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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Almoço com gente fina...

Hoje foi à antiga portuguesa: lebre com feijão branco, num local bastante tradicional e com uns convivas bem famosos. Senão vejam.





(Eduardo Lourenço)


(Júlio Pomar)

(O Fernando Pessoa já tinha saído, mas ainda nem tinham levantado a mesa...)

(Estavam lá umas pessoas minhas conhecidas, mas ninguém de nome...)

Alguns até deixaram vestígios pelas paredes.








Toda a gente já descobriu onde almoçámos, não?...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A Praça da minha vida


Ora aqui está a Praça da minha vida! Trata-se, como todos facilmente perceberam, do Paço da linda e fresca Vila de Sintra. 

Achei graça ao desafio do amigo Carlos do Crónicas on the rocks e enviei-lhe a foto desta que foi a praça da minha vida " onde vivi a minha adolescência e juventude - foi, de facto, a Praça da minha Vida: por ali brinquei, passei diariamente para a escola, estudei, namorei... Enfim!" embora com o aviso de que seria simples de mais para enigma.

Conheço lindíssimas praças portuguesas - a começar pela lindíssima Praça Rodrigues Lobo aqui em Leiria -  e outras de algumas belas cidades europeias, mas considero o Paço da Vila de Sintra a mais bonita de todas.

Deixo aqui outras fotos da mesma nem todas tiradas por mim, mas que fui retirando da net e guardando aos longo dos tempos. Espero que gostem.

(na atualidade)


(Nos bons anos 50)

(A Torre da Vila)

(Na primeira metade do século XX)


 (Quando o elétrico ainda chegava à Vila)


(No século XIX)

domingo, 2 de setembro de 2012

Praias de Portugal (7)



Extasiantemente romântica a vista do casario suspenso sobre a piscina oceânica nem sempre à vista porque coberta pelas ondas furiosas do mar do oeste, é de cortar a respiração quando se avista do alto da estrada. 

Não vale a pena desafiar-vos a adivinhar de que praia se trata porque estas imagens são por de mais conhecidas. Mas se nunca lá foram, vão e admirem atentamente todos os recantos e respirem bem toda aquela ambiência única. Não façam como o Viajante que escreveu assim:

«Todos os caminhos vão dar a Sintra. O viajante já escolheu o seu. Dará a volta por Azenhas do Mar e Praia das Maçãs, espreitará primeiro as casas que descem a arriba em cascata, depois o areal batido pelas ondas do largo, mas confessa ter olhado tudo isto um pouco desatento, como se sentisse a presença da serra atrás de si e lhe ouvisse perguntar por cima do ombro: «Então, que demora é essa?» Pergunta igual há-de ter feito o outro paraíso quando o Criador andava entretido a juntar barro para fazer Adão.»

Calculam quem terá sido o ilustre viajante autor de tão belo parágrafo?


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Praias de Portugal (6) (cont.)

Pronto! Confesso que cortei a fotografia da praia do desafio de ontem, a do bar de toldo verde... Agora, num arrobo de «verdade e transparência» (onde é que eu já ouvi isto?!) vou repor a fotografia completa e, pelo menos os meus amigos bloggers aqui da vizinhança vão descobrir imediatamente de que praia ando a falar há três dias...



E é tão bonita e tão agradável esta praia que já no ano passado deixei aqui fotografias parecidas.



Então e agora?

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Praias de Portugal (6)

Bom, já que até a minha querida amiga e vizinha de cidade Flor de Jasmim afirma não conhecer a praia das minhas duas últimas entrada - Portugal no seu melhor 1 e 2 - deixo aqui mais um desafio para os meus queridos amigos conhecedores do nosso belo Portugal. De que praia se trata?


O dito bar da praia ali em baixo no areal com toldo verde

Um dia de mar sereno

Ao lusco-fusco

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Praias de Portugal (5)

Noutros anos, fomos passar as férias de Verão para outra zona do país. Não tão quente e concorrida como o Algarve, nem tão fresca e serena como por aqui.

Uma praia muito bela, muito boa, algo selvagem onde até encontrámos nudistas. Oceano. Tépido. Sem bandeiras azuis, nem verdes, nem amarelas. Corre um fio de água pelo muro que dizem ser boa para a saúde. E dizem que é de uma Senhora. Conhecem?




