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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Tão baralhada!

A minha hortense mais antiga anda mesmo baralhada... Não sabe se ainda é Verão ou já é Inverno. É que ainda há uma semana estava tanto calor e agora está cá uma nortada! E, como não chove, se calhar ainda não estamos no Outono - pensa ela. Como há de florir?!






Invejo as flores que murchando morrem,
E as aves que desmaiam-se cantando
E expiram sem sofrer...

Álvares de Azevedo


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Flores resilientes

Claro que já não se lembram daquela minha publicação sobre a resiliência e sobre as minhas flores resilientes. Gosto mesmo dessas flores que, ano após ano, renascem em cada Verão com a vivacidade de quem é muito bem tratado mesmo sem o ser. 

Já as tive amarelas salpicadas, brancas e rosa forte. Mas nos últimos anos só estas últimas têm renascido. E eu cheia de pena por não aparecerem as brancas.

Mais pena ainda senti - ou seria mesmo uma pontinha de inveja? - ao vê-las despontar ali por todo o lado no jardim da urbanização lá em Nerja!




Ainda pensei trazer um pezinho para o transplantar no meu quintal, mas com o calor sufocante que fazia, ao fim de oito horas de viagem, havia de cá chegar sem vida.

Pois não é que uma semana depois de estarmos em casa, ao lado do tufo de flores rosa forte, começaram a despontar as ditas flores brancas?

Podem chamar-me os nomes que quiserem, mas nem imaginam como fiquei contente!






quarta-feira, 31 de maio de 2017

Maio florido

No fim deste lindo mês de Maio, Maio florido, deixo aqui algumas flores do meu jardim e da minha rua que se chama «do Jardim». 



















E, por fim, um velhinho poema (de 1915) que descobri por aí do poeta António Corrêa d'Oliveira (1878-1960) que é um outro tipo de flor...




quinta-feira, 11 de maio de 2017

Meados de Maio

Chuvoso Maio!

Deste lado oiço gotejar
sobre as pedras.
Som da cidade ...
Do outro via a chuva no ar.
Perpendicular, fina,
Tomava cor,
distinguia-se
contra o fundo das trepadeiras
do jardim.
No chão, quando caía,
abria círculos
nas pocinhas brilhantes,
já formadas?
Há lá coisa mais linda

que este bater de água
na outra água?
Um pingo cai
E forma uma rosa...
um movimento circular,
que se espraia.
Vem outro pingo
E nasce outra rosa...
e sempre assim!

Os nossos olhos desconsolados,
sem alegria nem tristeza,
tranquilamente
vão vendo formar-se as rosas,
brilhar
e mover-se a água...   

Irene Lisboa, in 'Antologia Poética'




segunda-feira, 1 de maio de 2017

Celebrando Maio



Rosa Vermelha

A esposa do guerreiro está sentada à janela.
De coração aflito, borda uma rosa branca numa almofada de seda.
Picou-se no dedo! Seu sangue corre na rosa branca, que se torna vermelha.
Seu pensamento vai ter com seu amado, que está na guerra
e cujo sangue tinge, talvez, a neve de vermelho.
Ouve o galope de um cavalo...Chega enfim seu amado?
É apenas o coração que lhe salta com força no peito...
Curva-se mais sobre a almofada e borda com prata
as lágrimas que cercam a rosa vermelha.

     Li Po

    (Tradução de Cecília Meireles)




Lenda

"Não colhas essas rosas.
As rosas,
Irmãs na terra das estrelas,
São mais lindas nos olhos que na mão.
Contenta-te em vê-las.

Deixa-as na haste,
Cor de púrpura e ouro.
Se as colheres, as rosas morrerão."

Não quis ouvir o teu agouro.
Colhi todas as rosas que nasceram
Nos caminhos por onde me levaste
E as rosas não morreram....

(Álvaro Moreyra
1888-1964)



TÃO CEDO PASSA TUDO quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
        Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe
        E cala. O mais é nada.

(Odes de Ricardo Reis)


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O desconcerto da Natureza

Janeiro entrou frio e chuvoso. Depois daquele Dezembro soalheiro de tardes primaveris, pensei que agora sim, tinha entrado o inverno. Não que eu goste por aí além do clima invernoso, mas as coisas querem-se a seu tempo.

As plantas no meu nano-mini-micro jardim andam completamente baralhadas. Senão, veja-se.

Os brincos-de-princesa continuam a florir.





As rosinhas de Santa Teresinha não param de desabrochar para a sua duração breve de um dia. «Essas volucres amo, Lídia, rosas /Que em o dia em que nascem, /Em esse dia morrem.» (Ricardo Reis)




A cameleira, que costuma dar botões com os primeiros frios de Novembro, ainda agora mostrou o seu primeiro botão.




 Está na altura de cortar as hortenses mas elas ainda estão a florir.









Últimas hortenses do ano

Que enorme desconcerto!!!


domingo, 16 de outubro de 2016

4º encontro de bloggers

Há que desculpar a minha insistência, mas é só para lembrar que já só falta uma semana para o nosso encontro...

Hoje fui marcar o almoço. Para 24 pessoas, mas, infelizmente, já tivemos uma baixa "de peso": o Henriquamigo deu uma queda e está de cama, dificilmente consegue andar e conduzir nem pensar!

Será que não há "por aí" alguém e outro alguém que ainda não se tenha inscrito? É só dizer-me <gracaenator@gmail.com>

A ver se vos convenço pelo cansaço e pelas imagens...

Hoje S. Pedro estava assim. «País de Bruma»...




