalistas do Diário de Notícias - e estou seguro de ser levado a sério: manda o nosso Código Deontológico, no seu ponto 3, que "o jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos."

Venham os Poiares Pedros ou os Lombas Maduros que vierem, jornalista do DN que se acobarde perante este fascismo com pés de lã, pode ter a certeza, à fé de quem sou, que fica com o nome num pelourinho de cobardolas que prometo expor aos leitores. Porque é dos direitos dos leitores que estamos a falar. Enquanto estiver nesta casa e nela tiver voz, o fascismo não entra de esguelha.

Estamos a viver tempos perigosos. Em Espanha, o alegado recebedor por baixo da mesa Mariano Rajoy proíbe que se fotografe, que se grave, não sei mais quê. Em Itália, é o que sabe do império Berlusconi (ou é Burlesconi?). Na Grécia, silencia-se a televisão e mesmo com ordens do tribunal não se reabre.

O fascismo anda por aí. É bem visível no ovo da serpente.

Já não há a Europa da liberdade: somos governados por filhos de Putin.

Inúmeros filhos de Putin.

Cabazes de filhos de Putin.

Em Portugal, os devotos de Putin, discípulos de Miguel Relvas, condiscípulos de Agostinho Branquinho e quejandos chamam-se, entre outros, Miguel Poiares Maduro e Pedro Lomba, lamentáveis expoentes de um passado que parecia inconformista e rebelde, transformados num estalar de dedos em esbirros da política da mordaça, assim que os convidaram a sentar-se num mocho cambaio a metro e meio da mesa do orçamento com direito a côdea bolorenta.(...)»



segunda-feira, 8 de julho de 2013

O crime compensa!

 
(Tão envergonhados que eles estão!)


Pensei muito antes de escolher este título para o texto de hoje por o achar duro de mais. Pensei em escrever «A irrevogabilidade compensa»; «A dissimulação compensa»; «O disfarce compensa». Com efeito, em Portugal qualquer destes títulos fazem sentido. Mas depois voltei à primeira ideia porque é de facto de crime que se trata. Um “governo”, ou melhor, um grupo de pessoas que se encontram à quinta-feira em conselho, que leva dois anos a derruir a economia do país, que põe a quantidade de pessoas sem emprego em números nunca antes alcançados – porque não se trata de escrever aqui ‘a taxa de desemprego’ porque essa não contém as pessoas que já não têm direito ao subsídio de desemprego e que, portanto, passaram à condição de indigentes; um “governo” que destrói  a chamada “classe média”, que arrasa a saúde e a educação que em trinta anos deram saltos bruscos de qualidade desde o tempo da penúria da ditadura; um “governo” que rouba os reformados e embirra com os funcionários públicos; um “governo” que manda o povo emigrar e manda fora os seus jovens mais qualificados; um “governo” que destruiu o estado social e enriqueceu os mais ricos, aumentando a despesa e a dívida pública quando se tinha proposto ao contrário, um “governo” que fez tudo isto e muito mais em dois anos pode ser apelidado de criminoso! 

Mas hélas! Dois anos volvidos sobre os “crimes” lesa-pátria e lesa-indivíduo e um “golpe de estado” obrado na passada semana da forma mais reprovável por um ministro (do partido minoritário da coligação) em busca de mais e mais poder, tudo volta à harmonia estadística. Uma harmonia sustentada por um presidente da República que pertence e suporta e defende – contra tudo e contra todos e até contra a Constituição – o partido da maioria (relativa); uma harmonia apoiada pela Europa do cação, digo, do cherne: agora até “recebem de braços abertos” a pequena dos swaps que ascendeu a ministra da continuidade depois de o seu anterior chefe ter assumido o desastre total do seu trabalho desde que chegou ao “governo” mesmo sem ter sido eleito. Uma harmonia sustentada por um segundo resgate “soft” que a Europa quer oferecer aqui ao país de “bons alunos” para continuar a ser uma horda de “bons alunos”; uma harmonia suportada pelas carinhas de bonomia fingida de figuras (tristes) como o governador do Banco de Portugal e de outros banqueiros, já para não falar nos jornalistas/jornaleiros e comentadores que nos azucrinam o juízo nas televisões e nos jornais com o propósito de nos amedrontar e aceitar tudo. Uma harmonia escorada até e pasme-se! na Igreja que, segundo o recente Patriarca de Lisboa, considera que este “governo” tem toda a legitimidade para continuar porque é suportado por uma maioria no Parlamento…

É para continuar, sim senhor! E não me venham dizer que a culpa é do Seguro (independentemente da sua forma de estar pouco empolgada e “politicamente correta”) que não se comporta como oposição. Nada disso! 

É que cá em Portugal, a hipocrisia manda e o crime compensa!