Só que... não há bela sem senão!




À noite, porém, era assim. Parecia ter uma moura encantada.


(Fotografia de Francisco Mendes)

sábado, 11 de agosto de 2012

Praias de Portugal (4)

Em mais um dia de muito calor em que até aqui no Oeste tivemos bandeira verde e a temperatura da água até estava suportável, aqui vos deixo uma outra bela praia para identificarem.

Acho que esta toda a gente vai reconhecer!


(Fotografia de Francisco Mendes)

Bons palpites! Bons banhos! Bom domingo!
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Praias de Portugal (3)

Queria muito escrever aqui que a minha Elisinha saíra do hospital hoje, mas por bem ou por mal ainda assim não aconteceu. Esperamos que seja amanhã o dia em vamos tê-la de volta! É que não querem deixá-la sair sem um diagnóstico ou sombra disso. (Ai de quem diga à minha frente que os nossos hospitais públicos funcionam mal!)

E, entretanto, para distrair e abstrair, vou deixar aqui a imagem de outra praia de mar azul e que foi uma das que mais frequentámos há anos atrás. Havia lá um bar cujo dono, nativo até ao mais denso da pronúncia, numa das manhãs em que lá chegámos quis convencer-nos que o barco que lhe fornecia o bar (por mar porque o acesso por terra era tremendo) se tinha virado e que a carga caíra toda ao mar. Quando estávamos quase a acreditar, sai-se ele com o seu ar mais trapalhão e brincalhão: «Era bonito de ver os pêxes todos com os ice-creams na boca!»...

Vamos ver quem sabe que praia é esta!




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Praias de Portugal (2)


Faz hoje 46 anos que me apaixonei …

… por esta praia onde o mar é mais azul. É uma praia de despedidas, para mim, porém, foi uma praia de encontros.



 Sabem dizer qual é? 

A foto abaixo ajuda mais.




sábado, 4 de agosto de 2012

Conhecem bem as nossas praias?

Reeditado

 Claro que se trata da Praia de Ferragudo, no Algarve, pertinho de Portimão. É muito linda, podem crer. Uma antiga vilinha piscatória.

O Observador, o Rui da Fonte, a São, a Rosa dos Ventos, a Luísa e outros e outros adivinharam.

Muito obrigada pela participação. Amanhã volto com outra praia ainda mais conhecida. E não é no Algarve. Promise!....


Como isto cá por casa está complicado e não dá para irmos à praia,vou passar a deixar aqui fotografias de algumas das nossas belas para ver como vai o vosso conhecimento do nosso admirável litoral. Vou apresentar praias das mais conhecidas pelo que rapidamente as reconhecerão. Assim, peço que façam algum "suspense" nas vossas respostas para darem hipótese a mais .adivinhadores.


(Fotografia de Francisco Mendes)

domingo, 8 de julho de 2012

C'est mon tour...





Lembro-me todos os anos, a propósito do Tour de France, de um trava-línguas que um dos meus professores de Francês no Colégio, o Dr. Vidal – que também foi meu professor de Desenho e de Ciências-Geográfico- Naturais, nos colégios era assim (e talvez ainda seja, sei lá! não obstante terem fama de terem melhores do que a escola pública… ) – nos ensinou para ilustrar como uma só palavra pode ter tantos sentidos de acordo com o contexto, e que era assim:

«C’est mon tour de faire en tour au tour de la tour pour faire un tour à mon frère.» 

Alguém se lembra? Querem avançar com uma tradução? (Claro que esta brincadeira não é válida para os colegas de Românicas…)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

22. Um cheiro de Verão

(retirado da net)

Lisboeta como sou, elegi o cheiro do manjerico como o perfume do Verão. E como não há manjerico em quadras populares, aqui vão algumas cá da minha lavra. Só peço desculpa pelo "desvio colossal" que faço nas duas últimas... 

Fica aqui o desafio para quem quiser: pegar no tema e acrescentar mais quadras populares.


O cheiro do manjerico
É o melhor cheiro do V'rão
Ele alegra o Santo António,
O São Pedro e o São João!

Manjerico que perfumas
De Lisboa o casario
Donde te vem o perfume?
Melhor nunca se sentiu!

Meu amor ofereceu-me
Um vaso de manjerico
Que faço eu? Ele é pobre
E eu queria marido rico…

Manjerico dos santinhos,
Dos santinhos populares
Pega o Passos e o Vitinho
E leva-os a mudar de ares.