O mar revolto  como de costume




A varanda de Afonso Lopes Vieira sobre o mar






Apesar do nevoeiro que indicia o outono, as varandas enchem-se de flores.















De flores e de catos bem sugestivos...



Que me dizem? 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Da resiliência

Há palavras e expressões com que embirro solenemente! Nem consigo dizer se embirro mais com a palavra ou com o conceito que ela suporta. Por exemplo: não me falem em «bom senso» nem em «cultura geral» que são expressões/conceitos que eu não suporto e nego à partida por serem vazias, por serem completas generalidades. Isto da psicolinguística tem muito que se lhe diga…

Uma palavra com que embirro solenemente é a palavra «resiliência». Aliás com todas as palavras/conceitos que se têm importado do âmbito da gestão. Também passei a embirrar solenemente com a gestão em geral desde que se tornou moda, pelo menos aqui entre nós, sempre tão abertos a receber e adotar tudo quanto vem dos States, a gestão de tudo! Desde 80, tudo se passou a gerir seguindo os passos da gestão de empresas: desde a vidinha do dia-a-dia até às emoções! Como se houvesse programação exata daquilo que se passa entre o cérebro e o coração! Como se houvesse gestão com programação e previsão de lucros no que nos pode acontecer nas simples 24 horas do dia!

Nem queiram saber o que eu «ralhei e barafustei» quando veio aquela moda apresentada por alguns professores das Ciências da Educação mais quadrados que defendia que «a Escola é uma empresa e como tal deve ser gerida»! E depois mais avaliações internas e mais análises SWOT, e mais benchmarking, e mais coaching, e mais o clima organizacional, o mais a assertividade e mais sei lá o que mais e lá vinha a bendita resiliência!

Falácias, quanto a mim e que me desculpem os modernaços que possam por aqui passar. Dirigi e vi dirigir escolas de grande prestígio sem nos atermos a estas pepineiras! Mas enfim! (A minha segunda pós-graduação, pelo ISCSP, foi toda ela neste âmbito mas olhem que me  foi bem penosa de fazer! Que seca!)

Ora tudo isto vem ao caso por causa de umas flores muito bonitas que a minha avó, que adorava plantas e tinha imenso jeito para elas, trouxe quando íamos de férias ao Algarve nos idos de 70. Não sei como se chamam, só sei que todos os invernos as arranco porque crescem como loucas e todas as primaveras elas renascem cheias de força e de viço e até, por vezes, com cores diferentes.

De dia fecham-se para se protegerem da intensidade do Sol que lhes bate em cheio; e, quando o calor aperta, quase murcham e desfalecem. Mas com o fresco do fim da tarde e o cair da noite, elas resplandecem, abrem-se e formam uns tufos de cor e de perfume maravilhosos.

Por tudo isto chamei-lhes flores resilientes…

Ora vejam! 








sábado, 23 de julho de 2016

De volta a casa

Hoje, de volta a casa, Alentejo acima. 
Aquela intensa imensidão amarela, azinheiras torcidas ao sol, o verde redondo dos pinheiros mansos, campos de arroz alagados em verde vivo.
E a presença constante dos aloendros. 



A beleza acústica da palavra - aloendro - a lembrar-me a leveza do poema «Canto Franciscano» do inesquecível Ary dos Santos tão bem cantado pelo Tordo.

«Por onde passaste tu
que me ficaste cá dentro
tenaz do fogo divino
irmão pinho ou aloendro?
Por onde passaste tu
que me ficaste cá dentro?»

Corria o ano de 72. As (poucas) maravilhas que nos eram permitidas à época.




O poema completo (de uma beleza de veludo...)

Por onde passaste tu
que não soubeste passar?
Pela sandália do tempo
pelo cílio do luar
pelo cílio do vento
pelo tímpano do mar?
Por onde passaste tu
que não soubeste passar?

Por onde passaste tu
que me ficaste cá dentro
tenaz do fogo divino
irmão pinho ou aloendro?
Por onde passaste tu
que me ficaste cá dentro?

Pois bem: nos campos da fome
ou nos caminhos do frio
se eu encontrasse o teu nome
lançava-te o desafio:
por onde passaste tu
pétala viva dos cerdos
rei das chagas e dos podres
- por onde passaste tu
não passaram as minhas dores!

Nasci da mãe que não tive
do pai que nunca terei
e aquilo que sobrevive
é o irmão que não sei:
uma espécie de fogueira
de corpo que me deslumbra.
Tudo o mais à minha beira
é uma réstia de sombra.
- Por onde passaste tu
com artelhos de penumbra?

Eis-me. Eis-me incendiado
por não saber perdoar.
Meu irmão passa de lado
- Eu sei como hei-de passar.



terça-feira, 5 de julho de 2016

Da nossa pequenez



As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
        Que em o dia em que nascem,
        Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
        Antes que Apolo deixe
        O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia ,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
        Que há noite antes e após
        O pouco que duramos.


(ODES de Ricardo Reis, Edições Ática, 1970, pág. 34)




(rosinhas do meu nano-mini-micro-jardim)

terça-feira, 15 de março de 2016

Camélias de Sintra

Um amigo de sempre enviou-me fotografias de uma exposição de orquídeas e camélias realizada no Largo da Vila, de Sintra, no passado fim-de-semana.

Escolhi mostrar as camélias de tão belas e requintadas.
























A propósito, lembrei-me desta canção muito, muito antiga que passava na velhinha rubrica «Melodias de Sempre»  nos primórdios da RTP, lá para inícios de 60 e que se chama exatamente Camélias, um êxito de 1928 da soprano Corina Freire

Poucos de vós se lembrarão ...