Leva também o Cavaco
Vai ao Porto e pega o Rio
E manda-os, meu bem-amado,
P’rá “senhora” que os pariu…


quinta-feira, 31 de maio de 2012

As Amantes do Verão



Acreditam que eu aceitei o desafio lançado pela Turista Acidental e pela Scarlet Red para ser uma das (muitas) Amantes do Verão? É verdade! Quase nem eu acredito. Mas eu passo a explicar porque me custa a crer: como é que uma "anarca" em termos de entradas que num dia mostra os seus gatos mais fofos e noutro dia "derrete" o governo à má língua, para no dia seguinte falar babada dos netos, vai conseguir estar trinta dias - leram bem: TRINTA DIAS - a escrever sobre o Verão?

É bem verdade que eu gosto muito do Verão, mas estar um mês inteirinho a falar do mesmo, garanto-vos: vai ser dose! Mas não se enfadem os meus queridos e pacientes leitores/comentadores, que espero ser capaz de editar a entrada diária sobre o Verão a que me comprometi e, à parte, continuar a lançar as minhas habituais picadelas de roseira brava em toda e qualquer direção!... E há tanto a (des)dizer sobre o que o ministro c(Rato) em andado a fazer!  Sobre esse e não só...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Bancos

Desenganem-se se pensam que me vou pôr aqui a perorar sobre a ação dos bancos, essas ignóbeis instituições que nos obrigaram a viver muito acima das nossas possibilidades, oferecendo-nos empréstimos para casas na praia e viagens a Santo Domingo e carros de alta cilindrada, e que por isso agora o "nosso" pobre governo se vê obrigado a empobrecer-nos, a desempregar-nos, a retrocedermos coisa de trinta ou quarenta anos!

 Desenganem-se se pensam que vou falar do Banco Português de Negócios e dos seus magnânimos fundadores que, coitados, queriam tanto criar emprego e riqueza para o país e agora estão a ser difamados pelos jornais e apertados pela Justiça que, se Deus quiser, há de provar que estão todos inocentes!

Os bancos que hoje vos quero deixar aqui são outros bem mais inócuos e populares, daqueles onde antigamente se namorava e que espero que descubram rapidamente onde se encontram.



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Livros

No Dia Mundial do Livro, transcrevo uma deliciosa carta de Fernando Pessoa ao escritor José Osório de Oliveira, filho da republicana Ana de Castro Osório, na qual discorre sobre os livros da sua vida.

(Na exposição "Fernando Pessoa, plural como o Universo" na Gulbenkian)

«Recebi, há cinco minutos, a sua pergunta: “Quais foram os livros que o banharam numa mais intensa atmosfera de energia moral de generosidade, de grandeza de alma, de idealismo?” Respondo, como vê, imediatamente. Diz-me que é uma pergunta feita por António Sérgio, a quem não conheço pessoalmente, mas por quem tenho a maior consideração. É mais uma razão para responder depressa; não é, infelizmente, uma razão para poder ser lúcido ou explícito, visto que se trata de um assunto em que, até agora, não reflecti.

Como, porém, em todas as dificuldades da vida se deve agir antes de pensar, vou responder antes de pensar o que digo, e a resposta terá assim o selo régio da sinceridade.

Ponho uma questão prévia. Os termos da pergunta pressupõem que a energia moral, a generosidade, a grandeza de alma e o idealismo sejam pessoas abstractas do meu convívio quotidiano. Infeliz, ou infelizmente, não o são. Não digo que as não conheça, mas não as conheço com aquela intimidade com que conheço o capricho, a insinceridade e o devaneio – por vezes, até o devaneio lógico, que tem sido uma das minhas principais exterioridades.

Traduzo, pois, a pergunta para o seguinte: Quais foram os livros que mais me transmudaram em mim mesmo para aquela pessoa diferente que todos nós desejaríamos ser? Para isto tenho uma resposta – aquela, imediata e impensada, a que acima me refiro – e que deve conter a verdadeira.

Em minha infância e primeira adolescência houve para mim, que vivia e era educado em terras inglesas, um livro supremo e envolvente – os “Pickwick Papers”, de Dickens; ainda hoje, e por isso, o leio e releio como se não fizesse mais que lembrar.

Em minha segunda adolescência dominaram meu espírito Shakespeare e Milton, assim como, acessoriamente, aqueles poetas românticos ingleses que são sombras irregulares deles; entre estes foi talvez Shelley aquele com cuja imaginação mais convivi.

No que posso chamar a minha terceira adolescência, passada aqui em Lisboa, vivi na atmosfera dos filósofos gregos e alemães, assim como na dos decadentes franceses, cuja acção me foi subitamente varrida do espírito pela ginástica sueca e pela leitura da “Dégénérescence”, de Nordau.

Depois disto, todo o livro que leio, seja de prosa ou de verso, de pensamento ou de emoção, seja de estudo sobre a quarta dimensão ou um romance policial, é, no momento em que o leio, a única coisa que tenho lido. Todos eles têm uma suprema importância que passa no dia seguinte.

Esta resposta é absolutamente sincera. Se há nela, aparentemente, qualquer coisa de paradoxo, o paradoxo não é meu: sou eu.»

Fernando Pessoa (1932) 

E, a propósito, deixo aos meus caros leitores o mesmo desafio: apontarem o(s) livro(s) da vossa vida. Um dos meus foi "Wuthering Heights" (O Monte dos Vendavais) de Emily Brontë; outro foi a Poesia de Álvaro de Campos.

domingo, 4 de março de 2012

Escapadela


Hoje viemos ficar aqui.






As salas são assim







O quarto é assim



E tem uma vista assim



Lá fora também há...



Se não descobrirem até onde viemos, amanhã digo-vos...


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Porto




Acabei há dias de ler um livro de onde retirei esta descrição do Porto. Sei que muitos de vós também o leram já, até porque o autor, apesar de não ser dos mais jovens, está na moda. Quem sabe de quem estou a falar?


«Escuro, pitoresco, desleixado, o Porto já não é a metrópole que foi na minha infância. As pontes e a estação, o palácio do bispo, a Sé, a Torre dos Clérigos, tudo isso se mantém, e vista da margem esquerda a paisagem da cidade continua esplêndida. Mas nos rostos das pessoas há mais sombras que sorrisos, o ar de algumas ruas é de mau agouro.

O rio lá está, quase sem movimento, com pouca vida, só de longe um ou outro naviozito se arrisca a passar por entre as línguas de areia que lhe assoreiam a foz. Os rabelos envernizados que agora o navegam são falsificações da publicidade e na beira-rio lodosa de Gaia, que conheci cheia de bulício, a ferver de agitação, deitaram placas de cimento e fizeram esplanadas onde os turistas se sentam a beber cerveja, de costas para a cidade para melhor tomarem o sol. Passo, olho, vou adiante e minto a mim próprio, dizendo-me que é absurdo carregar o peso morto do passado.

Hospedei-me por uma noite num hotel da Praça da Batalha, contente de ver em redor quase todos os cafés do meu passado, a sua presença a confirmar que nem tudo se estiola, nem tudo morre.

Desço para o rio, atravesso a ponte, refaço o que foi o caminho de casa. Centenas ou milhares de vezes palmilhado, pouco importa a conta. Por um instante, com sede, quase me deixo tentar pelos guarda-sóis coloridos das esplanadas, mas continuo em frente, como se fosse inconveniência ou traição ir-me sentar entre estranhos no mesmo lugar onde antes brinquei, onde sonhei. Onde meu pai ia e voltava na sua ronda, vigiando o rio, assestando o binóculo nos vapores quando um movimento lhe parecia suspeito, ou quando os tripulantes desciam pelo portaló. Frustrado por ter de apreender o pequeno contrabando da meia dúzia de maços de cigarros presos dentro das calças, ou da garrafa de uísque apertada no sovaco, e ao mesmo tempo assistir impotente ao tráfico do vinho, do volfrâmio, das mercadorias, que os seus chefes e alguns colegas acobertavam.

Vira-os ganhar fortunas com o contrabando no começo da guerra, construir casas apalaçadas, subir de posto, receber medalhas por bons serviços, enquanto ele – que por natureza e educação tinha a lei por dogma – se gastava a pedir inquéritos urgentes, a apresentar queixas, a fazer listas, a escrever relatórios. (…)
Meu pai, que até então tinha bebido moderadamente, começou a intoxicar-se.»